Athiya Shetty – Femina India February 2021 By Keegan Crasto

Femina India  February 2021   —   www.keegancrasto.com
Photography: Keegan Crasto Model: Athiya Shetty Styling: Yukti Sodha Make-Up & Hair: Kritika Gill

5 passos para líderes de diversidade ampliarem seu repertório de atuação

Entre dicas de especialista em diversidade etária, buscar conhecimentos sobre o tema e treinar mentalidade para os desafios da longevidade são imprescindíveis entre lideranças nas corporações
Márcia Tavares

Com envelhecimento irreversível da população, vamos nos aposentar cada vez mais tarde, e há quem não vai se aposentar. Foto: Ravi Patel/Unsplash

A covid-19 acelerou a transformação digital nas organizações. Isso ocorreu, em parte, devido à urgência de viabilizar o trabalho remoto dos colaboradores, e assim, manter as operações em funcionamento durante a pandemia.

Acontece que a mudança abrupta do modelo laboral estreitou drasticamente as fronteiras que ainda demarcavam a distinção entre o que era o ambiente de trabalho e o ambiente de moradia e convivência familiar. Esse estreitamento colocou em evidência a pluralidade de desafios enfrentados diariamente pelos colaboradores dentro e fora das organizações.

Apesar de algumas empresas terem desacelerado seus programas de diversidade, equidade e inclusão, a necessidade de implementar práticas ágeis para garantir o equilíbrio entre os requisitos de trabalho e a rotina familiar, considerando esse cenário tão diversificado, fez crescer a demanda pela figura de líder de diversidade e inclusão (D&I).

O que mais chama a atenção, no entanto, é que a maioria dos líderes de D&I ainda não incluiu a diversidade etária em seu repertório de atuação. Vale ressaltar que essa categoria vem conquistando representatividade devido à presença continuada dos trabalhadores maduros na força de trabalho.

A pandemia já havia colocado o tema em pauta quando os trabalhadores com 60 anos ou mais foram apontados como grupo de risco, sendo os primeiros a entrar no sistema de isolamento. Não demorou muito para que surgissem questionamentos quanto a sua capacidade de usar tecnologias de informação e comunicação, requeridas para o trabalho à distância. Logo vieram as projeções que os apontavam como linha de frente das demissões causadas pela pandemia.

O fato é que a diminuição do número de crianças e jovens, de um lado, e o veloz aumento do número de pessoas idosas, que serão contempladas com uma vida mais longeva e ativa que a de seus antepassados, o envelhecimento da força de trabalho não poderá ser revertido nas próximas décadas e ainda é cedo para afirmar que um dia o será. Vivendo mais, vamos nos aposentar cada vez mais tarde. Alguns de nós nunca vão se aposentar. E muitos vão se aposentar e continuar trabalhando.

Diversidade etária nas empresas

A diversidade etária está se consolidando rapidamente nas organizações. De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), metade da força de trabalho no Brasil terá mais de 50 anos em 2040. Hoje já temos até cinco gerações trabalhando juntas.

Fica fácil concluir que líderes de D&I precisarão compreender e gerenciar expectativas, demandas, valores, formas de aprendizado, visões de vida, trabalho e hierarquia cada vez mais diversificados na economia da longevidade.

Confira 5 passos para incluir a diversidade etária no seu repertório:

  • 1. Não perca tempo lutando contra uma revolução demográfica

É inútil e não faz sentido algum. Se você é líder, lidere você a transformação.

  • 2. Construa uma base sólida de conhecimentos sobre o tema

Conhecimento é uma ferramenta poderosa contra a exclusão. Comece aprendendo os fundamentos da diversidade etária. O tema é robusto, portanto, recorra a fontes confiáveis para compreender a dinâmica da revolução demográfica, a economia da longevidade e o envelhecimento da força de trabalho. Entenda que diversidade etária vai muito além de garantir o mix de gerações ou preparar sucessores.

Recorra ao velho e bom benchmarking. Conheça líderes de D&I que estão inovando no campo da diversidade etária. Sim, existem excelentes referências. Entenda seus desafios, como viabilizaram e implementaram estratégias, políticas e programas relacionados. E busque uma capacitação específica, se quiser acelerar sua curva de aprendizado.

  • 3. Desenvolva um projeto piloto

Pense grande, comece pequeno. Use os recursos que tiver disponíveis, escolha uma metodologia de trabalho e desenvolva um projeto piloto. Essa é a melhor forma de tirar uma ideia do papel e provar sua viabilidade e resultados, até mesmo para os mais céticos.

  • 4. Engaje stakeholders

O piloto pode ser testado em pequena escala na sua organização. Caso isso não seja possível, avalie a possibilidade de estabelecer uma parceria para desenvolver o projeto de forma independente. Construa um case. Conte os resultados do seu trabalho. Convide pares, colaboradores e outros stakeholders a se engajar com essa transformação que é para todos.

  • 5. Treine a mentalidade age-ready

Líderes que possuem mentalidade age-ready alcançaram elevado grau de compreensão e capacidade de avaliação e resposta aos desafios da longevidade e da diversidade etária da força de trabalho. Desenvolveram as competências necessárias para preparar cultura, pessoas, processos, ambiente e rede de apoio que viabilizem a alta performance da força de trabalho intergeracional. Busque uma mentoria especializada avançada, se precisar de orientação.

Aproveite o potencial de inovação da diversidade, solte as amarras e persiga a inovação.

* Márcia Tavares é doutora em Engenharia de Produção pela COPPE/UFRJ, fundadora da WeAge Educação para a Longevidade, professora da FGV e autora do livro ‘Trabalho e Longevidade’ (marciatavares@weage.com.br).

Apple TV+ terá série de contos feministas com Nicole Kidman

Das criadoras de “GLOW”, a série terá também Cynthia Erivo, Merritt Wever e Alison Brie

CREDIT:STEVEN CHEE @STEVENCHEE @DLM_AU

Mais um dia, mais uma novidade para o Apple TV+ — e hoje com um dos nomes mais reverenciados de Hollywood: a Maçã anunciou o sinal verde para a produção da série “Roar”, que terá ninguém menos que Nicole Kidman (vencedora do Oscar por “As Horas”) no elenco.

A série antológica, baseada num livro de crônicas homônimo escrito por Cecilia Ahern, terá oito episódios de meia-hora, cada um deles desafiando gêneros e contando uma crônica feminista a partir do ponto de vista de uma mulher.

Além de Kidman, o elenco da série contará também com Cynthia Erivo (“Harriet”), Merritt Wever (“Nurse Jackie”) e Alison Brie (“Entre Realidades”).

As showrunners e criadoras da produção são Liz Flahive e Carly Mensch, de “GLOW” — “Roar”, inclusive, é o primeiro fruto de um acordo de prioridade de longo prazo assinado por Flahive e Mensch com a Apple. Kidman também será produtora executiva, bem como Ahern.

A Apple prometeu divulgar mais nomes do elenco de “Roar” num futuro próximo, então ficaremos de olho. Promissor! {MacMagazine]

Uma espiada no escritório minimalista da incorporadora imobiliária Gala Magriñá em Nova York

A incorporadora imobiliária Gala Magriñá contratou a empresa de design de interiores Gala Magriñá Design para projetar seu novo escritório na cidade de Nova York.

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Waiting area

“Sempre guiada pelos princípios do design holístico, Gala Magriñá Design transformou o espaço de 1.000 pés quadrados em um ambiente moderno e contemporâneo, completo com toques modernos e art déco na moda de meados do século, voltado para a equipe jovem e enérgica da empresa.

Ao abordar o design do projeto, Gala Magriñá, fundadora e diretora da Gala Magriñá Design, estudou atentamente o guia da marca do Grupo NRP para informar o estilo e a paleta de cores para os interiores do escritório – tudo mantendo os princípios holísticos de design de interiores de sua empresa em mente. Sabendo que fornecedores e clientes da empresa frequentariam o escritório, Magriñá garantiu que o espaço fosse fresco, jovem e moderno, mantendo um toque de elegância. A equipe de design contrastou cores ricas como verdes profundos, azuis e carmesins com tons pastéis claros, trabalhos de arte abstrata e plantas para criar uma justaposição de diversão e sofisticação.

Tudo dentro da metragem quadrada disponível limitada, Magriñá projetou um escritório aberto, sala de reuniões, um único escritório pessoal e uma área de recepção, com uma cozinha multifuncional que abrange o espaço de reuniões e escritório privado. Uma tática particular usada para neutralizar o pequeno espaço foi o uso de uma mesa redonda estilo café na área da cozinha, adequada para reuniões e intervalos para almoço. A mesa está estrategicamente posicionada ao lado de uma tela de LED que pode ser usada para apresentações, conforme necessário. Uma mesa de conferência mais tradicional para brainstorms de equipes maiores ou trabalho colaborativo foi adicionada ao espaço de escritório aberto. Um espaço multifuncional adicional é a área de recepção, que também funciona como lounge para os funcionários da empresa. Magriñá garantiu a coesão estilística em cada área, pois todos os espaços são expostos uns aos outros.

O espaço é adornado com tetos altos e grandes janelas, emanando uma sensação de loft antigo de Nova York. Seguindo as filosofias holísticas de design de interiores de sua empresa, Magriñá adotou essas características do espaço, maximizando a luz natural em todo o escritório. Além disso, Magriñá utilizou cores que evocam a energia “yang”, em oposição à energia “yin”, promovendo o foco e a atividade – perfeito para promover um ambiente de escritório produtivo. Finalmente, a vida vegetal foi incorporada ao design, seguindo os princípios da biofilia, onde os elementos naturais levam a ambientes de apoio ao bem-estar.

Incorporando ainda mais o respeito pela natureza e sustentabilidade ao design geral, Magriñá forneceu os produtos e materiais para este espaço com intenção. Ela usou a Broom Stacking Chair de Philippe Starck, da Emeco, feita inteiramente de materiais reciclados e reaproveitados. Ela também instalou uma impressionante e sustentável bancada de cozinha em terraço de cimento da Concrete Collaborative, enfatizando a natureza do espaço como um ponto focal no escritório. Usar esse material, bem como uma única placa para o balcão e backsplash criou um fator de surpresa atemporal que também era ambientalmente preferível. Finalmente, Magriñá usou tinta de baixo VOC para o espaço.

  • Location: Union Square – New York City, New York
  • Date completed: 2020
  • Size: 2,000 square feet
  • Design: Gala Magriñá Design
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Breakout space
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Breakout space
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Kitchenette
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Meeting room
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Meeting room
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Workstations
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Private office

Lacoste x Ricky Regal: Bruno Mars Launches First Lifestyle Collection

Para o lançamento de sua nova marca de estilo de vida, Bruno Mars se junta a Lacoste para se tornar Ricky Regal, seu alter ego designer. Inspirado por um desejo pela vida e um toque empreendedor Midas, a coleção une a personalidade enigmática de Bruno e estilo distinto com a mistura icônica de esporte e luxo da Lacoste.

“Tive a sorte de ter sido convidado a fazer colaborações no passado, mas sempre veio com diretrizes. A Lacoste foi a primeira e única marca que disse ‘Bruno, você pode fazer o que quiser’. O respeito por essa liberdade criativa vinda de uma casa de moda tradicional foi uma honra ”. – Bruno Mars

A primeira coleção Lacoste x Ricky Regal será lançada em 5 de março de 2021 por meio de uma rede global de 18 varejistas exclusivos e estará disponível a partir de 8 de março de 2021 em butiques Lacoste selecionadas e em lacoste.com.

Tudo sobre o visual de Anya Taylor-Joy para o Globo de Ouro

A atriz escolheu homenagear algumas de suas personagens mais marcantes, como Beth de O Gambito da Rainha, com o look Dior
ALICE NEWBOLD

Anya Taylor-Joy veste Dior (Foto: Reprodução/Instagram)

O vestido Dior personalizado de Anya Taylor-Joy para o Globo de Ouro conseguiu homenagear os dois principais momentos de Hollywood aos quais ela foi indicada. O vestido de alta costura com infusão retro que o stylist da atriz, Law Roach, diz estar “bem na especialidade de Monsieur Christian Dior”, evoca a essência de Emma, na refilmagem do romance de Jane Austen de 1815 no qual Taylor-Joy desempenha o papel titular e O Gambito da Rainha, o drama histórico que traça a ascensão de uma mulher prodígio no xadrez nos anos 1960. O romantismo da silhueta modernizada de Dior transcende o tempo e os mundos diferentes em que os dois personagens de Taylor-Joy habitam.

Maria Grazia Chiuri [diretora criativa da Dior] realmente nos deixou viver nossa fantasia e fazer algo em homenagem aos personagens de Monsieur Dior e Anya”, conta Roach, que enfeitou o visual com joias da Tiffany & Co. “O vestido é retrô, mas moderno e descolado ao mesmo tempo.” Law, que se denomina “um arquiteto de imagens” e vê seus clientes como editoriais ambulantes, não se intimidou pelo fato de que o visual personalizado só seria visível através de um pequeno quadrado no Zoom. “A moda é para ser fantasia”, afirma. “Ela transporta alguém para outro lugar, e Anya é o tipo de cliente que entende isso, então por que não exagerar?”

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Anya Taylor-Joy veste Dior (Foto: Reprodução/Instagram)

“Adoro dizer que ela não tem medo, mas há algo especial sobre ela em geral”, continua Roach. “Sua fisicalidade, sua beleza …” Taylor-Joy procurou Roach para a turnê de imprensa de Emma , que a viu usando um Bob Mackie vintage, um ousado Halpern e um vestido artesanal Loewe que agora está no Metropolitan Museum. “Quando as pessoas vêm até mim, normalmente há algo queimando que elas precisam tirar de seu sistema”, explica Roach sobre sua abordagem descaradamente ousada de design. “Eu sou a chave para destrancá-lo.”

Com Taylor-Joy, não era o caso de uma extrovertida estourando para sair. Em vez disso, ela queria brincar com a moda e usar coisas que nunca havia usado antes. “Não sou uma stylist recatada conhecida por vestidos pretos pequenos – aqueles que optam por trabalhar comigo sabem disso”, acrescenta Law, que é mais conhecido por transformar Zendaya de uma princesa da Disney em um autêntico figurino de moda.

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O vestido de Anya Taylor-Joy para o Globo de Ouro (Foto: Reprodução/Instagram)

Depois que a pandemia interrompeu seu primeiro período de trabalho conjunto parece injusto que o encontro de Law e Anya seja limitada a um caso remoto. Mas, Roach promete, “o conteúdo criado antes e depois do Globo de Ouro é onde a mágica acontecerá”. Para uma mulher que iluminou o período de quarentena ao redor do mundo com seu trabalho de atuação, é emocionante ver Taylor-Joy conseguir seu tempo sob os holofotes.

Netflix confirma segunda temporada da série ‘Cidade Invisível’

História se passará em outra região do Brasil, não mais no Rio de Janeiro, e os novos personagens ainda não foram divulgados
Bárbara Correa, O Estado de S.Paulo

Foto: NETFLIX

Netflix anunciou nesta terça-feira, 2, que a série Cidade Invisível terá uma segunda temporada. A notícia foi compartilhada nas redes sociais da plataforma, em um vídeo estrelado por Marcos Pigossi, o protagonista. 

Segundo comunicado enviado à imprensa, a nova temporada da produção nacional irá retratar outra região do Brasil, não mais o Rio de Janeiro. Os novos personagens que irão habitá-la, no entanto, são segredo. O elenco ainda não está confirmado, mas trará novidades.  

Cidade Invisível foi sucesso de público e crítica e chegou a ficar na lista do top 10 das atrações mais vistas do serviço de streaming em mais de 40 países. A trama conta a história de um fiscal ambiental (Pigossi) que busca descobrir os reais motivos da morte de sua esposa – que parecem estar ligados diretamente ao surgimento do boto rosa na praia.

Nessa investigação, ele acaba se deparando com seres mitológicos do folclore brasileiro, como Cuca, que é interpretada por Alessandra Negrini, Saci Pererê, Iara e Curupira; e corre contra o tempo para salvar sua família de uma maldição.  

“É uma alegria enorme ver um produto nosso, do Brasil, chegar a tantas partes do mundo e agradar a tantas pessoas. Foi o meu primeiro projeto 100% brasileiro e eu não poderia estar mais feliz com a oportunidade de seguir contando essa história. Recebi muitos comentários, li bastante sobre o que as pessoas desejam para a continuação, e estou levando tudo em consideração para trazer ao público uma sequência bacana”, celebrou Carlos Saldanha, criador e co-produtor da série. 

O enredo é inspirado em uma história desenvolvida por Carolina Munhóz e Raphael Draccon, tendo Mirna Nogueira como roteirista-chefe. A série é dirigida por Luis Carone e Julia Jordão.

Iniciativas lideradas por mulheres negras repensam padrões da arquitetura para reduzir desigualdades

Apesar de áreas periféricas serem povoadas, em sua maioria, por pessoas pretas e pardas apenas 30% dos estudantes nos cursos de Arquitetura do país são negros
Gisele Araújo

Arquitetas: Patrícia Oliveira, Gabriela de Matos e Patti Anahory Foto: Arte

Depois de reformar a lavanderia de sua casa, Jaqueline Martins, de 43 anos, viu sua vida mudar ao integrar um projeto que capacita mulheres na área da construção civil. Trabalhadora doméstica desde os 12 anos, ela ficou desempregada um pouco antes da pandemia de Covid-19 e decidiu se matricular nas aulas de azulejista que o Movimento Fazendinhando oferece em seu bairro, o Jardim Colombo, na Zona Oeste de São Paulo. Hoje, é ajudante de obras.

Além de poder reformar sua casa, Jaqueline e as outras 24 mulheres do curso, com idades entre 20 e 50 anos, também atuam em obras de melhoria da comunidade. Ester Carro, arquiteta e urbanista e idealizadora do Movimento Fazendinhando, acredita que os encontros fizeram surgir um grupo de mulheres sem rivalidades e de fortalecimento do sentido de comunidade. Como ela, outras arquitetas negras ajudam a pensar soluções para as necessidades dos moradores de periferia.

Movimento Fazendinhando, criado pela arquiteta Ester Carro Foto: Divulgação
Movimento Fazendinhando, criado pela arquiteta Ester Carro Foto: Divulgação

— Pensamos em um curso que ensinasse construção civil às mulheres. Além da parte teórica e prática sobre aplicação de azulejos e pintura, incentivamos essas mulheres a fazer a reforma da casa delas e a trabalhar onde quiserem. Nós as ajudamos a mudarem a realidade de onde vivem — diz Ester.

Apesar de áreas periféricas serem povoadas, em sua maioria, por pessoas pretas e pardas, segundo o Censo da Educação Superior de 2016, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apenas 30% dos estudantes nos cursos de Arquitetura do país são negros. O governo federal aprovou, em 2008, a Lei 11.888, que prevê gratuidade nos serviços de assistência técnica em habitação para famílias que recebem até 3 salários mínimos. A legislação, entretanto, não chega para todos, impedindo o exercício de direitos básicos.

A arquiteta Patrícia Oliveira, que participa do seminário Imersões Foto: Divulgação
A arquiteta Patrícia Oliveira, que participa do seminário Imersões Foto: Divulgação

— Falar em favela nas universidades é muito importante. Quando os projetos são para as comunidades, o que eu observo é que os arquitetos não dialogam com os moradores. Eu cito como exemplo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Manguinhos (RJ). Se os moradores tivessem sido ouvidos, eles teriam resolvido o problema das enchentes, algo recorrente na região — explica a arquiteta Patrícia Oliveira, uma das participantes do seminário “Imersões: arte e arquitetura”, que acontecerá de 2 a 5 de março e discutirá, entre outros temas habitação social e alteridade.

O objetivo do evento é propor novos olhares sobre os padrões hegemônicos da arquitetura do Rio de Janeiro, a partir da visão feminina, negra e de moradoras das favelas. As participantes discutirão as relações sociais, a participação dos habitantes e sua circulação, os aspectos visuais e ambientais que são, ou deveriam ser, computados na elaboração de projetos que se proponham a redimensionar ou reconfigurar o espaço urbano.

A arquiteta Gabriela Matos, que participa do Seminário Imersões Foto: Divulgação
A arquiteta Gabriela Matos, que participa do Seminário Imersões Foto: Divulgação

— Temos muito o que discutir, os desafios são muitos. O maior de todos passa por não conhecermos nossas referências, como eram a arquitetura indígena e a que chegou com nossos ancestrais negros. É importante entender e assimilar com novas tecnologias, adaptar para lugares mais afastados e construir uma arquitetura que esteja 100% voltada para a redução das desigualdades — afirma Gabriela de Matos, arquiteta, urbanista e fundadora do projeto Arquitetas Negras, que participará do “Imersões” ao lado de Patrícia Oliveira.

O projeto liderado por Gabriela, atua desde 2018 mapeando a produção das arquitetas negras brasileiras. Até agora, foram mapeadas 624 arquitetas de todo Brasil, o que representa um dado inédito, já que o Conselho de Arquitetura e Urbanismo não realiza censo étnico racial.

— Iniciei uma pesquisa quase arqueológica, que eu chamo a princípio de “arquitetura da diáspora africana”. A partir daí, me perguntei sobre minhas colegas negras na minha área de atuação, mas tive dificuldade em encontrá-las. A gente passa pela formação sem essa referência e sem saber o que estava sendo produzido — afirma Gabriela.

O seminário também propõe um diálogo entre a arquitetura brasileira e aquela produzida em países da África. Ambos territórios enfrentam adversidades históricas parecidas, como a moradia, ou ausência total dela, a falta de saneamento básico e de tratamento de esgoto, entre outras. Além das questões estruturais, o evento também refletirá sobre os padrões hegmônicos na arquitetura, em sua maioria europeus.

Arquiteta Patti Anahory, que participa do Seminário 'Imersões' Foto: Divulgação
Arquiteta Patti Anahory, que participa do Seminário ‘Imersões’ Foto: Divulgação

A arquiteta cabo-verdiana Patti Anahory, que também participará do Imersões acredita que a Academia precisa se transformar. Ela foi a segunda mulher a vencer a Rotch Travelling Scholarship em 113 anos de existência do programa, e a primeira entre todos os selecionados, a viajar para estudar a África Subsaariana:

— Acredito que a transformação tem que começar mesmo na Academia como instituição de definição de valor e de produção de significados. Os currículos das universidades precisam ser reavaliados, pois há uma segregação social, espacial e de conhecimento. É preciso valorizar nossos outros saberes, que não necessariamente passam pela academia — afirma.

Serviço:

Seminário online Imersões: Arte e Arquitetura
Data e horário: 2 a 5 de março, das 17h às 20h
Inscrições gratuitas: https://imersoes.arq.br/
Os participantes previamente inscritos receberão certificado