Lady Gaga e Tony Bennett emocionam em show para vacinados em Nova York

Apresentação precede ‘Love for Sale’, segundo álbum do dueto, que será lançado em outubro
Vinícius de La Rocha

NOVO CLIPE DE TONY BENNETT E LADY GAGA
Imagens do novo clipe de Lady Gaga com Tony Bennett – Divulgação

NOVA YORK – Com entrada permitida apenas para pessoas imunizadas contra a Covid-19, Tony Bennett e Lady Gaga fizeram história na terça-feira no icônico Radio City Music Hall, em Nova York. Passava das 20h45 quando as cortinas do palco subiram para o primeiro de dois shows que os cantores realizam na cidade.

O outro acontece nesta quinta-feira. A apresentação precede o segundo álbum do dueto, “Love for Sale”, que será lançado no mês de outubro. Do lado de fora, manifestantes antivacina protestavam, comparando a vacinação a práticas nazistas e afirmando viver um “apartheid sanitário”.

O show, chamado “One Last Time: An Evening With Tony Bennett and Lady Gaga”, também marcou a comemoração do aniversário de 95 anos do cantor, que em fevereiro deste ano revelou enfrentar o Alzheimer desde 2016.

Foi o primeiro concerto no Radio City depois da reabertura pós-pandemia. E também o primeiro show na era Covid para a maior parte do público presente. O uso de máscara não era obrigatório, mas cerca de metade das pessoas usava o acessório.

A capacidade de lotação do espaço estava liberada, ou seja, não havia distanciamento social, o que trouxe ao evento um ar pré-pandêmico. A entrada com celulares era proibida, já que a apresentação estava sendo gravada para um especial de TV. Assim, os registros fotográficos do dia histórico são raríssimos.

“A única razão de eu estar aqui hoje é por Tony Bennett”, disse Gaga, que, vestida de branco, abriu a noite com “Luck Be a Lady” e “Orange Colored Sky”. A primeira hora do show foi só dela. No palco, além de sua banda composta por cinco músicos, havia uma orquestra com cerca de 40 pessoas. Pequenas mesas com convidados dispostas dos dois lados do palco davam um clima de “clube de jazz” ao espetáculo.

protesto
Grupo protesta contra exigência de vacina para show de Lady Gaga e Tony Bennett em Nova York – Vinícius de La Rocha

Enquanto na rua os negacionistas americanos gritavam, no palco a camaleônica cantora, sempre interagindo e brincando com os músicos, dedicava a bela “What a Difference a Day Makes” a todos os médicos, enfermeiros e ao público presente. “Todos nós sabemos que acabamos de passar por pelo menos um ano e meio de Covid, e na verdade ainda estamos passando por isso. Então essa música é também para você que teve a coragem de vir aqui hoje”.

Foram vários os pontos altos de sua apresentação, mas vale destacar dois momentos –a francesa “La Vie en Rose”, que Gaga interpretou no filme “Nasce uma Estrela”, e “New York, New York”. A primeira ela dedicou a sua irmã, a estilista Natali Germanotta, que estava na plateia. A cantora desceu do palco e foi para o meio do público cantar na frente dela. “Desculpa, eu tive que ir cantar para a minha irmã. Algumas coisas são mais importantes que o show business”, disse ao retornar.

A segunda canção foi a deixa para chamar Bennett ao palco. “Ele é meu amigo, meu companheiro musical, ele é o maior cantor do mundo”, reverenciou. E então se baixaram as cortinas. E quando elas se ergueram outra vez, lá estava ele, Tony Bennett.

Em pé e se apoiando no piano de sua banda de jazz, ele parecia instável. Mas era só impressão. Com alma, energia e brilho, o cantor nova-iorquino nascido no Queens mostrou que a doença não tem sido um empecilho para ele. Bennett percorreu clássicos como “One More for My Baby”, “Smile”, “When You’re Smiling” e “Fly Me to the Moon”.

Aos 95 anos de idade, sua voz segue forte e afinada, e ele parecia entregue ao momento. Falando pouco, o cantor mandava um “muito obrigado” entre uma música e outra. E seus frequentes beijos e abraços para o público e o polegar para cima demonstravam que ele sabe muito bem o quanto é amado. A cada fim de música, a plateia levantava para aplaudir de pé. Foi bonito.

Lady Gaga, também nascida em Nova York, voltou ao palco para o “Parabéns a Você” e ficou para cantar mais três músicas com Bennett, “The Lady Is a Tramp”, “Anything Goes” and “It Don’t Mean a Thing (If It Ain’t Got That Swing)”. Para encerrar a noite já considerada clássica, Bennett fechou com “I Left My Heart in San Francisco”.

Reverenciando mais uma vez o mestre, Gaga pediu outra rodada de aplausos, deu um beijo em sua bochecha e saiu do palco de mãos dadas com Bennett. Enquanto isso, na rua, já não havia mais protestos.

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