Morre Eva Wilma, aos 87 anos, vítima de câncer

Artista estava internada desde o dia 15 de abril, inicialmente para tratar problemas cardíacos e renais. O câncer foi descoberto no último dia 7 de maio
Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

Eva Wilma Riefle, premiada atriz e bailarina brasileira.

A atriz Eva Wilma morreu neste sábado, 15, aos 87 anos, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, vítima de um câncer no ovário que, disseminado, levou a uma insuficiência respiratória. A artista estava internada desde o dia 15 de abril, inicialmente para tratar problemas cardíacos e renais. O câncer foi descoberto no último dia 7 de maio. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da artista. 

“Vivinha, é assim (sorridentes) que vamos lembrar de você. Obrigado pelos momentos maravilhosos que vivemos juntos e estarão eternamente em nossos corações”, escreveram os agentes da atriz no Instagram.

Foi uma bela mistura que produziu Eva Wilma Riefle, atriz que entrou para o imaginário do espectador brasileiro de cinema, teatro e televisão simplesmente como Eva Wilma. Seu pai (Otto Riefe Jr.) era um metalúrgico alemão da região da Floresta Negra que veio para o Brasil, mais exatamente para o Rio de Janeiro, em 1929, aos 19 anos, para trabalhar numa firma de metalurgia. A mãe, Luísa Carp, nasceu em Buenos Aires, filha de judeus ucranianos de Kiev que imigraram para a Argentina. Estava escrito que os dois se conheceriam em São Paulo, e foi onde Eva Wilma nasceu, em 14 de dezembro de 1933.

Apesar das dificuldades familiares – o pai quase foi preso durante a 2ª Grande Guerra e, na sequência, foi diagnosticado com mal de Parkinson –, recebeu educação esmerada, em escolas tradicionais. Teve aulas de canto, piano e violão com a mestra Inezita Barroso. Aos 14 anos, iniciou-se na carreira artística como bailarina clássica. No Corpo de Balé do Teatro Municipal chamou a atenção do diretor José Renato, que a chamou para integrar a primeira turma dso Teatro de Arena. Participou de espetáculos quer fizeram história – Judas em Sábado de Aleluia, Uma Mulher e Três Palhaços.

Diversificou-se, como mulher e atriz, e fez Boeing-Boeing, O Santo Inquérito, A Megera Domada, Black-Out. Os desafios foram ficando maiores – Um Bonde Chamado Desejo, Pulzt, Esperando Godot, dirigiu Os Rapazes da Banda, depois participou de Quando o Coração Floresce, Queridinha Mamãe, pela qual recebeu o primeiro Molière de Melhor Atriz, e O Manifesto. No cinema, começou como figurante em Uma Pulga na Balança, na Vera Cruz. Logo estava protagonizando filmes ao lado de Procópio Ferreira – O Homem dos Papagaios e A Sogra. Em 1955, ganhou o primeiro prêmio de cinema por O Craque, de José Carlos Burle. No ano seguinte, a cinebiografia de Francisco Alves, Chico Viola não Morreu, valeu-lhe o premio Saci, do Estado. E logo vieram os grandes filmes que pertencem à história – Cidade Ameaçada, de Roberto Farias, e São Paulo S.A., de Luiz Sergio Person.

Em 1953, a TV engatinhava quando Cassiano Gabus Mendes convidou-a para atuar no seriado Namorados de São Paulo, da Tupi, formando dupla com Mário Sérgio. Mudaram o ator e o nome do programa – virou Alô Doçura e Eva Wilma passou a contracenar com John Herbert. Casaram-se, tiveram dois filhos e o programa ficou dez anos no ar, entrando para o Guinness como a série mais longeva da televisão brasileira. Alô Doçura foi um marco. Naquele tempos, anos 1950 e 60, não se falava em sitcom, mas todo mundo seguia o casal da ficção, que virou casal da vida real. Cokm o fim da Tupi, Eva Wilma foi para a Globo. Mais prêmios, muitos prêmios. Eva Wilma ganhou todos. Se você fizer uma pesquisa no Google, é capaz de não acreditar na quantidade de prêmios que ela recebeu – Molière, Imprensa, APCA, Coruja de Ouro, Governador do Estado, Shell etc.

E não apenas no País. Recebeu uma homenagem em Cuba em 1966 pela atuação em O Amor Tem Cara de Mulher da TV Tupi; outra homenagem pela atuação no filme A Ilha, de Walter Hugo Khouri, no Festival de Berlim; e no Festival de Roma foi destaque pelo júri popular, no filme de Alberto Pieralisi, O Quinto Poder. Em 1969, ocorreu o episódio talvez mais bizarro da trajetória de Eva Wilma. Ela foi convidada para fazer um teste em Hollywood para o que seria o novo suspense do mestre Alfred Hitchcock. O filme era Topázio, uma história de espionagem, e Eva teve tratamento de estrela ao ser testada para o papel da espiã cubana, que, no final, foi interpretado por uma alemã, Karin Dor. A experiência foi importante porque, com outros trabalhos no teatro, mostrou que a doçura estava sendo substituída por uma dimensão mais madura e complexa.

Eva Wilma
Atriz Eva Wilma na peça ‘Azul Resplendor’, em 2013.  Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Nem Eva nem Wilma – Simplesmente Vivinha, como no título de um programa em que interpretava a si mesma, em 1975. Vivinha nunca parou de fazer principalmente TV, e novelas, algumas séries. Roda de Fogo, O Direito de Nascer, Plumas e Paetês (explorando sua veia cômica), Ciranda de Pedra, Guerra dos Sexos, Sassaricando, Pedra Sobre Pedra, Anos Rebeldes, Pátria Minha, O Rei do Gado, A Indomada, Os Maias, Fina Estampa, A Grande Família, Verdades Secretas.

Casada por 21 anos (1955/76) com John Herbert, separou-se dele para viver mais 23 anos, de 1979 a 2002, até a morte do segundo marido, Carlos Zara. Socialite, trambiqueira, mulher comum. Eva Wilma, a Vivinha, tudo fez, e com o maior brilho. [2]Em 1973, interpretou as gêmeas Ruth e Raquel, de Mulheres de Areia, novela de Ivani Ribeiro que fez sucesso nacional e internacional. Finalista para o prêmio de melhor atriz do ano, perdeu para Regina Duarte, por Carinhoso. Quem viu não se esquece jamais. A premiação era ao vivo, apresentada por Sílvio Santos na Globo. Perante o País inteiro, Regina, a namoradinha do Brasil, chamou Eva Wilma para receber o prêmio, que era dela por direito. O episódio resume a grandeza de uma artista que colegas, público e críticos aprenderam a amar e respeitar.

Nuria Gonzales | Spring Summer 2021 | Full Show

Nuria Gonzales | Spring Summer 2021 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video – Gran Canaria Swim Week by Moda Cálida)

Martin Felix Kaczmarski – Daylight Motion/Closer Without You

Uma olhada no laboratório de experiência / escritório da Native Design Workshop em Melbourne, Austrália

O fabricante de máquinas de café contratou recentemente a empresa de design de interiores Native Design Workshop para projetar seu novo escritório em Melbourne, Austrália.

victoria-arduino-melbourne-office-1
Communal space

“O VA Experience Lab ‘é o novo lar da empresa de máquinas de café de renome internacional, Victoria Arduino na Austrália. Este espaço é um espaço de trabalho para a equipe da empresa, bem como um local onde os profissionais do setor podem se reunir, visualizar, testar e aprender a usar as máquinas de café, além de conhecer os produtos e suas origens. Além disso, o Experience Lab funcionará como um campo de treinamento para alguns dos melhores baristas do mundo na preparação para a competição.

Com uma placa de piso tão pequena para atender aos inúmeros requisitos programáticos, tivemos que consolidar ideias e deixar de lado a função de compartimentalização, que foi dada como uma diretriz de algumas das partes interessadas. Em vez disso, optamos por uma abordagem que abrange o espaço de trabalho moderno e permite que as pessoas de Brunswick vejam realmente o que se passa no espaço, que é o que os atuais ocupantes deste espaço queriam, para se tornarem parte da comunidade e não apenas outro negócio que dá as costas para a rua. Com essa mentalidade, construímos uma abordagem muito Melbourne para o jogo do café e levamos a ideia do ‘buraco na parede’ da cafeteria para outro nível ”, diz Native Design Workshop.

  • Location: Melbourne, Australia
  • Date completed: 2021
  • Size: 1,076 square feet
  • Design: NATIVE Design Workshop
  • Photos: Tatjana Plit
victoria-arduino-melbourne-office-16
Communal space / Workspace
victoria-arduino-melbourne-office-19
Coffee point
victoria-arduino-melbourne-office-5
Coffee point
victoria-arduino-melbourne-office-6
Coffee point
victoria-arduino-melbourne-office-7
Coffee point
victoria-arduino-melbourne-office-8
Communal space
victoria-arduino-melbourne-office-10
Communal space
victoria-arduino-melbourne-office-11
Communal space / workspace
victoria-arduino-melbourne-office-14
Bathroom
victoria-arduino-melbourne-office-4
Exterior

Agatha Moreira fala sobre ‘ressuscitar’ personagem de ‘Verdades secretas’: ‘Vivi um luto doloroso na época’

Amora Mautner, Agatha Moreira e Camila Queiroz (Foto: Arquivo pessoal)

Eis as protagonistas de “Verdades secretas” 2Camila Queiroz e Agatha Moreira, nos bastidores de gravação com a diretora da sérieAmora Mautner. Na continuação da história de Walcyr Carrasco, no Globoplay, Giovanna (Agatha), desconfiada das circunstâncias da morte do pai, Alex (Rodrigo Lombardi), contratará um detetive para investigar Angel (Camila). O papel caberá a Romulo Estrela. O elenco já está gravando suas primeiras cenas nos Estúdios Globo, no Rio.

Agatha adianta como será a volta das duas personagens:

– Vai ser um grande reencontro. Será exatamente como o público está esperando que seja, aliás, ouso dizer que até melhor. O Walcyr não está de brincadeira mesmo. Amo essa trama e já estou louca para mostrar para o espectador.

A atriz dá detalhes da nova fase de Giovanna:

– Ela estará mais madura, mais inteligente, mais feminista, mais dona de si. E também muito arrogante, prepotente e irônica como sempre foi. Cheia de humor e tiradas típicas – resume Agatha, que conta ainda como foi a sensação ao começar os trabalhos. – Foi uma loucura, nunca imaginei ter que ressuscitar uma personagem que enterrei. Vivi um luto superdoloroso na época. Mas está sendo uma delícia de desafio e uma grande oportunidade.

Angel, por sua vez, aparecerá casada, rica e com filho pequeno. Ela acabará vivendo um romance quente com o tal investigador, atrapalhando, assim, os planos de Giovanna.

Além de Agatha e Camila, retornarão à produção Guilhermina Guinle (Pia), Rainer Cadete (Visky), Dida Camero (Lourdeca) e Adriano Toloza (Igor), entre outros.

‘Cruella’, filme com Emma Stone, mostra o nascimento de uma vilã

‘Cruella faz coisas condenáveis, mas eu meio que prefiro ela’, afirma a protagonista do filme que estreia dia 28; veja trailer
Mariane Morisawa, Estadão

Emma Stone é a protagonista do filme ‘Cruella’ Foto: Disney

Todo vilão vem de algum lugar. Cruella, dirigido por Craig Gillespie (Eu, Tonya) e que estreia no dia 28 nos cinemas e no Disney+, com Premier Access e pagamento adicional, mostra como a personagem chegou ao ponto de querer matar dálmatas para fazer um casaco de pele, tanto na animação A Guerra dos Dálmatas (1961) quanto no live action 101 Dálmatas – O Filme (1996), estrelado por Glenn Close. “Tentamos não ser muito preto ou branco – sem querer fazer piada com o cabelo bicolor de Cruella -, mas procuramos as áreas cinzentas”, disse o diretor em entrevista à imprensa neste sábado, 15, por videoconferência. “Queríamos que o público tivesse alguma empatia com ela e, claro, que fosse um filme divertido.”

Antes de Cruella, há Estella (Tipper Seifert-Cleveland na infância). Levada, sempre teve dificuldade de se encaixar, por causa do seu temperamento volátil. Sua mãe, Catherine (Emily Beecham), tenta contornar a situação com amor. Mas, depois de um acidente, Estella se vê sozinha nas ruas de Londres, sendo “adotada” pelos também órfãos Jasper (Ziggy Gardner) e Horace (Joseph MacDonald). Eles crescem juntos, sobrevivendo batendo carteiras. Já crescidos (e agora interpretados por Emma StoneJoel Fry Paul Walter Hauser), os três fazem roubos cada vez mais elaborados. Estella consegue um emprego na loja de seus sonhos, a Liberty, e chama a atenção da Baronesa (Emma Thompson), a maior designer de moda da época, depois de fazer uma vitrine bem no espírito punk da Londres dos anos 1970 numa noite de bebedeira. Mas após uma descoberta sobre seu passado, Estella assume a persona de Cruella, fazendo apresentações de moda cada vez mais bombásticas, que contrastam com o espírito clássico da Baronesa.

A moda, como se vê, está no centro do embate entre Estella/Cruella e a Baronesa. “Há um arco muito definido para Estella. Nós vemos sua transformação pelas roupas”, disse a figurinista Jenny Beavan. “Nós nos inspiramos no punk, em Vivienne Westwood, Alexander McQueen, John Galliano. A Baronesa é uma excelente designer, mas é mais clássica.” Sua base é mais Dior, Balenciaga, Givenchy. Para Emma Thompson, foi um grande desafio usar aquelas roupas. “Eu precisava de uma equipe para fazer xixi”, disse a atriz, brincalhona. “Os sapatos e as perucas também eram complicados, ainda mais para alguém que não usa nada mais alto do que chinelo de dedo.”

E quem Emma Stone prefere, Estella ou Cruella? “É difícil porque a Cruella faz algumas coisas bem questionáveis. A Estella é doce, mas ainda não se encontrou. E a Cruella diz: ‘esta aqui sou eu’. Ela se aceita completamente”, disse a atriz. “Cruella faz coisas condenáveis, mas eu meio que prefiro ela!” 

Greg Sorensen for MAKE magazine with Awuoi Matiop & Marique Schimmel

Photographer: Greg Sorensen. Fashion Stylist: Stacey Cunningham at SEE Management. Hair Stylist: John Ruidan. Makeup Artist: Ashleigh Ciucci. Manicurist: Nori. Prop Stylist: Sara Foldenauer. Models: Awuoi Matiop & Marique Schimmel.

Kiton Women’s | Spring Summer 2021 Fashion Show | Milan Fashion Week

Este é o desfile de moda phygital completo e a revisão da coleção primavera verão 2021 feminina da Kiton. Esta coleção # SS21 foi exposta na semana de moda de Milão. O traje de assinatura de Kiton foi remodelado com um toque descontraído e esportivo adicionado com blazers macios e calças curtas com cordão. A coleção é repleta de detalhes ultra femininos e uma alfaiataria estruturada. Por exemplo, vestidos de camisa lânguidos até o chão em seda japonesa habotai combinam com jaquetas boyfriend de algodão. Esta coleção de moda primavera-verão é composta por uma paleta de cores muito viva. Cores como laranja, fúcsia e azul vivo encontram tons neutros de bambu, cinza e marrom escuro. As peças de jeans são suavizadas por combinações de seda de cashmere, assim como as jaquetas bomber masculinas com saias de cordão. Assista a este vídeo de desfile de moda para descobrir a coleção feminina primavera-verão 2021 da Kiton.

Chopin: Piano Concerto No. 1, Op. 11 | Martha Argerich, Sinfonia Varsovia Orchestra & Jacek Kaspszyk

Martha Argerich (piano) plays Frédéric Chopin’s Piano Concerto No. 1 in E minor, Op. 11 with the Sinfonia Varsovia Orchestra, conducted by Jacek Kaspszyk. The concert was performed on August 27, 2010 at the Warsaw Philharmonic Concert Hall.

Frédéric Chopin (1810-1849) composed his first piano concerto in 1830. At the time, he was still living in his native Poland and was just 20 years old. The premier of Piano Concerto No. 1 took place in October of the same year at Warsaw’s National Theater, with Chopin himself playing the challenging piano part.

Chopin’s Piano Concerto No. 1, Op. 11 was popular with audiences from the very beginning. But it also had its critics, who complained that the orchestra was only given a supporting role to the piano, which was the star of the show. And it is true that the orchestra serves merely to add atmosphere to the piano as the main part. Chopin based the piano part on the Belcanto singing of Italian operas. That’s where the many decorative artistic details come from. The musical motifs of Piano Concerto Op. 11 are based on many traditional Polish melodies. That makes the concert very memorable. It is also very romantic in character.

Almost all great piano virtuosos have played Frédéric Chopin’s first Piano Concerto. Martha Argerich, for example, performed and even recorded it many times. To everyone’s surprise, Argerich discovered new facets of the concerto each time she performed it. This is of course thanks to her virtuosity as a piano performer but also due to her temperament and her surprising spontaneity.

Martha Argerich plays Chopin’s Piano Concerto No. 1: The tried and tested combination for audiences to enjoy a wonderfully romantic concert!

(00:30) I. Allegro maestoso
(20:53) II. Romanze – Larghetto
(30:46) III. Rondo – Vivace

Aos 92 anos, arquiteto Frank Gehry foca em projetos sociais e não pensa em se aposentar

‘O que eu faria?’, pergunta o ganhador do prêmio Pritzker, que está mais interessado em desenvolver projetos que promovam justiça social
Robin Pogrebin, The New York Times – Life/Style

Frank Gehry, aos 92 anos, em seu estúdio em Los Angeles, atrás do projeto que fez para a King Street de Toronto. Foto: Erik Carter/The New York Times

LOS ANGELES – No meio da tarde de uma segunda-feira, o arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker Frank Gehry – apesar de ter completado 92 anos recentemente em meio a uma pandemia, concluiu o último andar de seu prédio no empreendimento Grand Avenue e se prepara para uma mostra de novas esculturas na Galeria Gagosian – estava pouco interessado em se sentar para refletir sobre este momento potencialmente significativo da vida e da carreira.

Em vez disso, ele estava se movimentando – visitando o estúdio pela primeira vez desde o surto da covid-19, muito mais ansioso para discutir a miríade de projetos que está conduzindo, a maioria em andamento. (Apenas um projeto empacou: um arranha-céu no Hudson Yards, na cidade de Nova York, e seu escritório teve de demitir oito dos 170 funcionários.)

Os projetos incluem a versão de Los Angeles da High Line de Nova York, ao longo do Rio Los Angeles; os novos edifícios comerciais para a Warner Bros. em Burbank; e a cenografia da ópera de jazz Iphigenia, de Wayne Shorter e Esperanza Spalding, que será apresentada no Kennedy Center, em Washington, em dezembro. A mais de 4.800 quilômetros de distância dali, o Museu de Arte da Filadélfia revelou na sexta-feira, 7, a reforma e a expansão da parte interna projetadas por Gehry.

Questionado se, devido à idade e às realizações, ele considerou fazer uma pausa ou diminuir o ritmo, Gehry rejeitou a ideia. “O que eu faria? Gosto dessas coisas.”

Movimentando-se em seu amplo espaço de trabalho, o arquiteto declarou que atingiu um ponto na carreira em que pode se dar ao luxo de se concentrar no que mais lhe interessa: projetos que promovam a justiça social. “Estou livre, agora que não preciso me preocupar mais com meus honorários.”

A ênfase crescente de Gehry em retribuir parece ter intensificado seu compromisso com a cidade. Ele está, por exemplo, projetando moradias no Wilshire Boulevard para veteranos sem-teto. E, há cerca de seis anos, ele e a ativista Malissa Shriver fundaram a Turnaround Arts: California, organização sem fins lucrativos que leva educação artística às escolas mais carentes do estado. “São trabalhos de amor”, comentou.

Ele se voluntariou para o projeto de uma nova casa para o braço educacional da Filarmônica de Los Angeles dedicado à juventude, a Orquestra Jovem de Los Angeles (YOLA), no Inglewood Civic Center, ao sul da cidade, que será finalizada em junho.

Gehry contou ter se inspirado no programa de educação musical da Venezuela com financiamento público, El Sistema, que dá a crianças carentes a chance de tocar em orquestras. Produto desse programa, Gustavo Dudamel, o diretor musical e artístico da Filarmônica de Los Angeles que desempenha as mesmas funções para a YOLA, chamou à criação de Gehry “uma metáfora que diz: ‘A beleza importa'”.

Para transformar um edifício bancário da década de 1960 em sala de concertos para a orquestra jovem, Gehry disse que pressionou a organização a angariar um pouco mais de dinheiro para construir um teatro de 14 metros, o mesmo tamanho do Walt Disney Concert Hall, outro projeto seu. “Ele emerge como um farol para a comunidade.”

Gehry – que projetou um centro para a New World Symphony, em Miami, bem como o Guggenheim em Bilbao, na Espanha, e a filial do Guggenheim planejada para Abu Dhabi – continua animado por projetos culturais com um componente educacional (ele recentemente ingressou no conselho do Instituto de Jazz Herbie Hancock, organização sem fins lucrativos que treina jovens músicos promissores).

Ele talvez esteja mais animado com o Projeto River – esforço financiado pelo Departamento de Obras Públicas do Condado de Los Angeles para revitalizar o canal de 82 quilômetros que vai do Parque Canoga até Long Beach e foi pavimentado em 1938 para evitar inundações.

Gehry 2
Gehry com um modelo do Centro Cultural Sela. Foto: Erik Carter/The New York Times

O River LA, grupo sem fins lucrativos – que conta com o apoio do prefeito Eric Garcetti -, recrutou Gehry para desenvolver um plano mestre para o local. Daí surgiu a ideia de um parque de plataforma urbana sobre o concreto com espaços gramados e um centro cultural de US$ 150 milhões. Chamado de Centro Cultural Sela (em referência à sua localização no sudeste de Los Angeles), será financiado com fundos públicos e privados, e servirá como um espaço para artistas locais e profissionais.

Mas alguns criticaram o envolvimento de Gehry no projeto – um período de audiências públicas sobre o plano terminou recentemente -, como líderes comunitários de grande porte, que comentaram que ele não tem experiência com espaços ao ar livre e que o projeto vai promover a gentrificação. “O potencial de um trágico tiro pela culatra é enorme. Vamos despejar milhões de dólares públicos em um plano que parece impressionante, mas que vai expulsar o público-alvo – comunidades que estão com dificuldades de simplesmente sobreviver nas últimas décadas”, advertiu um artigo recente no Los Angeles Times.

Gehry tentou abordar essas preocupações e enfatizou em uma entrevista que seu foco era a criação de moradias populares e espaços abertos: “Estamos trabalhando em projetos de habitação social, para que a população existente tenha acesso à casa própria.”

Embora possa ser um para-raios no Projeto River, Gehry também está envolvido em atividades mais leves, como a reinterpretação da garrafa Hennessy X.O para comemorar o 150º aniversário do conhaque no ano passado: uma capa enrugada de bronze com ouro 24 quilates, envolta em uma garrafa de vidro escultural.

Inspirado pela neta de cinco anos, que o chama de “Nano”, Gehry criou uma enorme festa do chá ao estilo Alice no País das Maravilhas, com direito a um Chapeleiro Maluco. Essa peça, ao lado de colossais luminárias verticais de polivinil e cobre em formato de peixe suspensas no teto, será apresentada em sua mostra de escultura, que estreia em 24 de junho no espaço Gagosian, em Beverly Hills.

“Nesta fase da vida, ele está realmente livre para ser criativo sem compromisso ou colaboração. Frank Gehry acha divertido fazer o que quer”, explicou Deborah McLeod, diretora sênior da galeria.

Gehry 3
Modelo do Luma Arles, que será inaugurado na França neste ano. Foto: Erik Carter/The New York Times

Embora o arquiteto pareça estar um pouco mais curvado e seu cabelo mais fino, ele continua exalando uma empolgação infantil com os detalhes do design. Um exemplo é a forma como brincou com blocos de metal para o complexo artístico Luma Arles, de US$ 175 milhões, da patrona suíça Maja Hoffmann, com inauguração programada para o fim de junho. Ou a maneira como está testando um metal mais macio para conseguir um efeito de aquarela no projeto para o museu de medicina da Universidade de Medicina Chinesa em Taichung, Taiwan. “Ao dobrar o metal, você obtém uma bela superfície”, comentou Gehry.

Isso não quer dizer que ele não mantenha um ego saudável. Ao falar sobre o popular museu de arte contemporânea que projetou para a Fundação Louis Vuitton em 2014, o arquiteto disse: “Acho que acertamos muito bem.”

E ele claramente se orgulha de projetar residências particulares para clientes importantes, como o elegante complexo familiar em Cabo San Lucas, no México, para Hassan Mansur, do grupo automotivo Surman. Ou a “Meeting House” do Colorado que ele projetou com um telhado de aço inoxidável contornado para Michael e Jane Eisner, em 2018.

Talvez o mais notável seja o fato de o Guggenheim Bilbao ter se tornado a arquitetura de destino da moda, embora Gehry diga que está focado nos próximos desafios, e não nos que já superou. “Não sei se levo o crédito por coisa alguma. Não estou muito interessado nisso. Tenho orgulho do que fiz, mas olho para os projetos e vejo todas as coisas que eu deveria ter feito de forma diferente.”

De um projeto ele tem orgulho especial: o par de torres que fazem parte do empreendimento King Street em sua cidade natal, Toronto – o projeto mais alto do arquiteto até hoje. “Nova York tem o Rockefeller Center; é uma peça arquitetônica coerente, durável, que se mantém. Espero que o projeto da King Street se mantenha assim.”

Apontando para uma representação na parede, Gehry prosseguiu: “A rua da minha avó fica logo ali em cima e a loja de ferragens do meu avô ficava aqui, ou seja, aqui era o meu pedaço. A cidade nos deu uma altura extra, porque eu estava voltando para casa.”