Canadá coloca mulheres em postos-chave das forças armadas enquanto generais são investigados por ‘má conduta sexual’

Justin Trudeau, primeiro-ministro do país, afirmou que ‘há uma cultura de ações inaceitáveis nas forças armadas que já foi longe demais’
Reuters

Krista Brodie, brigadeiro-general das forças armadas canadenses, que foi nomeada oficial militar a cargo da logística das vacinas na Agência de Saúde Pública do Caanadá Foto: Reuters/Sailor 1st Class Anne-Marie Brisson/Canadian Forces

OTTAWA – O governo canadense está colocando mulheres em alguns dos postos militares mais importantes, incluindo uma general que será a responsável pela logística da vacinação contra a Covid-19. As mudanças acontecem depois de uma série de alegações de má conduta contra homens oficiais das forças armadas.

Os críticos reclamaram que as forças armadas não fizeram o suficiente para lidar com assédio sexual sistemático identificado em um relatório de 2015.

O almirante Art McDonald ficou apenas seis semanas no cargo de chefe de defesa, o oficial mais importante do Canadá, e deixou o cargo em fevereiro. O motivo foi revelado mais tarde: alegações de má conduta sexual. Ele não comentou o caso.

Seu antecessor, o general Jonathan Vance, está sendo investigado sobre reclamações de comportamento inapropriado com duas mulheres que eram suas subordinadas. Vance reconheceu um relacionamento, mas negou que o comportamento fosse impróprio.

Na última sexta-feira (14), o ministério da defesa anunciou que o major-general Dany Fortin, que coordenava a logística da vacinação, tinha se afastado enquanto era investigado. O advogado de Fortin não respondeu ao pedido de entrevista da agência de notícias Reuters, mas afirmou ao jornal canadense “Globe and Mail” que seu cliente nega as acusações, que não foram reveladas.

“Esta não é uma situação ideal para se estar, particularmente neste momento de crise”, disse o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau à imprensa. O furor pode prejudicar Trudeau, um declarado aliado do feminismo, que deve convocar eleições ainda em 2021. O Partido Conservador, de oposição, acusa Ottawa de agir muito lentamente e encobrir as alegações.

Na segunda (17), Fortin foi substituído pela brigadeira-general Krista Brodie, quem, segundo funcionários na área de saúde, jpa desempenhou um papel central na logística de vacinação.

Em março, o general Mike Rouleau, vice-chefe da equipe de defesa, foi substituído pela tenente-general Frances Allen, aprimeira mulher nesse cargo. Na sexta-feira (14), as forças armadas anunciaram promoções para três mulheres generais.

“Uma parte disso é tentar mostrar que as forças armadas canadenses são um lugar onde as mulheres podem servir plenamente, não importa qual seja a sua formação, você tem uma chance de ser bem-sucedida”, disse David Perry, analista de defesa no think tank Instituto Canadense de Assuntos Globais.

O gabinete do ministro da defesa Harjit Sajjan não respondeu ao pedido de entrevista feito pela agência de notícias Reuters.

Dados do minsitério da justiça mostram que no dia 7 de maio as mulheres eram cerca de 10% mais altos escalões militares e navais.

No mês passado, Ottawa colocou a recém-promovida tenente-general Jennie Carignan no comando de uma equipe que está lidando com a má-conduta sistêmica dentro das forças armadas. O governo canadense também pediu que Louise Arbour, que fooi juíza na Suprema Corte, lidere uma investigação sobre assédio militar e má conduta sexual. Mas isso vei omuito tarde para uma oficial que deixou seu posto em março, enojada com as acusações.

“Eu não estou encorajada por estarmos investigando nossos oficiais superiores. Estou enojada por termos demorado tanto para fazê-lo”, escreveu a tenente-coronel Eleanor Taylor em sua carta de renúncia.

A ex-oficial Leah West deu boas-vindas à investigação da juíza Arbour mas disse que o relatório de 2015 já tinha revelado o tamanho do problema. West afirmou que foi atacada em 2008 por um oficial superior mas não teve apoio de seu superior imediato e terminou em silêncio.

“Apesar de anos de evidência clara que a má conduta sexual é desenfreada na nossa cultura militar, nada aconteceu”, ela escreveu no “Globe and Mail”.

Perry disse que o sistema falhou claramente, notando que algumas acusações se estendem por décadas.

“O que vimos nos últimos meses é que há uma cultura de ações inaceitáveis nas forças armadas que já foi longe demais”, afirmou Trudeau na terça (18).

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