Startups avançam no mercado com soluções para facilitar a compra ou aluguel de imóveis

‘Proptechs’, empresas populares fora do Brasil, flexibilizam as regras do setor imobiliário e ajudam as pessoas que buscam cada vez mais a moradia como serviço, e não como patrimônio
Bianca Zanatta, O Estado de S.Paulo

Felipe Santos e Aram Apovian
Felipe Santos (E) e Aram Apovian, da aMORA: startup se propõe a comprar o imóvel escolhido pelo cliente. Foto: TIago Queiroz/Estadão

As proptechs (startups do setor imobiliário) vêm ganhando mercado apresentando soluções diferentes para problemas enfrentados por quem pretende comprar um imóvel. É o caso, por exemplo, da aMORA, que tem como público-alvo uma parcela de brasileiros que quer comprar um imóvel, mas depende de financiamento e não dispõe dos tradicionais 20% de recursos exigidos pelos bancos para dar entrada no processo.

A startup, fundada por três engenheiros civis, avalia e compra o imóvel escolhido pelo cliente, que dá 5% de entrada e paga uma mensalidade por 3 anos, quando finalmente pode decidir se quer ou não ficar com o imóvel. Parte das mensalidades, ao longo desse período, vai para um depósito criado pela própria empresa, que o cliente recupera no final do contrato.

“Nós mesmos passamos por uma série de dificuldades com aluguel e, depois, para comprar um imóvel. Aí nos perguntamos por que é tão difícil e por que ninguém faz algo que funcione melhor”, diz Aram Apovian, um dos sócios. “Antes, as pessoas costumavam casar e ter estabilidade financeira mais cedo. Hoje elas demoram muito mais para atingir essa estabilidade.”

Apesar do crescimento da “uberização” do morar (pessoas que buscam cada vez mais a moradia como serviço, e não como patrimônio), eles se perguntaram se a mudança de comportamento parava por aí. Após conduzirem uma série de pesquisas e mergulharem em estudos do Itaú BBA, entre outros, que apontam que 89% dos jovens brasileiros ainda consideram importante comprar um imóvel, mas apenas 20% têm o hábito de guardar dinheiro para planos de longo prazo, veio o insight. “A gente já conhecia modalidades mais flexíveis de aquisição lá fora, então por que não criar algo para o mercado imobiliário brasileiro?”

Operando oficialmente há dois meses, a proptech está começando a fechar os primeiros contratos. Depois da avaliação e compra, o cliente mora no imóvel como “super inquilino”, sem correr risco de ser despejado porque o proprietário quer retomar a casa, já que ela foi comprada sob encomenda para ele. “Ele pode reformar como quiser, passando apenas por uma aprovação muito light da empresa”, explica Apovian. As únicas contrapartidas são os 5% de entrada e a mensalidade, geralmente de 10% a 40% mais barata do que uma parcela de financiamento, e da qual saem os ganhos da aMORA e o valor mensal para a poupança do morador.

Garantia

Comum nos Estados Unidos e na Europa, o home equity, que usa bens imóveis como garantia, é outra prática ainda pouco explorada no Brasil e em que algumas startups decidiram apostar. A ideia de usar ativos imobiliários para que eles sirvam como lastro de crédito chamou atenção do Centro de Excelência da Votorantim (CoE), que criou recentemente a startup Avaliei para acelerar o processo de avaliação de imóveis que serão usados como garantia. Entre os clientes estão bancos, fintechs, proptechs e fundos de investimentos.

Com algoritmo próprio, a ferramenta Avaliação Digital realiza uma análise precisa em minutos, cruzando anúncios imobiliários, informações geoeconômicas e mercadológicas e outros dados públicos. A plataforma também oferece o laudo oficial de avaliação de forma ágil, em parceria com uma rede de profissionais. Um aplicativo exclusivo de vistoria, disponibilizado a um time de engenheiros e arquitetos, dispara as novas solicitações de laudo, com data e horário de atendimento.

Outra que trabalha com home equity é a Pontte, fintech que estima emprestar mais de R$ 400 milhões até o final do ano a pessoas físicas e jurídicas. Apesar de tudo ser controlado de forma 100% digital, a empresa também foca na humanização do financiamento imobiliário. “A tecnologia que usamos nos permite ter uma série de diferenciais, entre eles a análise de crédito mais flexível, a possibilidade de composição de renda com familiares, oferecer carência de até seis meses e a opção de ajustar o valor das parcelas ou até pular o pagamento caso as coisas fiquem difíceis”, afirma o presidente Marcelo Lubliner.

Sem fiador

Criada com o objetivo de facilitar a vida de inquilinos e proprietários, a CredPago registrou, de março e abril, sua melhor performance em 5 anos de existência, ampliando sua carteira em 135% em relação ao mesmo período de 2020. A startup oferece, entre diversas soluções, o aluguel sem fiador – uma das maiores dores de cabeça para os dois lados.

O serviço, que já chegou a 750 mil pessoas, garante cobertura de até 30 vezes o valor do aluguel em casos de inadimplência, sem cobrar nada dos inquilinos.

Como o ‘STF do Facebook’ pode ditar os rumos da moderação de conteúdo da internet

Decisões do Comitê de Supervisão podem gerar precedentes com capacidade de influenciar até mesmo plataformas concorrentes
Por Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

Facebook precisa mostrar que o Comitê não é apenas uma jogada para se proteger de regulações, dizem especialistas

Antes da pandemia, a desinformação em redes sociais já era um problema grave. Com a crise sanitária, porém, publicações mentirosas viraram casos de vida ou morte. Foi nesse cenário – e com essa pressão – que o Facebook criou em maio do ano passado um Comitê de Supervisão para decidir o que fica e o que deve sair da plataforma. Desde então, o órgão publicou 11 decisões e tem se mostrado um experimento importante que pode vir a ditar os rumos da moderação de conteúdo na internet. 

No atual arranjo, o Comitê é uma espécie de “Supremo Tribunal Federal (STF)” do Facebook para tratar sobre postagens que devem permanecer ou não no Facebook e no Instagram. Quando a remoção de um conteúdo tem potencial para gerar debate e precedente, é o Comitê que toma a decisão final. O Facebook é obrigado a acatá-la mesmo que sua posição inicial tenha sido oposta – o presidente executivo da empresa, Mark Zuckerberg, não pode ignorar o órgão caso ele não goste das soluções propostas. Além disso, o Comitê pode fazer sugestões mais amplas sobre as políticas de conteúdo da rede social.  

O Comitê conta hoje com um grupo de 20 pessoas escolhidas pelo Facebook, composto por integrantes da academia e de organizações da sociedade civil especializados em temas de direitos humanos – o painel reúne pessoas de 18 países diferentes e deve chegar a ter 40 membros. Um fundo de investimento independente da companhia financia o projeto, sendo que o Facebook fez uma doação inicial de US$ 130 milhões.

Ao todo, desde dezembro, 16 casos já foram selecionados para discussão, alguns apontados por usuários e outros solicitados pelo próprio Facebook. Tanto as decisões quanto os casos em discussão são publicados no site do Comitê, com detalhamento daquilo que está em debate. Em algumas situações, há um espaço para pessoas e organizações enviarem suas contribuições. Um caso brasileiro, por exemplo, mobilizou neste mês entidades, como centros de pesquisa, para opinarem sobre como o Facebook deveria lidar com uma publicação de um conselho médico estadual do Brasil dizendo que lockdowns são ineficazes.

Com as discussões ocorrendo de forma pública, o Comitê pode ganhar peso fora das fronteiras do Facebook e passar a moldar a moderação de conteúdo em toda a internet. “É  importante que todas as decisões sejam públicas. À medida que o Comitê for desenvolvendo seus entendimentos, pode-se criar uma jurisprudência. Não é aquela de tribunal, mas não deixa de ter o potencial de influenciar como a internet funciona”, afirma Diogo Coutinho, professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). 

“Cada caso é um precedente que cria um padrão a ser usado em uma próxima situação semelhante. No médio prazo, esses parâmetros podem ser utilizados mesmo por empresas que não tenham um comitê”, diz.

Influência

O próprio Facebook espera que o Comitê possa ser um exemplo para outras decisões de governança de conteúdo na internet. Além disso, o fato de o órgão ser independente também abre a possibilidade de que sejam criadas dentro dele estruturas, como comitês adicionais, voltadas a outras plataformas – ainda não há informações, porém, de que arranjos do tipo estejam em andamento. 

Nenhuma outra rede social tem hoje uma estrutura de moderação de conteúdo semelhante ao Comitê, com debate público sobre casos específicos. O TikTok tem um Conselho Consultivo de Segurança no Brasil composto por seis especialistas em meios digitais, que oferece apoio ao aplicativo em casos de discurso de ódio, bullying, desinformação e temas políticos – o debate, contudo, é apenas interno. “Embora não publiquemos as discussões que tivemos, acreditamos que o trabalho do Conselho se tornará visível à medida que ele desempenha um papel significativo na formação de nossas políticas e abordagem aos desafios que enfrentamos”, disse a empresa em resposta ao Estadão

Já o Twitter afirma que guia sua moderação em regras pré-estabelecidas, que estão disponíveis publicamente. “Além disso, contamos com um Conselho de Confiança e Segurança que reúne mais de 40 especialistas e organizações para nos aconselhar à medida que desenvolvemos nossos produtos, programas e as regras”, afirma a rede social.

YouTube, por sua vez, explica que remove conteúdo que esteja em desacordo com suas políticas de comunidade: “Nosso Gabinete de Inteligência monitora notícias, mídias sociais e relatos de usuários para detectar novas tendências a respeito de conteúdo inapropriado e trabalha para garantir que nossas equipes estejam preparadas para resolver os problemas antes que eles se tornem grandes”, afirma. A empresa também diz que conta “com avaliadores externos de todos os cantos do mundo para fornecer informações sobre a qualidade dos vídeos. Esses avaliadores se baseiam em diretrizes públicas para orientar seu trabalho”. 

À prova

Antes de se tornar modelo para a concorrência, entretanto, o Comitê do Facebook ainda tem questões a serem respondidas. A primeira é o custo. “Não é qualquer empresa que consegue sustentar esse modelo – o orçamento foi de milhões de dólares. Há o risco de que essas estruturas possam aprofundar a situação de domínio das grandes plataformas”, afirma Artur Pericles Monteiro, coordenador de pesquisa de liberdade de expressão do InternetLab.

Para provar que o Comitê é um modelo de governança promissor, o Facebook também tem de mostrar que a iniciativa não é apenas uma jogada para que a empresa se proteja de autoridades e instituições públicas, que estão cada vez mais de olho nas empresas de tecnologia. 

“É uma solução engenhosa: se a coisa ficar muito complicada, o Facebook pode terceirizar isso para cabeças independentes. A autorregulação pode ser boa, mas não substitui necessariamente a regulação estatal”, diz Coutinho. 

Para João Pedro Favaretto Salvador, pesquisador do Centro de Ensino e Pesquisa em Inovação da FGV Direito SP, é importante que exista um experimento desse tipo, apesar de ser cedo para dizer se ele dará certo. “A moderação de conteúdo é um trabalho difícil. As plataformas terem a humildade de dizer que não dão conta de fazer isso sozinhas é um primeiro passo”, diz.  

NEITH NYER : SPFWN51

NEITH NYER : SPFWN51

CAROL BASSI | SPFW N51

A natureza do Rio de Janeiro e as formas da arquitetura da cidade servem como ponto de partida para a coleção que a marca @carolbassibrand apresenta no #SPFWN51, em colaboração extraordinária com o stylist @marcogurgel.

Modelagens exuberantes, paleta de cores vibrantes, e volumes estratégicos, compõem as peças que transitam do balneário à cidade. Vestidos com comprimento curto, midi e longo, em versão manga comprida, regata e tomara que caia, apresentam uma moda diferente de tudo que a label já fez.

O fashion film da coleção conta com a participação da modelo e cantora Barbara Fialho, que apresentará uma música de sua autoria, “Um Beijo”, em versão acústica.

LED | SPFW N51

Célio Dias, criador da LED (@ed_cd), sempre enxergou a moda como um catalisador de mudanças. Por isso, as peças da marca, feitas no ritmo do slow fashion, costumam vir carregadas com mensagens políticas de resistência e subversão. E agora, em sua sexta participação no @spfw N51, não poderia ser diferente.

A LED abre as portas de sua casa e nos convida a habitar um espaço além do físico, onde a imaginação, os desejos utópicos, e os anseios sexuais podem ser acolhidos. “A Casa LED é esse ambiente múltiplo, que está aqui para dialogar e acolher pessoas”, diz o estilista.

Para garantir liberdade de movimento, respiração e conforto, a coleção traz materiais como seda, linho, moletom, sarja e tecidos tecnológicos. O crochê, marca-registrada de Célio Dias, ganha relevância com técnicas de upcycling e customização. E as três estampas exclusivas, desenvolvidas em parceria com João Vitor Lage e branco.casa, incluem desde elementos do cotidiano, como plantas e animais, até formas abstratas.

Marcam presença na apresentação a Drag Queen @halessiar e os cantores @alicecaymmi, @davisabbag e @bibi.caetano, além de uma música performada pela cantora @daniviiieira.

NERIAGE | SPFW N51

Nostalgia, saudade, imaginação e intimidade. São esses os conceitos que servem de bússola para a coleção Verão 2022 da @neriage_, chamada Sonar, apresentada no @spfw N51.

Com isso em mente, a diretora criativa Rafaella Caniello reimaginou peças clássicas da marca em formas e cores que harmonizam ideias de quebra e fluidez. Usou, tambem, detalhes de costuras cruzadas, botões e aviamentos antigos, plissados e drapeados que, por vezes, são trabalhados em lados opostos. Cores envelhecidas remetem a imaginação ativa do passado presente.

A obra “Sentimental Journey”, do fotógrafo japonês Nobuyoshi Araki, que traz o retrato de sua esposa deitada sobre um velho barco, foi o ponto de inspiração para a concepção do fashion film.

Isaac Silva | SPFW N51

“Axé, Boca da Mata é o nome da coleção da marca @isaacsilvabrand feita a partir de uma collab com a Havaianas, e apresentada no #SPFWN51.

Para celebrar a natureza e as heranças afro-indígenas que fazem parte da nossa história, Isaac se inspirou nas capulanas africanas, tecidos estampados tradicionalmente usados em Moçambique, nos grafismos indígenas, e em elementos das religiões de matriz africana.

“Todos nós somos uma mistura de muitos outros, que viveram, criaram e aprenderam com a natureza antes de nós, e eu quero que essa natureza que tanto nos fornece e guarda, continue a existir”, diz o estilista.

A magia ancestral dos povos originários do Brasil e de África, não aparecem na coleção de forma literal, mas interpretados sem a pretensão de ocupar o lugar de origem dos mesmos.

As cores verde, vermelho, amarelo, preto e branco, assim como nas sandálias da collab com Havaianas, são os tons que também estão presentes nas peças confeccionadas em algodão, malha e viscose. Os tecidos são de empresas comprometidas com a sustentabilidade e o bem estar de seus funcionários.

Confira o filme da coleção!

Hermes | Spring Summer 2022 Full Show | Menswear

Hermès | Spring Summer 2022 by Véronique Nichanian | Full Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – PFW/Paris Fashion Week Men’s)

Phil Panton – We Walk The Walk/Madness/I Got That

Get Your Rocks On – Sunday Times Style 13th June 2021 –  Abbey Lee Kershaw By Claire Rothstein 

Get Your Rocks On   —   Sunday Times Style 13th June 2021   —   www.thetimes.co.uk

Photography: Claire Rothstein Model: Abbey Lee Kershaw Styling: Alicia Lombardini Hair: Lyndell Mansfield Make-Up: Kirstin Piggott Manicure: Sabrina Gayle