Apartamento com home office vira novo sonho do brasileiro na pandemia

Como reflexo das mudanças incentivadas pela covid, plantas já incorporam espaços para o trabalho em casa; salas multiúso e mais privativas também fazem parte dos projetos
Bianca Zanatta, O Estado de S.Paulo

Home office
Nortis colocou home office independente em seu empreendimento em Pinheiros. Foto: Marco Antonio/Nortis

Se no começo da pandemia a corrida geral foi para adaptar ambientes da casa para teletrabalho, ensino a distância, atividades físicas e convívio familiar, agora as pessoas querem morar em imóveis que já estejam prontos para atender às demandas do “novo normal”. Segundo a 4.ª rodada da pesquisa Influência do Coronavírus no Mercado Imobiliário Brasileiro, realizada pelo DataZap (braço de inteligência imobiliária da Zap+), a pandemia não só fez a busca por imóveis crescer, como também mudou as características mais desejadas na nova casa.

O levantamento apontou que quatro em cada dez brasileiros aumentaram as buscas por imóveis em março deste ano. No mesmo período do ano passado, esse número era de quatro consumidores em cada cem. Para 62% dos entrevistados, o imóvel precisa ter ambientes bem divididos, enquanto 45% consideram importante ou muito importante morar em uma casa, por conta do espaço. Além disso, 9% dos compradores disseram que sua procura mudou em decorrência de alterações nas características desejadas. Em março de 2020, esse número era de apenas 0,1%.

De acordo com Edivaldo Constantino, economista do DataZap, com mais tempo em casa por conta do home office e das medidas de isolamento social, as pessoas passaram a enxergar o ambiente em que vivem com outros olhos. “Mais pessoas da mesma família passaram a ficar mais tempo dentro de casa dividindo o mesmo espaço, o que aumentou a necessidade de ambientes dedicados e adequados para o trabalho remoto”, afirma o especialista. “O mercado imobiliário aproveitou a oportunidade para se adaptar à nova realidade, por exemplo, implementando plantas que atendam a essa demanda.”

Independente e multiúso

De fato, entendendo que o trabalho remoto veio para ficar, algumas construtoras já estão incorporando a mudança comportamental a seus futuros projetos e lançamentos. É o caso da Nortis, que uniu moradia e home office independente em seu novo empreendimento Esquina Pinheiros, localizado no bairro de Pinheiros, na zona oeste paulistana. Desenvolvido em um terreno de quase 1,5 mil m², o complexo vai reunir apartamentos residenciais, studios, salas comerciais e lojas e oferece como alternativa uma sala de 11 a 21 m² para que o comprador possa montar seu home office separado do apartamento, em uma área batizada de “setor office”. As 65 unidades dessa parte estarão divididas entre o 1.º e o 5.º pavimentos do complexo.

A ideia foi motivada pela percepção da construtora de que as pessoas precisam de mais privacidade no cotidiano em casa, segundo Lucas Tarabori, diretor de marketing, vendas e novos negócios da Nortis. “Com a pandemia e os novos hábitos, vêm também as novas necessidades de espaços, como home office, studio de pilates, sala de leitura, escritório e outros usos”, explica. “Esses diversos usos encontram com certeza um público que necessita de mais espaço e de mais privacidade.”

Escritório mais perto

A incorporadora Benx também adotou de vez a prática do home office na estrutura do Parque Global – maior empreendimento imobiliário da América Latina, localizado às margens do Rio Pinheiros, também em São Paulo. Com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 11,5 bilhões, o Parque Global consiste em três projetos: as “residências internacionais” – cinco torres residenciais independentes, com nomes de parques conhecidos do mundo –, um shopping center e um complexo de inovação, saúde e educação. Além de trazer a ideia de um espaço para trabalhar ou estudar de volta para a suíte master do apartamento – como nos quartos de antigamente, em que a escrivaninha costumava sempre compor o mobiliário dos quartos, incluindo o de casal –, o megaempreendimento terá um business center inteiramente voltado às pessoas que trabalham em esquema de home office.

“Sentimos a necessidade de criar um espaço onde as pessoas tenham privacidade ao trabalhar sem precisar se deslocar”, diz André De Marchi, diretor do Parque Global. “Com isso geramos um maior conforto ao morador, com os benefícios do home office, porém sem as interferências domésticas do dia a dia.”

Com capacidade para 30 pessoas, o projeto de 150 m² terá onze estações de trabalho, duas cabines com isolamento acústico para reuniões virtuais e videoconferências, quatro salas para reuniões presenciais e um lounge para receber visitantes, com máquina de café e lockers para guardar mochilas e bolsas. A ideia, de acordo com a incorporadora, é que os moradores tenham um escritório completo à distância de uma viagem de elevador.

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