Com indicados pouco populares, próxima entrega do Oscar deve ter audiência baixa

Academia de Hollywood anunciou nesta segunda os concorrentes ao prêmio

Mulligan concorre ao prêmio de Melhor Atriz por “Bela Vingança” – Mario Anzuoni -6.mai.2019/Reuters

 Coitado do Oscar. Há mais de uma década que o mais importante prêmio cinematográfico do mundo vem mudando suas regras e seu formato, na tentativa desesperada de estancar a queda da audiência da entrega dos troféus (a transmissão da cerimônia pela TV é a principal fonte de renda da Academia de Hollywood).

Existe uma crença bem fundamentada de que, se um longa de enorme sucesso estiver entre os finalistas, o interesse do público pelo Oscar aumenta. De fato, a premiação de 1998, em que “Titanic” levou 11 estatuetas, registrou números recordes de audiência.

Quase uma década depois, “O Cavaleiro das Trevas” não ficou entre os cinco indicados a melhor filme, apesar das ótimas críticas. A Academia então alterou o regulamento: a partir de 2009, até 10 títulos podem concorrer ao prêmio principal. Imaginava-se que isto facilitaria a entrada de blockbusters no páreo, mas o efeito foi o oposto: um número maior de filmes pequenos e independentes passou a ser lembrado, e o ibope continuou a despencar.

Aí veio 2020, e a pandemia forçou o fechamento de cinemas no mundo inteiro. Isto também fez com que lançamentos de peso, como “Amor Sublime Amor”, de Steven Spielberg, ou “Duna”, de Denis Villeneuve, tivessem suas estreias adiadas para o final de 2021.

Temerosa de não haver candidatos em número suficiente, a Academia estendeu o ano competitivo em dois meses: filmes lançados em janeiro e fevereiro de 2021 podem concorrer à próxima premiação. Também foi permitido que lançamentos exclusivos do streaming competissem, contanto que o plano inicial fosse lançá-los nas salas.

Nada disso afetou a corrida de maneira significativa. A Netflix, a maior plataforma de streaming do mundo, já adota há anos a estratégia de estrear nos cinemas seus principais candidatos ao Oscar, por um período limitado. Fez assim com “Roma”, em 2018, com “O Irlandês”, em 2019, e com “Mank” e “Era Uma Vez Um Sonho” em 2020, inclusive no Brasil.

O resultado é que a maior parte dos finalistas anunciados na manhã desta segunda (15) já estão disponíveis há meses nas plataformas de streaming. “Mank”, “Os 7 de Chicago”, “A Voz Suprema do Blues”, “Pieces of a Woman” e “Relatos do Mundo” estão na Netflix, assim como os documentários “Crip Camp” e “Professor Polvo”. “O Som do Silêncio”, “Borat: Fita de Cinema Seguinte”, “Uma Noite em Miami” e o documentário “Time” fazem parte do catálogo da Amazon Prime Video.

O documentário “O Agente Secreto” pode ser visto no Globoplay, e o longa em animação “Wolfwalkers”, no Apple TV +. O favorito desta categoria, “Soul”, está no Disney +.

Nunca tantos filmes indicados estiveram tão acessíveis ao público antes da entrega do Oscar. No entanto, essa facilidade não se traduz em popularidade. Nenhum dos longas mencionados se transformou em um fenômeno de massas.

Até o momento, nenhum deixou uma marca forte na paisagem cultural (pode ser que “Bela Vingança”, que pode dar o prêmio de melhor atriz a Carey Mulligan, seja lembrado no futuro como um símbolo do movimento #MeToo).

Portanto, não é arriscado apostar que a próxima cerimônia do Oscar terá a mais baixa audiência de todos os tempos. Até porque a festa deverá ser chocha, com as atrações musicais se apresentando sem plateia e muitos vencedores agradecendo por videochamada. O Globo de Ouro, entregue há duas semanas, já amargou os piores números de sua história.

Só que este também será um Oscar da resistência. Os hábitos talvez tenham mudado para sempre, mas o cinema está sobrevivendo à pandemia. Ainda estamos em guerra, e uma celebração esfuziante não combina com esses tempos sombrios. Ano que vem, quem sabe? Talvez já estejamos todos vacinados. [Tony Goes]

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