Outback, Giraffas, Bob’s e Rei do Mate se unem para concorrer com iFood

Parceria foi aprovada nesta quinta-feira, 15, pelo Cade; empresas vão criar e operar uma plataforma de delivery e de retirada de produtos em lojas, mas demais operações continuarão separadas
Lorenna Rodrigues, Fernanda Guimarães e André Jankavski, O Estado de S.Paulo

Rede Giraffas vai se juntar a Outback, Bob’s e Rei do Mate para criar e operar uma plataforma de delivery. Foto: Divulgação

BRASÍLIA e SÃO PAULO – O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, nesta quinta-feira, 15, sem restrições, uma parceria (joint venture) entre empresas do setor de alimentação como Outback, Giraffas, Bob’s e Rei do Mate para criar e operar uma plataforma de delivery. As empresas pediram autorização preventivamente ao órgão para a união, evitando assim problemas concorrenciais no futuro.

A aprovação foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 15. A ideia é que a nova ferramenta, chamada de Quiq, permita organizar em um só lugar todos os pedidos de delivery ou retirada no local (take away), reduzindo custos, além de tentar fazer concorrência aos apps de entrega, como o iFoodRappi e Uber Eats. A parceria entre as empresas se restringiria a essas áreas, não atingindo as operações tradicionais de venda presencial.

Em documento enviado em março ao Cade, o grupo de empresas argumenta ao órgão de concorrência que, ao se unir para criar um negócio para concorrer com apps já estabelecidos no mercado, a parceria traria “evidentes efeitos pró-competitivos, por representar a criação de um novo player”.

As companhias explicaram, ainda, que seus negócios continuariam a funcionar “de maneira independente em suas atividades originais”, não gerando efeitos concorrenciais em lojas físicas.

Em documento separado ao órgão que cuida da concorrência no País, foi mencionada a eventual entrada da Domino’s (rede de pizzarias) no acordo, posteriormante à protocolação original. No entanto, a Domino’s anunciou, na semana passada, a união de seus negócios aos do BK Brasil (Burger King), passando a fazer parte deste grupo, com 16% de participação.

Para Sérgio Molinari, consultor de food service, existem pontos positivos para as empresas que estão criando o Quiq, mas também há diversos riscos. O ponto positivo é diminuir as taxas pesadas cobradas pelos aplicativos. 

Restaurantes independentes, segundo Molinari, precisam pagar cerca de 25% do valor do pedido para as plataformas, enquanto os maiores conseguem contratos abaixo de 20%. “Para empresas que têm um tíquete médio mais baixo, pode fazer uma diferença na margem”, afirma.

Porém, hoje o mercado é dominado pelos três grandes aplicativos: iFood, Uber Eats e Rappi. O iFood, estima-se, tem mais de 70% do mercado. Então, abrir mão de estar nessas plataformas, pode causar um grande impacto nas vendas diárias. A saída, na visão do consultor, seria atrair mais grandes marcas para o negócio.

Para completar, a tendência que se vê no mercado é o usuário querendo ter cada vez menos aplicativos em seu celular. Empresas do setor de varejo, por exemplo, já estão criando seus superaplicativos. Nesta quinta, o Magazine Luiza anunciou a compra do site de vendas de eletrônicos e games KaBuM! por R$ 1 bilhão para incrementar ainda mais o seu aplicativo.

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