Velas artesanais, com formas e cores inusitadas, viram tendência na decoração

Conheça as marcas que estão remexendo no conceito de vela, que, agora, fazem bem mais do que iluminar (algumas dão até pena de acender)
Lívia Breves

Velas esculturais da Maria Nuvem, criada por Nathália Lessa Foto: Reprodução

Olhar para dentro e para a casa nunca foi tão necessário quanto nesses tempos de pandemia. Seguindo o embalo e capazes de alegrar o ambiente e acalmar a mente, as velas escultóricas artesanais viraram objeto de desejo. Nascidas há poucos meses, marcas como Alya, Estúdio Pasta, Cian Candle, CBNT e Maria Nuvem lançaram modelos em formatos, cores e estampa inusitadas. Muitas delas ainda são ecológicas, feitas com cera de soja ou de palma, e os preços começam em R$ 20 e podem chegar a mais de R$ 200.

As velas em formato de coral da marca CBNT, de Luíza Baggenstoss Foto: Reprodução
As velas em formato de coral da marca CBNT, de Luíza Baggenstoss Foto: Reprodução

Em novembro, a designer Luíza Baggenstoss postou sua primeira foto no Instagram da CBNT (@c_b_n_t): um detalhe de uma vela semelhante a que estampa a página ao lado, com formas que lembram corais. A novidade escultural virou um sucesso. “Tudo começa com um rabisco. A ideia é proporcionar uma experiência contemplativa das forças da natureza e, além disso, decorar”, diz. “O nome vem inspirado nos chamados gabinetes de curiosidades ou quartos das maravilhas, onde colecionadores guardavam com apreço seus objetos mais curiosos. Queremos ter esse carinho de tratar nossas criações como objetos colecionáveis e valiosos, que possam fazer parte de cabinets of curiosities ao redor do mundo”. Luiza ainda comenta que cada queima é única, sempre transformando o objeto. “Como uma queima performática, as velas se deformam e transformam, resultando em um novo objeto com novos sentidos. Um objeto com antes e depois, com história e vida”, define. Cheia de novos planos, neste ano ela prepara-se para investir em novos materiais e ir além das velas. “Ainda neste semestre vamos lançar novos modelos de velas e alguns outros itens para casa”, antecipa.

A jornalista Thatiana Mazza lançou a Pasta Estúdio de velas em tons pasteis como amarelo, azul e rosa Foto: Reprodução
A jornalista Thatiana Mazza lançou a Pasta Estúdio de velas em tons pasteis como amarelo, azul e rosa Foto: Reprodução

Assim como ela, a jornalista Thatiana Mazza começou a moldar as suas como um hobbie da quarentena e lançou a Pasta Estúdio (@estudio.pasta), que tem uma série de velas em tons pasteis como amarelo, azul e rosa. “Com o isolamento social, comecei a viver muito dentro de casa e comecei a fazer muitos experimentos com fazeres manuais. Acho muito importante resgatar esses saberes, que essencialmente são femininos. Trabalhos artísticos que por séculos não foram remunerados como cerâmica, tapeçaria, bordado, pintura, escultura, etc. Acredito que aconteça uma conexão entre essas atividades e nosso estado emocional. Acho que não é à toa que virou tendência”, conta ela, e continua “Comecei a fazer para decorar minha casa, e depois para presentear amigos. Conforme fui me aperfeiçoando, comecei a levar como um projeto”. São sete tipos (em forma de nuvem, escadinha, rosca) e várias opções de cores. “Quero que o Estúdio Pasta seja também um local de expressão, não só minha, mas de outros artistas visuais que querem criar e experimentar, cada um com suas habilidades. Estamos pensando em formas de viabilizar muitas ideias. E também vamos expandir para outras técnicas, fazeres, objetos, mas tudo isso, com calma sempre”, diz.

A Maria Nuvem, de Nathália Lessa, tem velas retorcidas, de bolinha e outras formas Foto: Reprodução
A Maria Nuvem, de Nathália Lessa, tem velas retorcidas, de bolinha e outras formas Foto: Reprodução

A Maria Nuvem (@marianuvem_) é um desdobramento da Santa Nuvem, que tem loja em Botafogo. A neomarca faz, além de velas lindas, castiçais incríveis. Criada por Nathália Lessa, a marca é a conclusão de seu desejo de criar com as mãos. “É  uma maneira de me harmonizar com a minha própria natureza e oportunidade de dar sentido às minhas reflexões e emoções”, conta. São itens coloridos, torcidos, em formas arredondadas. Uma variedade. “Atuamos no mercado slow fashion com o propósito de desacelerar e consumir consciente. O processo criativo das velas, começa na argila e depois passamos para moldes de ferro.
 

A Cian Candle, da artista Marina Anjos, tem, além de velas, castiçais com formatos e cores inusitadas. Foto: Reprodução
A Cian Candle, da artista Marina Anjos, tem, além de velas, castiçais com formatos e cores inusitadas. Foto: Reprodução

A Cian Candle (@ciancandle), da artista Marina Anjos, é outra cria da pandemia. Nasceu em São Paulo, mas se mudou para o Rio em fevereiro. Quando se viu com tempo livre, se jogou na busca de novas formas de se expressar. Até que chegou nas velas aromáticas. “Encontrei nelas uma conexão entre minha arte e bem-estar”, conta ela, que seguiu produzindo para proporcionar para outras pessoas o mesmo aconchego que encontrou para si. Primeiro, foi uma pequena produção para presentear amigas e familiares e algumas poucas unidades para venda. Mas, aos poucos, a Cian foi ganhando identidade e, claro, novos itens, como castiçais com formatos e cores inusitadas, e também parcerias com pequenas marcas de decoração com produtos autorais. As estampadas com Smiley são um sucesso. “Esse conjunto acabou criando um ciclo que reforça cada vez mais a identidade da marca e, por sua vez, atrai parcerias inesperadas e levam a produtos cada vez mais criativos”, conta Marina. São dois grupos: as velas aromáticas, ecologicamente corretas, feitas com cera de palma e  óleos essenciais; e as castiçais, feitas à base de parafina, que divertem e dão charme ao ambiente com suas formas e cores inusitadas.

Na Alya, cores e ondas de cera vegetal de soja, não poluente e biodegradável Foto: Divulgação
Na Alya, cores e ondas de cera vegetal de soja, não poluente e biodegradável Foto: Divulgação

Vem de Londrina as criações da Alya (@alyavelas), que tem opções em formas de onda e listradas. Também nascida durante a pandemia, quem está por trás é Júlia Dutra e André Felipe, que têm uma banda, a Luvbites. Sem shows, eles começaram a criar velas diferentonas. Como André já trabalhava há quatro anos com a fabricação de velas comuns, tinha noção da produção, o que facilitou a criação das velas escultura da marca. Mas os padrões são outros agora: são de cera vegetal de soja, não poluente e biodegradável. “acreditamos que somente em equilíbrio com a natureza é que podemos produzir algo com propósito. Estamos sempre buscando melhorar nossas habilidades, tanto profissionais como socioambientais, enquanto desenvolvemos novas peças inspiradas na arte, no design e na própria natureza (bioinspiração)”, contam.

Os castiçais nunca mais serão os mesmos.

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