Maria Flor reflete sobre haters, relacionamentos abusivos e maternidade

Criadora da indignada personagem Flor Pistola da internet, atriz já foi ameaçada de morte: ‘Não imaginava que fosse ser tão agressivo’
Alessandra Medina

Poncho Hugo Boss, calça Petrucci para Dona Coisa, brincos Luisa Schröder, anel Bottega Veneta, pulseira Luisa Schröder e Vehr para Tami Foto: Renan Oliveira / Renan Oliveira
Poncho Hugo Boss, calça Petrucci para Dona Coisa, brincos Luisa Schröder, anel Bottega Veneta, pulseira Luisa Schröder e Vehr para Tami Foto: Renan Oliveira / Renan Oliveira

Os 49 quilos, distribuídos em 1,60m de altura, e o olhar suave de Maria Flor facilmente levariam um observador a tomá-la como frágil. No entanto, é só ela abrir a boca para vir o choque. Ao contrário de muitos colegas de profissão, a atriz, de 37 anos, não teme ser criticada por suas opiniões e faz questão de se posicionar sobre temas espinhosos, como política e maternidade.

Na pandemia, usou seu perfil no Instagram para mostrar a revolta de Flor Pistola, personagem criada para externar indignação diante das notícias. Acabou enfrentando um tsunami de ódio, fake news e até ameaças de morte por causa dos comentários sobre o presidente Jair Bolsonaro.

Jaqueta e brincos Salvatore Ferragamo, sobre blusa Farm e macacão Osklen Foto: Renan Oliveira
Jaqueta e brincos Salvatore Ferragamo, sobre blusa Farm e macacão Osklen Foto: Renan Oliveira

Foi também durante a quarentena que a atriz pôs o ponto final no livro “Já não me sinto só”, romance lançado no mês passado pela editora Planeta. Entre as gravações do canal Flor e Manu, que mantém na internet com o marido, o ator Emanuel Aragão, para falar sobre relacionamento e sexualidade, e da novela “Um lugar ao sol”, próxima trama das nove da Globo, em que vai interpretar uma manicure vítima da violência doméstica, a atriz conversou com a ELA.

O GLOBO: Como surgiu a ideia de fazer o livro?

Comecei a escrevê-lo em 2017 para ser um roteiro de filme. É a história de uma mulher que termina um relacionamento de anos e se encontra perdida, sem saber como se reinventar. Quando a gente encerra uma relação, precisa virar outra pessoa. Por mais que seja duro, e às vezes a gente não se sinta incrível, é necessário perceber que consegue dar conta. A lição do livro que fica é para cima, de que você pode tudo. Só que, no meio do caminho, vi que ia dar muito trabalho transformar o projeto em filme e acabei mostrando o texto para um editor da Planeta. Ele gostou da sinopse e perguntou se queria fazer o “Já não me sinto só”. Era um desafio porque escrever exige disciplina. Só terminei agora, na pandemia.

Tricô Le Lis Blanc, saia Vix Paula Hermanny, brincos HStern, anel Bottega Veneta Foto: Renan Oliveira
Tricô Le Lis Blanc, saia Vix Paula Hermanny, brincos HStern, anel Bottega Veneta Foto: Renan Oliveira

A personagem se chama Maria e também é atriz. A história é autobiográfica?

Algumas partes, sim, outras são pura ficção. Usei meu nome de propósito. A minha ideia é bagunçar a cabeça do leitor e fazê-lo questionar sobre o que pode ser verdade ou não.

Sofreu preconceito por ser uma atriz que escreve?

Sofri, sim. Dei entrevistas para veículos que só cobrem literatura. E fui subestimada, sabe? Não me levaram a sério. Não achei que, quem estava conversando comigo, estava me respeitando.

Cardigan e top Bo.Bô, saia Amaro, brincos Sara Joias, pochete Bottega Veneta, pulseira Luisa Schröder; Edição de moda: Patricia Tremblais.Beleza: Fox Goulart. Assistentes de fotografia: Bia Novaes e Felippe Costa. Produção de moda: Sofia Esquenazi. Flower designer: Felippe de Araújo. Produção executiva: André Storari e Christiano Mattos.Tratamento de imagens: Junior Reis. Agradecimentos: Villa Paranaguá Hotel & SPA, Flor.idas eGula Gula Restaurante Foto: Renan Oliveira
Cardigan e top Bo.Bô, saia Amaro, brincos Sara Joias, pochete Bottega Veneta, pulseira Luisa Schröder; Edição de moda: Patricia Tremblais.Beleza: Fox Goulart. Assistentes de fotografia: Bia Novaes e Felippe Costa. Produção de moda: Sofia Esquenazi. Flower designer: Felippe de Araújo. Produção executiva: André Storari e Christiano Mattos.Tratamento de imagens: Junior Reis. Agradecimentos: Villa Paranaguá Hotel & SPA, Flor.idas eGula Gula Restaurante Foto: Renan Oliveira

Qual pergunta mais te incomodou?

Por que o seu livro tem frases tão curtas? Respondi que, independentemente de ele ter frases curtas, minha intenção era contar uma história. E isso consegui fazer. Achei uma falta de respeito. Se tivesse feito frases longas, provavelmente, iam criticar também. Você pode achar o livro uma porcaria, mas é um trabalho. Fiquei triste no dia.

Você vem travando batalhas digitais com o presidente Bolsonaro. Acha importante que pessoas públicas se posicionem?

Não sei se é importante para as pessoas públicas, sei que é importante para mim. Estava cansada de não usar a internet com aquilo que acredito, falando sobre assuntos que me incomodam, que me deixam indignada. Por isso inventei a Flor Pistola. Muita gente não entende que é uma personagem. Como ela não tem uma caracterização, confundem comigo. Mas não acho de todo ruim, não me sinto incomodada por isso. A rede social é assim: esse limite entre o que é ficção e o que é realidade. A vida das pessoas nas redes sociais não é aquilo que elas mostram. Aquele é um enquadramento do que elas decidiram mostrar do cotidiano delas. A Flor Pistola não sou eu, mas tem a indignação que eu tenho sobre alguns assuntos. Confesso que ela me salva. É tanta notícia ruim que a gente está ficando entalado. É bom colocar para fora. Esse governo não nos dá um dia de paz.

Tricô, body e tênis Dolce&Gabbana. Anel HStern. Brincos HStern. Meias Calzedonia.Flores Flor.idas Foto: Renan Oliveira
Tricô, body e tênis Dolce&Gabbana. Anel HStern. Brincos HStern. Meias Calzedonia.Flores Flor.idas Foto: Renan Oliveira

Recebe muitas críticas por fazer a Flor Pistola?

No início, muitas pessoas ficavam incomodadas com o fato de ela falar muito palavrão. Quer dizer que uma mulher não pode xingar? Se fosse um homem, isso não seria uma questão. Nossos governantes falam palavrão e todo mundo acha normal. Agora, chega uma mulher falando, é um choque. Isso é machismo, censura.

E os fãs do presidente deixam muitos comentários…

Recebo uma enxurrada de ataques. Já pegaram a minha foto e colocaram em vários perfis bolsonaristas. Você nota que tem uma organização para aquilo se espalhar com velocidade. Quando inventei a personagem, sabia que poderia ser atacada, mas não imaginava que fosse tão agressivo. Conseguiram meu celular e me mandaram um recado por aplicativo de mensagem, dizendo que sabiam onde eu morava… Fizeram, inclusive, ameaças de morte. Também inventaram que a minha produtora, a Fina Flor Filmes, fez uma captação de 10 milhões pela Lei Rouanet e que eu tinha sumido com o dinheiro.

Já se arrependeu de alguma postagem que fez?

Eu me arrependo de ter feito um comentário sobre o presidente num vídeo do Flor e Manu. Nosso canal não tem nada a ver com política. Disse que queria esfregar a cara dele no asfalto quente. Era uma figura de linguagem, mas caí nas redes bolsonaristas.

O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, disse que apoiar o presidente é falta de caráter. Concorda?

É um absurdo, mas tenho que pensar que os apoiadores não se informam pelos mesmos meios de comunicação que eu. Quando você participa de grupos em aplicativos de mensagens de bolsonaristas, as notícias compartilhadas são surreais. Existem veículos que consertam as besteiras que o presidente fala.

Você sempre teve esse jeito indignado?

Sempre fui agitada. Hoje, tento ser mais razoável. Não xingo mais as pessoas no trânsito, por exemplo. Mentira! Outro dia, tinha um grupo de ciclistas parado num bar, bebendo, e sem máscara. Passei de carro e gritei: “Bota a máscara, porra!”.

Ainda acha sensato enfrentar a polícia para combater o racismo como fez quando namorava o ator Jonathan Haagensen?

Tive consciência do que aconteceu muito tempo depois. (Numa blitz no morro do Vidigal, onde o namorado morava, Maria Flor gritou com um policial). Quando reagi à polícia, quis defendê-lo. Queria falar que só estavam parando a gente porque éramos uma menina branca com um negro, na favela. Fui inconsequente e fiz ele passar por algo que evitou a vida toda que é parar na delegacia.

Sua personagem, na próxima novela das nove, terá um relacionamento abusivo com o marido. Já passou por algo semelhante?

Suportei ofensas e discussões que hoje em dia sei que extrapolaram o limite do respeito. Toda mulher passa por uma experiência machista na vida. Já tive namorado que me diminuiu, controlou o horário que eu chegava em casa, a minha roupa, a quantidade de bebida, com quem dançava na festa… O machismo básico que existe na sociedade.

Você pensa em ter filhos?

Martim, meu enteado de 7 anos, mora com a gente desde os 3. Então, tenho pensado muito sobre a maternidade. Sinto uma mistura difícil de explicar. Sabe aquela sensação de “Deus me livre, mas quem me dera?” É isso. Quero, mas confesso que tenho receio da transformação que um filho causa na vida de um casal. Rejeito a ideia de que mulheres são obrigadas a ser mães. Ao mesmo tempo, sinto medo de chegar aos 60 e me arrepender. Acredito que tenha que ser uma escolha. Não pode ser uma obrigação. A sociedade impõe isso. Existe cobrança em todas as fases…

Como assim?

Depois que a mulher é mãe, cobram que ela volte à forma antiga rapidamente. Isso sem mencionar o trabalho que é cuidar de um bebê e ter de achar tudo lindo. Nada na maternidade pode ser questionado. É desumano.

Quais outras cobranças te incomodam?

A gente tem ser mãe, casada, bem-sucedida, gostosa e boa de cama. Quem é que consegue dar conta dessa imagem de perfeição? Para os homens é bem mais fácil. A gente também é muito mais julgada quando o assunto é sexo.

Explique isso melhor…

A mulher tem que ser boa de cama para o marido dela. Se for solteira, não pode sair transando com quem ela sente vontade porque é tachada de promíscua. Já avançamos muito, mas o caminho é longo.

B Fyne | Resort 2020 | Full Show

B Fyne | Resort 2020 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video – Miami Swim Week)

Martin Felix Kaczmarski – Shells/Pennaria Coral/Ocean Swell

Daniel Fisher’s Behind The Scenes Tour of the Moog Factory

Daniel Fisher, o maníaco por Moog da Sweetwater, comemorou o aniversário de Bob Moog com uma viagem para a Moog Factory em Asheville, NC, para uma visão abrangente dos bastidores do cuidado e da habilidade de cada sintetizador que eles fazem. Ao longo do caminho, ficamos impressionados com a surpreendente amplitude de conhecimento e paixão absoluta que cada membro da família Moog dedica ao trabalho. O legado de Bob Moog vive forte nas mãos desses artesãos e dos músicos que tocam os instrumentos que eles constroem!

0:00 – Intro

1:42 – Quality Department

2:35 – Mother32 Ecosystem

4:30 – Building Moog Grandmothers and Moog Matriarchs

6:46 – Designing the Moog Matriarch

9:07 – Building Moog’s Legacy Products, Subsequents, & Theremins

11:21 – Building the Moog One

12:22 – Calibrating Moog Synthesizers

15:36 – Final Quality Assurance

17:16 – In the Moog Warehouse

18:11 – Moog Service and Support

19:13 – Moog Artist Relations

21:23 – Reflections from the Moog Team

23:05 – Thanks for Watching!

Lil Nas X faz performance incrível de “MONTERO” no SNL – confira

Astro encerrou temporada do programa com apresentação sensual
CAMILA SOUSA

Lil Nas X fez uma performance impressionante de “MONTERO (Call Me By Your Name)”, encerrando a temporada atual do Saturday Night Live. O astro entregou uma apresentação sensual e chegou a rasgar a calça  enquanto fazia um pole dance.

Após a apresentação, Lil Nas X se tornou um dos assuntos mais comentados do Twitter, com fãs elogiando a sensualidade do astro no palco.

Lil Nas X nasceu em 1999 e estourou nas paradas musicais em 2019 com o single “Old Town Road”, após a música se tornar viral no TikTok. A canção ficou 19 semanas no topo da parada Billboard Hot 100 e rendeu dois prêmios do MTV Video Music Awards ao astro.

O último lançamento de Lil Nas X é o álbum 7 EP, que além da versão original de “Rodeo” com participação de Cardi B, também contém o hit “Old Town Road”.

Décima edição do Veste Rio, 100% digital, começa com talk de Oskar Metsavaht

Até julho, evento promoverá salão de negócios, mentorias, com a participação de Gloria Pires e Fiorella Mattheis, e master classes
Marcia Disitzer

Veste Rio: desfile de David Lee em 2019 Foto: Daniel Ramalho / Daniel Ramalho/Agência O Globo

Amoda resiste aos desafios impostos pela pandemia e o Veste Rio não para de se reinventar. Entre os dias 24 de maio e 4 de julho, acontece a décima edição da maior plataforma de moda do país. Em formato 100% digital, o evento vai fortalecer, mais uma vez, o desenvolvimento do setor, estimulando a geração de negócios e a reflexão sobre temas que movem uma indústria que é a segunda maior empregadora do Brasil, só perdendo para o segmento de alimentos e bebidas. Business, talks, mentorias e master classes vão reunir e entrelaçar marcas, compradores, estilistas, empresários, estudantes e o público.

Uma das novidades deste ano no Salão de Negócios — que terá a participação de mais de 25 grifes de todo o Brasil, como Osklen, Isabela Capeto, Maria Pavan e Ella Brand by Vix, comercializando as coleções de verão 2022 — é a parceria com a maior plataforma global de atacado do setor: a JOOR. Com sede em Nova York e escritórios em todo o mundo, a plataforma conecta mais de 12 mil etiquetas com 300 mil varejistas em 144 países todos os dias. “A indústria da moda teve de adaptar processos desde o início da pandemia, e a ponta de vendas sofreu uma grande transformação digital. Esta edição vai contribuir para a geração de negócios ao conectar marcas e compradores em uma solução de tecnologia de primeira linha”, diz a diretora geral das Edições Globo Condé Nast, Paula Mageste.

O evento começa amanhã: o talk de abertura, às 18h30, terá dois convidados especiais, Oskar Metsavaht, fundador e diretor criativo da Osklen, à frente do Instituto-E, e Patricia Audi, vice-presidente de Comunicação, Marketing, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Santander Brasil. A mediação do bate-papo será da editora-chefe da Revista ELA, Marina Caruso. “O Veste Rio colabora com o tripé do negócio da moda, aproximando marcas, indústria e o comércio em um evento que promove novos designers e marcas estabelecidas com a cultura da cidade e em busca de uma forma sustentável”, observa Oskar.

A conversa vai ser transmitida ao vivo, direto do Work Café Santander (sem público e respeitando as regras de segurança da pandemia), por meio dos canais digitais da ELA, O GLOBO e Vogue. O tema não poderia ser mais atual e urgente: “Estratégias para reduzir o impacto da indústria da moda no meio ambiente”. Para participar, basta se inscrever no site do evento (vesterio.rio).

Segundo Marina Caruso, a discussão é fundamental. “Embora seja uma das indústrias que mais emprega mulheres no mundo, a moda é também uma das mais poluentes. Pensar em formas de reduzir seus impactos no meio ambiente é pensar em sua longevidade. A sustentabilidade não poderia deixar de  ser o tema central desta décima edição do Veste Rio”, analisa.

E o talk é apenas o começo: nos dias 8 e 9 de junho, haverá um ciclo de mentorias com a participação de nomes como a atriz e empresária Gloria Pires, com a sócia Betty Prado, da Bemglô, que estimula o consumo consciente, e a atriz e empresária Fiorella Mattheis, fundadora da empresa de moda circular Gringa. Vendas por meio de redes sociais e sustentabilidade serão alguns dos temas abordados. As mentorias ocorrerão em uma plataforma fechada, com acesso gratuito mediante inscrição. Já as master classes Santander acontecerão nos dias 14 a 18 de junho e 21 de junho. Os encontros virtuais têm como objetivo abordar a relevância dos polos de moda mais expressivos do Brasil.

Consciente de seu papel social, o Veste Rio também levanta duas bandeiras: o Movimento Compre Local, que trará dicas, nas redes sociais e nas páginas da ELA e da Vogue, de cariocas descoladas sobre lojas e pequenas marcas do Rio, valorizando, assim, o comércio da cidade, e o Manifesto Moda Além da Moda, cujo objetivo é apoiar toda a cadeia produtiva. Vem com a gente?

O Veste Rio é apresentado pelo Santander com realização das revistas ELA e Vogue Brasil.

Loki precisa levar as coisas à sério em novo teaser da série do Disney+

Produção estreia no começo de junho
CAMILA SOUSA

Marvel divulgou um novo teaser da série do Loki, que mostra que o Deus da Trapaça precisa começar a levar as coisas à sério.

Loki revelará o que aconteceu com o personagem após os eventos de Vingadores: Ultimato. Além de Tom HiddlestonOwen WilsonGugu Mbatha-RawSophia Di Martino Richard E. Grant também estão no elenco da série.

A estreia está marcada para o dia 9 de junho no Disney+ e a produção terá episódios inéditos às quartas-feiras.

Morre Paulo Mendes da Rocha, gênio da arquitetura brasileira

Segundo brasileiro a vencer o Pritzker deixa um legado de traços sólidos e forte dimensão política
POR NÁDIA SIMONELLI

Paulo Mendes da Rocha (1928-2021)

Morreu na madrugada deste domingo (23/5) o arquiteto Paulo Mendes da Rocha (1928-2021). A arquitetura brasileira perde seu mais notável representante após a partida de Oscar Niemeyer, que deixa um impressionante legado, essencial para o desenvolvimento de nossas cidades, à disposição de novos arquitetos e urbanistas. O capixaba Paulo Mendes da Rocha  fez parte da icônica geração de modernistas da Escola Paulista, liderada por João Batista Vilanova Artigas, com quem trabalhou antes de abrir seu próprio escritório, e assinou obras emblemáticas pelo Brasil afora, principalmente na cidade de São Paulo. Em 2006, sua trajetória foi coroada com o prêmio Pritzker, o mais importante reconhecimento da arquitetura mundial.

Mendes da Rocha se formou como arquiteto e urbanista pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 1954, e fez parte de uma das primeiras turmas da instituição. Desde de seu primeiro grande projeto, o ginásio do Clube Atlético Paulistano, a obra de Artigas já se mostrava uma grande influência. Concreto armado aparente, grandes espaços abertos e estruturas racionais caracterizavam a Escola Paulista da arquitetura brasileira. A corrente se preocupava em promover obras cruas, limpas, claras e socialmente responsáveis – a inspiração estética do movimento vinha do Brutalismo europeu.

Em 1961, o arquiteto passou a ministrar aulas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Nesse momento, professores e alunos iniciavam um intenso debate sobre o papel social dos arquitetos. O governo militar, instaurado no país em 1964, não tolerou a discussão e cassou os direitos políticos de Mendes da Rocha em 1969, o que o proibiu de ministrar suas aulas. Somente em 1980 ele retornou à universidade e em 1998 se aposentou compulsoriamente.

Sua obra foi reverenciada em várias partes do mundo e em razão disso, recebeu diversas premiações. Entre as mais importantes, estão o Prêmio Mies van der Rohe para a América Latina, pelo projeto de reforma da Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2001, e o Pritzker, em 2006. Em março de 2015, recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade de Lisboa e em maio de 2016 ganhou o Leão de Ouro da Bienal de Veneza. Ao longo desses anos, sua obra é aclamada pela crítica e certamente atua como uma importante fonte de inspiração para a nova safra de arquitetos brasileiros.

Abaixo, conheça os principais projetos que levam o traço racional do eterno mestre Paulo Mendes da Rocha.    

Ginásio do Clube Atlético Paulistano (1961)

Ginásio do Clube Paulistano, por Paulo Mendes da Rocha (Foto: Leonardo Finotti)

Criado em parceria com João de Gennaro, o ginásio do clube localizado nos Jardins, em São Paulo, possui uma cobertura que se destaca no conjunto. Seis pilares de concreto, aparentes e dispostos em círculo, apoiam a marquise com mais de 12,5 metros de diâmetro.


Casa no Butantã (1964)

Casa Butantã, por Paulo Mendes da Rocha (Foto: Adriana Yin, Luca Caiaffa e Nels)
Casa Butantã, por Paulo Mendes da Rocha (Foto: Adriana Yin, Luca Caiaffa e Nels)


Projetada para ser a residência de Paulo Mendes da Rocha e de sua irmã, a casa no Butantã, em São Paulo, na verdade são duas, com plantas e estruturas praticamente iguais. Cada uma delas é formada por um único pavimento, elevado por quatro pilares. Com poucas divisões e sem janelas nos quartos, configuram-se como casas que se voltam para dentro.


Edifício Guaimbê (1965)

Edifício Guaimbê. por Paulo Mendes da Rocha (Foto: Leonardo Finotti)

Situado na rua Haddock Lobo, em São Paulo, o Edifício Guaimbê possui uma fachada de concreto aparente e não há um portão para separá-lo da calçada. As laterais do prédio são marcadas pela presença de brises, que permitem a entrada de luz e ao mesmo tempo garantem a privacidade dos moradores. No interior, não há corredores e as paredes fazem curvas para separar os ambientes.


Estádio Serra Dourada (1975)

Estádio Serra Dourada, por Paulo Mendes da Rocha (Foto: Leonardo Finotti)


Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) (1986)

MuBE, por Paulo Mendes da Rocha (Foto: Igor Schutz)

Um dos projetos mais significativos da obra de Paulo Mendes da Rocha, o MuBE, em São Paulo, é formado por uma enorme viga perpendicular à via principal e um vão livre de 60 metros. As áreas de exposição ficam localizadas abaixo do nível da rua, o que traz silêncio e uma aconchegante atmosfera de contemplação. O próprio museu já é uma escultura arquitetônica, que integrada ao jardim projetado por Burle Marx, ganha um caráter ainda mais especial.


Capela de São Pedro Apóstolo (1987)

Capela de São Pedro, por Paulo Mendes da Rocha (Foto: Cristiano Mascaro)

A arquitetura limpa e clara dessa capela, em Campos do Jordão, exprime as principais características de toda a obra de Paulo Mendes da Rocha. Com estrutura de concreto armado e paredes de vidro, o público pode visualizar a exuberante paisagem da região. Envolvida em uma atmosfera mágica, a moldura de vidro da capela reflete o céu, as pessoas e o entorno, confundindo quem está dentro e fora. Assim, a nave também é refletida em um espelho d’água, onde está o batistério. Um só pilar sustenta nave, coro e teto.


Reforma da Pinacoteca do Estado de São Paulo (1988)

Pinacoteca do Estado de São Paulo, por Paulo Mendes da Rocha (Foto: Leonardo Finotti)

Originalmente projetado por Ramos de Azevedo em 1805, o prédio onde está instalada a Pinacoteca do Estado passou por uma reforma na década de 1990, orientada por um projeto assinado por Paulo Mendes da Rocha. A atualização da construção era necessária e principalmente dar a ela uma infraestrutura mais funcional. Para isso, construíram um elevador para transporte de materiais e de público, novos banheiros e os espaços de depósito e acervo foram ampliados. O laboratório de restauro, a biblioteca e toda a rede elétrica também foram readequados. Os pátios internos ganharam coberturas com estrutura metálica e vidro laminado, apoiadas sobre as estruturas de alvenaria. Assim, esse espaço ficou protegido da chuva e se tornou adequado para receber exposições.
 


Casa Gerassi (1989)

Casa Gerassi, por Paulo Mendes da Rocha (Foto: Leonardo Finotti)

Nesse projeto,em São Paulo, Paulo Mendes da Rocha inovou ao utilizar um recurso construtivo pouco visto na época: o sistema pré-moldado, comum, até então, em edifícios públicos. O volume superior, onde ficam os ambientes, está apoiado em pilares, formando um vão de 15 metros, que abriga a garagem. No interior, os espaços são fluidos, o que promove maior interação entre a família. A iluminação natural e a ventilação são abundantes, facilitadas pelas amplas aberturas nas laterais e na laje.


Projeto para cobertura da Galeria Prestes Maia, Praça do Patriarca (2002)

Arco na Praça do Patriarca, por Paulo Mendes da Rocha (Foto: Fernando Östlund / reprodução)

Um pórtico metálico conecta o centro velho com o novo, em São Paulo. A cobertura, apoiada somente pela estrutura na parte superior, possui um desenho elegante, que se assemelha às asas dos aviões. Abaixo dela, há um vão de 40 metros, onde há abrigo e sombra. Essa obra é fruto de uma parceria entre a Associação Viva o Centro e a Prefeitura de São Paulo e tinha como objetivo auxiliar na revitalização do centro da cidade. A praça só foi possível após a demolição de um quarteirão inteiro, antes tomado por paradas de ônibus.


Reforma da Estação da Luz e Museu da Língua Portuguesa (2006)

Museu da Língua Portuguesa, por Paulo Mendes da Rocha (Foto: Leonardo Finotti)

O maior desafio do arquiteto nessa empreitada foi implantar um museu moderno em um prédio histórico, além de não prejudicar o fluxo de passageiros na Estação da Luz, em São Paulo. Assim, a visitação ocorre de maneira inusitada, de cima para baixo. Para dar maior conforto aos visitantes, foram instalados quatro novos elevadores, o que demandou a abertura de grandes vãos na laje do edifício. Uma cobertura de metal e vidro, cujo desenho lembra a da Pinacoteca, foi instalada sobre os pátios.


Museu dos Coches (2008)

Museu dos Coches, por Paulo Mendes da Rocha (Foto: Fernando Guerra / reprodução)

Em Lisboa, o Museu dos Coches é marcado pela fluidez entre espaços públicos e privados. No térreo, está a entrada do museu, uma cafeteria e a loja, além de uma grande praça. Nesse espaço todos os ambientes possuem paredes de vidro para criar uma sensação de integração com o exterior. Para chegar às salas de exposição, os visitantes utilizam um elevador, também de vidro. Há também um edifício anexo, feito de concreto e aço, que abriga a administração da entidade e a biblioteca, além de outro, onde está o restaurante.


Cais das Artes (2013)

Cais das Artes, por Paulo Mendes da Rocha (Foto: Metro Arquitetos / divulgação)

O primeiro projeto do arquiteto construído em sua cidade natal, Vitória, reúne um museu e um teatro, equipados para receber eventos de arte de grande porte. A principal característica do conjunto arquitetônico, localizado na Enseada do Suá, é a valorização da paisagem e da história da cidade. Por isso, Paulo decidiu suspender os edifícios do solo e criar uma praça aberta à população da cidade. Esse projeto foi criado em conjunto com o escritório METRO.

Ragnarok | Netflix divulga trailer completo da 2ª temporada

Netflix divulgou o trailer completo da 2ª temporada Ragnarok, seria original norueguesa da plataforma.
CAMILA SOUSA

Confira a sinopse do segundo ano: “Imagine que você é um estudante de 17 anos e acabou de descobrir que precisa enfrentar um inimigo extremamente poderoso que está dominando uma cidade inteira, talvez até mesmo um país. O que você faria? Magne está em busca de respostas e de aliados, mas será que ele conseguirá a tempo?”

Ragnarok se passa na pequena e fictícia cidade norueguesa de Edda, e envolve habitantes que não são o que dizem ser. Quando icebergs derretem em uma questão de dias, e o inverno é quente e seco, um grupo de adolescentes entra em pânico a medida que mudanças drásticas no clima começam a atingir o planeta. O grupo de amigos não tem dúvida: estes desastres naturais são sinais do apocalipse, ou Ragnarok, no idioma nórdico. Enquanto isso, um jovem sente que pode estar se tornando um tipo de deus.

Com produção executiva e roteiro de Adam Price (Borgen), o primeiro ano de Ragnarok está disponível na Netflix. 

A 2ª temporada estreia em 27 de maio.

Apartamento com home office vira novo sonho do brasileiro na pandemia

Como reflexo das mudanças incentivadas pela covid, plantas já incorporam espaços para o trabalho em casa; salas multiúso e mais privativas também fazem parte dos projetos
Bianca Zanatta, O Estado de S.Paulo

Home office
Nortis colocou home office independente em seu empreendimento em Pinheiros. Foto: Marco Antonio/Nortis

Se no começo da pandemia a corrida geral foi para adaptar ambientes da casa para teletrabalho, ensino a distância, atividades físicas e convívio familiar, agora as pessoas querem morar em imóveis que já estejam prontos para atender às demandas do “novo normal”. Segundo a 4.ª rodada da pesquisa Influência do Coronavírus no Mercado Imobiliário Brasileiro, realizada pelo DataZap (braço de inteligência imobiliária da Zap+), a pandemia não só fez a busca por imóveis crescer, como também mudou as características mais desejadas na nova casa.

O levantamento apontou que quatro em cada dez brasileiros aumentaram as buscas por imóveis em março deste ano. No mesmo período do ano passado, esse número era de quatro consumidores em cada cem. Para 62% dos entrevistados, o imóvel precisa ter ambientes bem divididos, enquanto 45% consideram importante ou muito importante morar em uma casa, por conta do espaço. Além disso, 9% dos compradores disseram que sua procura mudou em decorrência de alterações nas características desejadas. Em março de 2020, esse número era de apenas 0,1%.

De acordo com Edivaldo Constantino, economista do DataZap, com mais tempo em casa por conta do home office e das medidas de isolamento social, as pessoas passaram a enxergar o ambiente em que vivem com outros olhos. “Mais pessoas da mesma família passaram a ficar mais tempo dentro de casa dividindo o mesmo espaço, o que aumentou a necessidade de ambientes dedicados e adequados para o trabalho remoto”, afirma o especialista. “O mercado imobiliário aproveitou a oportunidade para se adaptar à nova realidade, por exemplo, implementando plantas que atendam a essa demanda.”

Independente e multiúso

De fato, entendendo que o trabalho remoto veio para ficar, algumas construtoras já estão incorporando a mudança comportamental a seus futuros projetos e lançamentos. É o caso da Nortis, que uniu moradia e home office independente em seu novo empreendimento Esquina Pinheiros, localizado no bairro de Pinheiros, na zona oeste paulistana. Desenvolvido em um terreno de quase 1,5 mil m², o complexo vai reunir apartamentos residenciais, studios, salas comerciais e lojas e oferece como alternativa uma sala de 11 a 21 m² para que o comprador possa montar seu home office separado do apartamento, em uma área batizada de “setor office”. As 65 unidades dessa parte estarão divididas entre o 1.º e o 5.º pavimentos do complexo.

A ideia foi motivada pela percepção da construtora de que as pessoas precisam de mais privacidade no cotidiano em casa, segundo Lucas Tarabori, diretor de marketing, vendas e novos negócios da Nortis. “Com a pandemia e os novos hábitos, vêm também as novas necessidades de espaços, como home office, studio de pilates, sala de leitura, escritório e outros usos”, explica. “Esses diversos usos encontram com certeza um público que necessita de mais espaço e de mais privacidade.”

Escritório mais perto

A incorporadora Benx também adotou de vez a prática do home office na estrutura do Parque Global – maior empreendimento imobiliário da América Latina, localizado às margens do Rio Pinheiros, também em São Paulo. Com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 11,5 bilhões, o Parque Global consiste em três projetos: as “residências internacionais” – cinco torres residenciais independentes, com nomes de parques conhecidos do mundo –, um shopping center e um complexo de inovação, saúde e educação. Além de trazer a ideia de um espaço para trabalhar ou estudar de volta para a suíte master do apartamento – como nos quartos de antigamente, em que a escrivaninha costumava sempre compor o mobiliário dos quartos, incluindo o de casal –, o megaempreendimento terá um business center inteiramente voltado às pessoas que trabalham em esquema de home office.

“Sentimos a necessidade de criar um espaço onde as pessoas tenham privacidade ao trabalhar sem precisar se deslocar”, diz André De Marchi, diretor do Parque Global. “Com isso geramos um maior conforto ao morador, com os benefícios do home office, porém sem as interferências domésticas do dia a dia.”

Com capacidade para 30 pessoas, o projeto de 150 m² terá onze estações de trabalho, duas cabines com isolamento acústico para reuniões virtuais e videoconferências, quatro salas para reuniões presenciais e um lounge para receber visitantes, com máquina de café e lockers para guardar mochilas e bolsas. A ideia, de acordo com a incorporadora, é que os moradores tenham um escritório completo à distância de uma viagem de elevador.