As tristes e marcantes semelhanças entre as reveladoras entrevistas da Princesa Diana e Meghan Markle

Em novembro de 1995, a princesa Diana participou de uma entrevista com o jornalista da BBC Martin Bashir. Ela não foi sancionada pelo Palácio de Buckingham. Nenhum tópico estava fora dos limites. Duas décadas e meia mais tarde, seu filho e a esposa realizaram sua própria ‘entrevista bombástica’, Oprah com Meghan e Harry, após deixar a família real.
POR ELISE TAYLOR

(Foto: Reprodução/Getty Images)

Com vinte e seis anos de diferença, a Duquesa de Sussex e a Princesa Diana sentaram-se com dois jornalistas diferentes para duas chamadas ‘entrevistas bombásticas’. Meghan estava em Montecito, Califórnia. A princesa Diana estava em sua sala de estar em Londres. Meghan tinha seu marido, o príncipe Harry, ao seu lado. Diana estava completamente sozinha. (Na verdade, Charles admitiu recentemente para o mundo que teve um caso com Camilla Parker Bowles.) Meghan foi cercada pela atenção negativa da imprensa e por trolls racistas da mídia social. A princesa Diana teve suas conversas telefônicas privadas publicadas e foi considerada instável pela imprensa. A hora, os locais e os detalhes eram diferentes. No entanto, agora que a poeira começou a baixar após a transmissão de Meghan, os elementos compartilhados entre suas histórias são claros: ambas lutaram contra problemas de saúde mental, odiosa atenção da imprensa e contos de fadas falsos e falidos.

Uma explicação rápida, para os que não estão à par: em novembro de 1995, a princesa Diana participou de uma entrevista com o jornalista da BBC Martin Bashir. Ela não foi sancionada pelo Palácio de Buckingham. Nenhum tópico estava fora dos limites, incluindo a bulimia de Diana, depressão e o casamento fracassado com o Príncipe Charles. (“Éramos três neste casamento, então estava um pouco lotado”, disse ela sobre o caso dele com Parker Bowles.) Quase 40% da população do Reino Unido assistiu à entrevista – e, como resultado, a percepção da monarquia por parte do público foi significativamente danificada.

Duas décadas e meia mais tarde, seu filho e a esposa realizaram sua própria ‘entrevista bombástica’, Oprah com Meghan e Harry, após deixar a família real.

A linguagem que as duas mulheres usaram é assustadoramente semelhante: “Você acha que sabe o que está por vir”, disse a princesa Diana a Bashir em 1995. “Eu não entendia totalmente o que era o trabalho”, disse a Duquesa de Sussex a Oprah Winfrey em 2021. “Eu parecia estar na capa de um jornal todos os dias”, disse Diana. “Estou em todo lugar”, repetiu Meghan anos depois. Diana se sentiu frustrada por “pessoas em meu ambiente”. Meghan, por sua vez, falou sobre a “instituição” intangível. “Eu não gostava de mim mesma. Eu estava com vergonha porque não conseguia lidar com as pressões ”, revelou Diana. “Eu estava realmente com vergonha de dizer isso na época”, disse Meghan. “Mas … eu simplesmente não queria mais estar viva.”

Ambas as mulheres admitiram que lutaram contra a automutilação: Meghan tinha pensamentos suicidas. (“Eu simplesmente não vi uma solução”, disse ela.) Diana, por sua vez, sofreu de depressão pós-parto e se cortou. (“Você se sentia incompreendida e muito, muito deprimida.”) Ambas se sentiram terrivelmente sem apoio: “Fui a primeira pessoa nesta família que teve uma depressão ou chorou abertamente. E obviamente isso foi assustador, porque se você nunca viu isso antes, como você oferece apoio? ” disse Diana. “Quando ninguém ouve você, ou você sente que ninguém está ouvindo, todo tipo de coisa começa a acontecer.” Meghan pediu para procurar tratamento, mas ela disse que foi informada de que não era uma opção viável.

Em seguida, houve a Austrália.

Tanto Diana quanto os Sussex insinuaram que suas respectivas viagens pela Austrália causaram ciúme dentro da monarquia. “Tudo mudou depois da turnê pela Austrália”, disse Harry a Oprah. “Foi a primeira vez que a família viu como ela era incrível no trabalho. E isso trouxe de volta memórias. Para ver como foi fácil para Meghan entrar para a família e ser capaz de se conectar com as pessoas. ”

Por memórias, ele se refere às de sua mãe. A popularidade de Diana no continente foi explosiva. Tanto que ela disse que Charles estava com ciúmes: “Estávamos indo para a Austrália, por exemplo, e tudo que você podia ouvir era: ‘Oh, ela está do outro lado’. Agora, se você é um homem como meu marido, um homem orgulhoso, você se importaria de ouvir isso todos os dias durante quatro semanas. E você se sente mal com isso, ao invés de se sentir feliz e compartilhar isso ”, disse ela. “Com a atenção da mídia veio muito ciúme. Muitas situações complicadas surgiram por causa disso”. 

Deve ser surpreendente que a Duquesa de Sussex e a Princesa de Gales tenham experiências paralelas. Essas eram duas mulheres que entraram na família real com origens muito diferentes e em momentos muito diferentes de suas vidas. A primeira casou-se com um membro da família real por volta dos 30 anos, com uma carreira de sucesso atrás dela. Esta última ficou noiva com apenas 19 anos. A primeira é divorciada, birracial norte-americana; a última, um sangue azul britânico cuja virgindade era de conhecimento público. Além disso, a monarquia e a sociedade deveriam estar melhores agora – somos mais compreensivos, mais progressistas, mais tolerantes.

Mas, como diz o ditado, quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas. E agora duas gerações sucessivas de telespectadores lutam para perceber quanta dor uma instituição poderosa pode infligir às próprias pessoas que a habitam.

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Acusação de Meghan sobre racismo na realeza estremece laços da comunidade britânica

Commonwealth, associação de de 54 países, não reagiu bem à repercussão da entrevista de Meghan Markle e Harry

Meghan Markle e príncipe Harry
Meghan Markle e príncipe Harry durante encontro com um grupo de surfistas, em outubro de 2018, para conscientizar sobre saúde mental na Austrália. Foto: Dominic Lipinski/Pool via AP

CIDADE DO CABO, ÁFRICA DO SUL – Em países com laços históricos com o Reino Unido, as alegações do príncipe Harry e de Meghan de que um membro da realeza tinha “preocupações” sobre a cor da pele de seu bebê levantaram o questionamento: essas nações ainda querem estar tão intimamente conectadas com o Reino Unido e sua família real? 

Esperava-se que a entrevista exporia mais divisões na família real, mas agora também está dividindo a Commonwealth, uma associação de 54 países, a maioria ex-colônias britânicas, unidos por laços históricos. Por décadas, a rainha Elizabeth II foi a força motriz por trás da comunidade.

Mas após a entrevista na TV, exibida nos EUA na véspera do Commonwealth Day, o ex-primeiro-ministro da Austrália Malcolm Turnbull citou-a como motivo para o país cortar seus laços constitucionais com a monarquia britânica. “Após o fim do reinado da rainha, é a hora de dizermos: OK, passamos por aquele divisor de águas”, afirmou. “Realmente queremos ter o rei ou rainha do Reino Unido automaticamente (como) nosso chefe de Estado?”

“É uma instituição vergonhosa. Foi responsável pela escravidão de milhões de nós que viemos aqui para trabalhar nas plantações. É parte de todo o legado do colonialismo e precisamos nos livrar dele”, afirmou Carolyn Cooper, professora aposentada da Universidade West Indies, na Jamaica. “O que deve significar para nós é que devemos nos livrar da rainha como chefe de Estado.” 

A entrevista não foi exibida na TV na Índia, país mais populoso da Commonwealth, com 1,3 bilhão de pessoas, mas foi coberta pela mídia e despertou reações negativas em relação à realeza. “Por trás de toda essa fachada elegante estão pensamentos que não são tão elegantes”, disse o escritor de moda Meenakshi Singh.

A advogada Sunaina Phul comentou que a Commonwealth “é relevante para a família real porque mostra que eles governaram muitos lugares. Mas não sei porque ainda fazemos parte dela”. 

O valor da comunidade já foi questionado antes, com críticos perguntando se países e pessoas uma vez colonizadas – e muitas vezes oprimidas – deveriam permanecer em tal associação com um ex-colonizador. O objetivo declarado é melhorar as relações internacionais, mas a relação do Reino Unido com os integrantes da associação foi obscurecida por erros diplomáticos e o legado do império.

Na África, repercussão negativa

A entrevista desta semana “abriu os olhos ainda mais” sobre possíveis méritos da comunidade, escreveu Nicholas Sengoba, um colunista de jornal em Uganda. Ele citou “questões não resolvidas” relacionadas aos abusos de colonialismo em Uganda e questionou se os chefes dos países da Commonwealth deveriam ter “orgulho de jantar” com membros da família real britânica após essas acusações.

Meghan disse na entrevista que um membro não identificado da família real havia levantado “preocupações” sobre a cor de seu bebê com Harry quando ela estava grávida de seu filho, Archie. Também disse que o palácio não a ajudou quando teve pensamentos suicidas. O Palácio de Buckingham disse na terça que as alegações de racismo eram “preocupantes” e seriam tratadas com seriedade. 

Meghan e Harry viajaram para a África do Sul em 2019, onde sua separação da família real ficou mais clara. Eles até falaram da possibilidade de viver lá. Mohammed Groenewald, que mostrou a eles uma mesquita na Cidade do Cabo, disse que as falas da entrevista despertaram memórias dos “racismo colonial dos britânicos”. 

Visita
O príncipe Harry e a duquesa de Sussex, Meghan Markle, são recebidos com dança na chegada para uma visita ao “Justice desk”, uma ONG no município de Nyanga, na Cidade do Cabo. Foto: Betram Malgas / AFP

No Quênia, ex-colônia em que a jovem princesa Elizabeth estava visitando em 1952 quando soube da morte de seu pai e, portanto, tornou-se rainha, a notícia da entrevista também não foi bem aceita. “Sentimos muita raiva de ver nossa irmã africana sendo assediada porque ela é negra”, disse Sylvia Wangari, moradora de Nairóbi, referindo-se a Meghan. Ela acrescentou que os quenianos em 1952 não mostraram a Elizabeth “qualquer (ato de) racismo”. “Ela permaneceu aqui sem qualquer discriminação’.” 

Primeiro-ministro canadense contemporiza

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, não quis comentar a entrevista. Ele disse que muitas instituições no Canadá são construídas em torno do colonialismo e racismo sistêmico, incluindo o Parlamento, e disse que a resposta é ouvir canadenses que enfrentam discriminação para que as instituições possam ser reparadas.

“A resposta não é de repente jogar fora todas as instituições”, disse. “Meu foco é superar esta pandemia. Se as pessoas quiserem falar mais tarde sobre mudança constitucional e mudança em nosso sistema de governo, tudo bem, e eles podem ter essas conversas, mas agora eu não estou tendo essas conversas.”

Jagmeet Singh, líder do opositor Novo Partido Democrático, disse que a monarquia “não é de forma alguma benéfica para os canadenses”. “E com o racismo sistêmico que vimos, parece estar naquela instituição também”, disse ele.  / AP

Um tour pela casa de Daveed Diggs e Emmy Raver-Lampman em Los Angeles | Open Door

Hoje AD é recebido pelo casal multitalentoso Daveed Diggs e Emmy Raver-Lampman para um tour por sua astuciosa e colorida casa em Los Angeles. Trabalhando ao lado da designer de interiores Mandy Cheng, Raver-Lampman supervisionou uma transformação impressionante e constante – que encantava Dave cada vez que ele voltava para casa depois de filmar “Snowpiercer” da TNT. “Toda vez que eu aparecia, parecia haver algum tipo de surpresa esperando por mim”, diz Diggs, que é mais conhecido por seus dois papéis no musical da Broadway “Hamilton”. “Seções inteiras de nossa casa foram criadas sem mim – mas claramente pensando em mim”.

Select artwork by Joanna DeGeneres Photography, Brittani Sensabaugh, Jessi Jumanji, Matt Ritchie / The Lonely Island / Jon Sherman / Flavor Paper, and Celebs on Sandwiches

Michelle Obama fala sobre seu ano COVID: bênçãos inesperadas, passatempos de quarentena e depressão e o que vem a seguir

A ex-primeira-dama está de volta às raízes de comer seus vegetais, estrelando a nova série infantil da Netflix Waffles + Mochi
By Sandra Sobieraj Westfall 

Michelle Obama
 | CREDIT: MILLER MOBLEY/NETFLIX

Flashback de The Before: Era o final de 2019 e Michelle Obama tinha acabado de encerrar as filmagens da ainda não anunciada série da Netflix Waffles + Mochi, um sonho em technicolor de bonecos felizes descobrindo as alegrias de uma alimentação saudável sob a tutela de ” Sra. O, “que faz o papel da mercearia da vizinhança.

“Estou basicamente sendo eu mesma”, diz a ex-primeira-dama. “Todo o conceito é divertido … uma aventura.”

Mas dentro de semanas, COVID-19 veio para a América e Obama, como o resto do mundo, estava em uma outra aventura. Ela compartilha sua jornada acelerada pela bagunça que foi 2020 – americanos em quarentena em casa, escolas fechadas, crianças aprendendo remotamente, injustiça racial e manifestações nas ruas, o vitríolo da campanha presidencial – em uma extensa entrevista via Zoom para a nova edição da PEOPLE

“Estes foram tempos desafiadores. Muitas pessoas lutaram: empregos perdidos, pessoas passando fome”, diz ela. “Aprendemos a contar nossas bênçãos, a importância da saúde e da família.”

From left: Malia, Barack and Michelle Obama in 2020
 | CREDIT: COURTESY OBAMA ROBINSON FAMILY ARCHIVE

A bolha COVID de Obama
O ex-presidente Barack Obama, a Sra. Obama e suas filhas Malia, 22, e Sasha, 19, ficaram isolados juntos – dividindo o tempo entre as casas da família em Washington, D.C. e Martha’s Vineyard em Massachusetts – e compartilhavam o wi-fi. Malia, agora aluna do último ano da Universidade de Harvard, e Sasha, aluna do segundo ano da Universidade de Michigan, foram mandados para casa para assistir a aulas online quando a pandemia fechou os campi universitários.

“Nossas meninas deveriam ter saído do meu ninho”, explica a Sra. Obama. “Eu estava comemorando que eles estavam construindo suas vidas e me permitindo o espaço emocional para deixá-los ir. Bem, eles estão de volta!”

Tem sido melhor do que ela ou o marido esperavam. “Desta vez nos permitiu recuperar alguns momentos roubados com nossas garotas”, disse a Sra. Obama. “Esses momentos recuperados significaram muito para nós e acho que tornaram nosso relacionamento com nossos filhos ainda mais forte.”

“Há algo em testemunhar seus filhos se tornarem adultos e desenvolver um relacionamento diferente com eles”, diz ela. “Eles não voltaram para casa com o mesmo conjunto de regras, porque eu não queria que eles perdessem a independência. Eles voltaram como mulheres jovens e nossas conversas são mais orientadas para os pares do que para mães. -filha.”

Ouvindo na porta enquanto suas filhas transmitem suas aulas online, a Sra. Obama também conseguiu ver um lado de seus filhos que, de outra forma, nunca conheceria.

“Com todo mundo estudando em casa, o que é interessante para mim é ouvir algumas de suas aulas para saber como eles interagem com seus professores. Quando seus filhos estão na faculdade, você não consegue ver essa parte deles”, diz ela. .

Michelle Obama
 | CREDIT: MILLER MOBLEY/NETFLIX

Novos Passatempos
Enquanto Sasha e Malia começaram a cozinhar (“elas amam a liberdade de estar na cozinha, criando, experimentando”, relata sua mãe), a Sra. Obama usou os meses intermináveis ​​em casa para aprender a tricotar sozinha. E agora ela está fisgada.

“Tricotar é uma proposta para sempre. Você não domina o tricô, porque uma vez que você faz um lenço, tem o cobertor. E uma vez que você faz o cobertor, você tem que fazer o chapéu, as meias. … Eu poderia continuar com o tricô ! ” ela diz.

(Na verdade, o presidente Obama disse à People em novembro que ele já possuía vários chapéus personalizados de sua esposa: “Ela pode manivela-los.”)

E depois há natação.

“Durante a quarentena, eu realmente me ensinei a ser um nadador de voltas melhor, porque o que estou descobrindo na minha velhice é que as coisas de alto impacto que eu costumava fazer, quando estou chegando aos 60, simplesmente não “Não funciona. Então eu pensei, bem, nadar é uma daquelas coisas boas para exercícios aeróbicos”, disse a Sra. Obama. “Eu me esforcei até quase um quilômetro de natação. Agora, posso fazer isso neste segundo? Não. Mas neste verão, estou voltando para a piscina.”

From left: Barack and Michelle Obama recording for her Spotify podcast
 | CREDIT: CHYNNA CLAYTON

Novas Lutas
A Sra. Obama também foi sincera sobre como os desafios de 2020 – não apenas a pandemia – afetaram sua saúde mental. Ela descreveu seus sentimentos como “depressão de baixo grau”.

“Isso foi durante uma época em que muitas coisas difíceis estavam acontecendo”, ela explica. “Tivemos a continuação da matança de negros nas mãos da polícia. Só de ver o vídeo de George Floyd, vivenciando aqueles oito minutos. Isso é muito para enfrentar, sem falar em estar no meio de uma quarentena. A depressão é compreensível durante nesses momentos. Eu precisava reconhecer o que estava passando, porque muitas vezes sentimos que temos que cobrir essa parte de nós mesmos, que sempre temos que nos elevar e parecer que não estamos remando com força sob o agua.”

“Isso é saúde mental. Você tem altos e baixos”, diz ela. “O que eu disse às minhas filhas é que uma das coisas que está me ajudando é que tenho idade suficiente para saber que as coisas vão melhorar.”

A Sra. Obama foi vacinada contra COVID-19 (“Eu encorajo todos a tomar a vacina assim que tiverem oportunidade”, diz ela) e vê as coisas melhorando em termos de pandemia: “Há luz no final de o tunel.”

Quanto à injustiça racial e à derrota de Donald Trump para a reeleição (uma derrota pela qual Obama fez campanha ativa e apaixonadamente), ela diz: “Respiramos por um momento, mas ainda há trabalho a ser feito. É por isso que Barack e eu estamos focados em desenvolver a próxima geração de líderes por meio da Fundação Obama … para que a cada ano saiamos dos holofotes e abramos espaço para eles. “

Michelle Obama (center) on the set of Netflix’s Waffles + Mochi
 | CREDIT: ADAM ROSE/NETFLIX

Sonhos de aposentadoria
Há muito que manterá a Sra. Obama sob os holofotes por algum tempo: uma nova pressão pelo direito de voto; construção do Centro Presidencial Obama no South Side de Chicago; a estreia de Waffles + Mochi na Netflix na próxima terça-feira; e o lançamento, no início deste mês, de uma edição especial para jovens leitores de suas memórias, Becoming.

Junto com sua nova série, a Sra. Obama está trabalhando com a Parceria para uma América mais Saudável na campanha “Passe o Amor” para ajudar a fornecer alimentos para famílias, independentemente da localização ou situação econômica. (Acesse WafflesAndMochi.org para obter mais informações, receitas e atividades caseiras.)

Mas ela também imagina com prazer um dia em que os holofotes passarão para uma nova geração de defensores, ativistas e agentes de mudança.

“Tenho dito às minhas filhas que estou me aposentando agora, [seletivamente] escolhendo projetos e buscando o verão”, disse a Sra. Obama. “Barack e eu nunca mais queremos experimentar o inverno. Estamos construindo a base para outra pessoa continuar o trabalho para que possamos nos aposentar e ficarmos juntos – e Barack pode jogar golfe demais, e eu posso provocá-lo sobre golfe demais porque ele não tem mais nada para fazer.

Apple TV+ terá minissérie com Natalie Portman e Lupita Nyong’o

“Lady in the Lake” será o primeiro projeto televisivo de Portman

Lupita Nyong’o e Natalie Portman

Mais um dia, mais uma novidade para o Apple TV+: hoje, a Maçã deu o sinal verde para a produção da minissérie “Lady in the Lake”, baseada no bestseller homônimo de Laura Lippman, e estrelando duas vencedoras do Oscar: Natalie Portman (“Cisne Negro”) e Lupita Nyong’o (“12 Anos de Escravidão”).

A série, assim como o livro, será ambientada na Baltimore dos anos 1960 e seguirá Maddie Schwartz (Portman), uma cordata dona de casa que resolve reinventar a própria vida como jornalista investigativa por conta de um caso de assassinato nunca solucionado na região. Seu novo caminho a coloca em rota de colisão com Cleo Sherwood (Nyong’o), uma mulher batalhadora que equilibra a maternidade com múltiplos empregos e torna-se uma das principais líderes do Movimento Negro de Baltimore.

Alma Har’el (“Honey Boy”) dirigirá os episódios e escreverá o roteiro do piloto. Har’el, Portman e Nyong’o serão produtoras executivas junto a Dre Ryan (“The Man in The High Castle”), que também atuará como roteirista.

“Lady in the Lake” será, inclusive, o primeiro projeto televisivo de Har’el e de Portman. Ainda não há, entretanto, informações sobre outros membros do elenco ou possíveis data de estreia. {MacMagazine]

Como Daniel Kaluuya, de ‘Judas e o Messias Negro’, dá vida aos seus personagens

Ator de ‘Pantera Negra’ e ‘Corra!’ tem chances de abocanhar um Oscar com papel de ativista negro assassinado pelo FBI
Reggie Ugwu

Daniel Kaluuya em cena do filme 'Judas e o Messias Negro', de Shaka King
Daniel Kaluuya em cena do filme ‘Judas e o Messias Negro’, de Shaka King DivulgaçãoLeia Mais VOLTAR

Daniel Kaluuya avaliou a sala. Era o tipo de sala de reunião em Hollywood em que ele já tinha estado inúmeras vezes no passado, com iluminação perfeita, paredes brancas e cartazes de filmes clássicos nas paredes.

Kaluuya, que interpretaria Hampton, estava apavorado. Pelos seus cálculos, ele só tinha realizado um quarto da preparação necessária para o papel, seu primeiro numa biografia histórica. E aquilo que ele fizesse na sala de reuniões seria comentado em todo o edifício, ele sabia disso.

O que ele não sabia era que havia muito mais em jogo. Os produtores haviam organizado a leitura dramática do roteiro como parte de um esforço para elevar o orçamento do filme em US$ 1 milhão. Uma boa recepção talvez convencesse o estúdio a assinar o cheque.

Na segunda metade da leitura, que durou horas, Kaluuya decidiu pôr todas as fichas na mesa numa cena em que Hampton discursa fervorosamente para uma multidão de ativistas inflamados. “Se vou morrer, será atirando”, pensou, e se levantou da cadeira para encarar o grupo. Com o coração batendo forte, ele entoou um grito de guerra que marcaria o trailer do filme. “Eu sou! Um revolucionário! Eu Sou! Um revolucionário! Eu sou! Um revolucionário!”

“Logo que eu o ouvi falar na voz de Fred, comecei a chorar”, disse Stanfield, que interpreta Bill O’Neal, o informante do FBI, o serviço de investigações americano, que trai Hampton.

“Todo mundo estava tratando o momento como uma leitura de roteiro, mas ele o tratou como uma peça”, diz Shaka King, diretor, roteirista e produtor do filme, que estava sentado diante de Kaluuya. “Havia só 20 pessoas na sala, mas ele interpretou como se estivesse fazendo a cena num teatro, para 300 pessoas, e como se sua voz tivesse de alcançar a fileira mais distante.”

Em apenas quatro anos, Daniel Kaluuya, de 32 anos, que cresceu num conjunto habitacional popular em Londres, conquistou espaço em Hollywood como um dos atores principais mais coerentes de sua geração.

Ele começou a carreira ainda menino, no influente drama adolescente britânico “Skins”, e foi indicado ao Oscar como melhor ator por seu primeiro papel principal nos Estados Unidos, o de intrépido sobrevivente de um culto racial secreto, em “Corra!”, grande sucesso de 2017.

Kaluuya seguiu aquele primeiro momento de sucesso com diversos desempenhos muito bem planejados e cativantes, numa mistura eclética de gêneros. Interpretou um guerreiro incerto no blockbuster internacional “Pantera Negra”, da Marvel, um vilão apavorante em “As Viúvas”, de Steve McQueen, e um namorado carismático em “Queen & Slim – Os Perseguidos”, filme sobre um casal em fuga. Não importa o papel, sua imersão profunda nele aproxima o espectador da tela.

Com “Judas e o Messias Negro”, ele estabeleceu um novo marco. Seu desempenho “aceita o desafio de encarnar e exorcizar tanto o monstro imaginado por Hoover quanto o mártir do movimento Black Power”, escreveu A. O. Scott, crítico do jornal The New York Times, acrescentando que Kaluuya “mais do que supera o desafio”.

Por seus esforços, Kaluuya recebeu um Globo de Ouro como melhor ator coadjuvante e é visto como favorito ao mesmo prêmio na disputa do Oscar este ano. Chegar a esse ponto exigiu que ele mergulhasse ainda mais fundo do que no passado e que cruzasse divisas históricas, físicas e emocionais complicadas como parte do processo.

“As pessoas podem dizer o que quer que venham a dizer sobre meu desempenho, e eu continuarei livre”, afirma Kaluuya, de Los Angeles, numa das duas conversas que tivemos por vídeo e telefone. “Dei tudo que tinha ao papel. Tudo. Tudo. Tudo.”

Kaluuya tem uma aura de confiança, um olhar penetrante e o que ele mesmo descreve como “um rosto africano gentil”. Para interpretar Chris em “Corra!”, ele teve de controlar sua energia natural, que se manifesta em conversa na forma de uma intensidade benevolente.

“Minha essência é mais parecida com a do camarada Fred, em termos de energia”, ele disse, falando de Hampton. Porque já interpretou americanos em tantos filmes, seu sotaque londrino de classe trabalhadora choca um pouco, inicialmente. É complicado imaginar um ator nascido na Inglaterra, filho de um imigrante ugandense, como responsável pela encarnação multidimensional de Hampton que aparece em “Judas e o Messias Negro”.

Kaluuya abordou sua interpretação de diversos ângulos simultaneamente. Ele se aprofundou nas influências formativas dos Panteras Negras, entre as quais obras de Frantz Fanon e Jomo Kenyatta. Deixou crescer o cabelo (“como pessoa negra, o cabelo é a forma pela qual você se vê, pela qual você se sente e pela qual você se presenteia”). Ganhou um peso considerável, e até começou a fumar temporariamente —“quando assisto a um filme, sempre consigo perceber quando alguém que aparece fumando não é fumante”, disse Kaluuya.

Mas o elemento mais complicado era a voz. Hampton, que foi criado em Chicago por pais que se transferiram para lá da Louisiana, na época da migração dos negros americanos do sul para o norte, era conhecida por sua entonação sonora e idiossincrática. Para a descobrir, Kaluuya começou pela experiência de vida do ídolo dos Panteras Negras.

Ele consultou a família de Hampton –especialmente Fred Hampton Jr., o filho de Hampton, e Akua Njeri antes conhecida como Deborah Johnson, noiva do ativista à época do assassinato. Também fez uma viagem de pesquisa a Maywood, o subúrbio de Chicago no qual Hampton cresceu.

Kaluuya visitou as casas em que ele morou na infância, as escolas em que estudou e os lugares em que discursava, e conversou com as pessoas que conheceu nesses lugares, incluindo alunos e outros membros do partido dos Panteras Negras, sobre a vida e o legado de Hampton.

“Um sotaque é só uma expressão estética do que está acontecendo do lado de dentro”, disse Kaluuya. “Eu tinha de compreender de onde ele tinha vindo em termos de espiritualidade e que mistura de crenças e padrões de pensamento permitiu que sua voz emergisse daquela maneira.”

Kaluuya refinou ainda mais o desempenho com a ajuda da treinadora de diálogos Audrey LeCrone e com um professor de ópera que o ensinou a condicionar as cordas vocais e a contrair o diafragma para as cenas dos grandes discursos. Quando a filmagem começou, ele se sentia capaz de dizer suas falas com o que sentia ser mais honestidade do que imitação.

O peso da história pende sobre cada cena do filme. Mas Kaluuya recorda um dia, em especial, como um dos mais difíceis de sua carreira.

O elenco e equipe estavam recriando a noite em que a polícia de Chicago entra atirando e mata Hampton, que estava dormindo e tinha sido drogado —O’Neal, o informante do FBI, pôs um barbitúrico em sua bebida no jantar. O dia da filmagem era o 50º aniversário da data.

“Foi uma noite difícil para todos nós”, diz Stanfield, intérprete de O’Neal. “A energia era tão densa que era fácil sentir.”

Kaluuya, que tinha trabalhado com afinco para criar e manter as barreiras entre ele e o personagem, sentiu que elas desmoronavam. Subitamente, ele estava vendo a cena não como um homem negro em 1969, mas como um homem negro em 2019, que acumulou mais meio século de informações sobre a dificuldade de sobreviver em um mundo branco.

O primeiro instinto dele foi reprimir a emoção que sentia surgir em seu interior. “Se você se deixa investir demais em seus sentimentos, isso pode começar a confundir”, diz Kaluuya. Mas em seguida, decidiu que o lugar daquelas emoções era a tela. Eram a última coisa que restava para dar.

“É nesse momento que as horas de trabalho se fazem sentir, que a técnica se faz sentir”, diz o ator. “Você não nega o sentimento, mas o usa, porque ele é a verdade.”

Tradução de Paulo Migliacci

Influencer ‘mais popular’ que presidente mostra nova face das mulheres do Afeganistão: ‘Não tenho medo do Talibã’

Ayeda Shadab, de 26 anos, é retrato de um país que busca se redefinir após décadas de guerras e instabilidade
Fernando Moreira

Influencer afegã Ayeda Shadab é símbolo de um país em mudança Foto: Reprodução/Instagram

O papo começou com um alerta sincero: “Vamos conversar, mas a internet aqui é horrível”, disse Ayeda Shadab. Realmente, durante a entrevista, a afegã demorou mais do que o normal para responder a algumas perguntas. Ela não estava ganhando tempo para dar uma resposta mais elaborada, o problema era mesmo a conexão. A jovem de 26 anos é rápida, direta e articulada, em um país, como a internet, que vai se arrastando ao futuro e tentando se redefinir depois de décadas de guerras, instabilidade e falta de investimentos.

Em 2001, o Talibã foi destituído do poder por forças lideradas pelos EUA por se recusar a entregar Osama bin Laden, o arquiteto dos ataques terroristas de 11 de setembro daquele ano nos Estados Unidos. Um governo apoiado pelos americanos detém o poder desde então, embora o grupo radical islâmico ainda tenha controle sobre amplas áreas do país. Há dois anos, firmou com Washington um acordo para a retirada dos soldados americanos do país e sentou-se à mesa para negociações com o governo Cabul

A renovação passa também por pessoas como Ayeda, uma influencer com mais de 235 mil seguidores — número superior ao do presidente Ashraf Ghani (153 mil) — que não combina nada com a imagem da mulher afegã que o lugar-comum teima em traçar. Enquanto muitas mulheres ainda dão os primeiros passos por mais liberdade no Afeganistão, Ayeda está alguns quilômetros à frente.

Influencer e empreendedora, ela abriu uma butique em Sharenaw, bairro de classe média em Cabul, onde também mora, depois de fazer sucesso na rede social se apresentando como modelo das suas próprias criações. Na loja que ela define como “fofa”, Ayeda vende peças de roupa e joias, todas com a sua assinatura, para afegãs com origem nas classes trabalhadoras, mas que melhoraram o padrão de vida. Mulheres que, como ela, vão adicionando elementos ocidentais ao seu estilo de vida cotidiano sem a culpa com que os extremistas as aterrorizavam. Nem por isso Ayeda abre mão da sua própria cultura.

Retrato de uma nação em transformação, a influencer, que é solteira e mora com as irmãs em um condomínio de prédios, navega entre um jeans justo e um véu islâmico e se mostra destemida com as escolhas que faz. “Não tenho medo do Talibã”, diz ela, com a coragem que caracteriza o seu sofrido povo.

No seu Instagram você escreveu: “Com relação às restrições, eu sorrio e gosto do que temos hoje”. Quais restrições às mulheres você respeita?Qual é a principal inspiração para a criação das peças vendidas na sua loja?
Ela vem de onde o Ocidente se encontra com o Oriente. Amo tudo que seja esteticamente agradável. Cabul não é. A cultura da indústria da moda foi perdida. Então comecei um negócio on-line criando as minhas próprias roupas. Eu virei modelo das peças, e as clientes pediram que eu abrisse uma butique.

E como você define o seu estilo?
Eu modernizo as roupas afegãs e as simplifico como a indústria ocidental faz.

‘Modernizar’ não é uma palavra que os afegãos costumam usar muito, não é mesmo? Ainda mais depois do terror do regime do Talibã.

O Talibã é afegão. Eu não tenho medo do meu próprio povo. Não tenho medo do Talibã. A situação política não me preocupa. Eu me preocupo com a segurança, os crimes e insurgência estrangeira.

Mas você acredita que a mulher moderna é o tipo que o Talibã deseja para as afegãs?
Eu sou uma afegã que serve outras afegãs, mães e filhas. Não lido com homens na boutique. Os meus trajes são respeitosos. Eu não promovo nada que possa ofender alguém.
Restrições culturais e de segurança. Por exemplo, não podemos andar livremente, fazer piqueniques.

Por que não piqueniques?
Não podemos fazer piquenique por causa do assédio e dos olhares. Tem que ser em uma residência particular. Isso é um problema. Muitas vezes temos que ficar trancados em casa. Respeitosamente sorrio e aceito as circunstâncias.

O Afeganistão é um país muito ligado às tradições. Quais delas você segue?
A tradição que personifico é a de nossos ancestrais. Falo com a gentileza que nosso profeta praticou. Espero até que os outros terminem de falar antes de fazer os meus comentários. Como minha avó. Observo as energias ao meu redor, para saber se devo ou não ser tolerante. Eu pratico o respeito pela minha religião e pela minha cultura.

Você nunca usou uma burca, um traje que ficou marcado para as afegãs aos olhos ocidentais?
Não, não uso. Só tenho uma burca vermelha, mas por causa da cor. Ela não sai do meu armário.

Em algumas regiões o uso da burca é obrigatório para as afegãs. O que você acha disso?
As burcas surgiram muito antes do Talibã. As burcas existiam durante a monarquia. Homens e mulheres do Afeganistão são tradicionalmente conservadores. Eles preferem não ser notados ou vistos tanto em público. Eles não tiveram a exposição do mundo que nós temos, o acesso ao mundo na ponta dos dedos.Se uma mulher quiser usar uma burca, que seja. Se um homem a força, questiono se a força é necessária.Podemos nos vestir de maneira conservadora e apropriada sem nos sentir enjaulados. A maioria das mulheres nas cidades usa burca azul, as provincianas usam grandes véus pretos. Então, mesmo durante o tempo do Talibã no poder, as províncias mantiveram essa tradição.

Esse acesso ao mundo define o seu estilo? Como ele é?
Sim. Eu uso vestidos chiques afegãos. Eu também visto jeans com blusas longas por cima. Eu uso botas e sapatos de salto alto. Uso marcas de grife também.

Que grifes?
Manolo Blahnik, Gucci, Zara, Mango…

Você usa véu também?
Sim, uso. No Afeganistão, estou com o meu véu todo o tempo. Só o tiro quando estou com pessoas que conheço bem e com as quais me sinto confortável.

No seu Instagram, porém, há muitas fotos em que você aparece sem véu.
São fotos, na maioria, tiradas no Uzbequistão (ex-república soviética vizinha ao Afeganistão). Lá não uso.

Por falar em Instagram, você usa a rede social com objetivo meramente comercial?
Uso também para construir uma nova narrativa sobre o Afeganistão. Para mim é uma forma de reviver a velha cultura e a História do Afeganistão com uma visão moderna, conectando o velho e o novo.

O que você acha do feminismo?
Depende do que as pessoas pensam que seja o feminismo. A igualdade é difícil de se justificar no Afeganistão. Mas eu acho que defendo as mulheres e abro um caminho para elas.

Este é o seu tipo de feminismo?
É a defesa dos direitos humanos. Não pedindo que seja tudo igual para homens e mulheres.

Que direitos as afegãs conquistaram na última década?
Muitas de nós não temos plena consciência dos direitos aos quais temos pleno acesso. Nós apenas utilizamos os direitos que são personalizados para nós. O direito de possuir um negócio, trabalhar, dirigir, tudo isso que se enquadra na Constituição, mas nem todas sabem.

Jornalistas, defensores dos direitos humanos, políticos e outras figuras influentes costumam ser alvos de assassinatos em Cabul e em outras parte do Afeganistão. Você tem mais de 235 mil seguidores, é uma influenciadora. Você não tem medo?
Eu só temo a Deus.

Mas em uma entrevista (à “Insider”) você disse: “Sempre há medo em seu coração, isso faz parte da vida no Afeganistão. Mas temos que nos levantar e viver nossas vidas”…
Medo de alguém que amamos ser ferido, sequestrado ou morto. Tememos por aqueles que amamos mais do que por nós mesmos.

Você já perdeu algum parente para a guerra?
Todos aqui já perderam.

Quem você perdeu?
Prefiro não revelar, é algo muito delicado.

O Afeganistão ainda vive um choque de etnias. Incomoda ter que dizer a sua etnia, algo que ganhou uma importância no país em meio aos conflitos armados?
Eu sou afegã, é assim que sempre me apresento. Nunca tive necessidade de explicar minha origem porque falo a maioria das línguas do país: uzbeque, a minha primeira língua, dari, pashto, hindi, um pouco de mandarim e inglês.

Você se sente como um símbolo feminino, uma voz para outras mulheres no Afeganistão?
Eu falo só por mim mesma. Mas também crio tendências. Talvez o que eu falo combine com o que está no coração das pessoas.

Você tem planos políticos?
Não que eu saiba. Só tenho planos para negócios.

Você prefere ser estilista ou modelo?
Designer. Só modelei porque não tinha dinheiro para pagar um modelo. Tive que exibir as minhas roupas.

Você tem um namorado?
Esta é uma questão que não vou responder publicamente. Não é apropriada.

Você já viajou a alguns países. O que viu neles que gostaria de ver como realidade para as mulheres no Afeganistão?
Eu encontrei paz, segurança e prazer que não temos no Afeganistão. Mulheres andam sem ser constantemente molestadas. As mulheres podem sair até as 22h em um restaurante ou loja sem se preocupar com o que as pessoas vão pensar. Eu gostaria que isso existisse no Afeganistão. Eu encontrei ambientes limpos e sistemas adequados que não existem no Afeganistão.O Afeganistão está sujo e poluído, vivemos acima da capacidade. Não é esteticamente agradável o Afeganistão. Altos muros de concreto, homens com AK-47, carros velhos e lixo por toda parte. Mas quando você visita outros países o ambiente é verde, claro e calmo.