Robô-aspirador ganha espaço e vira eletrônico fundamental na pandemia

Com o lar transformado em escritório e escola, equipamentos que limpam sozinhos os ambientes deixam de ser um produto de nicho e caminham rumo à popularização
Por Bruna Arimathea – O Estado de S. Paulo

Em alguns lares, o robozinho ganha nome e sobrenome além das tarefas domésticas

Uma cena da série Gilmore Girls, que foi exibida pelo canal americano The CW, é famosa por mostrar a mãe Lorelai e a filha Rory Gilmore — cada uma em uma cidade diferente — falando ao telefone enquanto assistem, admiradas, um pequeno robô aspirar a casa sozinho pela primeira vez. O ano? 2005. Isso significa que robôs que fazem o serviço de aspiradores de pó tradicionais não são exatamente uma novidade. Porém, foi no último ano que eles caíram no gosto de muitos brasileiros. 

Um dos motivos para a ascensão do robô-aspirador é óbvio: a pandemia fez muita gente ficar em casa — o que forçou cada um a ter de lidar mais com a própria bagunça. Não apenas isso: com o lar virando escola e escritório, a produção de sujeira também cresceu, o que impulsionou ferramentas de auxílio nas tarefas domésticas. Foi assim que Débora Costa Melo, engenheira de produção de 25 anos, decidiu que era hora de comprar seu primeiro “robozinho” aspirador de pó.

“Outras pessoas da minha família já tinham, e sempre falavam da experiência, mas parecia algo distante pra mim, por parecer super tecnológico. Acompanhei no Instagram um teste e quando eu vi um modelo de R$ 500 resolvi comprar. Não conseguia ter tempo para limpar a casa no home office e isso me incomodava”, diz.

Débora não foi a única. Um levantamento da consultoria GfK revelou que o crescimento nas vendas dos aspiradores robôs foi de 375% em 2020 no Brasil — o número saltou de cerca de 37 mil em 2019 para quase 176 mil no ano passado. Ainda, o estudo revelou que as maiores altas foram em aparelhos simples, na faixa entre R$ 401 e R$ 500, e os modelos premium, entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil. Atualmente, existem mais de 30 modelos à venda no mercado.  

“Não fosse a pandemia, eles estariam crescendo em ritmo muito menos acelerado. Era uma categoria de nicho. Hoje, você vê o crescimento da faixa mais cara e um crescimento da faixa mais barata. A faixa intermediária encolheu em importância. É como se fossem dois ‘Brasis’ comprando o produto agora”, explica Fernando Baialuna, diretor da GfK. 

O momento, que encorajou a compra por mais usuários, possibilitou que o aparelho se colocasse em uma espécie de fase de transição. Segundo Eduardo Pellanda, professor da PUC-RS, esses dispositivos estão diante de uma grande vitrine.

“Os robôs aspiradores tiveram um precursor, mas hoje já existem diversas marcas. Era uma tecnologia que só uma empresa era proprietária, e já não é mais. Por aqui, as pessoas começaram a se dar conta [da variedade] e foi uma coisa que começou a ter uma necessidade maior durante a pandemia”, diz. 

Para quem já adquiriu um exemplar, o uso do dispositivo é um caminho sem volta. Nicolas Oliveira, engenheiro militar, conta que o aparelho foi um divisor de águas na rotina da casa. “Eu conheci o aparelho porque eu estudava robótica na faculdade e, quando comprei uma caixinha conectada, pesquisei por coisas que poderiam se integrar a ela. Também moro sozinho e queria ter menos trabalho para limpar a casa. Hoje, com certeza, se ele quebrar eu compro outro. Não quero ficar sem”. 

Para quem já adquiriu um exemplar, o uso do dispositivo é um caminho sem volta
Para quem já adquiriu um exemplar, o uso do dispositivo é um caminho sem volta

Como funcionam

O princípio básico para o funcionamento desses robozinhos envolve sensores de aproximação, sensores de toque e algoritmos de varredura. Esses componentes conseguem identificar quando o robô chega perto de alguma barreira — seja ela uma parede ou um móvel — e sinaliza que é preciso mudar de direção. Modelos mais sofisticados possuem, geralmente, um acréscimo justamente na leitura do espaço doméstico: eles também podem identificar materiais de piso, detectar manchas e mapear o ambiente.

Na limpeza, todos os aparelhos possuem um compartimento onde a sujeira aspirada do chão é armazenada — o tamanho varia com os modelos. Um compartimento para colocar água também pode estar presente em alguns dispositivos, com a possibilidade de adicionar também algum produto de limpeza em alguns modelos. 

Esses compartimentos, porém, ainda geram críticas. Alguns usuários dizem que o componente poderia ser maior e mais resistente — acreditam também que deveria ser mais fácil encontrar peças de reposição. 

A bateria também é um grande diferencial desses bichinhos: alguns modelos não possuem a função de retornar para a sua base de carregamento sozinhos, o que diminui a autonomia do robô na quantidade de horas que pode entregar. Em geral, nos dispositivos mais simples, uma carga pode durar de uma a duas horas, e o carregamento pode passar das quatro horas na tomada. Para a engenheira Alyne Yamabe e a advogada Camila Dutra, que dividem um apartamento em Moema, São Paulo, isso poderia melhorar.

“Eu acho que o tempo de carga ainda é longo, quando comparado ao tempo que ele funciona”, diz. Para os que não voltam sozinhos para a base, tem outra desvantagem. “Se acaba a bateria embaixo da cama, por exemplo, para tirar ele de lá dá trabalho”, afirma Camila.  

Com a inteligência artificial (IA), porém, é possível deixar esses dispositivos mais adaptados ao lar. Renato Giacomini, coordenador do curso de Engenharia Elétrica da FEI, afirma que já existem no mercado modelos com tecnologia de visão computacional, onde um sensor Lidar é capaz de escanear o ambiente e construir um mapa da casa. Assim, com a memória, o equipamento trabalha com plena visão dos obstáculos, objetos frágeis e relevos, como um tapete ou um degrau, além de retornar sozinho para a base.

Porém, quanto mais inteligentes os robôs ficam, maior o preço. Modelos como o Cyclone Force, da Samsung, podem custar até R$ 4,5 mil. Um modelo menos sofisticado — mas ainda assim premium —, que retorna sozinho para a base como o da Mi Robot, da Xiaomi, sai por R$ 2,8 mil. 

Quedas nos preços

“A gente imagina que é muito fácil para um robô fazer essa limpeza, mas exige inteligência. Cada sensor a mais aumenta o custo”, afirma Giacomini. A boa notícia é que o movimento de popularização pode fazer os preços caírem ainda mais — o custo diminui à medida que componentes eletrônicos, como sensores e processadores, ficam mais acessíveis para as fabricantes. 

“O hardware fica cada vez mais barato. IA também é uma coisa que já foi muito cara, mas hoje já não é tanto. Conforme os robôs vão evoluindo não vai fazer sentido não ter um. Vai ser como ter uma batedeira em casa”.

Hoje, por exemplo, já é possível encontrar modelos por menos de mil reais que desempenham muitas das funções de um dispositivo avançado. Mesmo com algumas limitações de compartimentos e bateria, os aparelhos podem dar conta do serviço. O RB-01, da Mondial, por exemplo, sai por R$ 550; o Pas08c, da Philco, pode ser encontrado por R$ 750. 

Um robô para chamar de meu

A praticidade e os preços, porém, não são os únicos fatores que motivam as compras desses aparelhos. A robótica tem os seus encantos. É o que mostram Anna Beatriz Lima, 33, e Gustavo Lima, 43. Eles decidiram incluir o robô na lista de presentes de casamento, em 2019. Chamada Rose, a “faz tudo” é um modelo mais sofisticado, e tem sido parte da família, composta também por Gordo, o cachorro da casa.

Mesmo antes da pandemia, Anna já era parte do grupo que se interessava por gadgets domésticos. A integração do robô com as duas caixinhas inteligentes que existem na casa foi um fator ainda mais importante na hora de compor seu pequeno arsenal de casa conectada.

“Robótica doméstica sempre foi um assunto de interesse. Existe a vontade de ter um robô em casa. Não é só a questão da limpeza. As pessoas falam com orgulho, tratam como um pet mesmo. Isso é muito legal”, afirma Giacomini.

“Quando o usuário começa a perceber que existem outras funções interessantes, acaba percebendo que o robô pode ser bastante útil”, afirma Pellanda. Dessa forma, será cada vez mais comum um robô dentro de casa. Até pouco tempo atrás, era um mundo difícil de imaginar até em seriado americano de TV.   

Bateria, sensores e potência: saiba como escolher um robô-aspirador de pó

Diversidade de modelos e oferta de recursos influenciam nos preços dos aparelhos, que vão de R$ 400 a R$ 6 mi
Por Bruna Arimathea – O Estado de S. Paulo

Pesquisar antes de comprar o robô aspirador de pó pode evitar dor de cabeça em casa 

Assim como qualquer investimento em um eletrônico, é importante analisar algumas características na hora de escolher o melhor robô-aspirador de pó. Isso porque há uma variedade grande de marcas e de faixa de preço — podem ir de R$ 400 a R$ 6 mil — o que significa que existe diferença nos recursos oferecidos. 

Segundo Eduardo Pellanda, professor da PUC-RS, antes de mirar em algum modelo é necessário observar o ambiente onde ele vai trabalhar. 

“É sempre bom entender o tamanho da sua casa: se tem andares, se tem tapetes, se os cômodos são fáceis de acessar. Também, se na casa existem áreas que não possam ser limpas em algum momento, que tem pet ou crianças. Nesse caso, é importante procurar opções que tenham algum tipo de conectividade para serem monitoradas pelo celular”, explica Pellanda.

Se a sua casa é pequena, um modelo com menor autonomia de bateria — e mais barato — pode ser suficiente. Esses aparelhos podem ser encontrados sem a possibilidade de retornarem sozinhos para a base, o que pode não ser um problema caso tenha poucos cômodos para percorrer. Normalmente, eles têm autonomia entre uma e duas horas fora da tomada e precisam de três a quatro horas para fazer o recarregamento. 

Mas, para locais maiores, talvez seja melhor investir em um aparelho menos dependente do carregador — para evitar ser babá do robozinho. Assim, modelos com maior duração de bateria e carregamento mais rápido podem ajudar na faxina. 

Funções de limpeza também são aliados: existem modelos que aspiram, varrem, passam pano e liberam algum produto de limpeza no chão. Se o objetivo é a manutenção da faxina, as funções apenas de aspirar e varrer podem ser mais interessantes e poupar até algumas centenas de reais na compra. 

Potência

O poder de sucção do aparelho, ou seja, a força com a qual ele aspira, também é um ponto para se atentar. Alguns modelos permitem controlar esse recurso, mas, via de regra, quanto maior o poder de sucção mais limpo o ambiente pode ficar – mesmo modelos pequenos podem ter desempenho igual ou superior ao de aspiradores tradicionais.

Além disso, a quantidade de sensores pode fazer a diferença na durabilidade. Modelos capazes de mapear a casa com sensor Lidar e inteligência artificial (IA) podem, além de limpar com mais eficácia, evitar que o aparelho se choque com outros objetos, o que pode diminuir a vida útil do robô.

O compartimento onde a sujeira é armazenada também é lembrado por Pellanda. Como são pequenos, vale a pena observar a capacidade do reservatório — eles costumam ter entre 200 ml e 400 ml. Hoje, já existem alguns modelos em que o próprio dispositivo descarrega a sujeira em um recipiente na base de carregamento, mas é preciso preparar o bolso.

Veja algumas opções de robô no mercado 

Samsung POWERbot VR7200

Sensores: mapeamento de casa, identificação de obstáculos e relevos

Conexão Wi-Fi: sim

Funções: aspira, varre, passa pano

Capacidade do compartimento: 300 ml 

Altura: 97mm

Carregamento: 2h30

Volta para a base: sim

Potência: 130W

Preço: R$ 4.699

Xiaomi Mi Robot Vacuum

Sensores: mapeamento de casa, identificação de obstáculos e relevos

Conexão Wi-Fi: sim

Funções: aspira, varre, passa pano

Capacidade do compartimento: 420 ml 

Altura: 96mm

Bateria: carregamento em até 4h, funcionamento de até 2h30 sem carregador

Volta para a base: sim

Potência: 55W

Preço: R$ 3.653

Multilaser Orion

Sensores: identificação de obstáculos, anti-queda 

Conexão Wi-Fi: não

Funções: aspira, varre

Capacidade do compartimento: 450 ml 

Altura: 87mm

Bateria: carregamento entre 4h e 5h

Volta para a base: sim

Potência: 30W

Preço: R$ 1.340

WAP ROBOT W100

Sensores: identificação de obstáculos, anti-queda

Conexão Wi-Fi: não

Funções: aspira, varre, passa pano

Capacidade do compartimento: 250 ml 

Altura: 75mm

Bateria: carregamento em até 5h, funcionamento de até 1h40 sem carregador 

Volta para a base: não

Potência: 17W

Preço: R$ 820 (pode ser encontrado por pouco mais de R$ 500 no varejo)

Chiwetel Ejiofor, de 12 Anos de Escravidão, estrelará O Homem Que Caiu na Terra

Série adaptará livro dos anos 1960 e filme dos anos 1970

O Homem Que Caiu Na Terra, série da Paramount inspirada no livro de Walter Tevis e no filme estrelado por David Bowie, encontrou seu protagonista. Chiwetel Ejiofor, indicado ao Oscar por 12 Anos de Escravidão, assumirá o papel do alienígena que chega à Terra e precisa encontrar seu lugar no planeta.

Segundo o Deadline, o personagem de Ejiofor será diferente do de Bowie e presenciará um ponto marcante na evolução humana.

No longa, um alienígena chega à Terra, disfarçado de homem de negócios, em busca de água para seu agonizante planeta. Uma vez aqui, ele se torna o líder de um poderoso conglomerado internacional e aprende tudo sobre a ganância da humanidade.

Alex Kurtzman, de Fringe e Star Trek Discovery, escreverá o roteiro ao lado de Jenny Lumet (Star Trek: Discovery), além de produzir, dirigir, e ser o showrunner ao lado de John Hlavin (Shooter). 

A série será transmitida pelo Paramount+.

Ace Amir for Harper’s Bazaar Serbia with Afiya Bennett

Photographer: Ace Amir. Fashion Stylist: Arnold Milfort. Hair Stylist: Hos Hounkpatin. Makeup Artist: Christyna Kay. Model: Afiya Bennett.

The Weeknd quer ‘experiência cinematográfica’ no Super Bowl após ficar fora do Grammy

Cantor desfilará hits no intervalo da final entre Tampa Bay e Kansas City Chiefs
LEONARDO VOLPATO

O cantor canadense The Weeknd Instagram/theweeknd

O rapper canadense The Weeknd quer mostrar que o menosprezo do Grammy 2021 por ele já é coisa do passado. No intervalo do Super Bowl 55, em Tampa, o artista desfilará hits de seus mais de dez anos de carreira em cerca de 15 minutos de apresentação. A partida final do campeonato da NFL (a liga de futebol americano dos EUA) será, neste domingo (7), entre Tampa Bay Buccaneers e Kansas City Chiefs, com transmissão da ESPN a partir das 20h30 (horário de Brasília).

Nove dias depois da performance será o aniversário de 31 anos do rapper (16 de fevereiro). O conjunto de fatores, para ele, deverá ser o segredo para uma apresentação marcante. “Temos realmente nos concentrado em atrair os fãs em casa e fazer da apresentação uma experiência cinematográfica. E queremos fazer isso com o Super Bowl”, disse The Weeknd à Billboard.

O artista, cujo nome verdadeiro é Abel Makkonen Tesfaye, gastou cerca de R$ 38 milhões do próprio bolso para concretizar seu sonho. Neste ano, a NFL receberá menos de 25 mil torcedores, o menor público já registrado em um Super Bowl, e menos de 50% da capacidade de público do Raymond James Stadium. O evento é o mais assistido do planeta e estima-se que sejam mais de 100 milhões de fãs na frente da TV.

De acordo com o jornal The New York Times, a liga distribuiu 7.500 ingressos gratuitos para trabalhadores da saúde que já receberam vacina para o coronavírus. Outros 14,5 mil ingressos foram vendidos a torcedores que não precisarão passar por exames ou vacinação antes de entrarem no estádio, e outros 2.700 torcedores ocuparão os camarotes de luxo. Todos os torcedores que assistirão ao jogo receberão um kit de equipamento pessoal de proteção, que inclui uma máscara KN95 e álcool desinfetante.

A apresentação deverá ser repleta de infraestrutura, pirotecnia e surpresas. O repertório deve conter as músicas de seu recente e elogiado álbum, “After Hours”, e contemplar outras canções mais conhecidas da carreira, como “The Hills”, “Can’t Feel My Face” e “Starboy”.

O conceito adotado no show deve repetir o formato de seus clipes nos quais ele aparece com terno vermelho e camisa preta em produção sombria e sangrenta, uma crítica ao padrão estético de Hollywood. “Todos nós crescemos assistindo aos maiores artistas do mundo tocando no Super Bowl, e só se pode sonhar em estar nesta posição. Estou comovido, honrado e extasiado de ser o centro deste palco neste ano”, disse The Weeknd, em um comunicado.

O produtor do evento, Jesse Collins, afirmou que o show será ao vivo, sem cortes nem montagens com outras cenas de arquivo ou pré-gravadas. “Tudo está acontecendo naquele estádio, naquele momento”, disse Collins ao Entertainment Tonight. “Não estamos saltando para outro estádio e, em seguida, interrompendo, como algumas pessoas tiveram que fazer [anteriormente]. Nós somos afortunados o suficiente e podemos fazer show ao vivo.”

The Weeknd iniciou sua carreira em 2010 e acumula sucessos de R&B como “Can’t Feel My Face”, “Heartless” e “Blinding Lights”. Ele já ganhou três prêmios Grammy e nove da Billboard. O cantor teria reagido negativamente ao não ser lembrado mais uma vez no Grammy, embora tivesse sido convidado para o Super Bowl e por seu álbum “After Hours”.

“Eu uso golpe inesperado como analogia. Porque isso me atingiu do nada. Eu definitivamente senti muito. Não sei se foi tristeza ou raiva. Foi só confusão. Precisava de respostas, tipo ‘o que aconteceu?’”, disse o rapper em entrevista à Billboard. “Fizemos tudo certo, eu acho. Não sou uma pessoa pretensiosa. Eu não sou arrogante. As pessoas me disseram que eu seria indicado. O mundo me disse. Tipo: ‘é isso, este é o seu ano’. Estávamos todos muito confusos”, disse o músico, nascido em Toronto, no Canadá.

EDIÇÕES PASSADAS

Jennifer Lopez e Shakira foram a atração principal do intervalo do Super Bowl em 2020, na vitória do Kansas City Chiefs sobre o San Francisco 49ers por 31 a 20 –encerrando jejum de títulos de 50 anos. A apresentação das duas artistas durou menos de 15 minutos e foi comentada a exaustão nas redes sociais.

A edição de 2020 do Super Bowl sucedeu o ano em que o evento teve a audiência média mais baixa desde 2008, nos Estados Unidos. A vitória do time New England Patriots sobre Los Angeles Rams, em 2019, com show do Maroon 5 no intervalo, teve média de 98,2 milhões de telespectadores na CBS, segundo a empresa de informações e dados Nielsen Media Research.

Em 2018, a audiência havia sido de 103,4 milhões de pessoas. Ainda assim, o número de espectadores da edição de 2019 representa 44,9% das residências norte-americanas. O recorde do Super Bowl, no entanto, foi em 2015, quando foi assistido por uma média de 114,4 milhões de pessoas na NBC –atualmente a exibição do evento é feita pela Fox nos Estados Unidos– e teve show de Katy Perry.

Dizem que foi após o show do rei do pop que o evento musical do intervalo alcançou um novo patamar, com performances que se aproximam das superproduções de turnês e audiência cada vez mais maciça. Sozinho no palco, Michael cantou “Black or White” e “Billy Jean”, entre outras.

Desvantagens de se viver nas alturas: vazamentos, ruídos e problemas mecânicos

Na Park Avenue, em Nova York, prédio dos sonhos de alguns multimilionários virou pesadelo ao enfrentarem problemas estruturais significativos; outros arranha-céus de luxo também podem compartilhar seu destino
Stefanos Chen, The New York Times

As reclamações dos moradores do 432 Park estão revelando conflitos dentro de uma das torres mais secretas e exclusivas da cidade. Foto: Karsten Moran/The New York Times

A torre de quase 427 metros, de número 432 da Park Avenue, por um curto período o edifício residencial mais alto do mundo, foi o auge do boom de condomínios de luxo de Nova York há meia década, impulsionado em grande parte por compradores estrangeiros em busca de discrição e grandes retornos.

Seis anos depois, os residentes da torre exclusiva estão agora em conflito com as construtoras e entre si, deixando claro que mesmo etiquetas de preços multimilionárias não garantem uma vida livre de problemas. As reivindicações incluem milhões de dólares em danos causados pela água devido a problemas mecânicos e de encanamento, mau funcionamento frequente do elevador e paredes que rangem como a cozinha de um navio – e todos podem estar ligados ao principal atrativo de venda do edifício: sua imensa altura, segundo proprietários, engenheiros e documentos obtidos pelo The New York Times.

Menos de uma década depois que uma onda de torres de condomínio que quebraram recordes atingiu novos patamares em Nova York, os primeiros relatos de defeitos e reclamações estão começando a surgir, levantando preocupações de que alguns dos métodos de construção e materiais usados não corresponderam aos avanços da engenharia que apenas recentemente possibilitaram apartamentos de luxo de 300 metros de altura. 

As discussões no número 432 também põem em destaque uma perspectiva raramente visível da chamada Billionaire’s Row (Fileira dos bilionários) de Nova York, um trecho de torres altíssimas perto do Central Park que redefiniu o horizonte da cidade e onde as identidades de praticamente todos os compradores foram ocultadas por empresas de fachada.

O prédio, uma torre fina que os críticos compararam a um dedo médio por causa de sua altura controversa, está quase vendido, com um valor estimado de US$ 3,1 bilhões. A cobertura do 96.º andar no topo do edifício foi vendida em 2016 por quase US$ 88 milhões a uma empresa que representa o magnata saudita do varejo Fawaz AlhokairJennifer Lopez e Alex Rodriguez compraram um apartamento de 1.219 metros quadrados lá por US$ 15,3 milhões em 2018 e o venderam cerca de um ano depois.

Agora, a comunicação entre os residentes, algumas das pessoas mais ricas e influentes do mundo, revela discussões espinhosas sobre como remediar os problemas sem afundar os valores das propriedades.

432 Park Avenue
A torre na 432 Park Avenue, na extrema esquerda, é um dos edifícios residenciais mais altos e caros do mundo. Foto: Karsten Moran/The New York Times

“Eu estava convencida de que seria o melhor prédio de Nova York”, disse Sarina Abramovich, uma das primeiras residentes do edifício. “Eles ainda estão vendendo isso como um presente de Deus para o mundo, mas não é.”

O Grupo CIM, uma das construtoras, disse em um comunicado que o prédio “é um projeto de sucesso, planejado, construído e praticamente vendido por completo” e que eles estão “trabalhando em colaboração” com o conselho de administração do condomínio, que foi gerenciado pelas construtoras até janeiro, quando os residentes foram eleitos e assumiram o controle. A Macklowe Properties, a outra construtora, não quis se pronunciar. 

Houve uma série de alagamentos no prédio, incluindo dois vazamentos em novembro de 2018 que o supervisor do prédio, Len Czarnecki, reconheceu em e-mails para os residentes. O primeiro vazamento, em 22 de novembro, foi causado por um flange “estourado”, um disco reforçado que conecta a tubulação, em torno de uma alimentação de água de alta pressão no 60.º andar. Quatro dias depois, uma “falha na linha de água” no 74.º andar fez com que a água entrasse nos poços do elevador, deixando dois dos quatro elevadores residenciais fora de serviço por semanas.

Após o primeiro incidente, a água entrou no apartamento de Sarina, vários andares abaixo do vazamento, causando danos estimados em US$ 500 mil, segundo ela.

Jenniger Lopez e Alex Rodriguez
Jennifer Lopez e Alex Rodriguez compraram um apartamento na torre 432 da Park, mas venderam logo depois. Foto: Danny Moloshok/Reuters

Uma das reclamações mais comuns em edifícios de altura elevada é o ruído, disse Luke Leung, diretor da empresa de arquitetura Skidmore, Owings e Merrill. Os moradores do número 432 da Park Avenue reclamaram de rangidos, batidas e cliques em seus apartamentos e de um condutor de lixo “que parece uma bomba” quando o lixo é jogado e desce até as lixeiras, de acordo com anotações de reunião de proprietários de 2019.

Problemas no prédio foram acompanhados de novas despesas significativas. Os encargos comuns anuais aumentaram quase 40% em 2019, de acordo com e-mails da administração que citavam o aumento dos prêmios de seguro e reparos, entre outros gastos.

Bate-boca

Eduard Slinin, um morador do número 432 da Park Avenue, que foi eleito para o conselho de administração do condomínio no ano passado, escreveu uma carta aos vizinhos em 2020 relatando que os custos de seguro do prédio aumentaram 300% em dois anos. O aumento foi em parte por causa de uma descarga de sprinkler (dispositivo no teto acionado para combater incêndios) e dois “incidentes relacionados à água” em 2018 que custaram ao prédio cerca de US$ 9,7 milhões.

Alguns residentes também protestaram contra o aumento das taxas no restaurante privado do edifício, supervisionado pelo chef com estrela Michelin, Shaun Hergatt. Quando o prédio foi inaugurado no fim de 2015, os proprietários foram obrigados a gastar US$ 1.200 por ano no serviço. Em 2021, essa exigência saltou para US$ 15 mil, apesar do horário limitado de funcionamento por causa da pandemia. E o café da manhã não é mais gratuito.

Howard Lorber
Howard Lorber, residente da torre e presidente executivo da Douglas Elliman, corretora que liderava as vendas do prédio. Foto: James Estrin/The New York Times

Os moradores, muitos dos quais vivem em outros lugares a maior parte do ano, se dividiram em grupos. Em uma carta a outros residentes, Slinin disse que estava trabalhando com cerca de 40 “proprietários de unidades preocupados” em controlar os custos e lidar com condições possivelmente perigosas no edifício.

O grupo contratou a SBI Consultants, uma empresa de engenharia, para estudar questões mecânicas e estruturais. As descobertas iniciais mostraram que 73% dos componentes mecânicos, elétricos e hidráulicos observados não estavam em conformidade com as plantas das construtoras e que quase um quarto “apresentava problemas reais de segurança de vida”, escreveu Slinin. 

A SBI não respondeu ao e-mail ou ligações para posicionamento. Slinin, em um telefonema, depois, minimizou os achados da SBI, dizendo que os problemas “eram coisas pequenas”.

Os moradores estão divididos sobre como resolver os problemas do prédio. A tensão no prédio está em ebulição há anos, disse Sarina Abramovich. “Todo mundo se odeia aqui”, disse Jacqueline Finkelstein-Lebow, outra proprietária. Mas, na maioria das vezes, os moradores querem manter o bate-boca longe dos ouvidos do público. /TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA