Olga Rubio Dalmau for WOMAN Austria with Katrin Weber

Photographer: Olga Rubio Dalmau. Fashion Stylist: A. Gracia.Hair & Makeup: Nieves Elorduy. Model: Katrin Weber at Model Management.

syzygy | Fall Winter 2021/2022 | Digital

syzygy | Asia Fashion Collection | Fall Winter 2021/2022 | Digital Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – New York Fashion Week)

Valentina Sampaio fala sobre namorado italiano e preconceito

Primeira modelo transexual a estampar a capa da ‘Vogue Paris’, cearense está num relacionamento há seis anos, mas reconhece o quanto isso é difícil para mulheres trans: ‘O homem, para estar comigo, precisa ser seguro da sua masculinidade’
Eduardo Vanini

Biquíni Drama, brincos e anel, todos Sara Joias Foto: Guilherme Nabhan

Depois de passar o fim de ano com a família em Fortaleza, a modelo Valentina Sampaio se prepara agora para retomar, na Itália, a agenda internacional. Mas, além dos compromissos profissionais, quando aterrissar por lá, ela também vai matar a saudade do namorado, com quem está há seis anos. Ele é advogado, italiano, tem 36 anos, e os dois se conheceram em Fortaleza, onde o rapaz praticava kitesurf. Mais do que isso ela não fala. Tampouco adianta vasculhar o Instagram em busca de fotos. “Não gosto de expor a minha vida pessoal. Pode ver que a minha família não aparece no meu feed”, diz a jovem, que tem 416 mil seguidores.

Viver uma relação estável e duradoura nem sempre é fácil para pessoas trans. Ela própria já passou por situações que a magoaram bastante. “Nunca fui muito de sair. Nas poucas vezes em que isso aconteceu, o cara chegava, paquerava, mas quando percebia que eu era trans, se afastava. Depois, por trás, escondido, procurava novamente. Sempre pensei que não merecia ser tratada dessa maneira. O homem, para estar comigo, precisa ser seguro da sua masculinidade.”

Valentina comenta sobre o tema com uma fala serena, marcada por pequenas pausas que lhe ajudam a escolher as palavras certas. A postura revela a força e o equilíbrio adquiridos ainda na infância, quando entendeu que a sua existência seria cercada de questionamentos. Por crescer num vilarejo onde todos se conheciam, ela afirma não ter sofrido violência, salvo episódios de bullying em que era chamada de “bichinha” e reprimendas do tipo “fale direito”, “ande desse jeito”. “É muito ruim receber advertências por ser quem você é. Sempre me identifiquei como Valentina. Mas chega um ponto em que a sociedade começa a falar que você é diferente, mesmo que não se sinta assim. Entendi, desde cedo, como precisava ser forte. Eu era uma criança, mas tive que amadurecer cem anos em dez.”

Blusa Argalji, biquíni Drama, brincos Vanda Jacintho e óculos Oakley Foto: Guilherme Nabhan | Edição de moda: Patricia Tremblais | Beleza: Piu Gontijo | Assistente de fotografia: Daniel Sulima | Produção executiva: André Storar e Christiano Mattos | Assistente de produção: Renata Lamin | Produção de moda: Tamara Lima | Tratamento de imagem: Angélica Marinacci | Agradecimentos: Joie Joá e Madi Gastronomia
Blusa Argalji, biquíni Drama, brincos Vanda Jacintho e óculos Oakley Foto: Guilherme Nabhan | Edição de moda: Patricia Tremblais | Beleza: Piu Gontijo | Assistente de fotografia: Daniel Sulima | Produção executiva: André Storar e Christiano Mattos | Assistente de produção: Renata Lamin | Produção de moda: Tamara Lima | Tratamento de imagem: Angélica Marinacci | Agradecimentos: Joie Joá e Madi Gastronomia

Nada disso, porém, impediu a modelo de ir longe na carreira. Ela é hoje um marco na mudança de postura de grifes de moda como a própria Victoria’s Secret, que perpetuou, ao longo de anos, padrões hegemônicos de corpo e beleza, em campanhas restritas a mulheres cisgênero.PUBLICIDADE

 A jovem, porém, vive tudo isso sem tirar os pés do chão. “As pessoas, às vezes, imaginam que somos perfeitas. Sou como qualquer outra. Gosto dessa coisa de ser mais natural, desprendida, sem isso de estar sempre maquiada e pronta. Aprecio esse estilo de vida pé no chão.”

Max Mara | Fall Winter 2021/2022 | Full Show

Max Mara | Fall Winter 2021/2022 by Ian Griffiths | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – MFW/Milan Fashion Week Women’s)

Kate Winslet revela trauma ao ser chamada de ‘gorda’ ao despontar em ‘Titanic’: “Destruiu minha autoconfiança”

A atriz diz que as piadas de que o personagem de DiCaprio poderia caber na porta que serviu de bote no filme se ela tivesse uns quilos a menos ou observações sobre seu peso lhe deixaram abalada

_ Eu tenho esse rótulo de ser corajosa e franca. Não, eu estava apenas me defendendo. ‘ Photograph: Misan Harriman/The Observer

Kate Winslet revelou que ficou traumatizada por ter seu peso discutido e rotulada como “gorda” quando entrou para o show business pela porta da frente, aos 20 e poucos anos, com a superprodução ‘Titanic’. De acordo com ela, que hoje tem 45 anos e é uma das mais respeitadas atrizes da indústria, uma série de comentários cruéis acabou por alterar sua percepção sobre beleza.

Um exemplo foi uma piada da comediante Joan Rivers, que ganhou grande repercussão à época, fazendo referência ao final do filme de James Cameron: “Se ela perdesse uns dois quilos, Leo [DiCaprio] teria cabido na porta que serviu de bote salva-vidas”

“As pessoas falavam muito sobre meu peso. E eu era chamada para fazer comentários sobre a minha forma física. Bem, aí foi que ganhei esse rótulo de franca e corajosa. Não, eu só estava me defendendo”, desabafou em entrevista ao jornal britânico The Guardian.

Leonardo DiCaprio e Kate Winslet (Foto: Getty Images)
Leonardo DiCaprio e Kate Winslet em uma edição recente do Oscar (Foto: Getty Images)

“Isso [as observações sobre o seu peso] prejudicou minha confiança. Eu não queria ir para Hollywood porque me lembro de ter pensado: “Deus, se é isso que eles estão me dizendo na Inglaterra, o que vai acontecer quando eu chegar lá nos EUA? Além disso, interfere na sua impressão crescente do que é belo, sabe? Eu me sentia muito sozinha. Pela simples razão de que nada pode realmente prepará-lo para … isso”, lembrou.

‘Titanic’ é o terceiro filme com maior bilheteria da história, atrás apenas de ‘Vingadores: Ultimato’ e ‘Avatar’, em valores nominais. Faturou mais de 2,1 bilhões de dólares e projetou a carreira internacional de Winslet – ela já havia sido indicada ao Oscar por ‘Razão e Sensibilidade’ dois anos antes, mas foi com o papel de Rose que alcançou o estrelato.

Atriz Sasha Calle cai no choro ao ser confirmada como a nova Supergirl; vídeo

Sasha Calle, de 25 anos de idade e ascendência colombiana, aparece em vídeo com o diretor de filme ao receber notícia

Andy e Sasha Calle (Foto: Reprodução/Instagram)

Sasha Calle não conteve a emoção ao saber que foi escolhida para interpretar a Supergirl no filme The Flash. Em vídeo publicado nas redes sociais, o diretor do filme, Andy Muschietti, revela a boa notícia para a atriz, de ascendência colombiana.

Ele mostra o uniforme da Supergirl e Sasha cai no choro. “Ainda não caiu a ficha. Comecei a chorar quando digitei esse texto porque sei que sou eu no vídeo, mas ainda não acredito. Uma latina super-heroína? Em que planeta? Neste planeta! Que alegria e orgulho! Mãe, muito obrigada por seu esforço em me criar sozinha e com muito amor. Te amo com tudo o que tenho. Você é um exemplo de heroína”, escreveu Sasha no Instagram.

De acordo com o site Deadline, ela foi escolhida entre mais de 400 atrizes que participaram de testes em busca de alguém para interpretar a super-heroína. The Flash tem previsão de estreia para novembro de 2022. Sasha é mais conhecida nos Estados Unidos por seu papel na novela The young and the restless.

Príncipe William está furioso e triste com o comportamento de Harry e Meghan Markle, diz ‘Sunday Times’

Duque de Cambridge considerou comentário do casal, que afirmou que o ‘serviço é universal’, ‘desrespeitoso’ em relação à rainha Elizabeth II

Príncipes Harry e William, Meghan e Kate

príncipe William está furioso e triste com o comportamento do príncipe Harry e de Meghan Markle em relação à rainha Elizabeth II. De acordo com o “Sunday Times”, ele achou um comentário feito pelo casal “desrespeitoso e petulante“. A rainha Elizabeth afirmou que uma “vida de serviço público” não é compatível com a nova carreira do casal nos EUA. No que o príncipe Harry e Meghan rebateram, respondendo: “O serviço é universal”.

Na sexta-feira,  o palácio de Buckingham confirmou que o príncipe Harry e sua mulher, a americana Meghan Markle, não retornarão às funções reais. Harry também abrirá mão de seus títulos militares e o casal deixará suas atividades como patronos de instituições culturais e filantrópicas. Essas medidas marcam a separação definitiva da família real britânica.

Ontem, o príncipe Charles viajou ao encontro do príncipe Philip, que está internado com uma doença não relacionada à Covid-19.

Há rumores de que a apresentadora Oprah Winfrey passou dois dias da semana passada com o príncipe Harry e Meghan Markle gravando a entrevista que irá ao ar dia 7 de março.

Gigantes das redes sociais querem surfar na onda do Clubhouse

Plataformas como Facebook e Twitter estudam como lançar produtos dedicados a interações exclusivas em áudio
Por Guilherme Guerra – O Estado de S. Paulo

Gigantes das redes sociais também planejam produtos similares ao Clubhouse

Depois de assistir ao sucesso repentino do Clubhouse, a concorrência já se movimenta para não ficar para trás — é a mentalidade do “pode copiar, só não faz igual” dos tempos de escola.

Desde dezembro de 2020, o Twitter está testando o Spaces, função que permitiria conversas por áudio em tempo real na plataforma do passarinho. Ao contrário do Clubhouse, no entanto, não há um “corredor” em que é possível procurar por salas com interesses comuns — só é possível entrar em uma sala se ela for divulgada em tuítes ou se um perfil estiver falando ao vivo. 

Analistas esperam que o grande trunfo do Twitter seja a base de mais de 300 milhões de usuários ativos mensalmente, o que pode atrair os criadores de conteúdo que já estão se firmando no concorrente recém-chegado

Já o Facebook, segundo o The New York Times, já deu aval para um produto similar ao Clubhouse seja desenvolvido. Após comprar o Instagram, em 2012, e o WhatsApp, em 2014, e se inspirar nos “snaps” do Snapchat e nos vídeos do TikTok, Zuckerberg parece que não quer perder tempo.

Como se não bastasse a entrada de pesos pesados no jogo, foi anunciada a criação de mais uma rede social, a Fireside. Ela promete que criadores de conteúdo gravem, transmitam e monetizem podcasts, de acordo com o site The Verge. O projeto deve ver a luz do dia já em 2021, mas mais detalhes não foram revelados. 

Além daqueles que estão correndo atrás, quem pode se beneficiar da onda é o Discord, aplicativo que existe desde 2015. Ele é utilizado principalmente pela comunidade de games para fazer transmissões, mas, ao contrário do movimento que o Clubhouse ensaia, nunca saiu do nicho para o qual foi criado. 

A febre do áudio social 

Outras 20 redes sociais com esses mesmos modelos já foram detectadas pelo especialista de tecnologia Jeremiah Owyang. Não à toa, a quantidade de serviços surgindo fez com que ele e o analista Alex Kantrowitz batizassem o fenômeno de “áudio social”, uma nova categoria de rede social. Nesses novos tempos, o texto não é suficiente para se expressar, mas fazer uso de vídeo parece trabalhoso demais para os usuários. A voz seria o meio-termo perfeito.

“Estamos no fim da era das curtidas e no início da era da voz na internet”, concorda Edney Souza, diretor acadêmico da Digital House Brasil. “O formato do Clubhouse veio para ficar porque nós estamos mais acostumados a consumir conteúdo por áudio, que é uma interface mais natural de comunicação”, explica. Somado a isso, o contexto de pandemia, em que parte da população mundial aderiu ao home office como medida sanitária para combater a covid-19, turbina a necessidade por interações mais reais e práticas.

O movimento pode não ser uma modinha pandêmica. Os especialistas acreditam que a pandemia apenas acelerou a tendência, que já vinha em alta com o consumo de podcasts. Somada a celulares equipados com microfones mais precisos, fones de ouvido para todos os gostos e a conexões de internet cada vez mais rápidas, a solução ganha força.

O desafio, no entanto, será prender os criadores de conteúdo com monetizações, algo em que rivais com maior capital podem sair na frente. Isso deixa a disputa  mais nebulosa no longo prazo.

“Na medida em que uma rede social extremamente popular incorpore as medidas existentes no Clubhouse, será que vai desaparecer o incentivo para continuar no Clubhouse?”, reflete Carlos Affonso de Souza, do ITS-Rio. 

Clubhouse, nova rede social, conquista espaço com ideia de “exclusividade”

Com convites limitados e disponível apenas para donos de iPhone, serviço gera curiosidade entre produtores de conteúdo, empreendedores e empresários ao permitir interações “informais” apenas por áudios efêmeros
Por Guilherme Guerra – O Estado de S.Paulo

Clubhouse é uma rede social de áudios em tempo real

Depois de InstagramTwitterWhatsApp e TikTok, uma nova rede social começa a fazer barulho — literalmente. Desde 31 de janeiro, o Clubhouse, uma rede social de áudios ao vivo, parece ter virado a nova fronteira de curiosidade e de conexões na internet. Numa era em que muitos dispensam mensagens de áudio no WhatsApp e em que a oferta de podcasts é abundante, ainda há muitas dúvidas sobre como o Clubhouse conseguiu atingir o status de nova vedete das redes sociais — em janeiro, ela quase multiplicou por três sua base de usuários. 

O funcionamento do novo serviço nada contra tudo aquilo que se costuma imaginar de uma rede social. Ao contrário de outros nomes do segmento, que são movidos por imagens, vídeos e textos, toda interação no Clubhouse é por áudio. Não apenas isso: assim como acontece no Snapchat e nos Stories do Instagram, os conteúdos desaparecem depois de um período — nada fica para o registro posterior. O que é dito por lá é ouvido apenas por quem estava presente no momento. É uma mistura de salas de bate-papo dos primórdios da internet com as boas e velhas rádios.

Além da peculiaridade no formato, o que parece estar alimentando o barulho em torno do Clubhouse é a aura de exclusividade do serviço. Para entrar na rede social, é preciso receber um convite de um usuário já cadastrado. E, ao menos por enquanto, o aplicativo é exclusivo para iPhone e iPad, o que transforma a rede social em um clube de VIPs — a Apple tinha apenas 11,8% no mercado global no terceiro trimestre de 2020, segundo a consultoria IDC.   

O diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio), Carlos Affonso de Souza, enxerga similaridades com o que ocorreu com o Instagram até 2012, quando a rede social de fotos era exclusiva para iPhone. “Existe um gostinho de exclusividade somado ao pioneirismo de desbravar aquele território”, explica. “As pessoas têm interesse em entrar nem tanto para se tornarem usuárias intensivas do Clubhouse, mas para dizer que estão lá e que chegaram primeiro.”

Para Edney Souza, diretor acadêmico da Digital House no Brasil, a corrida para entrar no Clubhouse também pode ser motivada pela ansiedade de ficar de fora de algo extremamente novo – é o que se chama em inglês de “fear of missing out” (FOMO). Segundo ele, não é algo que afeta a todos, mas é mais comum em quem é criador de conteúdo na internet, está ligado a marcas e usa redes sociais para impulsionar o próprio negócio. “Quem entra primeiro em uma rede social consegue colonizar o espaço e tem vantagem competitiva”, aponta. 

Clube do Bolinha

A julgar por quem já está dentro, a taxa de FOMO da base do Clubhouse é alta: são criadores de conteúdo, empresários, empreendedores, palestrantes e especialistas em diferentes áreas. Há muitas salas (onde reúnem-se os palestrantes e ouvintes) criadas com o intuito de falar sobre empreendedorismo e inovação, o que faz o Clubhouse parecer com uma espécie de LinkedIn por voz.

Faz sentido que seja assim: quem jogou holofotes na rede social foi o bilionário Elon Musk, quando tirou alguns minutos de um domingo no final de janeiro para usar o serviço. Depois dele, Mark Zuckerberg, do Facebook, também fez uma aparição, o que reforçou a ideia de clubinho do Vale do Silício do serviço — desde o ano passado executivos de empresas de tecnologia e investidores do setor já frequentam o espaço.  

“Por conta do efeito Musk, há essa conexão com empreendedorismo e startups, mas já há políticos e artistas entrando para fazer outro tipo de conteúdo”, explica Souza. “Existe essa distorção do efeito Musk, mas tende a se corrigir com o tempo.” No Brasil, apesar da entrada de nomes como da humorista Tatá Werneck, a onda ainda está mais ligada ao público influenciado por Musk. É fácil encontrar centenas de palestrantes brasileiros discutindo estratégias de marketing digital ou os desafios de se criar uma startup.

Mariana Dias, presidente da startup Gupy, elogia o clima de descontração e informalidade do Clubhouse
Mariana Dias, presidente da startup Gupy, elogia o clima de descontração e informalidade do Clubhouse

Para Mariana Dias, presidente da startup brasileira Gupy, o Clubhouse preenche um vazio deixado pela pandemia, que é o networking informal entre empreendedores. “A plataforma replica o comportamento de mesa redonda que a gente tinha com muita frequência nos escritórios e bares, mas que a pandemia tornou difícil porque exigia marcar uma reunião na agenda”, diz ela. 

Além disso, a executiva faz parte do Botecho, clube que reúne empreendedores e investidores para falar “sem filtros e sem media training”, conforme diz a descrição do grupo. A ideia é a descontração, sem a formalidade digital que os encontros via Zoom ou lives trazem: os palestrantes e ouvintes não precisam organizar estantes cheias de livros e fundos para aparecer no vídeo ou pensar em roupas e maquiagens. “Existe um nível de informalidade no Clubhouse, mas há também o aprofundamento de conteúdo, o que é uma vantagem de lá”, acrescenta Dias. 

Eduardo L’Hotellier, presidente executivo da Get Ninjas e membro da comunidade desde 5 de fevereiro, concorda. “Existe toda essa questão da etiqueta digital, que é o fundo organizado, o cabelo penteado. E o Clubhouse tira isso”, afirma. O empresário acrescenta que, além do uso mais “sério” para trabalho, ele não vê a hora de usar a rede para assuntos de diversão: “Estou esperando uma nova série para entrar em grupos de discussão, como eu faria com Game of Thrones.”

Paul Davison, junto de Rohan Seth, fundou o Clubhouse em março de 2020
Paul Davison, junto de Rohan Seth, fundou o Clubhouse em março de 2020

Popularização

Se tiver fôlego, a tendência é que o Clubhouse abra suas portas para mais gente.  “Estamos trabalhando para abrir o aplicativo o mais rápido possível”, diz Paul Davison, cofundador da rede social junto de Rohan Seth, com quem lançou o aplicativo em março de 2020. Como acontece com muitos produtos de tecnologia, eventual expansão repentina poderia desestabilizar os servidores e fazer surgir erros de programação que atrapalham a experiência do usuário.

Atualmente, a base é pequena: a rede social tem 8 milhões de usuários, número muito abaixo dos 2,8 bilhões do Facebook ou dos 330 milhões do Twitter – porém, bem alto se comparado aos 3 milhões cadastrados até o final de janeiro. 

Com a expansão, Davison, que já passou por Google e Pinterest, diz que quer evitar o fomento ao ambiente tóxico de outras redes sociais — ele, porém, não disse como vai moderar conteúdos de áudio em tempo real. Mas ele frisa que o Clubhouse quer focar em “conexões humanas e diálogos autênticos, em vez de curtidas ou seguidores — e tudo usando a voz”, afirmou ele ao canal CNBC em 1.º de fevereiro.

Assim, a tendência é ver mais salas sendo criadas para discutir tópicos diversos. O brasileiro Fabio Pinho, que trabalha com hotelaria nos Estados Unidos, é um dos usuários que usam o Clubhouse “somente” para se divertir, sem objetivos profissionais. Em novembro de 2020, quando foi aceito para a rede social, criou com uma amiga o clube Café Português, onde membros de línguas lusófonas podem se encontrar e criar salas com fins diversos, como para fazer intercâmbio cultural com outros países ou ensinar a línguas estrangeiras para quem quer aprender. 

“Não visito o País há dois anos, e o Clubhouse é uma válvula de escape. É divertido”, afirma Pinho, que usa o app diariamente e não tem a intenção de ganhar dinheiro com a rede social. “Eu faço esse uso mais social para trocas culturais. Até participo de alguns clubes que falam de hotelaria, mas é só por curiosidade, e não por interação de trabalho.”

Para ele, os maiores pontos positivos da rede social são os recursos de voz e a possibilidade de interação ao vivo. Prova disso são os casos em que usuários criam salas para comentar programas de televisão ao vivo, como a atual edição do Big Brother Brasil: “Voz é o maior canhão do ser humano na internet atualmente e o entretenimento fica mais forte com essa ferramenta porque o conceito de segunda tela fica evidente.”