WSJ. Magazine Spring Women’s 2021 – Sara Grace Wallerstedt, Tess McMillan & Tianna St. Louis By Nadine Ijewere

All Dressed Up   —   WSJ. Magazine Spring Women’s 2021   —   www.wsj.com
Photography: Nadine Ijewere Model: Sara Grace Wallerstedt, Tess McMillan & Tianna St. Louis Styling: Gabriella Karefa Johnson  Casting: Piergiorgio Del Moro Hair: Edward Lampley Make-Up: Grace Ahn Set Design: Mila Taylor-Young Manicure: Dawn Sterling

Victoria Beckham Autumn Winter 2021

“Otimista, mas realista. Esta temporada é para reconhecer onde estamos agora e sonhar onde estaremos.

Com uma abordagem híbrida, ligando as estações, esta coleção é fundada no agora.

A alfaiataria é forte: as pessoas ainda querem se vestir bem. Mas há necessidade de conforto. Há uma sensação de proteção – uma resistência – em trincheiras e sobretudos com detalhes militares. Mas também há uma delicadeza em vestidos de georgette e jersey suaves e fáceis, uma ludicidade em cores e estampas pop.

Em todo o processo, há uma sensação de híbrido, de cruzamento entre formal e casual, mudança entre as estações, de desafiar a norma. Quebrando Regras.”

V.B.

Credits:
Video: Premices
Creative Show Production: Holmes Production
Stylist: Alastair McKimm
Casting: Piergiorgio Del Moro
Music: Goldie, Inner City Life
Makeup: Lucia Pieroni
Hair: Anthony Turner
Hair Tools & Products: ghd
Makeup Looks: Victoria Beckham Beauty

Victoria Beckham’s Autumn Winter 2021 presentation was held at the Hayward Gallery. https://www.victoriabeckham.com/

Lounge | Resort 2020 | Full Show

Lounge | Resort 2020 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – Art Hearts Fashion/Miami Swim Week)

Joshua Alan Barlow – Time To Wake Up/Get It Rolling/Happen Today/Raise Your Hand/Get Electrified/Just Relax

Telegram e Signal são os próximos refúgios da desinformação?

Serviços criptografados, que mantêm confidenciais as conversas, estão cada vez mais populares; colunistas de tecnologia do New York Times discutem se isso pode se tornar um problema
Por Brian X. Chen e Kevin Roose – The New York Times

Telegram e Signal (Photo : TechTimes)

Aplicativos de mensagens criptografadas, que protegem a privacidade das conversas digitais, já foram ferramentas especializadas, usadas principalmente por trabalhadores de áreas em que a confidencialidade sempre foi um ponto de muita atenção, como direito, jornalismo e política. Agora nos EUA, todo mundo está embarcando nessa – nada muito diferente daquilo que os brasileiros se acostumaram a fazer. 

No mês passado, dezenas de milhares de pessoas baixaram os apps Telegram e Signal, rivais do WhatsApp. Alguns dos novos usuários são grupos de extrema direita que foram impedidos de postar no Facebook e no Twitter após o ataque ao Capitólio dos Estados Unidos.

A mudança para os aplicativos de mensagens privadas renovou um debate a respeito da criptografia como uma faca de dois gumes. Enquanto a tecnologia evita que as pessoas sejam espionadas, ela pode também facilitar que a atuação de criminosos e disseminadores de desinformação cause dano de maneira impune.

Então, decidimos apresentar as diferenças entre redes sociais públicas e aplicativos de mensagens privadas para discutir seus prós e contras. Vamos ao nosso debate. 

BRIAN CHEN: Olá, Kevin! Você chegou já faz um tempo no país das maravilhas da desinformação. Há muito falatório entre jornalistas e estudiosos a respeito da migração em massa de redes sociais públicas, como Facebook e Twitter, para serviços de mensagens privadas. Em geral, existe a preocupação de que a luta contra a desinformação possa ficar muito mais difícil em canais privados. Então venha para o mundo real um pouquinho. Você consegue explicar o que está acontecendo?

KEVIN ROOSE: Eu posso tentar! No mundo de extremistas e teóricos da conspiração em que eu vivo, houve uma espécie de fuga frenética em massa de plataformas maiores, como Facebook, Twitter e YouTube, após essas plataformas terem reprimido a disseminação de desinformação e discursos de ódio. Muitas das maiores figuras desse mundo – incluindo grupos como Proud Boys e os teóricos da conspiração do QAnon – se mudaram para plataformas mais privadas, onde há menos perigo de serem excluídos da plataforma. 

Então, agora existe um debate a respeito de ser bom ou ruim o fato desses repugnantes personagens das profundezas da internet estarem desaparecendo das grandes redes sociais – ou se é perigoso que eles se congreguem em espaços nos quais pesquisadores, jornalistas e agentes da lei não conseguem acompanhar suas atividades tão facilmente. Sucinto o suficiente?

CHEN: Perfeito. A migração é em direção ao Signal e ao Telegram. Os aplicativos oferecem “criptografia de ponta a ponta”, que é um jargão para descrever mensagens que são embaralhadas para serem indecifráveis para qualquer um exceto o emissor e o receptor. O benefício óbvio é que as pessoas têm a privacidade garantida. O possível inconveniente é que fica mais difícil para empresas e forças de segurança responsabilizar disseminadores de desinformação e criminosos por causa de suas mensagens, que não estarão acessíveis.Então, qual é a sua opinião? Você está preocupado?

ROOSE: Honestamente, não muito. Obviamente não é muito legal para a segurança pública que neonazistas, milícias de extrema direita e outros grupos perigosos encontrem maneiras de se comunicar e se organizar – nem que essas maneiras envolvam cada vez mais a criptografia de ponta a ponta. Vimos isso acontecer há anos, já, desde a época do Isis, e isso com certeza dificulta as coisas para agentes de forças de segurança e combate ao terrorismo.

Ao mesmo tempo, existe um benefício real em expulsar esses extremistas das principais plataformas, onde eles conseguem encontrar novos simpatizantes e tirar vantagem de mecanismos de transmissão de informações para disseminar suas mensagens a milhões de extremistas em potencial.

A maneira como tenho pensado nisso é como em um modelo epidemiológico. Se alguém está doente e pode infectar outras pessoas, idealmente você gostaria de tirá-lo do convívio geral e colocá-lo em quarentena, mesmo que isso signifique levá-lo para um lugar como um hospital, onde há muitos outros doentes.

É uma metáfora bem ruim, mas você entende o que quero dizer. Sabemos que, quando extremistas estão nas plataformas maiores e principais, como Facebook, Twitter e YouTube, eles não conversam somente entre si. Eles recrutam. Juntam-se a grupos pouco relacionados a eles e tentam semear por lá suas teorias de conspiração. De certa maneira, prefiro ter mil neonazistas linha-dura espalhando maldades entre si ou num aplicativo de conversas criptografadas do que deixá-los se infiltrar em mil grupos de diferentes temáticas.

CHEN: Entendi onde você quer chegar. Quando abrimos o Facebook ou o Twitter, a primeira coisa que vemos é nossa timeline, um feed geral que inclui posts de nossos amigos. Mas também podemos ver posts de desconhecidos se nossos amigos os compartilharem ou se os “curtirem”.

Quando abrimos o Signal ou o Telegram, vemos uma lista de conversas que mantemos com indivíduos ou grupos. Para conseguir nos alcançar com uma mensagem, um desconhecido precisaria do nosso número de telefone.

Então, para completar nossa analogia, o Facebook ou o Twitter são, essencialmente, como um enorme anfiteatro com bilhões de pessoas amontoadas. Aplicativos de mensagens criptografadas como Signal e Telegram são como grandes edifícios, com milhões de pessoas, mas cada uma delas vivendo em um quarto privado. As pessoas têm de bater nas portas umas das outras para mandar mensagens, então, disseminar desinformação requer mais esforço. Já no Facebook e no Twitter, uma peça de desinformação pode viralizar em segundos, porque todas as pessoas nesses anfiteatros conseguem escutar o que todos estão gritando.

ROOSE: Correto. Facebook e Twitter são anfiteatros repletos de germes, e Signal e Telegram são como dormitórios de faculdade. Você consegue contaminar seu companheiro de quarto com facilidade, mas espalhar a doença para o andar inteiro requer algum esforço.

CHEN: Confesso que estou preocupado com o Telegram. Além das mensagens privadas, as pessoas adoram usar o Telegram para conversas em grupo – até 200 mil pessoas podem participar de uma sala de chat do Telegram. Isso parece problemático.

ROOSE: Acredito que as intervenções nas grandes plataformas vão tornar mais difícil para esses grupos se congregar publicamente. Mas compartilho sua preocupação quanto aos aplicativos criptografados se tornarem, essencialmente, enormes redes sociais clandestinas. Esses aplicativos são desenvolvidos para conversas um a um, mas a adição de mecanismos como encaminhamento de mensagens, combinados com as grandes capacidades máximas de integrantes das salas de chat, os tornam vulneráveis aos mesmos tipos de fenômenos de contágio, de uma pessoa para muitas, das grandes plataformas de transmissão.

É interessante notar que o WhatsApp restringiu o encaminhamento de mensagens justamente por esse motivo. As pessoas estavam usando o mecanismo para espalhar desinformação a milhares de pessoas ao mesmo tempo, e isso estava provocando inúmeros episódios de caos em lugares como a Índia. Não sei ao certo por que o Telegram não fez algo similar, mas isso parece com algo que eles terão de lidar, juntamente com talvez repensar o limite de tamanho de suas salas de chat.

Você está preocupado com o Signal, de alguma forma?

CHEN: Não estou tanto. Assim como o WhatsApp, o Signal determinou um limite de encaminhamento de mensagens para cinco pessoas por vez. Então, tomaria muito tempo dos disseminadores de desinformação viralizar mensagens. O Signal também limita a mil pessoas a participação nas salas de chat. É muita gente, mas não tanta quanto nos grupos do Telegram.

Tentei conversar, aliás, com o Signal e o Telegram.

Moxie Marlinspike, fundador do Signal, afirmou que é mínimo o risco de desinformação se tornar um grande problema no aplicativo, porque ele não expõe as pessoas a algoritmos como do Facebook, que exibem posts de outras pessoas e atiçam a disseminação de desinformação.

O Telegram não respondeu a vários pedidos de entrevista. O website da empresa não contém informações sobre limites de encaminhamentos de mensagens. Isso me deixa aflito.

Eu me preocupo com o Telegram, em geral, e é importante notar que as conversas em grupo por lá não são criptografadas de ponta a ponta. Nem as mensagens encaminhadas. Então, se o Telegram ou autoridades de segurança quiserem investigar o conteúdo de um grande grupo de chat, poderiam fazê-lo, em teoria. Se o Telegram se tornar o próximo refúgio da desinformação, teremos como nos defender. Posso estar matando nossa analogia, mas haverá maneiras de fazer um rastreamento de contatos!

ROOSE: Correto. E o restante de nós, não extremistas, poderá ficar mais tranquilo sabendo que nossos feeds não serão invadidos pelos Proud Boys nem por neonazistas, porque, pelo menos, o Facebook, o Twitter e o YouTube estão se esforçando um pouquinho para filtrar o conteúdo maligno, correto? Isso talvez não seja uma máscara n95 perfeitamente sob medida, mas é pelo menos uma máscara de pano.

OK, agora estou oficialmente abrindo mão dessa metáfora.

CHEN: Quero terminar com uma nota de otimismo, o que é raro para mim. Aplicativos de mensagens privadas são um ponto positivo na rede. Todo aplicativo e todos os produtos que se conectam com a internet têm a capacidade de nos espionar, então, precisamos desesperadamente de ferramentas que mantenham nossas conversas online privadas. Não vamos deixar que bandidos arruinem isso.

Uma olhada no novo escritório da TomTom em Paris, França

A empresa de navegação automotiva TomTom contratou recentemente a empresa de design de locais de trabalho Peldon Rose para projetar seu novo escritório em Paris, França.

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Coffee point / Workstations

“Adotar uma abordagem centrada nas pessoas para o design foi fundamental. Vários workshops interativos entre as equipes da TomTom e Peldon Rose ocorreram ao longo do projeto, permitindo a comunicação contínua entre as equipes de entrega multinacionais. Os workshops interativos permitiram que a equipe entendesse que a criação de um espaço de trabalho para estimular a atividade em grupo era essencial, com a colaboração moldando os conceitos iniciais de design. Um layout de escritório de plano aberto era um recurso integral, incluindo áreas de conectividade informal com espaços colaborativos adicionais projetados para promover a participação e interação entre as equipes.

Mudar para uma placa de piso menor, mantendo um número semelhante de salas de reuniões, exigiu um design para maximizar o uso do espaço, com áreas multifuncionais desempenhando um papel fundamental. Criando uma conexão, o ponto de chá central une a frente da casa ao bairro dos funcionários, gerando um espírito de comunidade, enquanto o piso Karndeano geométrico com iluminação delicada de metal preto trouxe a arquitetura parisiense local para o local de trabalho.

Para permitir a consistência no design, nosso estúdio de design criou um manual personalizado, projetado ao longo de nosso relacionamento com a TomTom para moldar o design de cada novo local de trabalho. Embora a sinergia entre os escritórios existentes fosse importante para manter a herança da marca, também o era a necessidade de trazer a influência parisiense externa para o espaço.

Trabalhando em estreita colaboração com a equipe em Paris, Peldon Rose interrogou o que Paris significa para as pessoas que trabalham lá. O objetivo era criar um espaço onde a identidade da cidade exterior seja tecida em todo o design. Para a designer-chefe Stephanie Di Losa, o destaque do espaço é a recriação da arcada de entrada do metrô de Paris. “Inspirados pelo arco de ferro fundido art nouveau evidente ao caminhar pela capital francesa, criamos nosso próprio toque modernizado para os arcos, mantendo as cores e a fonte que você encontraria ao andar de metrô.”

“Queríamos trazer a cultura da cidade para o espaço, para que quando você entrar no escritório, fique claro que você está em um local de trabalho projetado para a capital francesa”, disse Di Losa. Graças a um relacionamento próximo e comunicação constante entre as equipes da Peldon Rose e da TomTom, o resultado final é um local de trabalho que não só se alinha com o objetivo da TomTom de colaboração com uma abordagem centrada nas pessoas, mas um local de trabalho inspirado pelo ambiente externo parisiense circundante, ”Diz Peldon Rose.

  • Location: Paris, France
  • Date completed: 2020
  • Size: 15,000 square feet
  • Design: Peldon Rose
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Coffee point
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Meeting room
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Meeting room
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Breakout space
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Conference room
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Small meeting room

Entenda o flerte atual da moda com os anos 1990

Há um milhão de coisas que separam a geração X da Z. Mas a moda é cíclica e revive agora a estética de 20 e poucos anos atrás, dos primórdios da internet, em busca de formas de expressão mais autênticas e menos frívolas
MARIA RITA ALONSO – EM COLABORAÇÃO PARA MARIE CLAIRE

EM SENTIDO HORARIO: 1. DESFILE JIL SANDER VERÃO 2021 2. CLAUDIA SCHIFFER EM DESFILE DA CHANEL EM 1995 3. DESFILE BOTTEGA VENETA VERÃO 2021 4. HELENA CHRISTENSEN NA PASSARELA DA CHANEL EM 1995 5. JULIA ROBERTS EM LOS ANGELES EM 1995 6. KATE MOSS EM CAMPANHA DA
ELLUS DE 2000 7. 9 E 13. LOOKBOOK DA VERSACE VERÃO 2021 8. NORMCORE, MINIMALISMO E STREETWEAR DOS ANOS 1990 11. LOOKBOOK DA ANTEPRIMA VERÃO 2021  12. MIU MIU VERÃO 2021 13. MILA JOVOVICH EM CAMPANHA DA ELLUS DOS ANOS 1990 (Foto: Mariana Simonetti)

Minha mãe nunca jogou fora as roupas que amava muito. Ela costumava guardar as peças preferidas em caixas de papelão. Uma vez por ano, eu e minhas duas irmãs já adolescentes revirávamos essas caixas e tirávamos o que achávamos legal. Tinha muita coisa interessante ali: vestidos de algodão, roupas de veludo, collants, blusas justas de gola alta, tubinhos, tops que deixavam a barriga de fora, macacões… Tínhamos, assim, uma espécie de brechozinho particular. E valorizávamos cada calça boca de sino, cada blazer com ombreira, principalmente porque carregavam história.

Eram os anos 1990 e, magicamente, as peças de décadas passadas que saíam daquelas caixas pareciam atuais ou com potencial para uma atualização após pequenos reparos. Assim, desde cedo entendi que a moda é cíclica. Está sempre revendo o passado para poder projetar o futuro. Isso amplia as nossas perspectivas em vários aspectos, nos instiga e, de certa forma, nos humaniza.

Agora, por exemplo, há um milhão de coisas que separam a geração Z, que é a geração dos meus filhos, daqueles de nós que testemunhamos todos os modismos dos anos 1990, os primórdios da internet, a era pré-celular. Nós da geração X, que costumávamos tirar foto com rolo de negativo, discar uma roleta pra falar ao telefone e colocar cartas no correio quando viajávamos porque a ligação interurbana era cara demais. No entanto, apesar de todas as diferenças, é curioso constatar como as tendências e as atitudes de hoje ecoam estéticas de 20 e poucos anos atrás. Nenhuma roupa do passado ficou no passado.

Nos lançamentos internacionais, por exemplo, há o ressurgimento de linhas minimalistas, com a valorização dos vestidos camisolas, das túnicas, de peças unissex e de várias outras modinhas do início dos anos 2000 – olá, cintura baixa, bem-vinda de volta – em coleções como a da Balmain e a da Miu Miu.

Nas ruas, a volta do jeans com camiseta branca e tênis, clássicos do streetwear, corroboram essa tese. Está tudo aí de novo, nas rodas da vanguarda, de gente que defende o upcycling, que tem consciência social e ambiental e que rechaça os padrões do estilo de vida ultraconectado, numa busca intensa por algo que ainda não passou pela fase de normatização.

Conhecida como “nativos digitais”, a geração Z é nascida e criada depois do ultracapitalismo dos 1990 e do comecinho de 2000, já com a internet, com a China como potência econômica, com a ameaça terrorista concretizada no 11 de setembro de 2001, com as fast fashion metralhando tendências para todos os gostos a preços possíveis (muitas vezes, às custas da exploração de costureiros). Passar a infância nesse contexto faz com que essa turma tenha uma mentalidade diferente. Ela é a primeira a ser radicalmente a favor da transparência em suas relações, mantendo uma postura inabalável em relação a valores de responsabilidade ambiental e social, à luta antirracismo e à liberdade sexual e de escolha de gênero. Em 2019, o Facebook divulgou um estudo confirmando que pelo menos 68% dos indivíduos da geração Z “esperam que as marcas contribuam de alguma forma para deixar a sociedade melhor”. Nesse sentido, a mídia social dá a essa geração o poder de aplicar pressão como nenhuma outra fez antes. Assim, marcas de moda correm para se ajustar às demandas vindas desse novo ativismo. Ninguém quer ser cancelado.

Por outro lado, a promessa de audiência potencialmente ilimitada fez das redes sociais o lugar ideal para a prática da autoexpressão. Atualmente, são quase 4 bilhões de pessoas ao redor do planeta, mais da metade da população mundial, ligadíssimas em celulares. Só é preciso ficar atento porque, em um mundo onde as relações virtuais contam tanto quanto as pessoais, existe a armadilha de ficarmos presos ao nosso “eu digital”.

Quem reflete bem sobre essa questão é a jornalista Jia Tolentino, considerada pela crítica norte-americana como a Joan Didion dos nossos tempos. Ela diz: “A internet é um meio em que o incentivo à performance é inerente. Mesmo quando nos tornamos cada vez mais tristes e feios, a miragem de nosso melhor eu virtual continua a brilhar”. Crítica mordaz da forma como nossas vidas ficaram sujeitas à manipulação, à monetização e à vigilância nas redes, Jia Tolentino, jornalista canadense criada no Texas, escreve para sites e revistas respeitáveis, como a New York Magazine, nos quais fala sobre sua frustação com a frivolidade que as coisas acabaram tomando com as mídias sociais.

No alvorecer da internet, na década de 1990, o sonho era que a rede derrubasse fronteiras culturais, possibilitando conexões que melhorassem o mundo. Nessa época, o webdesign era simples e ingênuo, quase rudimentar. Curiosamente nostálgicos, os designers gráficos mais modernos vêm imitando hoje as interfaces dessa época. A Adidas fez um hotsite nessa pegada recentemente. A Gucci também montou uma interface vintage para apresentar a coleção Cruise de 2020. A campanha de Gift Giving deles, de carona nesse movimento, traz PCs brancos e telefones grandes como parte da cenografia. Em outra frente, várias coleções bebem dessa mesma fonte. Adorei uma declaração da estilista inglesa Sarah Burton, diretora criativa da Alexander McQueen, sobre essa dualidade entre o resgate de partes boas de outras épocas para a criação de algo melhor: “É nossa responsabilidade proteger as coisas do passado que amamos, preservar nossos valores, assinaturas e história, mas também é nosso trabalho inovar. Há conforto na familiaridade e entusiasmo na experimentação. Os dois coexistem”. Concordo profundamente com ela. E você?

Maria Rita Alonso é jornalista e consultora de moda. Para ela, falar de moda é falar de como as pessoas vivem, se posicionam, se reúnem e se expressam. (@mariaritaalonso)

Casa de 1935 ganha reforma inspirada na natureza que a cerca

Imóvel histórico em Israel estava abandonado quando a família decidiu atualizá-lo
POR MARIA CLARA VIEIRA | FOTOS ODED SMADAR

Paisagem natural que rodeia a casa é composta por pomar e jardins de cactos (Foto: Oded Smadar)

Localizada na costa sudeste do Mediterrâneo, no moshav Bitzaron, em Israel, esta casa foi erguida em 1935. Ela pertencia a uma das famílias dos fundadores da comunidade rural local, que cultivava frutas cítricas. Com o passar do tempo, a atividade agrícola se diversificou e os filhos e os netos dos primeiros proprietários também viveram na residência. Anos depois, no entanto, a construção passou a ser alugada e então foi abandonada. O atual estado da casa é resultado de uma reforma cuidadosa, que respeitou os aspectos históricos e, ao mesmo tempo, criou ambientes atualizados e confortáveis. O projeto é assinado pelo Henkin-Shavit Studio. 

Casa de 1935 ganha reforma inspirada na natureza que a cerca  (Foto: Oded Smadar)
Casa de 1935 ganha reforma inspirada na natureza que a cerca  (Foto: Oded Smadar)
Casa de 1935 ganha reforma inspirada na natureza que a cerca  (Foto: Oded Smadar)
Casa de 1935 ganha reforma inspirada na natureza que a cerca  (Foto: Oded Smadar)
Casa de 1935 ganha reforma inspirada na natureza que a cerca  (Foto: Oded Smadar)

“O estilo da arquitetura em Israel entre os anos de 1920 e 1940 era o cubismo abstrato sem detalhes”, contam os profissionais. “Esta casa segue este estilo, porém ao longo dos anos, os proprietários trocaram a cobertura por telhado inclinado. Logo que o projeto começou, soube-se que o ideal era substituir a cobertura pelo estilo arquitetônico original”. Outra mudança importante foi criar uma nova base para a residência, já que a original havia sido feita em contato direto com o solo. Também foi necessário instalar vigas de sustentação nas paredes e teto, a fim de reforçar a estrutura.

Casa de 1935 ganha reforma inspirada na natureza que a cerca  (Foto: Oded Smadar)
Casa de 1935 ganha reforma inspirada na natureza que a cerca  (Foto: Oded Smadar)
Casa de 1935 ganha reforma inspirada na natureza que a cerca  (Foto: Oded Smadar)

Os campos, pomares e jardins de cactos que circundam a casa foram grandes inspirações para a repaginação. O eixo principal da planta, composto pela cozinha e sala de jantar, foi todo aberto durante a obra para permitir que a luz e ventilação natural percorressem livremente os interiores. Os pisos e venezianas utilizados são inspirados nas versões originais. Já as portas interiores têm cerca de 100 anos e foram trazidas de desmontagem de casas antigas na Europa, segundo os autores do projeto.

Casa de 1935 ganha reforma inspirada na natureza que a cerca  (Foto: Oded Smadar)
Casa de 1935 ganha reforma inspirada na natureza que a cerca  (Foto: Oded Smadar)
Casa de 1935 ganha reforma inspirada na natureza que a cerca  (Foto: Oded Smadar)
Casa de 1935 ganha reforma inspirada na natureza que a cerca  (Foto: Oded Smadar)

“Nosso trabalho de design é muito moderno. Estamos explorando o uso de materiais industriais que preservam sua origem enquanto nos concentramos na geometria simples com base nos princípios modernistas“, dizem os profissionais. O resultado da reforma é uma casa atualíssima, onde os moradores podem desfrutar da beleza da natureza, mas sempre lembrando e respeitando a história e os antepassados.

Facebook estaria criando relógio para competir com o Apple Watch

Photo: Facebook CEO Mark Zuckerberg. Photo: Bloomberg

Que o Facebook gosta de copiar projetos alheios bem-sucedidos, isso nós sabemos — os Stories do Snapchat Instagram estão aí para não deixar dúvidas. Notícias recentes dão conta que até mesmo o Clubhouse, que virou febre nas últimas semanas, já está na mira de Mark Zuckerberg — e não para uma possível aquisição; estamos falando de cópia, mesmo.

Mas, pelo visto, o interesse da rede social não se limita a novos entrantes no mercado: segundo o The Information1, o Facebook está desenvolvendo um smartwatch cujo foco será em mensagens e recursos de saúde.

No suposto relógio, usuários poderão enviar mensagens pelo WhatsApp/Messenger, de forma independente (sem a necessidade de um smartphone, já que o relógio teria conectividade celular). Já no quesito saúde, teríamos monitoramento de exercícios com amigos, comunicação direta com professores e integração com serviços/empresas já estabelecidas (como a Peloton) — tudo isso rodando o sistema operacional Android.

Ainda segundo o The Information, a ideia do Facebook será vender o relógio praticamente a preço de custo — resta saber qual seria esse valor, afinal esse mercado tem produtos que variam bastante de preço, partindo de US$150 e chegando a US$1.000 (Apple Watch Hermès). Não é difícil imaginar, porém, que a empresa deverá brigar no patamar mais baixo dessa faixa de preço.

A ideia do Facebook é começar a vender o seu relógio inteligente em 2022, com uma segunda geração sendo lançada em 2023 — segundo o veículo, o desenvolvimento desse primeiro modelo estaria bem avançado.

Resta saber como um produto desses seria recebido pelo mercado, levando em conta toda a polêmica da empresa envolvendo privacidade — sem falar, é claro, na concorrência de empresas já estabelecidas nesse mercado como Apple, Samsung, Garmin, Fitbit, Xiaomi, entre outras; até mesmo a Amazon já tem a sua pulseira inteligente, chamada Halo.

Ainda assim, vale notar que essa não seria a primeira vez que o Facebook embarcaria num projeto de hardware — a rede social já vende alguns produtos como o Oculus (headset de VR) e o Portal (alto-falantes inteligentes).

VIA MACRUMORS

Startup de benefícios Vee recebe R$ 200 milhões de investimento após fusão com a francesa Swile

Com o cheque, a brasileira quer transacionar na plataforma R$ 2 bilhões em 2022 e chegar a até 1 milhão de usuários até 2023
Por Guilherme Guerra – O Estado de S. Paulo

Da esq. para dir., em pé, Marcelo Ramos e Raphael Machioni, cofundadores da Vee; sentados, Loïc Soubeyrand, CEO da Swile, e Eduardo Haidar, cofundador da Vee
Da esq. para dir., em pé, Marcelo Ramos e Raphael Machioni, cofundadores da Vee; sentados, Loïc Soubeyrand, CEO da Swile, e Eduardo Haidar, cofundador da Vee

A startup de benefícios Vee recebeu R$ 200 milhões em investimentos da francesa Swile, que opera no mesmo segmento e fundiu as operações com a brasileira no País com troca de ações. O Brasil é o maior mercado no setor de benefícios corporativos, com R$ 150 bilhões movimentados por ano em vale alimentação, vale refeição, pagamentos de bônus e premiações. Atrás, vêm França e México.

A Swile, startup que totaliza aportes de R$ 700 milhões, já pretendia aterrissar no Brasil como parte de sua estratégia de expansão internacional, mas optou pela fusão com a Vee, anunciada na quinta-feira, 11. Por aqui, a operação continuará a ser comandada pela brasileira, que atua desde 2018 no País e já soma mais de 50 mil beneficiários ativos e 800 mil empresas como clientes.

“A operação foi para garantir volume de investimentos, e não vender a companhia e sair dela, mas sim olhar para um mercado em que a gente acredita e brigar por investimentos”, conta ao Estadão Marcelo Ramos, cofundador da Vee e atualmente presidente do conselho da empresa. 

A startup espera aplicar o cheque de R$ 200 milhões para transformar o seu aplicativo de gestão a partir do conceito de “one stop shop” para os departamentos de Recursos Humanos, que poderão gerenciar folhas de pagamento, benefícios corporativos e outras soluções digitais para os colaboradores das empresas.

Esse movimento de digitalização foi acelerado em 2020, quando a pandemia de covid-19 forçou o confinamento das pessoas em suas casas e fez com que o trabalho fosse realizado em casa. A Vee respondeu criando já em março um “cartão home office”, destinado a empresas que queriam bancar custos de luz, telefone, internet ou de escritório dos seus trabalhadores. No ano, a startup viu serem transacionados R$ 73 milhões na plataforma, ante R$ 1,7 milhão de 2019.

Com a intensificação da digitalização, a perspectiva é que a startup atinja as metas de somar 590 mil usuários na plataforma, 9,1 mil clientes e de R$ 2 bilhões transacionados até 2022. Em 2023, o objetivo é fechar o ano com quase o dobro de usuários, em 1 milhão. 

O crescimento da Vee, no entanto, acontece em meio à pandemia de covid-19, cujo impacto sobre o mercado de trabalho formal, do qual o segmento de benefícios corporativos é altamente dependente, é gigantesco. Do primeiro trimestre de 2020 para os últimos três meses do mesmo ano, segundo o IBGE, a taxa de desocupação no Brasil saltou de 12,2% para 14,1%.

Para Marcelo Ramos, no entanto, o cenário de desarranjo econômico pós-pandemia não deve atrapalhar os planos da startup, que busca clientes do setor de pequenas e médias empresas, o mais afetado pelos lockdowns necessários para combater o novo coronavírus. Por oferecer um produto que reúne em uma única plataforma vários fornecedores, a Vee acredita ser uma boa solução conseguir fazer com que as PMEs migrem para o serviço. 

“Nosso modelo não faz com que a gente tenha problema de escala potencial”, afirma. “A gente embarca num mundo em que vai haver empresa fechando e demitindo pessoal, mas vai ter aquelas que vão buscar soluções alternativas para não mandar gente embora e perseverar na crise.”