JoJo’s Bizarre Adventure | Anime de Stone Ocean, parte 6 do mangá, é confirmado

Teaser revela a protagonista Jolyne Cujoh, a filha de Jotaro Kujo
ARTHUR ELOI

Stone Ocean, a parte seis do mangá de JoJo’s Bizarre Adventure, enfim será adaptada em anime. O arco, originalmente publicado entre 1999 e 2003 no Japão, se passa em 2011 e é liderado por Jolyne Cujoh, a filha de Jotaro Kujo – o protagonista do arco Stardust Crusaders. Veja o anúncio acima.

No vídeo, é possível ouvir um trecho da voz de Jolyne, que será interpretada por Ai Fairouz no idioma original. A atriz falou sobre sua escalação, dizendo ser grande fã da franquia: “Não consigo viver sem JoJo’s Bizarre Adventure, afinal foi o que me inspirou a me tornar uma dubladora profissional. Fiquei sem palavras quando descobri que iria participar da série”, falou. “Chorei muito já que foi o momento em que meus sonhos, os quais corri atrás pelos últimos 12 anos, finalmente se realizaram. Amo e admiro Jolyne como uma personagem, sua natureza bela e forte me deram força durante a minha época de colégio, então sou muito grata pela oportunidade.

Criado em 1987 por Hirohiko AkariJoJo’s Bizarre Adventure conta com mais de 127 volumes publicados nas revistas Shonen Jump e Ultra Jump e já foi adaptado em animes para a TV e para o cinema, além de um filme live-action lançado pela Warner no Japão. A revista já vendeu mais de 100 milhões de cópias desde seu lançamento.

Ainda não há previsão de estreia para Stone Ocean. No Brasil, JoJo’s Bizarre Adventure é transmitida pela Crunchyroll.

Mulheres grávidas ganham vagas na contramão do mercado

Empresas como Qualicorp, everis e iFood quebram paradigmas ao contratar gestantes apostando em talentos a longo prazo e em políticas de equidade de gênero
Bianca Zanatta, O Estadão De S.Paulo

Ana Paula Carracedo, da Qualicorp, está entrando no oitavo mês de gravidez e já começou a preparar a equipe para seu período de afastamento.  Foto: Alex Silva/Estadão

Difícil encontrar uma mulher que não tenha ouvido, em uma entrevista de emprego, a fatídica pergunta: “Você pretende engravidar?”. De acordo com uma pesquisa divulgada pela Catho em 2019, sete em cada dez mulheres afirmaram que o tema foi abordado no último processo seletivo de que participaram. Outro dado que chama a atenção é que, além de 30% já terem deixado o mercado de trabalho para cuidar dos filhos – ante 7% dos homens -, 47% abriram mão de oportunidades melhores ou promoções pela dificuldade que teriam em conciliar a vida profissional e a nova realidade familiar.

maternidade também é alvo de preconceito em países desenvolvidos. Segundo um estudo realizado em 2020 pelo Instituto Holandês de Direitos Humanos, 20% das mulheres foram rejeitadas como candidatas devido a gravidez, maternidade ou intenção de ter filhos. Entre as holandesas, 34% relataram ainda que estavam prestes a assinar o contrato quando souberam da gestação – e as condições mudaram ou foram descartadas pelo contratante no último minuto.

Na tentativa de mudar esse quadro sob a bandeira de equidade, inclusão e diversidade, algumas organizações decidiram quebrar o tabu. Para elas, em vez de impeditiva, a gravidez é bem-vinda e abraçada – inclusive no momento da contratação.

É o caso da administradora de planos de saúde coletivos Qualicorp, que realizou dois processos seletivos focados em equidade em 2020 e hoje tem 55% dos quadros de liderança ocupados por mulheres. Três delas foram contratadas grávidas.

A diretora de compliance, riscos e auditoria Ana Paula de Medeiros, de 38 anos, entrou na empresa em dezembro, pouco depois de saber que teria sua primeira filha. “Quando descobri, já liguei agradecendo a proposta e dizendo que não poderia mais aceitar”, afirma a executiva. Para a surpresa dela, o diretor mudou o rumo da conversa. 

“Ele disse que a gravidez é uma coisa linda e que eu não tinha que desistir por isso”, lembra. A justificativa é que a empresa quer construir uma relação de longo prazo com as colaboradoras – e os seis meses de licença-maternidade, perto disso, não representam empecilho.

A diretora chegou a se perguntar se daria conta de encarar um novo desafio nesse momento de vida, mas se sentiu acolhida pelo time. “É uma estrutura em que as pessoas respeitam e encaram a gravidez com naturalidade, respeitam horários e dias, dão apoio”, diz. Entrando agora no oitavo mês de gestação, ela começou a planejar o período de afastamento. “Estruturamos uma equipe super forte, estou absolutamente segura.”

Segundo Flávia Bossolani, diretora de pessoas e cultura da Qualicorp, a ampliação da representatividade feminina faz parte de um contexto maior de diversidade e inclusão. “Quisemos trazer mais mulheres para a liderança porque a ideia é contar com a profissional pelo que ela é, seja mãe de criança, de pet ou uma mulher que não quer ter filhos”, explica. “O talento precisa ser valorizado, independentemente das condições da pessoa, então aqui a gente discute faixa salarial por posição e define antes de saber quem vai ocupar o cargo”, ela exemplifica. “Rejeitar um talento pelo que a pessoa é não é aceitável.”

A executiva também fala que, ao contrário do que dita o preconceito, as mães trazem competências fundamentais, principalmente em momentos de crise como o da pandemia. “São profissionais com uma capacidade imensa de planejamento e foco em resultado, já que precisam se organizar entre o trabalho e a maternidade”, diz. 

Equidade e conscientização

Tendo as pessoas como principal ativo, a everis, empresa de tecnologia do grupo japonês NTT Data, não só contrata mulheres grávidas como tem um programa específico, chamado de everbaby, que acompanha as funcionárias ao longo da gestação e apoia no retorno após a licença-maternidade.

“Uma executiva qualificada que gesta uma criança tem muito a acrescentar do ponto de vista humano ao dia-a-dia de uma empresa de serviços”, diz o CEO Ricardo Neves, que participou do projeto He for She da ONU

“Comecei a entender que há diferenças abissais na realidade entre homens e mulheres e que o discurso de meritocracia dissimula a busca da real equidade quando vivemos numa sociedade em que nem todos partem do mesmo lugar”, reflete. “Para mim, foi um ‘wake up call’ para o tema, como executivo, homem, pai de menina e cidadão que busca um mundo melhor e mais justo.”

Ele conta que a everis é parceira da Laboratoria, organização social que forma mulheres em tecnologia na América Latina e da qual contratam profissionais para atuar em projetos da empresa, e da PrograMaria, que busca empoderar meninas e mulheres por meio da capacitação em tecnologia e programação.

Ricardo Neves everis
Ricardo Neves, CEO da everis, fortalece políticas em prol de equidade de gênero na empresa.  Foto: Rodrigo Capote

A empresa também promove discussões de conscientização. No último evento, organizado com a consultoria Filhos no Currículo, o tema foi como a realidade de mães e pais contribui para o exercício da empatia e diversidade na empresa como um todo. 

Para Neves, o “novo normal” também serviu como acelerador das mudanças de comportamento e cultura. “Pela situação de pandemia e home office, as pessoas estavam muito mais abertas a conversar e abrir um pouco mais de suas realidades, até porque as imagens de suas cozinhas, filhos, animais de estimação e companheiros ou companheiras apareciam de forma espontânea durante nossas conversas”, ele analisa. 

“Como CEO, tomei decisões que creio que foram muito mais embasadas na realidade dos colaboradores, que aprendi por meio da minha ‘invasão’ às suas casas.”

Contratações objetivas

Para a chefe de aquisição de talentos da multinacional NordVPN, Lauryna Gireniene, a empresa não tem o direito de questionar gravidez ou estado civil dos candidatos. Ela fala que uma nova estratégia de contratação foi adotada com a chegada da pandemia, eliminando fatores como gênero, raça, idioma e país de residência.

“A gravidez não afeta nosso processo de atração de talentos ou nossas escolhas”, diz. “Fazemos nossas avaliações com base na experiência profissional de trabalho e personalidade.”

Com 95 vagas abertas, ela afirma que a empresa – atualmente com um time de 700 pessoas distribuídas por países como Brasil, Reino Unido, Holanda, Alemanha, Japão, Coreia do Sul e China – está à procura de especialistas para atuar em funções de tecnologia ou marketing digital

“Nesse setor, as mulheres representam 40%, portanto há uma grande chance de algumas estarem grávidas”, explica. “Não sabemos e não estamos tentando descobrir.”

Valorizar e reter talentos que não abrem mão da vida pessoal é também um dos pilares culturais do iFood, que promoveu ou deu aumento salarial a 16 colaboradoras grávidas no último ano e contratou cinco gestantes entre 2020 e 2021.

“Tentamos fazer com que não tenha nenhum pênalti para a mulher nesse momento da vida, para que ela consiga vivê-lo com tranquilidade”, defende Gustavo Vitti, VP de pessoas e soluções sustentáveis da empresa e pai de duas meninas. “No nosso mindset, o iFood faz parte da vida da pessoa e vice-versa”, justifica.

Além do programa iFood Baby, que inclui apoios como assistência médica e curso de gestante do Hospital São Luís, ele fala que a empresa oferece coaching de carreira durante a gestação e a partir do quarto mês de licença-maternidade, para ajudar as mães no retorno ao trabalho. “Mas acredito que, como sociedade, só vamos ter equidade de fato quando for obrigatória a licença-paternidade de 6 meses”, conclui Vitti. 

Enquanto isso, a empresa se vale inclusive de inteligência artificial para zerar as inequidades. “Nas nossas avaliações de desempenho, agrupamos os dados para entender os vieses e descobrimos que as mulheres eram pior avaliadas em 8% e pessoas negras em 3%”, revela o executivo. “Usamos um algoritmo para resolver e tivemos uma redução de 70% dos vieses na avaliação final. A inteligência artificial ajudou a remover os ruídos.”

HOA é a primeira galeria brasileira fundada e dirigida por equipe 100% negra

Idealizada por Igi Lola Ayedun, a HOA nasce com modelo híbrido inédito, que mescla experiências presenciais e virtuais MARINA DIAS TEIXEIRA | FOTO WALLACE DOMINGUES/CORTESIA HOA

Igi Lola Ayedun, à frente da primeira galeria brasileira fundada e dirigida por equipe inteiramente negra, convida à reflexão (Foto: Wallace Domingues/cortesia HOA)

Igi Lola Ayedun, 30 anos, já transitou por diversos âmbitos criativos, como moda, publicidade e educação. Ela é a artista multimídia por trás da HOA, “uma residência artística e galeria hospedada em todos os lugares (desde que você tenha conexão de internet)”, como declara seu manifesto.

Inaugurada no segundo semestre de 2020, a primeira galeria do Brasil fundada e dirigida por uma equipe inteiramente negra propõe um modelo híbrido inédito, que mescla experiências presenciais e virtuais. Sem perder de vista a verve digital sob a qual nasceu, ela funcionará fisicamente no centro cultural independente EspaçoCC (onde Igi posa na foto ao lado), no bairro de Santa Cecília, em São Paulo, até julho de 2021. Em poucos meses, a estreante já compareceu à SP-Arte e à ArtRio, e integrou a plataforma internacional Artsy.

Nomes como Davi de Jesus do Nascimento, Jota Mombaça e Lidia Lisboa constam da lista de representados – em sua maioria, artistas afrodescendentes. Igi afirma que “não é a lógica colonial que a gente quer obedecer”, razão pela qual busca montar um negócio “que dê direito ao sensível”, como diz. Quando perguntada sobre ser pioneira no país com sua black-owned gallery, ela devolve: “Como as pessoas se sentem ao entender que a HOA surgiu a partir disso? Surpresas, abismadas, representadas? Com vontade de fazer algo semelhante, para termos muito mais?” Fica o convite à reflexão.

2020 foi o ano dos celulares velhos no Brasil

Consumidor optou por aparelhos seminovos em cenário de pandemia, alta do dólar e incertezas econômicas
Por Guilherme Guerra e Bruna Arimathea – O Estado de S. Paulo

Saturação de smartphones no Brasil abasteceu mercado de seminovos

Não faltaram opções de novos smartphones no Brasil em 2020: teve o iPhone 12, o Galaxy Fold 2 e linhas populares da Motorola e Xiaomi — e, no começo deste ano, já temos o Galaxy S21 e o Moto G100. Para muita gente, porém, o período de pandemia não foi o momento para trocar de smartphone. Com a alta do dólar, a crise econômica e as incertezas causadas pela covid-19, 2020 foi o ano do celular velho no País. Não apenas houve um encolhimento do mercado de smartphones novos: quem precisou substituir passou a olhar com mais carinho para aparelhos usados. 

A desconfiança do consumidor se justifica. Em 2020, houve uma tempestade perfeita sobre o mercado de smartphones no Brasil. A alta do dólar, de quase 30% no acumulado do ano, começou a ser repassada para os celulares — mesmo quando montados no País, os aparelhos contam com componentes importados, como chips de processamento e de memória. Um exemplo é o Moto G Plus, da Motorola. Em 2019, o Moto G8 Plus custava R$ 1,7 mil. No ano passado, o Moto G9 Plus foi lançado por R$ 2,5 mil. Agora, o Moto G100, o “substituto” do Plus, chega por R$ 4 mil. Claro, a cada nova geração, os fabricantes incluem componentes mais novos, normalmente mais caros, mas as marcas admitem que o aumento atual está atrelado à alta da moeda americana.   

Além disso, a pandemia jogou muitas incertezas sobre a economia. A taxa de desemprego chegou a 13,5%, o que também fez o consumidor repensar compras de eletrônicos. O resultado disso foi a queda nas vendas de celulares novos. Segundo a consultoria IDC, o mercado de smartphones encolheu 8% em 2020 (a última vez que houve retração no País foi em 2018, também de 8% ante o ano anterior, e 2019 viu uma alta de 8,8%). E poderia ter sido pior: no início da pandemia, as projeções eram de retração de 19% nas vendas. Segundo Renato Meireles, analista da IDC Brasil, o auxílio emergencial ajudou a amenizar a queda. 

“O preço de um celular novo é comida para dois meses em casa”,  diz Josyel Araujo, 27. O professor de educação física trabalhou como entregador de app durante a pandemia e comprou dois celulares usados no período: um para trabalhar, mais exposto à rua e sem seus dados pessoais cadastrados, e outro para uso pessoal, que ficava em casa e tinha contas de banco e outras informações. 

Celulares de baixo custo perdem espaço no País

Encolhimento dos aparelhos low-end significa amadurecimento da categoria

Necessidade

Por outro lado, a pandemia forçou a população a encarar a digitalização de serviços como alimentação, educação e entretenimento, aumentando a demanda por dispositivos de tecnologia. Por motivos profissionais e pessoais, ter um celular conectado virou requisito mínimo para atravessar o período. Mas, em tempos de vacas magras, as pessoas preferiram aparelhos de segunda mão, em um movimento que lembra o setor automotivo. 

A fotógrafa manauara Caroline Lins, 22, optou por esse caminho. A pandemia impediu que ela realizasse ensaios de fotografia presencialmente e, em isolamento, ela usa o Facetime, recurso de videochamadas do iPhone, para guiar os seus modelos em poses e iluminação. O problema é que, com uso mais intenso do smartphone, a memória de 32 GB do seu iPhone 6S, aparelho lançado em 2015, não dava conta do espaço de novas fotos tiradas. Era preciso trocar de aparelho. 

A escolha foi simples: em vez de correr atrás de um aparelho novo, ela preferiu investir em um usado. “Pensei que, se eu pesquisasse, poderia fazer um bom negócio e economizar uma boa grana”, conta. No fim, ela comprou de um vendedor autônomo um iPhone 8 de 256 GB, a capacidade máxima do modelo. Na transação, Caroline diz que economizou cerca de R$ 1 mil perto do preço vendido em aparelhos novos no varejo.

A fotógrafa Caroline Lins não podia ficar sem celular durante a pandemia de covid-19 e por isso preferiu comprar um smartphone de segunda mão
A fotógrafa Caroline Lins não podia ficar sem celular durante a pandemia de covid-19 e por isso preferiu comprar um smartphone de segunda mão

Lojas de usados

A escolha por aparelhos usados foi sentida por quem atua nesse mercado. Fundada em 2014, a startup Trocafone viu as vendas de aparelhos crescerem em 60% no ano passado em comparação com 2019. A expectativa para 2021 é continuar o crescimento na casa dos dois dígitos, sem a empresa especificar qual é a projeção.

“Há 5 anos, as pessoas tinham receio de comprar um smartphone usado porque ninguém oferecia garantia, diagnóstico ou reparo. Comprava-se sem conhecer a procedência. Mas smartphone é igual ao mercado de carros: você não sabe as condições do produto, mas compra o seminovo com garantia de concessionária e de uma empresa que responde pelo problema”, explica o CEO da Trocafone, Guille Freire. “Está mudando a visão de consumo do consumidor.”

O negócio parece estar funcionando: as reclamações da Trocafone em plataformas como o Reclame Aqui são baixas e o índice de solução médio de problemas é de 91,1%. Além disso, outras empresas do ramo surgiram, como a Brused e Yesfurbe — esta, ao contrário das concorrentes, não oferece garantia.

‘Mercado’ de roubados é problema

Um percalço encontrado no segmento de seminovos é o risco de alimentar o mercado de roubados ou furtados. Para evitar essa dor de cabeça, o consumidor deve suspeitar de preços muito abaixo do que se encontra em produtos semelhantes, inclusive fugir de anúncios de celulares “bloqueados” — nos iPhones, isso significa que a pessoa cujo celular foi roubado fez o bloqueio de todo o software como medida de segurança, impedindo que aparelho tenha qualquer tipo de usabilidade para terceiros. E, sempre que possível, exigir a nota fiscal original da aquisição — hoje em dia, as lojas costumam inclusive enviar uma nota fiscal eletrônica, facilitando a preservação do documento.

Outro passo essencial é o interessado, antes de efetivar o pagamento e já com o celular em mãos para o teste de condições, procurar o IMEI do celular, espécie de RG único certificado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em todo o País. O jeito mais fácil de encontrar o código é digitar *#06# no próprio telefone, mas é possível buscá-lo nos ajustes do Android e iPhone. Com o número em mãos (14 dígitos), basta ir ao site consultaaparelhoimpedido.com.br, da própria Anatel, e checar a situação do dispositivo. A Trocafone, por exemplo, afirma que faz esse mesmo procedimento com todos os smartphones comercializados na empresa.

Nada disso dá certo, no entanto, se a vítima do aparelho roubado não prestar queixa junto às autoridades. “Por isso é necessário que a população tenha consciência de que, logo após furto ou roubo, a vítima faça registro de ocorrência na delegacia de polícia, informe o número IMEI para realizar o bloqueio”, explica Guilherme Farid, chefe do gabinete do Procon-SP. Vender ou adquirir objetos roubados, com ou sem consciência da origem, é crime de receptação, com penas de 1 a 8 anos de cadeia, diz.

“O mais importante é tomar cuidado, porque o desconto pode sair caro”, avisa Fernando Meirelles, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). 

Ascensão dos seminovos

Meirelles, no entanto, reconhece o potencial do setor com o surgimento de iniciativas. Para ele, incentivos para comprar smartphones de segunda mão surgem quando há prova de que o aparelho está em bom estado e tem garantia, fatores que se aproximam ao que é oferecido por celulares novos. “Esse mercado vai começar a aparecer em mais lojas porque o volume de celulares em circulação é muito grande”, diz. Ele lembra também que o País tem alta saturação de celulares, de cerca de mais de 1,5 celular para cada habitante. Ou seja: existe um grande estoque para o mercado de segunda mão.

Esse imenso volume de aparelhos no País, diz Renato Meireles, da IDC Brasil, representa o amadurecimento do mercado. Poucos consumidores são marinheiros de  primeira viagem: a maioria já está em sua terceira, quarta ou quinta geração de smartphones. Isso torna o cliente mais exigente ao escolher os aparelhos, geralmente em busca de mais capacidade de memória de armazenamento ou melhor qualidade de câmera, por exemplo.  

Não à toa, diante da queda de 8% do mercado em 2020, a IDC aponta que o ticket médio dos celulares cresceu 24% no mesmo período, o que indica que as pessoas podem ter comprado menos celulares, mas quem comprou pagou mais caro — seja pelo dólar mais salgado, seja porque investiu mais no “upgrade”.

“Com o aumento do ticket médio e o amadurecimento de produtos mais premium, as vendas de usados são estimuladas”, aponta Meireles. “O consumidor tem poder aquisitivo baixo e o sonho de consumo é o smartphone premium e superpremium. E, como o mercado oferece mais esse tipo de produto, isso estimula a venda de aparelhos de segunda mão. É uma tendência global”, diz.

Justin von Oldershausen for Muse Magazine with Dahely Nunez

Photographer: Justin von Olderhausen. Creative Director. Sarah Bassett. Fashion Stylist: Kirby Marzec. Hair and Makeup: Ingeborg. Producer: Sheri Chiu. Casting Director: Caroline Moxley. Model: Dahely Nunez at The Society.