NEVER TOO SMALL 40sqm/431sqft small apartment design – Lycabettus Hill Studio

Introducing our book! Never Too Small: Reimaging Small Space Living. Available now at our store https://www.nevertoosmall.com/store

Almost completely submerged underground, this once dark and congested storage space was gutted by SOUTH architecture and transformed into a bright, comfortable and fully equipped studio apartment. The addition of a sculptural partition wall allowed SOUTH to create distinct functional living areas whilst also enhancing the flow of natural light throughout. The clever inclusion of an arched circular opening between the living room and bedroom doubles as both a desk and vanity, while unique, custom-designed furniture in the living room, bedroom and kitchen further defines the spaces and adds to their functionality.

Quase completamente submerso no subsolo, este espaço de armazenamento antes escuro e congestionado foi destruído pela arquitetura do SUL e transformado em um apartamento estúdio bem iluminado, confortável e totalmente equipado. A adição de uma parede divisória escultural permitiu que o SOUTH criasse áreas de estar funcionais distintas, ao mesmo tempo que aumentava o fluxo de luz natural por toda parte. A inclusão inteligente de uma abertura circular em arco entre a sala de estar e o quarto funciona como uma escrivaninha e penteadeira, enquanto os móveis exclusivos e personalizados na sala de estar, no quarto e na cozinha definem ainda mais os espaços e aumentam sua funcionalidade.

housetour #architecture #design

Music:
Still in Motion By One Man Band

Produced by New Mac Video Agency
Creator: Colin Chee
Director/Camera Operator: Alina Lefa and Xenofan Varardos
Producer: Lindsay Barnard
Editor: Colin Chee

Nesta fazenda, os animais mandam, ou ao menos estão em pé de igualdade

As vacas não precisam produzir leite. Os porcos dormem tarde. Nenhum animal nesta antiga fazenda de laticínios atende a uma necessidade humana. O seu único propósito é viver pacificamente – e provocar perguntas sobre como nos alimentamos
Melissa Eddy, The New York Times – Life/Style , O Estado de S.Paulo

Kristina Berning e suas irmãs Celine e Michelle visitam Ellie, uma vaca que Kristina trouxe da fazenda de gado leiteiro de seu pai para Hof Butenland.  Foto: Lena Mucha/The New York Times

BUTJADINGEN, Alemanha – Tom colocará a cabeça no colo de qualquer pessoa que se senta para acariciar o seu pescoço, enquanto Tilda prefere fazer carinho no seu jovem filhote. Abraços, na realidade, não são algo que agrade a Chaya, mas quando ela está de bom humor, brinca combativa com um fardo de feno como se fosse uma bola gigantesca.

Em qualquer outra fazenda, essas três amigas não estariam mais vivas. Tom era pequena demais, Tilda doente demais e Chaya agressiva demais para sobreviver em uma fazenda industrial moderna. Cada uma delas estava condenada ao matadouro.

Em vez disso, o trio encontrou o seu lugar na Hof Butenland, uma antiga fazenda de laticínios transformada em casa de repouso animal que oferece um santuário a vacas, porcos, alguns cavalos, galinhas, gansos e cães resgatados.

Nenhum destes animais está ali para servir a uma necessidade humana; todos coexistem como iguais com os moradores e os trabalhadores da Hof Butenland.

“Precisamos pensar em como viver de maneira diferente, e deixar os animais em paz”, disse Karin Mück. Ela e seu marido Jan Gerdes, ambos com mais de 60 anos, dirigem a Hof Butenland, na península de Butjadingen varrida pelo vento, na Alemanha, que se estende Mar do Norte adentro.

A ideia de deixar a carne e os laticínios pode parecer revolucionária em um país mais conhecido pelos deliciosos bratwurstel e pelos schnitzel do tamanho de um frisbee juntamente com o café coberto com uma camada de espuma de leite, e cheesecake.

NYT - Life/Style (não usar em outras publicações).
Um funcionário alimenta um porco chamado Eberhard, que foi resgatado de um laboratório de pesquisa.  Foto: Lena Mucha/The New York Times

Mas os alemães estão consumindo menos carne – no ano passado, apenas 57 quilos por pessoa, a menor quantidade desde 1989 – enquanto o número de veganos aumentou consistentemente chegando a dois milhões.

Cada vez mais, mesmo os alemães que comem carne estão adquirindo produtos veganos enquanto a preocupação com o manejo dos animais está encorajando as pessoas a abrir mão dos produtos de origem animal, disse Ulrich Hamm, professor de ciências agrícolas na Universidade de Kassel, que estuda há décadas as tendências no consumo de alimentos.

Para os seres humanos da Hof Butenland, o afastamento da ideia de animais tratados como mercadorias não é apenas uma questão de moral humanitária, mas de sobrevivência do planeta, considerando o papel que as fazendas industriais exercem, contribuindo para a formação dos gases do efeito estufa na atmosfera.

“Para mim, está claro, se quisermos salvar o planeta, então devemos parar de usar e consumir animais”, disse Gerdes, durante o café, servido com um pouco de leite de aveia. “Nós temos o poder econômico para implantar mudanças, mas precisamos querer isso”.

Gerdes recebeu a Butenland do pai e introduziu práticas orgânicas na região nos anos 1980. Mas mesmo em uma fazenda orgânica, ele não pôde evitar o que ele chamou de “brutalidade” com que as vacas leiteiras são tratadas para produzir leite: retirando os bezerrinhos recém-nascidos das mães, que durante anos são inseminadas sem parar.

NYT - Life/Style (não usar em outras publicações).
Kristina Berning conduz Lily, uma vaca trazida da fazenda de gado leiteiro de seu pai.  Foto: Lena Mucha/The New York Times

O seu desconforto por causa de todo o processo – e as décadas ouvindo os bezerros chorando por suas mães – levou Gerdes a abandonar o negócio dos laticínios e adotar uma política de total igualitarismo para todas as espécies que vivem na fazenda como se fosse o seu lar.

Agora, os animais estão livres para vagar dos estábulos de tijolos vermelhos construídos em 1841, pelo corredor ladeado de árvores até os cerca de 40 hectares de pastos ricos de capim e voltando novamente, no seu próprio ritmo e no seu tempo. Aqui, não há horário de ordenha a ser cumprida, e os porcos, enfiados em uma pilha enorme de palha, dormem regularmente até muito depois do meio-dia.

Os animais de laboratório têm um lugar especial no coração de Mück, que passou semanas na solitária em 1975, suspeita de estar reunindo um grupo terrorista, depois que foi pega invadindo um laboratório para libertar os animais usados nos experimentos. Sozinha em sua cela, ela teve uma revelação.

“Um dia, me dei conta: é a mesma coisa que acontece aos animais”, ela disse. “Você não vê o sol, está separada dos seus amigos, não tem ideia do que está acontecendo ao seu redor, e não tem controle sobre sua própria vida”.

Depois de 20 anos trabalhando como enfermeira psiquiátrica, ela conheceu Gerdes que estava se preparando para deixar a agricultura e vender Hof Butenland, com os seus animais. Mas quando um trailer chegou para levar o gado, uma parte dos animais não coube.

Gerdes os levou de volta para o pasto e decidiu deixá-los ali, sem serem incomodados, para sempre. Nascia o santuário.

Para financiar o seu empreendimento, o casal inicialmente alugou apartamentos para férias. Muitos hóspedes queriam doar para ajudar a sustentar os animais, e isso levou Gerdes e Mück a criar a fundação Hof Butenland que atualmente é o sustentáculo financeiro para as suas operações.

Os canais de redes sociais estão repletos de vídeos de Chaya brincando, de outras vacas cochilando ao sol, e Hope, o ganso (inicialmente confundido com uma gansa), bicando os bolsos de Mück. Esses vídeos atraíram uma base de doadores leais, e os fundos são suficientes para cobrir os gastos mensais com veterinários, dois funcionários e custos gerais. A eletricidade é gerada no local com uma turbina eólica dos anos 1980.

Encomendas chegam aleatoriamente endereçados a uma vaca ou a Omic, um misto de pequinês recentemente resgatado da Romênia. Eles contêm tigelas, petiscos e notas escritas à mão em envelopes que frequentemente incluem uma nota de 20 euros. Os patrocinadores podem inscrever-se para excursões em grupo realizadas duas vezes por mês, mas visitantes não convidados, em geral, não passam da porteira.

“Somos chamados de o lar de descanso para vacas”, disse Mück. “Você não visita uma casa de repouso para vovós; por que seria diferente aqui?”

NYT - Life/Style (não usar em outras publicações).
Hof Butenland é uma fazenda alemã em que animais não vivem para serem ordenhados ou abatidos. Foto: Lena Mucha/The New York Times

Um vizinho, Henning Hedden, 60 anos, é um fazendeiro de segunda geração, e atualmente aluga a sua terra a um jovem que tem uma fazenda de gado leiteiro com 90 vacas. Ele já aceitou a ideia de preservação do projeto da Hof Butenland, e gosta de parar ali regularmente para tomar um café e dois dedos de prosa, embora insista: “Vou continuar comendo carne”.

Muitos vizinhos que têm leiterias funcionando afirmam que suas vacas são saudáveis, bem tratadas e ainda atendem à enorme demanda de derivados de leite do país. Alguns outros consideram a filosofia da fazenda uma ameaça ao seu ganha-pão.

“Seria ótimo se só ficássemos acariciando as vacas”, disse Mück. “Mas o que não agrada aos outros fazendeiros é que nós criticamos o sistema”./ TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Quem é Eleanor Marx, filha caçula do autor de ‘O capital’ que inventou feminismo socialista

Novos livros mostram que as três herdeiras do pensador alemão, em especial a mais nova, tiveram papel político relevante e longe da sombra do pai
Ruan de Sousa Gabriel

Eleanor, filha caçula de Marx, por volta de 1870 Foto: Reprodução

Quando soube que a historiadora Rachel Holmes trabalhava numa biografia de Eleanor Marx, filha do autor de “O capital”, um quadro ilustre da esquerda britânica, cujo nome ela não revela, teria dito: “Eleanor Marx? Viveu à sombra do pai e cometeu suicídio. O que mais há a dizer sobre ela?” Quem enfrentar as mais de 500 páginas de “Eleanor Marx: uma vida”, recém-lançado pela Expressão Popular, há de reparar que Tussy, como era conhecida, tinha luz própria. Nascida em 16 de janeiro de 1855, em Londres, Eleanor era a filha caçula de Karl e Jenny Marx. Dos sete filhos do casal, apenas três chegaram à idade adulta: Jenny (apelidada de Jennychen), Laura e Eleanor, que afirmava ter herdado o nariz do pai (e que poderia processá-lo por isso), mas não sua genialidade. Holmes discorda e a descreve como “uma das grandes heroínas da história britânica”.

Oradora brilhante, a caçula dos Marx queria ser atriz. Ajudou a popularizar a obra do dramaturgo Henrik Ibsen na Inglaterra e traduziu “Madame Bovary”. Lutou pela melhoria das condições de trabalho nas fábricas, pela expansão do direito ao voto, pela universalização da educação e pela proibição do trabalho infantil. Sua maior contribuição, porém, foi usar as teorias do pai para pensar a “questão da mulher”: foi a pioneira do feminismo marxista. Naquela época, os socialistas afirmavam que a igualdade entre os sexos seria uma consequência da revolução proletária. Eleanor, porém, inverteu o argumento e em “A questão da mulher”, de 1886, insistiu que não haveria revolução nenhuma sem luta pela emancipação feminina.

— Eleanor admirava o pai, mas foi uma grande ativista por mérito próprio. Se Karl não tivesse morrido, os dois com certeza iriam brigar por ela ter uma visão mais favorável da luta parlamentar do que ele — diz Holmes. — Devemos a ela muito do que sabemos sobre Marx. Ela era a única, além da mãe e de Engels, capaz de decifrar a caligrafia do pai, editou o trabalho dele e foi sua primeira biógrafa.

Eleanor Marx, aos 16 anos, em 1871 Foto: Reprodução

Eleanor abandonou a biografia do pai quando Engels, em seu leito de morte, revelou que o amigo era pai de Freddy, filho de Helene Demuth, fiel governanta da família Marx. Engels assumiu a paternidade do rapaz, mas o excluiu de seu testamento.

Em sua biografia, Holmes mostra que as mulheres da família Marx-Engels foram tão importantes na formação política de Eleanor quanto os autores do “Manifesto comunista”. Quando ainda era a beldade mais cobiçada de Trier, na Alemanha, Jenny, a futura senhora Marx, usava uma presilha tricolor no cabelo em apoio às ideias revolucionárias que vinham da França. Cultíssima, ela era interlocutora do marido, passava a limpo e editava seus escritos. As irmãs de Eleanor, Jennychen e Laura, casaram-se com revolucionários franceses e se engajaram na luta socialista. Holmes ressalta ainda o papel desempenhado pelas irmãs Mary e Lizzy Burns na politização da caçula. Engels viveu maritalmente com a primeira e, após a morte desta, com a segunda.

Retrato de família tirado em Londres, 1864: Friedrich Engels (em pé, à esquerda) e Karl Marx, com suas filhas (da esquerda para a direita) Jenny, Eleanor e Laura. Foto: Reprodução

— As irmãs Burns tinham trabalhado em tecelagens e eram republicanas irlandesas. Informaram Eleanor da luta contra o domínio britânico e ela, desde cedo, apoiou a causa irlandesa — diz a biógrafa. — Elas lhe apresentaram um outro modelo de mulher, não burguesa, mas da classe trabalhadora, que tinha sua própria tradição de organização política.

José Paulo Netto, autor de “Karl Marx: uma biografia”, lembra que as principais obras lançadas nos últimos anos sobre o filósofo alemão dão destaque às mulheres da família, como “Karl Marx: uma vida do século XIX”, de Jonathan Sperber, e “Amor e capital”, de Mary Gabriel. Em 1992, saiu a biografia “Jenny Marx ou A mulher do diabo”, de Françoise Giroud. O filme “O jovem Marx”, de 2017, destaca a influência de Jenny e Mary sobre seus companheiros.

Visita à comuna de paris

As outras filhas de Marx também recebem atenção. A recém-lançada ficção “O caderno azul de Jenny”, do sociólogo brasileiro Michel Löwy e do político de extrema-esquerda francês Olivier Besancenot, imagina uma visita de Marx e sua filha mais velha à Comuna de Paris. Os autores inventam um diário escrito por Jennychen e preservado por um de seus descendentes, que relata uma viagem a Paris tomada pelos communards, os revolucionários de março de 1871. No livro, Marx entra na França com uma identidade falsa, sem a barba e com a cabeleira tingida. Na vida real, Jennychen se casou com um communard, Charles Longuet. Ela recorria a um pseudônimo masculino, J. Williams, para publicar textos em apoio aos irlandeses e morreu de câncer da bexiga aos 38 anos, dois meses antes do pai.

— Todas as filhas de Marx desempenharam funções políticas, mas é Eleanor quem mais responde aos nossos tempos por conta de seu feminismo avant la lettre — afirma Netto.

A mais incensada biografia de Eleanor, de Yvonne Kapp, publicada em dois volumes nos anos 1970, continua inédita no Brasil. Em 2020, ela ganhou uma cinebiografia com trilha sonora punk: “Miss Marx”, assinada por Susanna Nicchiarelli e exibida na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

— Eleanor ilustra a complexidade de toda a luta por emancipação — diz Nicchiarelli. — Ela era incrivelmente corajosa e inteligente, mas escolheu um homem que fez da vida um inferno. Apesar disso, a história de Eleanor nos dá energia para continuar lutando por aquilo de que precisamos mais do que nunca: mudar o mundo.

Sem sorte no amor

Eleanor Marx e Edward Aveling (à esquerda) em viagem aos Estados Unidos, em 1886 Foto: Reprodução

De fato, ela não teve sorte no amor. Todos a alertaram sobre o caráter de seu companheiro, Edward Aveling, dramaturgo e discípulo de Darwin. Aveling pedia empréstimos a todos os amigos dela, incluindo Engels e Freddy, o filho ilegítimo de Marx, e se casou em segredo com uma atriz de 22 anos enquanto ainda vivia com Eleanor. A caçula de Marx teve o mesmo fim da “Madame Bovary” que ela traduziu: cometeu suicídio ingerindo ácido em 31 de março de 1898, aos 43 anos, horas depois de uma discussão com Aveling. Biógrafos especulam o que teria pesado mais na decisão de Eleanor: a traição do companheiro, a decepção com o pai que não assumira um filho, ou o fracasso em combater o nacionalismo que crescia no movimento operário em detrimento da solidariedade internacional.

Capa de "Eleanor Marx: uma vida", biografia da filha caçula de Karl Marx escrita por Rachel Holmes e publicada pela Expressão Popular Foto: Reprodução / Divulgação
Capa de “Eleanor Marx: uma vida”, biografia da filha caçula de Karl Marx escrita por Rachel Holmes e publicada pela Expressão Popular Foto: Reprodução / Divulgação

Serviço:

“Eleanor Marx: uma vida”

Autora: Rachel Holmes. Tradução: Letícia Bergamini Souto, Lia Urbini e Cecilia Farias. Editora: Expressão Popular. Páginas: 576. Preço: R$ 60.