Valentino | Fall Winter 2021/2022 | Full Show

Valentino | Fall Winter 2021/2022 (Valentino ACT Collection – Piccolo Teatro Strehler) by Pierpaolo Piccioli | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video – MFW/Milan Fashion Week Women’s) #ValentinoActCollection

Dana Kerstein – Echo/My Soul/Recognise

Marta Romashina & Oleg Tarasenko for L’Officiel Monaco with Elly Shebar

Photographer: Marta Romashina & Oleg Tarasenko. Fashion Stylist: Stylist & Producer: Marta Romashina. Makeup Artist: Olga Bychkova. Model: Elly Shebar at nik model management.

Conheça a ferramenta de IA que permite animar fotos de rosto antigas

Nas redes sociais, pessoas estão ‘trazendo à vida’ parentes e personagens históricos

Ferramenta da My Heritage permite animar fotos estáticas graças à inteligência artificial

Fotografias que se movem não são mais coisa dos filmes de Harry Potter. A startup americana My Heritage, especializada em analisar o histórico familiar dos clientes, lançou uma ferramenta gratuita para o usuário animar fotos antigas do rosto de qualquer pessoa — como aquele retrato do seu bisavô perdido no álbum de família.

A My Heritage usa a tecnologia da empresa D-ID para reconstituir o vídeo por meio de inteligência artificial (IA). Ao contrário do que ocorre com a maioria das utilizações em IA, a ferramenta não fica mais precisa conforme o uso porque a empresa utiliza drivers pré-definidos para dar realismo com gestos e movimentos fixos e assim animar o vídeo por meio de uma única foto enviada. O recurso foi batizado de Deep Nostalgia (nostalgia profunda, em tradução livre), brincadeira com o nome “deep fake”, que se refere a vídeos criados por inteligência artificial.

Para usar o Deep Nostalgia, é preciso se cadastrar na My Heritage. A função gratuita tem limite de fotos podem ser animadas, mas a versão paga é ilimitada.

Em 2019, a Samsung publicou em artigo científico que havia desenvolvido um software que gerava figuras tridimensionais a partir de imagens estáticas. Mas só agora a tecnologia, por outra empresa, bombou.

“Essa ferramenta pega uma única foto de duas dimensões e aí a inteligência artificial consegue animá-la como se fosse um vídeo da época. Por enquanto, faz movimentos pré-determinados, mas já existe viabilidade tecnológica para fazer movimentos mais diversificados, mas ainda não está implementado nessa plataforma em particular”, explica, Anderson Soares, coordenador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (UFG). 

O especialista afirma ainda que, além do foco em vídeos, já existe tecnologia suficiente para reconstituir a voz das pessoas, como fazem plataformas como a brasileira Cybervox, que precisa de um áudio de base para imitar sons e palavras do indivíduo. “Estamos entrando em uma era em que, se você tem a voz da pessoa, você vai animar a foto da pessoa com a voz dela”

Nessa seara, podem ser vistos experimentos em pequena escala com as novas gerações de deep fakes. Na última semana, viralizou na rede social TikTok vídeos falsos com o ator americano Tom Cruise, que é quase idêntico ao original.

Na internet, as pessoas têm se divertido animando fotos de parentes antigos e de personalidades históricas.

Quintin and Ron for L’Officiel Italia with Keke Palmer

Photographers: Quintin and Ron. Fashion Stylist: Micky Freeman. Hair Stylist: Ann Jones. Makeup Artist: Dina Drevenak. Manicurist: Etsuko Coco Shimatani. Studio: Parlay Studios. Model: Keke Palmer.

Synth Setup Tips #3 // Julia Bondar’s Compact Techno Eurorack/MIDI Rig and Performance

Thanks @Julia Bondar​ por dedicar tempo e esforço para fazer este vídeo! Follow Julia’s work here:

https://www.instagram.com/juliabondar…

https://juliabondar.bandcamp.com/

https://juliabondar.com/

https://open.spotify.com/artist/1Z9yE…

Julia’s video shot and cut by Andreas Zhukovsky

O número de ouvintes de podcast do Spotify ultrapassará o da Apple este ano

Article by Insider Intelligence Editors  |  Mar 1, 2021

Parece que os investimentos em podcast do Spotify estão valendo a pena. Pela primeira vez, o número de ouvintes de podcast do Spotify nos EUA ultrapassará os podcasts da Apple, de acordo com a última previsão da eMarketer. Este ano, 28,2 milhões de pessoas ouvirão podcasts no Spotify pelo menos uma vez por mês, enquanto 28,0 milhões ouvirão via Apple Podcasts. Spotify experimentou um crescimento significativo nos últimos anos; a empresa crescerá 41,3% neste ano.

Apesar de seu crescimento, o Apple Podcasts vem perdendo sua parcela de ouvinte de podcast desde que começamos a rastreá-lo em 2018. Naquela época, ele representava 34,0% dos ouvintes de podcast, que cairá para 23,8% em 2021.

“Ao colocar podcasts e música em um só lugar, o Spotify rapidamente se tornou o balcão único e conveniente para tudo o que é áudio digital”, disse o analista de previsão da eMarketer da Insider Intelligence Peter Vahle. “A Apple foi o destino de fato para podcasts por muito tempo, mas nos últimos anos, ela não acompanhou o ritmo de investimento e inovação do Spotify em conteúdo e tecnologia de podcast. Os investimentos do Spotify capacitaram criadores de podcast e anunciantes por meio de suas ferramentas proprietárias de hospedagem, criação e monetização. ”

No geral, haverá 117,8 milhões de ouvintes de podcast mensalmente em 2021, um aumento de 10,1% ano a ano (YoY). Este ano, os ouvintes de podcast representarão 53,9% dos ouvintes de áudio digital mensal, ultrapassando 50% pela primeira vez. Prevemos que mais ouvintes de áudio começarão a ouvir podcasts mensalmente, levando a uma participação de 60,9% em 2024.

Este ano, US $ 1,28 bilhão será gasto em publicidade de podcast, ultrapassando US $ 1 bilhão pela primeira vez, representando um aumento de 41,0% A / A. A publicidade de podcast continua ganhando participação nos gastos totais com anúncios de áudio digital, representando 24,0% em 2021.

Globo de Ouro 2021: 5 belezas para copiar já!

Os beauty artists Brigitte Calegari e Lucas Vieira ensinam a reproduzir as maquiagens mais bacanas da premiação!
GIULIANNA CAMPOS (@GIULIANNACAMPOS)

Elle Fanning, Lily Collins e Kate Hudson (Foto: Reprodução/ Instagram)

A 78ª edição do Globo de Ouro, realizada no domingo (28), deu o pontapé inicial na temporada de premiações de Hollywood de 2021 e nos fez babar no visual das famosas.

Por causa da pandemia de coronavírus, o grandioso evento reinventou-se sem plateia, e os indicados se dividiram entre hotéis e suas casas. Mesmo longe do público e sem desfilar no tradicional tapete vermelho, as estrelas arrasaram no combo look + beleza.

E para decifrar a anatomia do make delas, convidamos os beauty artists Brigitte Calegari e Lucas Vieira, que ensinaram todos os truques para reproduzirmos já!

Elle Fanning

Elle Fanning (Foto: Reprodução/ Instagram)
Elle Fanning (Foto: Reprodução/ Instagram)


“A Elle optou por uma pele bem fresh, hidratada e sem contorno. Vemos essa tendência cada vez mais forte nos tapetes vermelhos. O blush rosado cremoso deixou o look lindo e supernatural. A grande pegada foi o delineador fininho na pálpebra móvel toda, com cílios postiços naturais e boca esfumada em tom de rosa. Para compor, um cabelo preso em um coque, que deixa o visual chiquérrimo.”  Lucas Vieira

“Uma pele extremamente natural – podemos até ver um pouquinho da olheira dela -, ou seja, a quantidade de produtos para criá-la foi mínima. Os destaques foram os olhos e lábios. O tom do batom pêssego é complementar ao tom azul do vestido. E o delineado preto, em evidência do início até o final, criou um olhar dramático com cílios postiços.” Brigitte Calegari


Lily Collins

Lily Collins (Foto: Reprodução/ Instagram)
Lily Collins (Foto: Reprodução/ Instagram)


“Os olhos coloridos voltaram com tudo, ainda mais em dois tons. Para complementar, bastante máscara de cílios (em cima e embaixo) e pele fresh sem contorno.” Lucas Vieira

“Para uma maquiagem ‘usável’ trabalhar com cores sóbrias é o ideal. No make de Lily, as cores do vestido deram ‘match’ com as dos olhos, ficando, assim, equilibrado. Na pálpebra superior, um tom mais arroxeado/vinho e na raíz dos cílios inferiores, um tom mais esverdeado, bem delineado. Para não ficar ‘too much’, máscara de cílios ao invés de cílios postiços e pele com quase nada de blush.” Brigitte Calegari


Kate Hudson

Kate Hudson (Foto: Reprodução/ Instagram)
Kate Hudson (Foto: Reprodução/ Instagram)


“Na minha opinião, Kate sempre é uma das mais lindas, e não foi diferente com esse make fresh com sombra cintilante para dar um ponto de luz. Nos olhos, tufinhos de cílios postiços no cantor exterior, bochechas e sobrancelhas bem marcadas. Para um visual deslumbrante, cabelo solto, com ondas leves, bem tapete vermelho.” Lucas Vieira

“A beleza de Kate é a clássica make de bonita, que funciona para todo mundo. A pele, olhos, sobrancelhas e lábios estão bem trabalhados e o segredo para evidenciar todos os pontos é: quantidade de produto + escolha das cores. As cores usadas são muito suaves, a sombra bem próxima a raíz dos cílios, sem subir tanto para o côncavo. A pele levemente opaca é importante nas premiações, por causa do uso do flash das câmeras.” Brigitte Calegari


Cyntia Erivo

Cyntia Erivo (Foto: Reprodução/ Instagram)
Cyntia Erivo (Foto: Reprodução/ Instagram)

“Sem dúvida, o olhar lilás mega dramático com cílios postiços de mink, é o ponto alto da maquiagem. A cor roxa/lilás fica linda em todas as cores de pele. Ela também apagou as sobrancelhas para combinar com os cabelos raspados e claros. E a pele natural, trabalhada no skincare, complementou a beleza.” Lucas Vieira

“Ao mesmo tempo em que Cyntia é dramática, o make está super em equilíbrio. As sobrancelhas apagadas, os lábios naturais e o blush suave, deram espaço para os olhos em tons arroxeados e cílios postiços enormes.” Brigitte Calegari


Lana Condor

Lana Condor (Foto: Reprodução/ Instagram)
Lana Condor (Foto: Reprodução/ Instagram)


“A beleza de Lana tem uma pegada bem oriental: sobrancelhas marcadas, pele contornada e blush rosado – novo vício das famosas. O truque da atriz foi aplicar o batom para fora da boca para dar mais volume. O delineado também ajudou a abrir o olhar, assim como os cílios postiços dramáticos no cantor exterior.” Lucas Vieira

“A Lana acentuou ainda mais suas características orientais com esse delineado gatinho em evidência no canto externo e os cílios postiços do meio para o fim dos olhos. As maçãs do rosto levemente rosadas, assim como o batom, deram o match perfeito.” Brigitte Calegari

Taylor Swift critica piada sobre ela em série Ginny & Georgia da Netflix

Em suas redes sociais, cantora chamou o comentário de machista

A cantora Taylor Swift fez duras críticas ao seriado Ginny & Georgia por ter feito uma piada usando seu nome. Em uma episódio, um dos personagens diz: “por que você se importa? Você passa por homens mais rápido que a Taylor Swift”.

Nas redes sociais, Swift chamou o comentário de machista. “Ei, Ginny & Georgia! 2010 ligou e quer a sua piada preguiçosa e profundamente machista de volta. Que tal pararmos de degradar mulheres que trabalham duro ao definir essa merda como sendo ‘engraçada'”. Aliás, depois de Miss Americana, essa roupa não fica boa em você, Netflix. Feliz Mês da História das Mulheres, eu acho”, disse ela.

Miss Americana, que a cantora cita, é um documentário disponível na Netflix que narra parte da história de Swift.

Ginny & Georgia estreou no streaming no dia 24 de fevereiro e conta a história de Georgia, que leva seus filhos Ginny e Austin para uma nova cidade, em busca de uma nova vida. Mas nem tudo sai como o esperado.

‘Como Britney Spears, fui manipulada e sexualizada quando criança’, revela Mara Wilson, atriz mirim de ‘Matilda’

Em artigo publicado no ‘New York Times’, a atriz Mara Wilson, que protagonizou o filme ‘Matilda’ em 1996, aos 8 anos de idade, fala sobre o tratamento que atrizes mirins recebem em Hollywood. Leia na íntegra
Mara Wilson*

‘Hollywood decidiu combater o assédio na indústria, mas a verdade é que nunca fui assediada no set de filmagem; isso sempre aconteceu pelas mãos da imprensa e do público’, diz atriz de ‘Matilda’ Foto: Reprodução/NYT

Comemorei meu 13º aniversário trancada em um quarto de hotel em Toronto.Era julho de 2000, e eu estava em turnê para promover o filme “Thomas e a Ferrovia Mágica”. Tinham me prometido o dia de folga, mas, quando cheguei de Los Angeles, na noite anterior, fiquei sabendo que teria de falar com a imprensa o dia todo. Trabalhar nesse dia para mim não era novidade: eu já tinha comemorado meus oito anos no set de “Matilda”, e os nove filmando “Um Passe de Mágica”, mas mesmo assim ainda era decepcionante. Se não fosse pela babá, eu estaria sozinha.

Na manhã seguinte me levantei, ainda meio zonza por causa do fuso horário, e coloquei minha melhor roupa da Forever 21. Dois coordenadores de imprensa vieram me ver antes de eu começar a maratona de entrevistas, e perguntaram se eu queria que desligassem o ar, se eu queria um refrigerante. Eu disse que estava tudo bem, porque não queria ficar com fama de resmungona, mas, quando a jornalista me perguntou como eu estava, cometi um dos maiores erros da minha vida: eu lhe disse a verdade.

Não sei por que me abri, mas eu nunca fora muito boa em esconder o que sinto. (Para mim, atuar é bem diferente de mentir.) E ela parecia realmente interessada.

No dia seguinte, o jornal de referência do Canadá me colocou na primeira página do caderno de entretenimento. O artigo começava assim: “A entrevista nem começara com Mara Wilson, a Estrela Mirim, e ela já reclamava com o pessoal da equipe.”

Daí para a frente, o artigo me descrevia como uma “fedelha mimada” que agora estava “passada da idade”. Falava dos caminhos sombrios que os astros mirins como eu volta e meia trilhavam. Adotava aquilo a que hoje me refiro como “A Narrativa”, a ideia de que qualquer um que tenha crescido aos olhos do público terá um fim trágico.

Aos 13, eu já sabia tudo sobre ela. Atriz desde os cinco anos e protagonista desde os oito, eu fora treinada para parecer e ser tão normal quanto possível – e fazer o que fosse preciso para evitar minha queda inevitável. Eu dividia o quarto com minha irmã caçula. Estudava em escola pública. Era escoteira. Quando alguém me chamava de “estrela”, eu devia insistir que era só atriz, e que as estrelas estão no céu. Ninguém mexeria no meu dinheiro até eu completar 18 anos. Mas eu tinha 13 e já estava arruinada, como todos esperavam.

Tem um trechinho da matéria que se destaca para mim hoje, em meio a comentários de agentes dizendo que as meninas de 12 anos tinham de ter uma “aparência inocente” e “cara de garota-propaganda de sabão em pó” para serem escaladas, além das descrições sensacionalistas de astros mirins lutando contra o vício; a repórter tinha me perguntado o que eu achava da Britney Spears, e aparentemente eu disse que a “detestava”.

Na verdade, eu não odiava Britney Spears, mas jamais admitiria gostar dela. Havia um traço forte de “não gostar de outras garotas” em mim nessa época que hoje me constrange – embora, cá entre nós, não fosse nisso que eu tinha de acreditar depois de ter passado a maior parte da infância competindo com outras meninas? Em parte, era pura inveja por ela ser bonita e descolada como eu jamais seria, mas principalmente porque já absorvera a versão da “Narrativa” que a cercava.

Mara Wilson in 2019.Credit…Elizabeth Weinberg for The New York Times

O jeito como as pessoas falavam de Britney Spears me apavorava na época, e ainda hoje me assusta. Sua história é o exemplo mais gritante de um fenômeno que testemunhei durante anos: nossa cultura cria essas garotas apenas para poder destruí-las. Por sorte, as pessoas estão se conscientizando do que fizemos a ela e começaram a se desculpar, mas continuamos convivendo com as consequências.

Em 2000, Spears já era considerada uma “Menina Má” – rótulo que, segundo notei, era dado às garotas que mostrassem qualquer indício de sexualidade. Acompanhei o alvoroço causado pela matéria de capa da “Rolling Stone”, cuja primeira linha descrevia suas “coxas de mel”, e o furor nos fóruns do AOL por causa da camiseta dela, que revelava seus mamilos. Vi muitas atrizes e cantoras adolescentes usarem a sexualidade como um rito de passagem, aparecendo nas capas de revistas masculinas ou em videoclipes tórridos. Decidi que jamais me submeteria a tal coisa.

De qualquer maneira, porém, eu já tinha sido sexualizada e odiava aquilo. Praticamente só havia atuado em filmes para a família: o remake de “De Ilusão Também Se Vive”, “Matilda”, “Uma Babá Quase Perfeita”; nunca usara nada mais revelador do que um vestido de verão na altura do joelho. Tudo intencional, pois meus pais achavam que assim eu estaria mais segura. Pena que não tenha adiantado.

Desde que eu tinha seis anos, os repórteres me perguntavam nas entrevistas se eu tinha namorado, quem eu achava o ator mais sensual e qual minha opinião sobre a prisão de Hugh Grant por ter contratado uma prostituta. Era fofo quando os meninos de dez anos me mandavam cartas se dizendo apaixonados por mim, mas aterrador quando quem escrevia era um homem de 50. Antes de completar 12 anos, havia fotos minhas em sites podólatras e imagens adulteradas envolvidas com pornografia infantil. E toda vez eu morria de vergonha.

Hollywood decidiu combater o assédio na indústria, mas a verdade é que nunca fui assediada no set de filmagem; isso sempre aconteceu pelas mãos da imprensa e do público.

Boa parte da “Narrativa” é a presunção de que os famosos mirins merecem o que sofrem. “Pedem” para passar por isso ao se tornarem estrelas cheias de privilégios; portanto, tudo bem atacá-los. De fato, ela tem menos a ver com a criança do que com as pessoas à sua volta.

A MGM dava remédio para manter Judy Garland acordada e emagrecer quando ela ainda estava no começo da adolescência. A ex-estrela mirim Rebecca Schaeffer foi assassinada por um fã obcecado. Drew Barrymore, que foi para a reabilitação ainda adolescente, tinha um pai alcoólatra e uma mãe que a levava para a famosa casa noturna Studio 54 em vez de deixá-la na escola.

E esses são exemplos que nem começam a levar em consideração os abusos do público sobre atores não brancos, principalmente negros. Amandla Stenberg, por exemplo, foi assediada depois de ter sido escalada para encarnar uma personagem de “Jogos Vorazes” que no livro era negra, mas que alguns leitores da série tinham imaginado como sendo branca.

O mais triste do “colapso” de Spears é que ele não precisava ter acontecido. Quando ela se separou do marido, raspou a cabeça e atacou os carros dos paparazzi furiosamente com um guarda-chuva, a “Narrativa” lhe foi imposta, mas a verdade é que tinha se tornado mãe recentemente e estava lidando com mudanças enormes de vida. A pessoa precisa de espaço, tempo e carinho para lidar com essas coisas, mas ela não teve nada disso.

Muitos momentos da vida de Spears me são familiares. Também fui manipulada feito boneca, tive amigos íntimos e namorados que saíram espalhando segredos meus e havia homens adultos fazendo comentários sobre meu corpo. Mas minha vida foi um pouco mais fácil não só porque não fui tão famosa a ponto de ser alvo dos tabloides, mas porque, ao contrário dela, sempre tive o apoio da família. Eu sabia que havia dinheiro sendo guardado para mim, e que era meu. Quando eu precisava fugir dos olhos do público, desaparecia na segurança de casa ou da escola.

Quando o artigo que se referia a mim como mimada foi publicado, meu pai me deu a maior força. Ele me lembrou de ser mais positiva e contida nas entrevistas, mas deu para perceber que também não achou o comentário justo. Sabia que eu era muito mais do que a jornalista escrevera a meu respeito, o que acabou me ajudando a ter a mesma percepção.

Às vezes me perguntam como consegui me transformar em uma adulta “normal”. Uma vez, uma pessoa que eu considerava amiga me perguntou, com um sorrisão: “Qual a sensação de já ter chegado ao auge?” Na hora, eu não soube o que responder, mas hoje eu diria que foi porque a pergunta estava errada. Não cheguei ao auge porque para mim a “Narrativa” não é mais a história que outras pessoas escrevem. Eu mesma posso fazê-lo.

*Mara Wilson é atriz, tem 33 anos, e fez filmes como “Matilda” e “Uma Babá Quase Perfeita”