Françoise Hardy diz que está “perto do fim” e defende suicídio assistido

Cantora e compositora francesa de 77 anos, ícone da música francesa, conta em entrevista que tratamento contra tumor no ouvido a deixou com dor imensa e que teme ainda mais sofrimento com morte natural

A atriz Françoise Hardy em foto de 2012 (Foto: Getty Images)

A cantora e compositora Françoise Hardy, de 77 anos, um dos nomes mais importantes da canção francesa e considerada um ícone artístico e fashion, disse em uma entrevista que se sente “perto do fim da vida” e que é a favor do suicídio assistido.

Ela foi diagnosticada com câncer linfático em meados dos anos 2000 e descobriu um tumor no ouvido em 2018 – Françoise já tinha sido colocada em coma induzido em 2015. À revista Femme Actuelle, ela disse que os anos radiação e imunoterapia causaram uma dor imensa – é difícil para a cantora engolir e ela deu a entrevista por e-mail, pois tem muita dificuldade em falar.

“Não cabe aos médicos atender a cada solicitação, mas abreviar o sofrimento desnecessário de uma doença incurável a partir do momento em que ela se torna insuportável, defendeu a compositora, que foi extremamente popular nas décadas de 1960 e 70 e uma das maiores representantes do Yé-Yé francês.

Ela lembrou que sua mãe, que sofria da doença de Charcot-Marie-Tooth, um distúrbio neurológico, morreu por eutanásia “quando ela não podia ir mais longe nesta horrível doença incurável”. “No que me diz respeito, gostaria de ter essa oportunidade, mas dada a minha alguma notoriedade, ninguém vai querer correr ainda mais o risco de ser afastado da comunidade médica”, disse.

“Todos nós temos o sonho impossível de morrer em paz. Sei que a morte é só a do corpo que, com a entrega da alma, a liberta e lhe permite voltar à dimensão misteriosa da qual veio, enriquecida com tudo o que a sua última encarnação lhe ensinou. Meu sofrimento físico já foi tão terrível que tenho medo de que a morte me obrigue a passar por ainda mais sofrimento físico”, desabafou.

Françoise explicou que, em seu caso, a morfina para aliviar as dores não é mais uma opção. “Ela só pode ser administrada em doses massivas para que eu morra, e não em doses menores para que sofra menos. Também tenho medo da imensa tristeza da forma de separação dos seres que mais amamos no mundo, que é a morte”, afirmou Françoise.

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