Startups vivem boom de aquisições e aumentam a fila para IPOs

O volume de transações em fusões e aquisições de empresas de tecnologia cresceu pelo menos 34% nos primeiros meses de 2021 em relação a 2020
Por Felipe Matos – O Estado de S. Paulo

Outra novidade que parece estar começando a se consolidar são os IPOs de startups na B3

O ecossistema de startups começou o ano mais aquecido do que nunca. O volume de aquisições e fusões no setor atingiu níveis recordes e segue em tendência de crescimento, desde o ano passado. Dados da Slinghub mostram que houve 34 operações em 2021, ante 25 no primeiro trimestre de 2020 – um aumento de 34%, que deve ser ainda maior, considerando que ainda estamos na metade de março. No mesmo período de 2019, foram 20 operações.

Não é só o aumento na quantidade de operações que chama a atenção. O tamanho também. No começo deste mês, a Totvs anunciou a aquisição da RD Station, plataforma de software como serviço para marketing digital, por R$ 1,86 bilhão. Foi uma das maiores operações do tipo no país. A Locaweb vem também anunciando diversas aquisições. Só nos primeiros meses de 2021, ela comprou a Credisfera, Dooca Commerce, ConnectPlug e Samurai Experts.

Um movimento que chama a atenção nesse contexto é o aumento de operações encabeçadas por empresas tradicionalmente não tecnológicas, que começam a ver na aquisição de startups uma estratégia para acelerar os esforços de transformação digital. Um exemplo é da Raia Drogasil, que comprou a plataforma de big data Healthbit. Também vemos mais fusões e operações estratégias de consolidação entre startups, como a união das fintechs Geru e Rebel.

Outra novidade que parece estar começando a se consolidar são os IPOs de startups na B3. Após a estreia de movimentos bem sucedidos de empresas como Méliuz, Enjoei e Mosaico, a fila para a oferta de ações por novas empresas de tecnologia segue aumentando. Entre as que já sinalizam esse movimento estão a plataforma de contratação de serviços GetNinjas, o e-commerce Privalia e o programa de fidelidade Dotz. Com isso, o mercado brasileiro vai aprendendo a compreender e precificar empresas de tecnologia.

Todo esse cenário demonstra a chegada de uma nova fase de amadurecimento do ecossistema de startups no País. Só em 2020, foram investidos mais de R$ 20 bilhões no setor, que já é responsável pela geração de renda de milhões de pessoas, especialmente por meio de apps de economia compartilhada, como 99 e iFood.

Apesar da relevância e do enorme potencial de geração de desenvolvimento, as startups ainda lutam por reconhecimento e incentivo regulatório, já que o Brasil continua sendo um dos países mais complexos para o empreendedorismo. Por aqui, o Marco Legal das Startups caminha no Congresso cada vez mais desidratado, com um texto ainda aquém das necessidades, o que deixa o País muito atrás da maior parte dos países desenvolvidos.

*ESPECIALISTA EM EMPREENDEDORISMO E TECNOLOGIA, JÁ APOIOU MAIS DE 10 MIL STARTUPS NO BRASIL E É SÓCIO DA 10K.DIGITAL

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