África vira o novo hub global de fintechs

As fintechs estão ajudando as populações africanas a superarem desafios do mundo físico, como a baixa densidade de unidades bancárias que servem a população
Por Camila Farani – O Estado de S.Paulo

A fintech iMaliPay oferece serviços financeiros para profissionais que atuam em diferentes modelos de prestação de serviço, desde motoristas de aplicativo até freelancers
A fintech iMaliPay oferece serviços financeiros para profissionais que atuam em diferentes modelos de prestação de serviço, desde motoristas de aplicativo até freelancers

Observar as maiores dores do mercado e propor soluções tende a ser a fórmula mais básica para startups darem certo. Com as fintechs não seria diferente. E a desbancarização tem sido um dos principais focos de atuação. Nesse contexto, a África tem se tornado uma das principais fronteiras para novos serviços. 

Países como Nigéria e Quênia estão florescendo como hubs das fintechs. Por lá, startups estão usando tecnologia acessível e barata para mobilizar consumidores. São tecnologias que vão de meios de pagamento a formas acessíveis a crédito. Isso parte de empresas que têm como estratégia aproximar populações até então não contempladas por serviços financeiros tradicionais.

Da mesma maneira, as fintechs estão ajudando as populações africanas a superarem desafios do mundo físico, como a baixa densidade de unidades bancárias que servem a população. Segundo o levantamento do Google com o IFC, órgão vinculado ao Banco Mundial, a África subsaariana tem hoje 5 agências bancárias comerciais para cada 100 mil habitantes, comparadas com 13 para cada 100 mil no resto do mundo.

Uma dessas startups é a queniana iMaliPay. Fundada no ano passado, ela oferece serviços financeiros para profissionais que atuam em diferentes modelos de prestação de serviço, desde motoristas de aplicativo até freelancers. A fintech oferece uma plataforma que usa inteligência artificial e big data de maneira a fazer análise dos riscos e, assim, conceder empréstimos, financiamentos, entre outros serviços.

Egito e a Nigéria também estão na rota de crescimento. Os países são duas das mais maduras economias da África, mas as taxas de exclusão financeira permanecem altas. Por lá, centenas de startups já começaram a apostar em serviços de longo prazo, especialmente no ramo financeiro. 

Tais inovações devem provocar influências globais. Um artigo publicado na Harvard Business Review apontou que a expectativa é que o continente se torne o líder global em inovação e investimentos no setor, desbancando até a China.

O boom do setor deve refletir diretamente na economia e no desenvolvimento do continente. O relatório do Google com o IFC mostra ainda que as startups africanas já demonstraram seu potencial para fornecer soluções inovadoras na fase de recuperação econômica pós-covid. 

Segundo o estudo, até 2025, a economia africana de base inovadora vai adicionar US$ 180 bilhões ao PIB do continente, respondendo por 5,2% de participação. Por outro lado, ainda existem certas dificuldades no acesso a capital e a expectativa é de que com o florescimento dessas startups mais recursos de venture capital também sejam dedicados à região. 

*É INVESTIDORA ANJO E PRESIDENTE DA BOUTIQUE DE INVESTIMENTOS G2 CAPITAL

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