The Weeknd vai colocar milhões do bolso para show no Super Bowl

Cantor gastará R$ 38 milhões para que apresentação na final da liga americana de futebol seja ‘como ele imaginou’
GABRIELA MARÇAL – O ESTADO DE S.PAULO

The Weeknd chega ao Festival Internacional de Filme de Toronto, em setembro de 2019

The Weeknd é o astro que se apresentará no show do intervalo doSuper Bowl deste ano, em 7 de fevereiro. Segundo seu empresário, Wassim “Sal” Slaiby, para que a performance, que será realizado em Tampa, Flórida, saia “como ele imaginou” o cantor colocará R$ 38 milhões de seu bolso. 

A informação foi dada em entrevista para a revista Billboard sobre a apresentação do canadense The Weeknd, cujo nome verdadeiro é Abel Tesfaye, na final da liga americana de futebol, nos Estados Unidos.

“Todos nós crescemos assistindo aos maiores artistas do mundo tocando no Super Bowl, e só se pode sonhar em estar nesta posição. Estou comovido, honrado e extasiado de ser o centro deste palco neste ano”, declarou o cantor em um anúncio para imprensa de que seria a atração do Super Bowl 2021.

O Super Bowl ocorre desde 1967, e é a partida que decide o vencedor da NFL (National Football League), principal liga de futebol americano. A disputa tem fama mundial, e é o evento esportivo de maior audiência dos EUA. 

O show de intervalo, ou halftime show, também se tornou um dos destaques da partida, recebendo grandes cantores. Antes de Shakira e Jennifer Lopez, a banda Maroon 5 foi responsável pela apresentação de 2019.

Polêmica Super Bowl x Grammy

Em novembro do ano passado, o site TMZ publicou que, segundo fontes do meio, a direção do Grammy teria exigido que o artista escolhesse entre a premiação musical e Super Bowl. 

Após não receber nenhuma indicação, The Weeknd criticou a organização do prêmio. “O Grammy continua corrupto. Vocês devem transparência a mim, meus fãs e à indústria [musical]”, disse o cantor em uma publicação no Twitter.

Em nota enviada para a revista estadunidense The Hollywood Reporter, Harvey Mason Jr., que atualmente comanda a organização responsável pela premiação, rebateu as acusações. “Nós entendemos que The Weeknd está desapontado por não ter sido nomeado. Eu fiquei surpreso e tenho empatia com o sentimento dele. A música dele neste ano foi excelente”, disse Mason Jr. “Para ser claro, a votação em todas as categorias acabou bem antes do anúncio da apresentação do The Weeknd no Super Bowl, então de jeito nenhum isso afetou o processo de nomeação. Todos os nomeados ao Grammy são reconhecidos por um corpo de eleitores pela sua excelência, e nós parabenizamos a todos”, concluiu ele.

/Com informações da Efe e Reuters

Desempregadas, elas vendem fotos nuas online, mas enfrentam dificuldades

O sucesso do OnlyFans, uma plataforma que permite que a usuária venda ‘nudes’ explodiu durante a pandemia; concorrência no site implica que muitas delas vendem pouco
Por Gillian Friedman – The New York Times

Savannah Benavidez criou uma conta OnlyFans depois de perder seu emprego como secretária

Savannah Benavidez parou de trabalhar como secretária de um médico, em junho, para tomar conta do filho de dois anos depois que a creche fechou. Tendo de sobreviver, ela criou uma conta no OnlyFans – uma plataforma de rede social em que os usuários vendem conteúdo original para assinantes mensais – e começou a postar fotos de si mesma nua ou com uma peça de lingerie.

“É muito mais do que eu consegui ganhar em qualquer emprego”, contou. “Tenho tanto dinheiro que não sei o que fazer com ele”.

Lexi Eixenberger esperava obter um sucesso semelhante quando começou a conta na OnlyFans, em novembro. Funcionária de um restaurante no Estado americano de Montana, Lexi, de 22 anos, foi demitida três vezes durante a pandemia e, em outubro, estava precisando tanto de dinheiro que teve de sair do curso para ser higienista dental. Fazendo todo tipo de trabalho, ainda não ganhava o suficiente para pagar as contas. Então, por sugestão de algumas amigas, recorreu ao OnlyFans. Mas até agora ganhou apenas cerca de US$ 500.

“As pessoas acham que tirar fotos nuas e postá-las online é fácil. No entanto, é um trabalho difícil, um emprego em tempo integral”, afirmou Lexi. Ela diz que, às vezes, postar suas fotos a faz sentir-se “nojenta”.

A popularidade do OnlyFans, fundado em 2016 e sediado na Grã-Bretanha, cresceu durante a pandemia. Em dezembro, a plataforma tinha mais de 90 milhões de usuários e mais de um milhão de criadores de conteúdo, em comparação a 120 mil em 2019. A empresa não quis fazer comentários para esta reportagem.

Com milhões de americanas desempregadas, algumas como Benavidez e Eixenberger decidiram recorrer ao OnlyFans na tentativa de prover a si mesmas e à família. A pandemia foi particularmente devastadora para as mulheres e as mães porque acabou com alguns setores da economia em que elas predominavam, como as lojas de varejo, restaurantes e na área de saúde em geral.

“Muitas estão migrando para o OnlyFans por puro desespero”, afirmou Angela Jones, professora adjunta de sociologia da Universidade Estadual de Nova York em Farmingdale. “É que elas têm a preocupação da comida, em manter as luzes acesas, e ainda temem ser despejadas”.

Mas para cada pessoa como Benavidez, que pode usar o OnlyFans como sua principal fonte de renda, há dezenas de outras, como Eixenberger, que esperam um milagre e acabam com pouco mais de algumas centenas de dólares, além da perspectiva de que as fotos as impeçam de conseguir um emprego no futuro.

As criadoras de conteúdo mais bem-sucedidas em geral são modelos, estrelas pornô e celebridades que já têm um grande número de seguidores nas redes sociais. Elas podem usar suas outras plataformas online para atrair seguidores para as próprias contas no OnlyFans, onde oferecem conteúdo exclusivo aos que se dispõem a pagar uma taxa mensal – inclusive conteúdo personalizado em troca de um pagamento extra. 

O OnlyFans fica com 20% de todos os pagamentos. Algumas criadoras conseguem dinheiro extra por meio de aplicativos de pagamentos de celular, que não estão sujeitos a estes cortes. Benavidez ganha a maior parte do seu faturamento desta maneira. Mas muitas das criadoras que foram para a plataforma devido a uma situação financeira desesperadora não têm um grande número de seguidores na rede social ou qualquer outra maneira de obter um negócio consistente.

Lexi Eixenberger se tornou uma criadora do OnlyFans, mas não ganhou muito até agora
Lexi Eixenberger se tornou uma criadora do OnlyFans, mas não ganhou muito até agora

Elle Morocco, 36 anos, da Flórida, foi demitida em julho do seu emprego de gerente. O seguro-desemprego não cobre o aluguel de US$ 1,6 mil mensais, as contas regulares e o custo da alimentação, por isso, em novembro, foi para o OnlyFans.

Morocco não tinha uma presença nas redes sociais para se promover quando entrou na plataforma, e precisou ganhar os seguidores um por um – postando imagens de si mesma no Instagram e no Twitter, e atender individualmente as pessoas que gostam e comentam os seus posts, encorajando cada uma a se tornar assinante do OnlyFans. É algo bem mais trabalhoso e exige muito mais tempo do que ela imaginava, e menos compensador do ponto de vista financeiro.

“É um trabalho em tempo integral além de todo o tempo disponível dedicado à busca de um emprego”, afirmou. “Os fãs querem ver você postando diariamente. Então você trabalha sem parar. Está sempre tirando fotos para postar”.

Até agora, ganhou apenas US$ 250 na plataforma, apesar de às vezes gastar mais de oito horas diárias criando, postando e promovendo o seu conteúdo. Ela teme também que a sua presença na plataforma possa fazer com que encontre dificuldade na hora de ser contratada futuramente para empregos tradicionais.

“Se você procura uma ocupação normal das 9 às 17 horas diárias, talvez não seja contratada se a empresa souber que você tem uma conta no OnlyFans”, afirmou. “E não a queira por você ser uma trabalhadora do sexo”.

Perigos

O trabalho com sexo digital pode dar uma ilusão de segurança e privacidade – as criadoras de conteúdo podem ser pagas sem precisarem interagir com clientes pessoalmente. Mas isto não significa que elas não estejam correndo riscos.

“O trabalho do sexo online é uma alternativa muito mais atraente para muitas pessoas do que trabalhar na rua ou vender serviços sexuais diretos”, disse Barb Brents, professora de sociologia da Universidade de Nevada, em Las Vegas. “Agora, todo mundo que esteja ingressando neste tipo de ocupação deve estar consciente de que há perigos”.

Em abril do ano passado, uma mecânica de Indiana perdeu o emprego em uma concessionária Honda depois que a direção ficou sabendo de sua conta na OnlyFans. As criadoras podem ser alvo de “doxxing”— um tipo de assédio online em que alguns usuários publicam informações privadas ou sensíveis a respeito de uma pessoa sem permissão. Em dezembro, o jornal The New York Post publicou um artigo sobre uma médica que usava o OnlyFans para suplementar a renda.

Ela achou que o artigo, publicado sem o seu consentimento, poderia prejudicar a sua reputação e faria com que fosse demitida do emprego.

Para outras, a experiência permitiu que obtivessem maior autonomia. Melanie Hall, 27 anos, mãe solteira de três filhos, ganha US$ 13,30 a hora como paramédica em Ohio, o que mal dá para pagar os gastos. Ela começou uma conta no OnlyFans em dezembro. “Sou mãe de três filhos. Nunca pensei que alguém pudesse pagar para me ver nua”, ela disse. “Mas isto foi um impulso para a minha autoconfiança”. /TRADUÇÃO DE ANA CAPOVILLA

Marine Serre Spring Summer 2021 Photographed by Marc Hibbert

O título, AMOR FATI, é um convite para abraçar ativamente todos os prazeres e adversidades da vida sem julgamento.

© Marine Serre

Esta temporada MARINE SERRE apresenta a coleção Primavera / Verão 2021 através do formato de uma curta-metragem realizada em colaboração com os realizadores Sacha Barbin e Ryan Doubiago, e o compositor Pierre Rousseau. Um elenco poderoso é liderado pela cantora iraniano-holandesa Sevdaliza e a artista francesa Juliet Merie, amiga próxima e colaboradora de Marine, que desempenham um papel crucial no filme.

Models:
Mother and baby: Chloe Winkel & Zana
Brother and Sister: Turgay & Yasemine Cakli
Tree: Juliet Merie
Cat: Vladimir McCrary
Mother and Son: Amalia Vairelli & Melchior
Plant: Chloe Winkel
Big Family: Chihiro Niuya & Sons (Noé, Rui & Gil)
Pillow: Kim Peers
Couple: Kristina DeConinck & Nicolas Duée

Entre o mundo real, o digital e a ficção, alta-costura renova repertório na temporada de verão 2021

O que desfilaram as grifes Dior, Schiaparelli, Chanel
Gilberto Junior

El Abre Moda Alta-Costura Verão 2021 Foto: Divulgação / Divulgação

Antes de cada desfile de sua maison, Christian Dior tinha o hábito de consultar as cartas de tarô para saber o que o futuro lhe reservava. Primeira mulher a comandar a grife francesa, a estilista italiana Maria Grazia Chiuri resgatou à sua maneira a tradição ao colocar o misticismo como ponto central da coleção de verão 2021 de alta-costura. Diante de todas as restrições impostas para conter a segunda onda de Covid-19, a designer apresentou as preciosas peças por meio de um filme dirigido por seu compatriota Matteo Garrone. Juntos, criaram um mundo mágico e misterioso, com códigos da marca revisitados e atualizados — pense na clássica jaqueta bar — e um jogo interessante entre o masculino e o feminino.

Alta-Costura Verão 2021: Na Schiaparelli, acessórios fantásticos fazem par com looks esculturais Foto: Divulgação
Alta-Costura Verão 2021: Na Schiaparelli, acessórios fantásticos fazem par com looks esculturais Foto: Divulgação

Seguindo essa linha surrealista, o americano Daniel Roseberry colocou o sonho em pauta na couture de Schiaparelli. Acessórios fantásticos faziam par com looks esculturais, que, em muitos momentos, lembravam a silhueta de heróis musculosos das histórias em quadrinhos. Com vestidos de suspirar, o italiano Giambattista Valli provou novamente ser um mestre das proporções ao domar metros e metros de tules, desenhando uma coleção com forte perfume espanhol. Enquanto isso na Chanel, Virginie Viard apostou no rigor da alfaiataria, sem abrir mão de babados, flores e um trabalho primoroso de volumes.

Nessa difícil equação, que tenta encontrar o equilíbrio entre o real e a ficção, quem triunfou foi o italianíssimo Pierpaolo Piccioli. Saíram de cena os looks espetaculosos da temporada passada para entrarem as peças que dialogam com desenvoltura com a contemporaneidade. Roupas confortáveis para um dia a dia não tão básico apareceram ao lado de outras que clamavam por uma certa dose de escapismo. “A couture é uma grande mise-en-scène”, define a consultora de moda Costanza Pascolato. “A coleção de verão da Valentino é sensacional, vai além da fantasia e do baile. Gosto bastante também da Schiaparelli, porque traz essa visão surreal, coloca o lúdico na conversa.”

Sonhar nunca foi tão necessário.

Aniye By | Fall Winter 2021/2022 | Digital

Aniye By | Fall Winter 2021/2022 | Digital Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p)

Prey X Swim | Resort 2019 | Full Show

Prey X Swim | Resort 2019 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen/1080p – Miami Swim Week)

Cantora e produtora musical escocesa Sophie morre em acidente na Grécia aos 34 anos

Artista teria escorregado em uma escalada para observação da lua

A cantora e produtora musical Sophie, morta neste sábado em um acidente na Grécia – Reprodução/Facebook

SÃO PAULO – A cantora e produtora musical escocesa Sophie morreu na manhã deste sábado aos 34 anos em Atenas, na Grécia —cidade onde morava. Segundo a gravadora Future Classics, a artista teria escorregado durante uma escalada para observar a lua cheia.

De acordo com o site especializado em música Pitchfork, Sophie moldou a música eletrônica usando como base um pop de vanguarda. Entre os artistas com os quais colaborou durante sua carreira estão Madonna, Lady Gaga e Charli XCX.

Mulher transexual, Sophie recebeu uma indicação ao Grammy de melhor álbum de música dance/eletrônica em 2019.

“Sophie foi uma pioneira de novos sons, uma das artistas mais influentes na última década. Não só pela produção engenhosa e criativa, mas também pela mensagem e pela visibilidade que alcançou. Um ícone de liberação”, diss e a equipe da artista em um comunicado enviado ao portal voltado para a música NME.

Nas redes sociais, artistas e ativistas da comunidade trans prestaram homenagens a Sophie. A modelo trans Munroe Bergdorf disse em sua página do Twitter que a comunidade trans perdeu um ícone pioneiro e visionário. “Obrigado por compartilhar seu talento conosco. Espero te encontrar novamento algum dia. Descanse em paz, irmã”, escreveu.

Festival Coachella é cancelado pela terceira vez nos EUA

Autoridades de saúde na Califórnia suspenderam a realização do evento, que costuma arrastar meio milhão de pessoas, devido ao recrudescimento da pandemia de coronavírus

O público do festival Coachella, na edição de 2019, em show do grupo australiano Tame Impala Foto: VALERIE MACON / AFP

O festival Coachella, que estava marcado para acontecer em abril, na Califórnia, foi cancelado, pela terceira vez, por causa do coronavírus. Na última sexta-feira, autoridades de saúde suspenderam o evento devido ao recrudescimento da pandemia na região.

Segundo o governo, a decisão visa diminuir a exposição da população local ao vírus. A quantidade de casos e mortes em decorrência da Covid-19 aumentou significativamente nos últimos dois meses.

O Coachella, que costuma arrastar meio milhão de pessoas ao deserto californiano — com shows em área ao ar livre —, seria originalmente realizado em abril de 2020. Por conta da crise sanitária, foi adiado para outubro e depois para abril de 2021. Agora, o evento foi cancelado, sem nova previsão para que aconteça.

Os organizadores ainda não tinham anunciado as atrações desta edição do festival, e seguem sem se manifestar sobre a decisão.

O Oscar deveria enxergar o atual momento como uma oportunidade

A Academia precisa encontrar novas formas de louvar a excelência do cinema
A. O. Scott, The New York Times

Oscar
Estatuetas do Oscar Foto: Monica Almeida/The New York Times

92º Oscar aconteceu há pouco menos de um ano, em 9 de fevereiro de 2020, colocando-se como um dos últimos eventos públicos normais do ano passado. Um monte de gente se aglomerou – sem máscara! – num espaço fechado, cantou canções e fez discursos, espalhando aerossóis em todas as direções. Depois se amontoou em limusines e partiu para festas sem nenhum distanciamento social. Dá para imaginar? Muitos de nós fizemos nossas próprias festas, depois de termos visto pelo menos alguns dos filmes indicados em cinemas de verdade.

Aconteça o que acontecer no Dolby Theatre em 25 de abril, não será nada parecido com isso. Mesmo que as projeções mais otimistas sobre a pandemia se concretizem, o caminho para o Oscar deste ano está praticamente irreconhecível. O Festival de Cinema de Cannes, onde o vencedor de Melhor Filme do ano passado (Parasita, de Bong Joon-ho, caso você não se lembre) fez sua estreia, não aconteceu em 2020 – e já adiou o de 2021. Nem Telluride, um dos trampolins para candidatos ao Oscar. Outros grandes festivais, como Veneza e Toronto, foram só sombras de sua velha vida sempre agitada.

Os tipos de filmes que tradicionalmente disputam prêmios – dramas de orçamento médio com estrelas conhecidas e assuntos históricos respeitáveis ou temas sociais – foram escassos ao longo do ano, embora alguns tenham aparecido na Netflix. O público e a indústria ficaram flutuando num estranho limbo pandêmico. Eram muitos filmes para ver nas plataformas de streaming ou de vídeo sob demanda e até, para os cinéfilos intrépidos ou irresponsáveis, nos cinemas. Mas os ciclos usuais de burburinho e reação, o boca a boca e o hype retumbante que definiam a temporada de premiações, para o bem e para o mal, não se materializaram. Como resultado, ninguém sabe exatamente o que esperar, e mesmo os apostadores profissionais mais descarados estão de boca fechada.

Claro, é possível que os produtores da transmissão da cerimônia e os membros votantes da academia elaborem alguma versão do espetáculo de sempre, imaginando que é isto o que as pessoas querem. Afinal, eles são vendedores de faz-de-conta profissionais, e seria uma resposta compreensível à situação atual tentar fazer todos nós acreditarmos, mais uma vez, na velha religião: no glamour das estrelas, no poder de Hollywood, na magia do cinema.

Mas espero que não. Seria uma pena se a Academia desperdiçasse essa crise. Como em tantas outras áreas da vida contemporânea, o desejo de retorno à normalidade pode ser um mecanismo de nostalgia e negação total, uma desculpa para esconder o que havia de errado com o velho normal. E vamos encarar os fatos: antes de o coronavírus virar tudo de cabeça para baixo, o Oscar já estava uma bagunça.

Sim, sim, eu sei. Aconteceram muitos momentos de verdadeiro deleite – as vitórias de Parasita, a consagração de Moonlight em 2017, os triunfos em série dos Três Amigos –, mas esses momentos sempre chegavam numa maré de esperada decepção. Por pelo menos uma década, os prêmios vêm tentando cumprir uma série de imperativos cada vez mais incompatíveis.

A transmissão em si deve atrair uma boa audiência global, para se posicionar como um dos últimos e mais orgulhosos eventos de exibição em massa num universo de consumo cultural cada vez mais fragmentado e assíncrono. Ao mesmo tempo, supõe-se que a transmissão glorifique um ideal especificamente americano de produção cultural: popular e comercial, mas também altivo e de alta qualidade, não estritamente nacionalista, mas acolhedor. A Academia defende um imperialismo amigável e inclusivo, construído sobre um alegre consenso.

Nos últimos tempos, as rachaduras na superfície e na fundação do edifício ficaram cada vez mais aparentes. A audiência diminuiu a firme compasso e então se tentaram várias soluções. Apresentadores antigos, apresentadores novos, nenhum apresentador, dois apresentadores (não necessariamente nessa ordem). Os discursos de aceitação ficaram mais curtos, ainda que, de algum jeito, a cerimônia em si nunca tenha se encurtado. O trabalho de mestre de cerimônias virou uma roubada para as celebridades, em vez de uma grande honraria. Eles ficaram muito provocativos ou muito domados, muito esquisitos ou muito meigos, muito políticos ou muito pouco políticos.

Mas não foi apenas o espetáculo comprido demais – um retrocesso cada vez mais estranho a uma forma de entretenimento de que ninguém se lembrava, de que ninguém gostava muito, para falar a verdade – que teve problemas para encontrar um ritmo. Os prêmios em si acabaram prejudicados por demandas concorrentes. À medida que a indústria investe cada vez mais talento e capital em franquias, seus produtos de prestígio se especializam. Os orçamentos e as receitas de bilheteria de filmes dignos do Oscar diminuíram, um fato que muitas vezes é culpado pelo declínio da audiência e pela notável perda de relevância.

Alguns anos atrás, a academia tentou resolver esse problema lançando uma nova categoria de melhor filme popular. A ideia foi rapidamente abandonada diante do escárnio geral. Mas os verdadeiros vencedores de Melhor Filme vêm formando um balaio de gatos. A categoria forneceu alguns destaques e descobertas (MoonlightParasita), junto com momentos de confusão e exasperação. O desenlace caótico da cerimônia de 2017 – é La La Land! Não, espere aí, é Moonlight! – pode ser tomado como metáfora. Uma velha guarda sem noção, um procedimento burocrático desajeitado, um momento de indefinição carregado de um reconhecimento apenas parcial das questões raciais e geracionais: tudo que o Oscar continuava errando e tentando consertar.

O novo estava fazendo de tudo para nascer, mas o velho não estava pronto para ir embora. O esforço da Academia para deixar seus membros mais jovens e diversificados pareceu se justificar com a vitória de Moonlight, mas, dois anos depois, o triunfo de Green Book soou como uma regressão – quando não como uma reação direta. No meio do caminho, A Forma da Água surgiu como um meio-termo bem estranho – eu gostei do filme, mas ainda não entendi muito bem o que era. E aí Parasita lançou o pêndulo para uma direção radicalmente nova, sem necessariamente consertar os problemas estruturais subjacentes.

Artes. E agora? O prestígio e a autoridade do Oscar sempre se apoiaram em duas premissas fundamentais: que o cinema é o carro-chefe das artes populares e que a eterna capital do cinema é Hollywood. Talvez esses axiomas sempre tenham sido discutíveis, mas, em 2021, eles são evidentemente falsos.

Está na hora de rasgar os planos e começar do zero. O que isso significa, na prática? Por um lado, significa continuar a expandir o número de membros da Academia rumo à diversidade geográfica, geracional e cultural. Quanto mais membros votantes, melhor. Por outro lado, acho que significa tratar a vitória de Parasita não como uma exceção, mas como um evento precursor. O filme, um thriller cheio de reviravoltas, com atuações brilhantes e direção impecável, tudo misturado com uma crítica social ácida e humanista, cumpriu os ideais do Oscar melhor do que qualquer produção mainstream de Hollywood desde, sei lá, Silêncio dos Inocentes, talvez? Se Meu apartamento falasse? Casablanca? E tem muito mais de onde o filme veio. Não estou falando só da Coreia do Sul nem da imaginação deslumbrante de Bong. A academia deveria abolir o gueto da categoria Melhor Filme Internacional, com seus critérios misteriosos e sua duvidosa confiança no gosto das instâncias governamentais, e fazer do Melhor Filme uma categoria explicitamente internacional.

Ou então – e além disso – encontrar novas formas de louvar a excelência. Ficar, a um só tempo, menor e maior, dando espaço e atenção ao diferente, ao experimental e ao artesanal, bem como ao exagerado e ao grandioso. Desfazer a hierarquia embrutecedora de gêneros que quase sempre exclui comédia, terror, ação e arte. Esse momento pode envolver uma simples mudança de atitude ou gosto, mas também pode exigir uma mudança formal nas regras. E se houvesse categorias de acordo com o gênero ou a faixa de orçamento (melhor filme de quadrinhos, melhor filme de um milhão de dólares) e estes filmes também pudessem concorrer a Melhor Filme? E se o Oscar se inspirasse na mania de previsão da imprensa esportiva e na obsessão da mídia por listas para abrir o pensamento dos eleitores? Milhões de fãs de cinema dão votos falsos todos os anos. E se houvesse uma maneira de transformar essas cédulas numa coisa de verdade?

O Dolby Theatre não é um templo. É um bazar. E a resposta aos anos de mal-estar do Oscar pode ser mais ênfase no comércio, e não menos – se entendermos que comércio não significa o consumo passivo de mercadorias mortas, mas a troca animada de ideias e informações. Quando digo que o Oscar está uma bagunça, acho que quero dizer que o Oscar não está bagunçado o bastante, que projeta uma imagem consensual e branda do cinema que se vê cada vez mais em conflito com a anarquia que é a única esperança de sobrevivência do cinema. Já vivemos o conto de fadas. Agora, precisamos do descarrilhamento de trem. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU