Oscar 2021: Veja a lista de vencedores

A cerimônia da 93ª edição da maior festa do cinema revela seus melhores

Chloé Zhao posa na sala de imprensa do Oscar no dia 25 de abril de 2021, na Union Station, em Los Angeles.

A maior festa do cinema mundial chega a sua 93ª edição. A cerimônia de entrega do Oscar 2021 é neste domingo, 25, e precisou ter seu formato modificado por causa da pandemia. 

Veja a lista com os indicados ao Oscar 2021:

Melhor Filme

Meu Pai

Judas e o Messias Negro

Minari

Mank

Nomadland

Bela Vingança

O Som do Silêncio

Os 7 de Chicago

Melhor Atriz

Viola Davis – A Voz Suprema do Blues

Andra Day – Estados Unidos vs Billie Holiday

Vanessa Kirby – Pieces of a Woman

Frances McDormand – Nomadland 

Carey Mulligan – Bela Vingança

Melhor Ator

Riz Ahmed – O Som do Silêncio

Chadwick Boseman – A Voz Suprema do Blues

Anthony Hopkins – Meu Pai

Gary Oldman – Mank

Steven Yeun – Minari – Em Busca da Felicidade

Melhor Atriz Coadjuvante

Maria Bakalova – Borat: A Fita de Cinema Seguinte

Glenn Close – Era Uma Vez um Sonho

Olivia Colman – Meu Pai

Amanda Seyfried – Mank

Yuh-Jung Youn – Minari – Em Busca da Felicidade

Melhor Ator Coadjuvante

Sacha Boron Cohen – Os 7 de Chicago

Daniel Kaluuya – Judas e o Messias Negro

Leslie Obom Jr. – Uma Noite em Miami

Lakeith Stanfield – Judas e o Messias Negro

Paul Raci – O Som do Silêncio

Melhor Direção

Chloé Zhao – Nomadland

Lee Isaac Chung – Minari – Em Busca da Felicidade

Emerald Fennell – Bela Vingança

David Fincher – Mank

Thomas Vinterberg – Druk – Mais uma Rodada

Melhor Filme Internacional

Druk – Mais uma Rodada (Dinamarca)

Better Days (Hong Kong)

Collective (Romênia)

O Homem Que Vendeu a Sua Pele (Tunísia)

Quo Vadis, Aida? (Bósnia e Herzegovina)

Melhor Roteiro Adaptado

Borat

Meu Pai

Nomadland

Uma Noite em Miami

Tigre Branco

Melhor Roteiro Original

Judas e o Messias Negro

Minari – Em Busca da Felicidade

Bela Vingança

O Som do Silêncio

Os 7 de Chicago

Melhor Figurino

Emma – Alexandra Byrne 

Mank – Trish Summerville 

A Vos Suprema do Blues – Ann Roth 

Mulan – Bina Daigeler 

Pinóquio

Melhor Trilha Sonora

Destacamento Blood – Terence Blanchard 

Mank – Trent Reznor, Atticus Ross 

Minari  – Em Busca da Felicidade – Emile Mosseri 

Relatos do Mundo – James Newton Howard 

Soul – Trent Reznor, Atticus Ross e Jon Batiste

Melhor Animação

Soul

Wolfwalkers

Dois Irmãos

A Caminho da Lua

Shaun, o Carneiro: A Fazenda contra-ataca

Melhor Curta em live action

Feeling Through

The Letter Room

The Present 

Two Distant Strangers 

White Eye

Melhor Curta de Animação

Se Algo Acontecer… Te Amo

Genius Loci

Yes People

Opera

Toca

Melhor documentário

Time

Crip Camp: Revolução pela Inclusão

Professor Polvo

Collective

The Mole Agent

Melhor Documentário em Curta-metragem

Colette (Time Travel Unlimited) 

A Concerto Is a Conversation (Breakwater Studios) 

Do Not Split (Field of Vision) 

Hunger Ward (MTV Documentary Films)

A Love Song for Latasha (Netflix)

Melhor fotografia

Nomadland

Mank

Relatos do Mundo

Os 7 de Chicago

Judas e o Messias Negro

Melhor cabelo e maquiagem

A Voz Suprema do Blues

Pinóquio

Mank

Era uma Vez um Sonho

Emma

Melhor canção original

Speak Now – Uma Noite em Miami

Io Si (Seen) – Rosa e Momo

Fight for You – Judas e o Messias Negro

Hear my Voice – Os 7 de Chicago

Husavik – Eurovision Song Contest

Melhor design de produção

Mank

Relatos do Mundo

Tenet

Meu Pai

A Voz Suprema do Blues

Melhores efeitos especiais

Tenet

O Céu da Meia-Noite

Love and Monsters

Mulan

O Grande Ivan

Melhor som

O Som do Silêncio

Relatos do Mundo

Soul

Mank

Greyhound

Melhor edição

Bela Vingança

Meu Pai

Nomadland

O Som do Silêncio

Os 7 de Chicago

6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar

Para além dos estereótipos, a decoração do quarto pode traduzir outras nuances da personalidade do seu bebê
LUCAS DEOLI FREITAS

Projeto assinado pela dupla SISSY+MARLEY Interiors

Tem sido cada vez mais comum a escolha por saber o gênero da criança apenas no dia do nascimento. Isso faz com alguns preparativos, como a decoração do quarto de bebê, precise ser antecipada sob uma nova premissa: um devoto que leve em conta aspectos que extrapolam o arquétipo feminino ou masculino – e que sirva para ambos de forma surpreendente.

Por que escolher um quarto de bebê sem gênero? Lembre-se que é justamente no quartinho onde as crianças crescerão e passarão mais tempo. Sendo assim, quanto mais neutro for o estilo escolhido, mais facilmente o ambiente se adapta aos gostos de quem o habita, abrindo espaço para todas as mudanças de personalidade que podem surgir conforme as crianças se desenvolvem. Por isso, a opção por elementos neutros e versáteis deve ser valorizada.

A seguir, inspire-se em seis projetos de quartos de bebê com gênero neutro:

6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

1. Quando decidiu saber o sexo de seu bebê apenas no nascimento, a influencer Mallory Ervin trouxe um desafio imenso para decoração do quartinho. Assim,  a designer April Tomlin criou um contexto super clean para um resultado divertido e aconchegante, trazendo para o conjunto uma combinação neutra que ganha um tom despojado graças às estampas e padronagens em preto e branco. O destaque fica por conta do berço verde oliva que traz para quarto ares de sofisticação. Para a surpresa da mãe, que escolheu o nome Shepherd (pastor, em inglês) para seu filho, os objetos de ovelha que encantam o ambiente ganharam um valor ainda mais afetivo. 


6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

2. Localizado em Gilbert, Arizona, o quarto da pequena Olive, foi pensado também como um ambiente onde os pais passariam muito tempo. Por isso, sua decoração deveria agradar a todos da mesma forma. O design escolhido pela Lexi Grace Design trouxe uma composição rústica e delicada. Sob um pano de fundo azul marinho, fotos de flores silvestres na parede se mesclam a uma gama de matérias e texturas naturais presente nos objetos do quarto. Um detalhe que chama a atenção é a oliveira, que traz frescor ao quarto e referência ao nome da filha.


6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

3. Para montar esse quarto estimulante, o casal deparou-se com a restrita disponibilidade de peças para crianças que não fossem rosa e azul. Para o ambiente com predominância do branco, que  faz com que a luz preencha todos os cantos, o desejo deles era trazer a cor amarela para endossar a personalidade no quarto das pequenas. Assim a arquiteta Vivi Cirello escolheu como peça-chave a clássica Poltrona Womb, de Eero Saarinen, que ganhou destaque ao ser acompanhada por detalhes em vermelho. A composição resultou numa atmosfera multicolorida, leve e divertida.
 


6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

4. Lúdico e Irreverente! Assim se apresenta o quarto criado para o pequeno Tom, cuidadosamente criado pela arquiteta Cora Mader. O ambiente tem a atmosfera marcada por cores vibrantes e grafismos que estimulam o movimento e curiosidade. Apostando na versatilidade das peças escolhidas, o berço de madeira, ao tornar-se uma caminha, acompanha o crescimento do pequeno. A estante suspensa com pelúcias, por sua vez, dará lugar aos futuros brinquedos de Tom.


6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

5. Mesmo sob uma atmosfera boho e vintage, a blogueira Bre Bertolini trouxe para o quarto de gênero neutro uma atmosfera para seu bebê que inspira acolhimento e personalidade. Entre padronagens étnicas e objetos manuais, a cor verde escuro ocupa meia parede marcada por uma prateleira contínua que abriga objetos e livros, dando suporte ao cantinho das histórias de ninar. O berço de madeira marca um tom sobre tom de beges, marrons e terrosos que trazem uma sensação de acolhimento tão importante para que o pequeno se sinta seguro nesse ambiente.


6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

6. Este quarto de bebê é a prova de que uma decoração lúdica pode não estar relacionada a cores fortes, mas resultado de uma seleção de ítens que estimulam a criança de diversas formas. Com atmosfera cinza e branco,  o projeto assinado pela dupla SISSY+MARLEY Interiors traz para o quarto de gênero neutro sutilezas que fazem com que a essência seja captada em pequenas nuances. Entre as paredes brancas, elementos com o tema de girafas, presente nas gravuras, arandelas e nas pelúcias,  o berço em madeira ganha papel de destaque.

Carol Trentini posa com os filhos e diz: ‘Cada vez mais honesta com os meninos’

Supermodelo também fala sobre casamento e trabalho
Gilberto Júnior

Carol Trentini com os filhos Foto: Divulgação

Filhinhos de peixe… A supermodelo gaúcha Carol Trentini, de 33 anos, aparece ao lado de seus herdeiros, Bento e Bonoah, numa campanha de moda. “Espero que gostem, porque eu amei”, diz a mãe, toda coruja. No Brasil desde fevereiro de 2020 por causa da pandemia, a top conta que está vivendo uma maternidade possível, cheia de altos e baixos. “Estou aprendendo a ser cada vez mais honesta com os meninos. Claro que eles não precisam saber sobre absolutamente tudo o que está acontecendo, mas os garotos têm muita consciência do que o mundo está vivendo, de que fazem parte disso e a contribuição que podem fazer como cidadãos”, comenta a moça, casada com o fotógrafo Fábio Bartelt.

A seguir, Carol, que é a atual garota-propaganda da Colcci, posto que foi de Gisele Bündchen no passado, fala sobre casamento, os filhos e trabalho. Confira os melhores trechos da conversa.

Que tipo de conversa você tem em casa com as crianças?

Conversamos sobre viver em comunidade, sobre cidadania, sobre respeito ao próximo. Sempre tivemos isso muito presente, mas em questões mais corriqueiras. Hoje em dia, como os cuidados são outros, temos adiantado muitas conversas sobre isso, sobre cuidar de si e do outro. Trago isso a eles de uma maneira que desperte neles a esperança de um mundo melhor.

Você está casada com o Fábio há nove anos. Como funciona essa relação, que vai até o profissional?

A pandemia nos aproximou ainda mais como casal, como profissional e como seres humanos. Tivemos tempo para mais trocas, mais conversas, para tudo, para discussões importantes, sobre o que a gente pensa, o que a gente acredita, e isso fez com que a gente se fortalecesse muito. Nossa relação é de muito respeito. Ele me respeita como um todo, como Carol, como mãe, como profissional, e eu também o respeito, como ser humano, pai e profissional.

Carol Trentini com os filhos Foto: Divulgaão
Carol Trentini com os filhos Foto: Divulgaão

Como ficou a vida de top model na pandemia?

Estou desde fevereiro de 2020 sem viajar para fora do Brasil. Assim como em quase todas as áreas, estamos vivendo um recesso para contenção do vírus. Tudo foi adiado, para o bem de todos.

De acordo com o portal Models.com, você é um dos ícones da moda. Você se enxerga como tal?

Desde quando comecei, sempre tentei dar meu melhor. Foi o trabalho que me trouxe até aqui, então sempre farei meu melhor por ele.

Quem é sua grande inspiração?

Eu me inspiro em gente que consegue enxergar além. Na moda, você tem que ter um olhar sobre tudo o que está acontecendo. Aprendi isso com o fotógrafo Steven Meisel, que é meu ídolo. Ele entende desde a luz à pose da modelo. Ele me inspira muito como profissional e me ensinou muita coisa. Gisele Bündchen é uma personalidade muito forte. Eu a admiro como modelo e ser humano. Gisele tem uma luz única.

Muitas vezes, você foi criticada nas redes sociais por sua magreza. Como lidou com isso?

Sou defensora de corpos livres, de nos amarmos como somos, de aceitarmos nossa genética, seja ela qual for. É importante entendermos que cada ser humano tem seu corpo.

Pensa em seguir uma carreira na TV?

Eu digo que me aventuro algumas vezes na TV, mas não tenho planos. Gosto de desafios e encaro os convites, como do meu amigo Paulo Gustavo para fazer uma participação em “A vila”, no Multishow, e o convite pra cantar no “Pop Star”, que também tentei dar meu melhor. Gostei das aventuras que participei, mas não tenho esse objetivo.

‘Traidoras’: pesquisa resgata perseguição a judias que casaram com árabes na Palestina

Episódios documentados ocorreram durante o Mandato Britânico, em meio à grande emigração judaica para a região antes da criação de Israel; rejeitadas pelas famílias e pela sociedade, algumas das mulheres precisaram fugir e outras foram assassinadas
Paola de Orte, O GLOBO

Peixaria em Umm al-Fahm, cidade árabe no Norte de Israel; os casamentos entre judeus e árabes continuam sendo raros no país, segundo a pesquisadora Idit Erez Foto: Dan Balilty / NYT

TEL AVIV — Em 1944, quando a Palestina ainda estava sob o domínio britânico, um casamento abalou a cidade de Haifa, hoje em Israel. Séfora Arbel, judia, e Suhail Shukri, árabe, se conheceram trabalhando para uma firma de seguros ligada ao Império Britânico. Decidiram se casar, mas a família de Séfora não aceitou a união e rompeu laços com a jovem, só retomando o contato quando a primeira filha do casal nasceu.

Casamentos entre mulheres judias e homens árabes não eram comuns antes de 1948 —  ano da criação do Estado de Israel após a Partilha da Palestina pela ONU —, apesar da grande emigração judaica para a região a partir do final do século XIX, com a perseguição dos judeus na Europa e o crescimento do movimento sionista. A história desses casais aparece agora em uma pesquisa conduzida por Idit Erez na Universidade de Haifa, e que foi primeiro divulgada pelo jornal israelense Haaretz. Ela mostra que centenas, talvez milhares, de judias se relacionaram com árabes no período, levando-as a serem tachadas de “traidoras”.

— A reação das famílias, do público, de todo mundo, era muito ruim. Ninguém gostava. Era inaceitável, tabu para todos, se você era religioso ou nacionalista — disse ao GLOBO Erez, que afirma que casamentos mistos ainda não são comuns ou populares em Israel hoje. — As mulheres que tinham ou que eram suspeitas de terem relações com homens árabes eram consideradas traidoras.

A rejeição a essas uniões vinha da família e da sociedade. Em 1948, Séfora e Suhail foram forçados a mudar de Haifa para Alexandria, no Egito, após ameaças de árabes que acusavam Suhail de cooperar com judeus. Após a declaração de independência de Israel, os dois voltaram com a ajuda da sogra.

Cafés e comunismo

A proliferação de cafés ao fim do Império Otomano, antes do Mandato Britânico (1920-1948), contribuiu para a aproximação. Neles, judeus, muçulmanos e cristãos se encontravam para ouvir música, assistir a apresentações de dança e jogar cartas. Nos cafés de Jafa, o hábito era jogar dominó e fumar narguilé, ópio e maconha, segundo relato encontrado por Idit — que faz a ressalva de que, oficialmente, só café, chá e limonada eram consumidos. “Aqui os povos de Nazaré e de Albion [antigo nome do Reino Unido] vão beber juntos com as meninas de Tel Aviv sem traço de ódio entre eles”, dizia um jornal de 1939.

Relato da imprensa da época chama os árabes que frequentavam cafés de “pessoas iluminadas de Jafa que passam as noites em Tel Aviv. Durante o dia, são antijudeus e antissionistas, como todos os árabes educados de Jaffa. À noite, quanto se sentam nas festas em Tel Aviv, amam Israel e seus amigos sionistas”.

As reuniões do Partido Comunista da Palestina também favoreciam os encontros. A ideologia internacionalista de seus membros, árabes e judeus, enfatizava a luta de classes ao invés da religiosa ou nacional. Um dos casais formados nas reuniões foi Muhammad Najati Sidqi e Lutka Loberboim, cuja filha recebeu o nome de Internationale.

O navio Exodus, com centenas de judeus da Europa, chega ao porto de Haifa, em maio de 1947 Foto: Frank Shershel / Reuters/22-5-1947
O navio Exodus, com centenas de judeus da Europa, chega ao porto de Haifa, em maio de 1947 Foto: Frank Shershel / Reuters/22-5-1947

Muitas histórias tiveram fins trágicos. Lea Rosenthal, nascida na Alemanha, vivia em Jerusalém e deixou a casa dos pais para morar com um árabe cristão. Foi assassinada a tiros por árabes e encontrada morta com uma cruz no peito.

Outra história é a de Esther K. e Mahmoud al-Kurdi, casados em 1940 depois de terem se conhecido em um café de Jerusalém — ele com 45 anos e ela com 17. Os dois oficializaram o casamento poucos dias depois de se conhecerem, sem o consentimento dos pais de Esther, que conseguiram sua anulação, em um processo em que a jovem declarou à Justiça que tinha se apaixonado “à primeira vista”. “Em alguns meses, vou fazer 18 anos e volto para você, meu querido”, disse ela ao fim do depoimento, pouco antes de descobrir que estava grávida e ser forçada a fazer um aborto.

Muitas jovens vinham de famílias mizrahim, originárias de países do Oriente Médio, como Iraque e Iêmen. Elas compartilhavam com os árabes muçulmanos e cristãos o idioma e a cultura, tendo mais em comum com eles do que com outros pretendentes da própria religião.

Depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967, o rabino Hanania Dery ajudou a levar de volta a Israel centenas de mulheres que viviam em cidades como Hebron, Nablus, Gaza e Khan Yunis, nos territórios que foram ocupados pelos israelenses no conflito com os vizinhos árabes. “Muitas delas são de famílias que precisam de ajuda. São também meninas inteligentes procurando aventuras”, dizia o rabino, citando também rebeldia e provocação como motivos para os casamentos.

Pnina Bechor desapareceu de sua casa em Tiberíades em 1943, aos 14 anos, para fugir com um árabe com quem se casou. Depois de se converter ao Islã, trocou o nome para Lulu, teve oito filhos e, em 1948, deixou o país com a família. Acabou se tornando uma refugiada palestina no campo de Askar al-Jadid em Nablus.

Em 1951, a imprensa relatava que dezenas de mulheres judias que fugiram com seus maridos árabes em 1948 para a então Transjordânia estavam vivendo em Amã. Muitas se sentiam hostilizadas e queriam voltar. “Os pioneiros olhavam de maneira condescendente para meu tataravô porque ele parecia árabe”, disse à época a irmã de Pnina.

O termo usado na imprensa para o caso de Pnina foi “sequestro”. Em casos de fugas com árabes, mesmo voluntárias, essa terminologia era preferida para preservar a “dignidade da família sob o olhar do público”. Na imprensa, as mulheres judias que casavam com homens árabes eram descritas como traidoras, abandonadas e “destruídas”. “Esses casos de casamentos mistos são dos mais tristes da história do nosso povo”, dizia à época o jornalista Isaac Ramba. “As mulheres judias que casam com membros de outra religião de Jesus ou de Maomé não nos ajudam.”

Conversão e repressão

Algumas mulheres se convertiam ao Islã e cortavam os laços com as famílias, outras mantinham e se encontravam nos feriados judaicos. Idit encontrou relatos de que, entre os muçulmanos da época, o entendimento sobre o casamento com estrangeiros era liberal e era permitido o casamento com uma mulher não muçulmana desde que fosse de religião monoteísta.

Nos relatos da época, as expressões para se referir a essas mulheres evocavam a diáspora judaica e as vulnerabilidades dos judeus em uma terra sem proteção. No auge da Segunda Guerra, com a notícia dos campos de extermínio na Alemanha, as mulheres eram duplamente acusadas: de autodestruição, ao casar com estrangeiros e se converter à sua religião, e de destruição coletiva, por contribuir para o desaparecimento do povo judeu.

Nos arquivos das organizações paramilitares sionistas que lutavam pela independência, como a Haganá e o Irgun, Idit identificou indícios de que algumas dessas mulheres eram vigiadas de perto. A jovem Chaya Zeidenberg chegou a ser morta por uma dessas organizações, que afirmava que ela havia confessado em um julgamento extrajudicial que planejava colocar uma bomba em Tel Aviv, sob orientação do amante árabe.

— Não sabemos o que aconteceu, mas a reação da sociedade foi ruim. Todos disseram: como isso pode acontecer? Uma execução? Não é certo — conta Idit Erez. — Por outro lado, diziam: não podemos ter orgulho dela, estava por aí, andando com um árabe.

R.I.P. Alber Elbaz

Nascido em Casablanca, Marrocos, estilista deixa o mundo aos 59 anos, em Paris, após uma luta de três semanas contra a Covid-19

O estilista Alber Elbaz (Foto: Divulgação)
O estilista Alber Elbaz (Foto: Divulgação)

O mundo da moda amanhece tristeAlber Elbaz, o talentoso estilista, que comandou a Lanvin de 2001 e 2015 e que recentemente fez um retorno brilhante com sua própria marca, a AZ Factroy, morreu em Paris, aos 59 anos, após uma luta de três semanas contra a Covid-19. A notícia foi confirmada, neste domingo (25.04), pelo conglomerado Richermont, parceiro do estilista no novo negócio.

“Estamos arrasados. Alber faleceu de Covid-19 depois de passar três semanas no hospital – tão trágico”, disse Johann Rupert, presidente da empresa suíça de produtos de luxo Richemont.

Nascido em Casablanca, Marrocos, Alber se mudou ainda criança para Israel, onde fez faculdade de moda. Ele foi treinado em Nova York pelo costureiro americano Geoffrey Beene, de 1989 a 1996. Mais tarde o estilista seguiu para Paris, onde fez uma rápida passagem pelo ateliê de Guy Laroche. Na sequência, recebeu um convite do próprio Yves Saint Laurent para atuar na linha de prêt-à-porter da grife francesa. Um ano depois, porém, a Saint Laurent foi comprada pelo grupo Kering, e Tom Ford foi colocado no em seu lugar.

Com a virada do milênio, ele recebeu uma ligação que mudaria o rumo de sua vida: era a taiwandesa Shaw-Lan Wang que havia adquirido a Lanvin em 2001. O convite era para que o estilista desse novo brilho a esta que é a mais antiga maison do mundo. Em 2007, Alber foi eleito um dos cem nomes mais influentes do mundo pela Time. A Lanvin voltou a assumir um lugar de destaque entre as marcas internacionais, ditando tendências, emplacando hits, assinando colaborações e vestindo celebridades. Por onde passava, ele deixou sua marca colocando as mulheres em primeiro lugar. 

Desfile da Lanvin, março de 2010. Em que Alber Elbaz, diretor criativo da label francesa recrutou diversos nomes de peso do mundo da moda para subir na passarela (Foto: Getty Images)
Desfile da Lanvin, março de 2010. Em que Alber Elbaz, diretor criativo da label francesa recrutou diversos nomes de peso do mundo da moda para subir na passarela (Foto: Getty Images)

Com inteligência e sabedoria, ele conquistava o público ao oferecer diferentes categorias de roupas fáceis de consumir, joias ousadas, bolsas e sapatos variados. 

Quando Alber se desentendeu com a proprietária taiwanesa da Lanvin, Shaw-Lan Wang, ele finalmente deixou a empresa, ressurgindo em 2020 com o Alber Elbaz AZ Factory. Mas, longe de ser uma repetição do trabalho anterior do designer, a nova grife era jovem, esportiva e dinâmica, com foco em roupas que se moviam com o corpo e libertavam o usuário de qualquer constrição.

“Precisamos fazer o sistema funcionar para nós e não ser escravos dele – as ideias começam com intuição e medos, que é a essência da criação”, disse Alber na conferência da Condé Nast realizada em 2020, em Florença, Itália. “Um computador não tem intuição – são máquinas com cérebros – mas não corações”, continuou ele. “Perguntei aos meus amigos – muitos dos quais são arquitetos e artistas – como eles começam a desenhar? ‘Com lápis e papel’ eles responderam. ‘Por que não com um computador?’, eu questionei. ‘Um computador é muito preciso’, disseram eles. ‘Nunca duvide. Nós, designers, não trabalhamos com calculadora. Trabalhamos com sonhos.” 

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11 lições de Alber Elbaz que te farão sorrir (Foto: Divulgação)
Alber Elbaz (Foto: Marcio Madeira e Imax Tree)
Alber Elbaz (Foto: Marcio Madeira e Imax Tree)

Before There Was Punk, There Was Nothing

Tahir Ndiaye at Independent Management shot by Antonio Giancaspro and styled by Aldacleofe Sterli, in exclusive for Fucking Young! Online.

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