Giovanna Nader e a sua sustentabilidade sem neuras e moralismos: ‘ser uma mãe lixo zero é uma pressão gigantesca’

A consultora de moda sustentável lança esta semana o livro “Com que roupa?”, que funciona como um guia de como reinventar a relação com o consumo
Lívia Breves

A consultora de moda sustentável lança esta semana o livro “Com que roupa?”, que funciona como um guia de como reinventar a relação com o consumo Foto: Sher Santos | Edição de moda LARISSA LUCCHESE

O primeiro ambiente que a consultora de moda sustentável Giovanna Nader, de 35 anos, apresenta a quem chega em sua nova casa é a horta. Um sonho antigo, mas que a mineira que viveu temporadas em Barcelona (onde se formou em Branding pela Universitat Pompeu Fabra) e em São Paulo antes de fincar os pés no Rio, não havia realizado em nenhum dos endereços onde morou. Ela, o marido Gregório Duvivier, de 35 anos, e a filha Marieta, de 3, se aconchegaram no novo lar ao mesmo tempo em que a plantação foi tomando forma. Hoje, toda a salada verde consumida pela família já vem do quintal. “Realizei meu sonho da horta própria. Não há nada mais prazeroso do que comer o que você mesmo cuidou. Comecei há seis meses, plantei PANCs, principalmente, e agora já está tudo enorme. Tiro o meu sábado para ficar com a mão na terra”, conta ela.Vinagreira, amaranto africano, almeirão, couve, tomate-cereja, alecrim, salsa e coentro já estão em colheita na área externa do apartamento em Laranjeiras. “Acredito muito nessa soberania alimentar. E isso não é exclusivo para quem tem lugar aberto em casa, dá para produzir em canteiros nas ruas, ocupar o espaço público com agroflorestas e cultivar comida”, reflete.

Giovanna Nader Foto: Sher Santos | Edição de moda LARISSA LUCCHESE
Giovanna Nader Foto: Sher Santos | Edição de moda LARISSA LUCCHESE

Formada em Administração e referência em sustentabilidade, Giovanna entrou para esse universo pela moda, quando se desencantou com o mercado tradicional (muito por conta do desabamento do prédio Rana Plaza, em Bangladesh, onde funcionavam diversas fábricas têxteis e que deixou mais de mil mortos, revelando um lado obscuro do setor) e lançou o Projeto Gaveta, em 2013.

São eventos de trocas de roupa que acabaram embalando um movimento maior de consumo consciente e sustentabilidade ao mostrar que a roupa que andava encostada no armário de uma era exatamente o que a outra buscava. E assim foram trocadas mais de 70 mil peças.

“A moda foi um fio condutor para expandir a minha consciência na sustentabilidade. Mas a virada de chave veio com a maternidade. Durante o puerpério, me deparei com questões muito fortes. Pensava em como seria quando a Marieta tivesse 30 anos e os oceanos com mais plástico do que peixes, de acordo com as previsões. Em algum momento nossos filhos vão nos cobrar sobre o que estávamos fazendo quando a boiada passava e a gente não fez nada. Pensar no futuro dela foi meu grande start”, relembra.

Giovanna Nader Foto: Sher Santos | Edição de moda LARISSA LUCCHESE
Giovanna Nader Foto: Sher Santos | Edição de moda LARISSA LUCCHESE

Sem empresas por trás ou qualquer apoio financeiro de marcas, ela pegou os anos de teatro cursados, se jogou em pesquisas e começou a falar sobre sustentabilidade em suas redes sociais. “Foi quando me reafirmei como comunicadora”, diz. Durante os primeiros dias de pandemia, isolada em casa, Giovanna passou a se questionar sobre o que iria fazer naquele período. Dessa angústia nasceu o podcast “O Tempo Virou”, sobre conscientização ecológica. Semanalmente, ela recebe convidados para um bate-papo sobre meio ambiente e questões contemporâneas. O foco é apresentar pessoas que tocam projetos que estão fazendo a diferença para o planeta. Desigualdade ambiental, moda ética e ecológica, MST, o risco de novas epidemias, ecossocialismo, ecofascismo, lixo, agrofloresta e muito mais já foram temas debatidos ali.“Todo dia eu acordo pensando em como vou furar a minha bolha. Preciso ir além dos meus seguidores. Quero falar com quem acha que o aquecimento global não existe. A pandemia descortinou a desigualdade. Como já disse Chico Mendes, pensar a ecologia sem falar de luta de classes é fazer jardinagem”, diz.

Mas, apesar de querer mais e mais pessoas militando junto, Giovanna frisa que é preciso ter uma sustentabilidade sem neuras. Ela sabe o quanto pode ser frustrante querer abraçar todas as boas maneiras de uma só vez e não conseguir. “Nos primeiros anos da minha filha, tentei ao máximo usar fralda de pano, por exemplo. Mas nunca fui 100% satisfeita nisso. Criança é plástico a todo momento. Ser uma mãe lixo zero é uma pressão gigantesca. Vejo muita gente com ecoansiedade. Já é tanta coisa para se culpar na criação de um filho, ter mais essa é maldade. Para além das mudanças individuais, o importante é que as empresas se responsabilizem pelo seu lixo, que haja atuações do governo, leis federais e internacionais pensadas na ecologia e no social”, acredita.

Nos últimos dois anos, Giovanna se dedicou a escrever livro “Com que roupa?” (Companhia das Letras), lançado esta semana. O projeto começou focado em moda, mas virou um guia de como reinventar a relação com o consumo. São dicas que passam por armário cápsula, mas também por autoconhecimento, importância de consumir menos e melhor, como estender a vida útil das coisas e a maneira certa de descartá-las. “Quando o céu de São Paulo ficou com uma nuvem negra por causa da fumaça das queimadas, em setembro de 2019, fiquei paralisada. Questionei como eu poderia falar de moda enquanto o mundo acabava. Comecei a achar o livro raso e mudei. Ampliei para o mercado de moda. Depois veio a pandemia. Paralisei novamente. Até que resolvi fazer um questionamento do mundo, uma reflexão maior. Nunca me imaginei ativista, mas a vida me obrigou”, conta ela, que também apresentou a série “Se essa roupa fosse minha”, exibida em 2019 no GNT, sobre a delícia que é garimpar em brechós.

Giovanna Nader Foto: Sher Santos | Edição de moda LARISSA LUCCHESE
Giovanna Nader Foto: Sher Santos | Edição de moda LARISSA LUCCHESE

Uma das primeiras pessoas a linkar sustentabilidade com a moda, Chiara Gadaleta, fundadora do Movimento Ecoera, criado em 2007, entende a importância de novas gerações envolvidas com esses temas. “Quando começamos nossa jornada integrando a sustentabilidade no mercado da moda, 15 anos atrás, éramos os únicos a levantar essa bandeira. Hoje, somos muitos mensageiros a favor do planeta e das pessoas. A Giovanna polemiza e mistura ativismo com a linguagem das redes sociais. Isso é importante, e precisamos cada vez mais de indivíduos que espalhem a urgência de uma moda mais responsável e consciente”, percebe.

Gregorio Duvivier, com quem namora desde 2016 e se casou dois anos depois, já com Marieta no colo, acompanha os movimentos sustentáveis da rotina com prazer. “O jeito de ela fazer política é muito propositivo, sem moralismos. Nunca vi a Giovanna dando bronca em alguém, usar um tom de cima para baixo. Prefere muito mais fazer pontes”, comenta ele. “Além disso, ela também gamifica as coisas. De jogar o lixo no lugar certo à moda, quando explica que o jeito de se vestir é uma maneira de se expressar, sobretudo politicamente. Mais do que impedir alguém de gostar de fast fashion, ela apresenta todo um universo de trocas, brechós, upcycling. Aprendi a bordar, fiz a bainha de uma calça e estou todo orgulhoso. Criei relações mais afetivas ao invés de pensar que são coisas descartáveis”, elogia.

Daniel Scheel for InStyle Spain with Susanne Knipper

Photographer: Daniel Scheel at 8 Artist Management. Fashion Stylist: Piluca Valverde. Hair Stylist: Jesús de Paula. Makeup Artist: Gato. Talent: Susanne Knipper.

Design do novo iMac de 24″ teve dedo de Jony Ive

Nem parece, mas já faz quase dois anos que Sir Jonathan Ive deixou seu posto de diretor de design da Apple — mas, na ocasião da sua saída, ele deixou claro que sua nova empresa (a LoveFrom, que recentemente firmou parceria com a Airbnb) prestaria serviços para a Maçã.

Eis que, num review sobre o novo iMac M1 de 24 polegadasWIRED revelou que, de fato, houve dedo de Jony Ive no design do novo Mac tudo-em-um.

Os detalhes são escassos, mas a reportagem afirma:

Mas a Apple tem outro motivo para fazer referência a essa campanha antiga. Jony Ive esteve envolvido no design desse novo iMac, apesar de ter deixado a Apple em 2019. O design do hardware é um processo longo, então talvez não seja surpreendente que as impressões digitais de Ive estejam espalhadas por todo esse novo desktop. Mas, curiosamente, a Apple não confirmou ou negou se ele trabalhou no iMac 2021 depois de deixar a empresa — apenas que havia trabalhado nele.

Então, das duas, uma: ou o projeto desse novo iMac começou de fato antes da saída de Ive (natural, já que esses projetos podem levar anos), ou ele realmente participou do projeto após dar adeus a Cupertino.

A informação é curiosa e interessante, considerando que Ive foi o principal responsável pelo projeto do iMac G3 — dado como o “salvador” da Apple após sua quase falência na década de 1990. Não só isso, mas o iMac M1 recebeu o primeiro grande redesign em muitos anos e trouxe as cores de volta à linha.

Somando isso tudo à espessura absurda do novo iMac, de apenas 11,5mm… é, certamente teve dedo de Ive ali. [MacMagazine]

VIA APPLEINSIDER

TOTTI Swimwear | Fall Winter 2021/2022 | Full Show

TOTTI Swimwear | Fall Winter 2021/2022 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – Belarus Fashion Week)

Saam Jafarzadeh – Tortured
Bob Bradley – Fabric Funk/Hot Buttered Rum

The Economist: Uma nova era de bonança está chegando com a diminuição dos lockdowns

A rápida implantação de modelos de novos negócios pode ter lembrado executivos de que vale a pena investir; gigantes da tecnologia, como Apple e Samsung, já ampliam seus horizontes
The Economist

Apple
Apple e outras empresas de tecnologia ampliam investimentos Foto: Yara Nardi/ Reuters

À medida que os lockdowns diminuem no mundo rico, as pessoas começam a sair e gastar. Os restaurantes da Austrália estão lotados há meses. Os shoppings dos EUA estão cheios de gente esbanjando cheques de estímulo. Os cinemas da Grã-Bretanha voltaram a encher. Mas, nos bastidores, está só começando uma outra bonança de gastos potencialmente mais significativa.

As empresas estão começando a investir números altos. Nos EUA, os investimentos em bens de capital (“capex”) das empresas vêm aumentando a uma taxa anual de 15%, tanto em coisas pesadas, como máquinas e fábricas, quanto em bens intangíveis, como softwares. Empresas de outras partes do mundo também estão aumentando os gastos. Analistas do banco Morgan Stanley preveem um “ciclo de capex intenso”. O investimento global, avaliam, ficará 21% dos níveis anteriores à recessão até o fim de 2022. A consultoria Oxford Economics e a IHS Markit corroboram essa visão.

O otimismo marca uma grande mudança em relação à norma pré-pandemia. Nos EUA, o investimento interno bruto das empresas como parcela do PIB estava baixo desde o início dos anos 1980. Depois da crise financeira de 2007-09, foram necessários mais de dois anos para que o investimento global recuperasse o pico anterior. Em contraste, embora tenha caído mais abruptamente no início da pandemia, o investimento desta vez se recuperou mais rápido. A perspectiva de explosão do capex oferece a promessa de que a economia global não enfrentará uma reedição da década de 2010, quando o crescimento da produtividade e do PIB permaneceu teimosamente abaixo das tendências anteriores à crise. Mas será que esse otimismo vai durar?

Para entender por que os analistas estão tão otimistas, pensemos nas empresas presentes no S&P 500, o principal índice de ações dos EUA. Juntas, elas respondem por cerca de US$ 1 a cada US$ 7 do total de capital corporativo do mundo rico. Em um relatório recente, o Bank of America analisa as divulgações de lucros dessas empresas desde 2006 e conclui que os executivos estão mais otimistas com o capex. A The Economist analisou as 25 maiores empresas não financeiras do S&P 500 e descobriu que as expectativas dos analistas para o investimento em 2021 aumentaram 10% no ano passado.

Por enquanto, a recuperação do investimento está concentrada em alguns setores. Empresas globais de tecnologia devem aumentar o capex em 42% este ano, em relação a 2019. A Apple vai investir US$ 430 bilhões nos EUA em cinco anos. A TSMC, de Taiwan, a maior fabricante mundial de semicondutores, anunciou recentemente que investirá US$ 100 bilhões em fabricação nos próximos três anos. Os analistas avaliam que o capex da Samsung aumentará 13% este ano, depois de subir 45% em 2020.

As empresas de tecnologia estão gastando assim tão livremente em parte porque a pandemia criou novas demandas. Mais compras estão ocorrendo on-line. O trabalho remoto está aumentando. E novos equipamentos e softwares são necessários para que tudo isso funcione sem problemas. Pesquisa recente de Nicholas Bloom, da Universidade de Stanford, e Steven Davis e Yulia Zhestkova, da Universidade de Chicago, descobriu um grande aumento no número de pedidos de patente para tecnologias de trabalho em casa. O banco UBS avalia que as remessas de computadores para uso comercial aumentarão quase 10% neste ano.

Mas o entusiasmo não resume à tecnologia. No primeiro trimestre, as empresas do S&P 500 de varejo aumentaram o capex em 36% em relação ao ano anterior. Empresas como Target e Walmart estão tentando acompanhar os gigantes online. A Marks & Spencer, respeitada varejista britânica, anunciou recentemente que havia lançado 46 novos sites em mercados como Islândia e Usbequistão. Outros varejistas investem freneticamente para expandir a capacidade, pegos de surpresa pelo aumento nos gastos das famílias. Está faltando tudo, de sofás a banheiras de hidromassagem. 

Maersk, uma empresa de transporte marítimo, disse recentemente que compraria mais contêineres para diminuir os gargalos. A carteira global de encomendas de gigantescos navios subiu de 9% da frota existente em outubro para mais de 15% em abril.

Cautela

A grande questão é se esse boom de investimentos pressagia uma mudança ampla e duradoura em relação à fraca década de 2010. Nem todo mundo está impulsionando o capex: a análise da The Economist sugere que não se espera que cerca de metade das empresas do S&P 500 invista mais em 2021 do que em 2019. As empresas globais de petróleo e gás estão reduzindo um décimo em relação aos níveis pré-pandêmicos. As companhias aéreas também estão cortando os gastos. Muitos executivos, entre eles os de empresas de matérias-primas e bens industriais, continuam pregando a disciplina. 

Outra preocupação é a tendência de maior consolidação. Estudo do FMI sugere que empresas com mais poder de mercado podem estar menos interessadas em investir. Nos cinco anos anteriores à pandemia, por exemplo, o investimento empresarial americano em hotéis foi pouco maior do que nos cinco anos anteriores à crise financeira, embora a demanda estivesse muito maior.

Contrariando esse quadro, porém, as condições econômicas de hoje podem convencer as empresas relutantes a abrir a carteira. Em contraste com o período pós-crise financeira, as famílias têm muitas economias para gastar. Desta vez, uma resposta fiscal e monetária mais decisiva também permitiu que as empresas acumulassem caixa. A emissão de títulos por empresas americanas com classificação de investimento saltou para um recorde de US$ 1,7 trilhão em 2020, ante US$ 1,1 trilhão em 2019, de acordo com a S&P Global Market Intelligence.

Além disso, a realocação econômica provocada pela covid-19 e suas implicações serão sentidas por algum tempo. Os gerentes de certas indústrias, especialmente de semicondutores, já admitem que entraram na pandemia com pouquíssima capacidade ociosa e estão prometendo projetos plurianuais para compensar. E o mais importante, talvez: a rápida implantação de modelos de negócios inteiramente novos pode ter lembrado os executivos de que vale a pena investir. E o boom de investimentos pode estar só começando. /TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

Joel Chadabe, experimentador da música eletrônica, morre aos 82 anos

Compositor e defensor do gênero, Chadabe devotou-se ao que um crítico qualificou como o “casamento entre os humanos e seus computadores”
Por Alex Vadukul – The New York Times

O compositor Joel Chadabe  na State University of New York em Albany, onde foi contratado aos 27 para dirigir o estúdio de música eletrônica da universidade

Joel Chadabe, um dos compositores que introduziram a música eletrônica nos anos 1960, que posteriormente desenvolveu softwares de composição musical e criou a Fundação da Música Eletrônica, uma organização de defesa desse gênero musical, morreu em 2 de maio, em sua casa em Albany, Nova York. Ele tinha 82 anos.

Sua mulher, Françoise Chadabe, afirmou que a causa foi câncer ampular, uma rara forma da doença, semelhante ao câncer de pâncreas.

Em 1965, quando Chadabe tinha 27 anos e a música eletrônica ainda era incipiente, a Universidade do Estado de Nova York em Albany o convidou para dirigir o estúdio de música eletrônica da instituição. Ele havia se graduado recentemente na faculdade de música de Yale e gostava de jazz e ópera, mas precisava de um emprego, então aceitou a proposta. De sua posição na universidade, Chadabe começou a explorar as maravilhas de fazer música com máquinas.

“Aceitei, acho, porque porque para mim isso era uma fronteira”, afirmou em uma entrevista à Universidade de Minnesota, em 2013. “Era a nova fronteira da música, e vi possibilidades ilimitadas.”

Logo depois, Chadabe (pronuncia-se cha-da-BII) incumbiu Bob Moog, que começava a desenvolver um sintetizador comercial, de construir um para o estúdio. Inicialmente, Chadabe pôde pagar apenas por parte do sintetizador (que ele alimentava com uma bateria de carros), mas depois de conseguir financiamento suficiente, pediu a Moog para criar o que chamou de “supersintetizador”. O resultado, conhecido pelo acrônimo em inglês CEMS (Estúdio Coordenado de Música Eletrônica), foi um sistema que ocupava completamente uma sala da universidade e oferecia vastas possibilidades sonoras. Estudantes logo passaram a fazer fila para experimentar o equipamento.

Chadabe logo se viu maravilhado com as máquinas. Ele esperava o campus esvaziar e, de noite, ficava a sós com o sintetizador, girando seus botões para criar paisagens sonoras. Ele passou a compor música eletrônica prolificamente e lançou vários álbuns experimentais, incluindo “After Some Songs”, de 1995, que apresentava abstrações do músico sobre standards de jazz, e “Many Times …”, de 2004.

Chadabe organizava concertos na universidade para os quais convidou compositores avant-garde como Alvin Lucier e Julius Eastman para apresentar suas obras. Em 1972, John Cage visitou o estúdio para gravar “Bird Cage”, uma colagem sonora composta por estridentes pios que ele havia registrado em aviários. Chadabe também comprou para a universidade um dos primeiros sistemas Synclavier, o sintetizador digital usado por grupos como KraftwerkDepeche Mode e Genesis.

Em uma crítica de um desses concertos, em 1983, Bernard Holland escreveu no New York Times que “Chadabe parecia estar em todos os lugares ao mesmo tempo, fazendo perguntas gentis e tímidas a respeito de quem seria o regente e quem faria  acompanhamento nesse novo casamento entre os humanos e seus computadores, a respeito de como e quão completamente as pessoas lidarão com as potenciais riquezas e as intimidantes complexidades dessa nova adição à nossa família de instrumentos musicais”.

Nos anos 1980, Chadabe começou a desenvolver softwares de composição que músicos podiam usar para criar temas eletrônicos em casa. Ele fundou uma empresa chamada Intelligent Music, que lançou programas como M, Jam Factory e UpBeat, que a banda New Order usou para gravar seu álbum “Technique”, de 1989.

Em 1994, Chadabe constituiu a Fundação da Música Eletrônica, uma organização sem fins lucrativos com objetivo de divulgar a música eletrônica. O grupo organizou concertos e festivais; tinha um selo de gravação que lançava obras de compositores como Cage, Laurie Spiegel e Iannis Xenakis; e manteve uma loja online de CDs.

“Muita gente importante na cena eletrônica não era exatamente relevante em termos de público, mas Joel era incrivelmente interconectado com a comunidade e atingiu muitos ouvidos com a Fundação da Música Eletrônica”, afirmou Kyle Gann, que foi por muito tempo crítico de música de vanguarda do jornal alternativo The Village Voice. “Ele tinha uma tremenda influência no underground.”

Quando artistas como Daft Punk e Chemical Brothers chegaram ao sucesso nos anos 1990, Chadabe considerou que era vital documentar a história da música eletrônica enquanto os pioneiros do gênero ainda estavam vivos. Ele publicou o livro “Electric Sound: The Past and Promise of Electronic Music”, com mais de 150 entrevistas com personalidades como Moog e compositores como Milton Babbitt, Pierre Henry e Éliane Radigue, além de Ikutaro Kakehashi, fundador da Roland Corp. e um dos arquitetos do padrão de interface MIDI (inevitavelmente, as contribuições do próprio Chadabe também foram incluídas no livro).

Ao entrevistar seus personagens, Chadabe tentou descobrir o que os motivou a fazer música com máquinas.

“Eu perguntava para as pessoas, ‘Por que você usa a eletrônica’”, recordou-se na entrevista para a Universidade de Minnesota. “Uma das respostas que eu mais escutava era, ‘Para produzir qualquer tipo de som’.”

Joel Avon Chadabe nasceu em 12 de dezembro de 1938, no Bronx, e cresceu na região de Throgs Neck. Seu pai, Solon, era advogado. Sua mãe, Sylvia (Cohen) Chadabe, era dona de casa.

Joel frequentou a escola particular Bentley, em Manhattan, e estudou piano erudito. Seus pais queriam que ele fosse advogado, mas em vez de direito, ele estudou música na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, onde de formou em 1959. Em Yale, ele estudou com o compositor Elliott Carter e depois que se graduou no mestrado, em 1962, continuou os estudos com Carter na Itália. Ele estava em Roma quando ouviu falar da incomum vaga de trabalho na Universidade do Estado de Nova York em Albany.

Além de sua mulher, ele deixa o filho, Benjamin, e uma irmã, Susan Strzemien. /TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL 

Macy Gray e Twins For Peace lançam, nos EUA, tênis exclusivo com pegada social

A cantora Macy Gray fez uma parceria com a Twins For Peace para o lançamento de um tênis cuja renda das vendas está sendo revertida para ajudar famílias que perderam entes para a brutalidade policial dos EUA.

Recém chegada no Brasil, a marca francesa de calçados sustentáveis Twins For Peace acaba de lançar nos EUA uma parceria exclusiva com a fundação My Good, que tem como fundadora a cantora vencedora do Grammy, Macy Gray.

A parceria nasceu após o empresário Nana Baffour, Executive Chairman do NVH Studios – grupo global que tem a francesa Twins For Peace e a brasileira Zeferino sob seu guarda-chuvas -, participar de um evento em que pode conhecer mais da história da My Good, que auxilia familiares que tiveram que se reerguer após a perda de entes queridos para a brutalidade policial.

“A Twins For Peace nasceu como uma proposta social e eu, como homem negro e pai de filho negro, vejo essa questão da violência policial como algo muito próximo”, explica Baffour. Segundo dados da www.policeviolencereport.org 1,127 americanos foram mortos pela polícia em 2020 e segundo os dados, pessoas de cor são as mais propensas a sofrerem esse tipo de violência. “Essa parceria, hoje, está focada nos Estados Unidos, mas queremos ampliar a visibilidade para esse assunto pois sabemos que não é uma situação isolada. Infelizmente temos visto constantemente manchetes semelhantes às das mortes de George Floyd and Breonna Taylor, acontecerem em todas as partes do mundo, inclusive no Brasil”, completa.

Apaixonada por tênis, Macy Gray fez questão de co-projetar os produtos que chegaram aos solos americanos em quatro versões com valores a partir de US$ 199. “Enquanto estava em turnê e mesmo durante o ano passado, onde o conforto tem se mostrado essencial, os tênis foram um curinga em meu guarda-roupa e a Twins For Peace e a My Good trazem valores tão semelhantes que pra mim foi uma honra poder ajudar a projetar esta coleção que retribui de uma forma tão humanitária”, explica. E para Gray, o problema e as consequências para os familiares tem um âmbito pessoal. A cantora viu sua tia e seu tio lutarem depois que o filho foi morto em uma briga de bar há mais de quatro anos, então ela sabe como a perda de um ente querido pode devastar uma família.

Fundada em 2020, a My Good nasceu em resposta aos incidentes de brutalidade policial nos Estados Unidos que ganharam visibilidade no mundo inteiro. A organização busca ajudar famílias e entes queridos de vítimas de violência policial com apoio financeiro, emocional e de saúde mental, além de trabalhar com a curadoria de diferentes plataformas para que as famílias das vítimas sejam ouvidas, incluindo grupos de apoio com especialistas em luto, entre outras iniciativas. No site da organização, Gray deixa claro que a My Good “NÃO é uma organização anti-policial”, mas sim, que os esforços de sua equipe são focados exclusivamente em fazer o que puder para as famílias em luto. “O objetivo do Twins for Peace é mudar o mundo por meio da ação. Já atuamos com ONGs em países como Colômbia, Camarões, Moçambique, Índia, Haiti, Mall, Senegal e Brasil e acreditamos que essa parceria com a My Good é um novo passo para encorajar as pessoas a buscarem mudanças”, diz Max Mussard, fundador e designer da Twins For Peace. “Cada sapato conta uma história e traz consigo o cuidado e o carinho de quem o construiu. Ao apoiar a colaboração ‘TFP + MyGood: From Soles to Souls’, a pessoa se une a esse ciclo virtuoso de valores humanitários e sustentáveis”, finaliza.

Os produtos desta collab estão disponíveis em pré-venda no site internacional da Twins for Peace – www.twinsforpeace.com

Processo de produção

Para garantir a sustentabilidade dos produtos, a Twins For Peace buscou insumos materiais de baixo impacto ambiental. As solas dos calçados são confeccionadas com 50% de borracha natural, extraída de árvores seringueiras, cuja matéria-prima possui emissão zero de CO2 na atmosfera e confere resistência, elasticidade e conforto; e 50% de borracha reciclada, a partir de reutilização de materiais que levariam anos para se decompor na natureza e que, ao serem transformados, agregam na durabilidade ao calçado.

Instagram:

@twinsforpeace

@mygooddotorg

https://www.facebook.com/mygooddotorg/

https://www.facebook.com/TWINSFORPEACEofficial/

#SolesToSouls

Sobre Twins For Peace

Criada em 2009 pelos gêmeos Maxime e Alexandre Mussard, a marca francesa Twins For Peace nasceu com o objetivo de promover valores humanitários por meio de seus calçados. Em 2018 a marca foi incorporada ao grupo global NVH Studios de forma a torná-la um estilo de vida e, ao mesmo tempo, investir consistentemente em países atingidos pela pobreza por meio da criação de projetos duradouros de solidariedade. Desde 2009, a empresa doou mais de 15.000 sapatos por meio da iniciativa “Be COOL, Be GOOD” e investe continuamente nos sistemas de saúde e educação dos países menos desenvolvidos. A Twins For Peace chegou ao Brasil em 2011 e 2014 em uma parceria com a Fundação Gol de Letra, fundada pelo jogador Raí. Para mais informações acesse twinsforpeace.com.br e siga o perfil oficial no Instagram @twinsforpeacebr.

Sobre My Good (Los Angeles)

My Good é uma organização sem fins lucrativos 501(c)3 fundada em julho de 2020 pela artista Macy Gray, junto com Charyn Harris e Grace Blake para apoiar famílias que perderam entes queridos devido à brutalidade policial. O cerne da missão é garantir que as famílias recebam o apoio emocional, educacional e financeiro tão necessário enquanto navegam pelas consequências de sua perda.

Sobre a NVH studios

Criada em 2016, a NVH studios é um grupo global de desenvolvimento de sapatos e de marcas relacionadas a estilo de vida que valorizam a excelência e promovem a felicidade de viver com paixão. Tem sob seu guarda-chuva a importante marca de calçados brasileira Zeferino e a marca francesa Twins For Peace. Possui fábrica própria localizada na cidade de Novo Hamburgo – Vale dos Sinos – RS, Brasil e visa criar produtos feitos com exclusividade para pessoas dispostas a ter um estilo de vida com qualidade, conforto, sofisticação e propósito. Para mais informações acesse nvhstudios.com