A história da colorista Eloah que saiu do Complexo do Alemão para conquistar os modernos do eixo Rio-São Paulo

Cabeleireira trans bomba com suas cabeças coloridas pintadas com desenhos de animal print e pássaros
Lívia Breves

Eloah no Care, em Ipanema, onde trabalha no Rio Foto: Ana Branco / Agência O Globo
Eloah no Care, em Ipanema, onde trabalha no Rio Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Eloah gosta de comparar as cabeças que cria com telas de pintura. Famosa por descolorir cabelos curtinhos e depois estampá-los com desenhos que vão de animal print a pássaros, a colorista de 24 anos conquistou uma agenda cheia de clientes que querem dar um tapa moderno no visual. “Comecei fazendo trabalhos tradicionais, mas senti uma energia interna que pedia algo mais autoral. Não aguentava mais fazer louros. Fui então criar a minha estética”, conta ela, que passou pelo Fil Hair & Experience e hoje atende no Care, em Ipanema, e uma vez por mês no Cab, em São Paulo. “Sempre gostei de desenhar, pensei em estudar moda. Sinto que junto tudo isso agora.”

Nascida no Complexo do Alemão, Eloah diz que sempre gostou do universo dos salões e costumava cortar o cabelo das amigas no recreio da escola. “Sou uma ‘girl from Rio’. Desde sempre empreendo, ganhava meu dinheirinho ainda pequena. Depois, fui para um salão na favela, onde fazia cabelos de donas de casa e mulheres de bandido. Achava as pessoas de lá mais reais e demorei a ter vontade de vir para a Zona Sul. Mas, como só fazia mechas, escova progressiva e design de sobrancelha, entendi que para ser mais artística teria que mudar de lugar. Cansei de só cortar pontinha e retocar pintura”, resume.

Animal print para a cabeça de Richard Dapne. O make é de Luiza Prevato e Rebeca Castro Foto: Ana Branco / Agência O Globo
Animal print para a cabeça de Richard Dapne. O make é de Luiza Prevato e Rebeca Castro Foto: Ana Branco / Agência O Globo

A mudança de endereço fez com que a tinturista mergulhasse nos estudos de técnicas e na história do colorismo. Ao mesmo tempo, Eloah foi se empoderando e se assumindo como mulher trans com cabelos à la Gisele Bündchen. “Foco em visagismo, análise cromática, adoro criar conteúdo”, define. “Comecei como uma bicha tímida e hoje sou uma mulher forte. Foram as minhas clientes que me deram o nome de Eloah. Tudo aconteceu de maneira natural e ajudou a acabar com a imagem marginalizada da travestilidade que conheci na infância.

A foto da arte feita na cabeça de Lili Am. O make é de Luiza Prevato e Rebeca Castro Foto: Ana Branco / Agência O Globo
A foto da arte feita na cabeça de Lili Am. O make é de Luiza Prevato e Rebeca Castro Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Tenho clientes de todos os perfis e não quero que o valor impossibilite ninguém de criar sua personalidade. Por isso, tenho preços que começam em R$ 300 e chegam a R$ 2.000”, conta a profissional, que tem uma agenda frenética de clientes. “Não nasci em berço de ouro, mas estou construindo uma cama king de luxo”, completa.

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