VF Live x Dekmantel Selectors: Kléo

Música
Think Fast
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Various Artists
Álbum
Buddy Turner’s City Of Brotherly Love
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Música
405 mary
Artista
SFV Acid
Álbum
ResedaVill
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Música
Scully Mentos
Artista
UFOCUS
Álbum
Guidance For The Puzzled
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Música
New World Energy (Sunset Mix)
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Space Ghost
Álbum
Time to Dance
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Música
Bye Bye
Artista
Mr. Fingers
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Amnesia
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Música
Building a Place of Surrender
Artista
Roche
Álbum
Building a Place of Surrender
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Música
Crash 3
Artista
DimDJ
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Future Ancient EP
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The Orchard Music (em nome de Mathematics)


Música
Runnin’ (Joey Negro Solo Jazz Mix)
Artista
Mistura
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The Mystery of Mistura
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Música
Moon Dance
Artista
Delano Smith
Álbum
BND Project Vol 1
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Purple Magazine S/S #35 2021 – Rianne van Rompaey By Pierre-Ange Carlotti 

Chanel S/S 2021   —   Purple Magazine S/S #35 2021   —   www.purple.fr

Photography: Pierre-Ange Carlotti Model: Rianne van Rompaey Styling: Sheila Single Hair: Werner Amort Make-Up: Siddhartha Simone Location: Hotel Estheréa, Amsterdam

‘Não estamos dispostas a continuar aceitando relações tóxicas’, diz Mariana Ximenes

Atriz fala sobre trabalhos recentes, como a comédia ‘L.O.C.A.’ e a novela ‘Nos Tempos do Imperador’
Luiz Carlos Merten, Estadão

LOCA
Cena do filme ‘L.O.C.A.’, de Claudia Jouvin, com Mariana Ximenes, Debora Lamm e Roberta Rodrigues Foto: Serendipity Inc

O primeiro Kikito a gente não esquece – o da atriz Mariana Ximenes ocupa um lugar especial na estante (e na vida) dela. Veio pelo papel em Um Homem Só, de Cláudia Jouvin. O filme era um pouco o Arsène Lupin brasileiro – um ladrão de casaca agindo no Rio da Belle Époque. A nova parceria de Mariana com a diretora estreou no streaming do Telecine: L.O.C.A. – Liga das Obsessivas Compulsivas por Amor. Estreias não têm faltado na vida de Mariana nas últimas semanas. Ela também está – como a Condessa de Barral – na novela Nos Tempos do Imperador. E, nesta terça, 24, inicia nova fase do The Masked Singer Brasil. Convidados especiais vão se juntar ao júri permanente no programa de Ivete Sangalo. Mariana é a primeira. 

“É só uma participação, mas foi muito gostoso fazer. Sou amiga de todo mundo ali dentro, só faltava a Simone, que canta a música na trilha do L.O.C.A. A gente – Débora Lamm, Roberta Rodriguez e eu – gostava tanto da música que vivia cantando no set. Você não imagina como é divertido fazer (o Masked Singer).” E o filme? “É uma comédia transformadora feita por mulheres que estão querendo ressignificar questões de gênero que são fundamentais. No início da pandemia, nos unimos, um grupo de atrizes amigas, para fazer o Cara Palavra.” As outras – Andreia Horta, Bianca Comparato e Débora Falabella. “Cada uma na sua casa, a gente fez do programa online uma forma de se manter ativa e atuante face aos problemas do mundo. Incorporávamos os temas do dia a dia, foi um exercício de liberdade.” 

Liberdade e comprometimento. E o L.O.C.A.? “O filme vai contra o estereótipo da loucura das mulheres, da TPM, de todas as coisas que dizem sobre a gente para tentar desqualificar o feminino.” O repórter arrisca – tem havido mais comédias sobre mulheres do que homens no cinema brasileiro recente. No começo dos 1970, havia Os Paqueras, Os Machões, agora tem a Ingrid Guimarães, a Mônica Martelli, as amigas do L.O.C.A. Por que isso ocorre? “Acho que é uma questão de atitude. Muitas dessas atrizes e comédias que você citou são anteriores ao #MeToo, mas agora está havendo um incremento.” Mulheres amigas jamais serão vencidas? “Não estamos dispostas a continuar aceitando relações tóxicas. Temos nossa voz, queremos nossas narrativas. E a Cláudia (diretora) sabe como abordar assuntos complicados de forma palatável. L.O.C.A. é diversão, mas com conteúdo.” 

Mulheres modernas. Corte no tempo e no espaço para uma novela de época. Nos Tempos do Imperador. E…? “Estou muito feliz de fazer. As gravações estão mais lentas, por conta dos protocolos de segurança em relação à covid. A equipe toda trabalha de máscara, só nós, atores, fazemos nossas cenas sem, mas também ensaiamos com máscara e seguimos aqueles cuidados que você pode imaginar. Fazemos testes de dois em dois dias. Já estamos gravando o capítulo 105”, conta Mariana – a entrevista foi feita na sexta passada. Antes de iniciar as gravações, ela conta que teve um encontro com a historiadora e escritora Mary Del Priore para uma aula sobre o Brasil de Dom Pedro II, e a famosa condessa. 

“Não sabia muita coisa, na verdade acho que não sabia nada. Já era uma mulher com atitude, abolicionista, é minha sina interpretar essas personagens. Meu pai encontrou um livro com a correspondência entre Dom Pedro e ela. Os dois haviam combinado de queimar suas cartas, mas ela conservou as dele. Ajudou bastante.” Selton Mello? “A novela está marcando o retorno do Selton às novelas depois de 20 anos. O Selton sempre foi muito talentoso, mas nesse período deu uma cara ao cinema brasileiro, virou diretor respeitado. Está sendo uma convivência muito linda, não só com ele. Tem a Letícia (Sabatella)…” O repórter a interrompe, citando a garota de nome complicado. Gabriela Medvedovski marcou presença na Malhação de Cao Hamburger, que venceu o Emmy Internacional. “A Gabriela é um assombro e eu sei disso porque minha personagem interage muito com ela.” O repórter tece loas à garota. “Vou contar para ela!” 

Uma novela de época tem de ter cuidados especiais de cenografia e figurinos. Nos Tempos do Imperador tem enchido os olhos. Na semana passada, Mariana esteve deslumbrante num vestido preto com detalhes brancos. “Os vestidos são personagens”, ela diz. O diretor Vinícius Coimbra fez no cinema A Hora e a Vez de Augusto Matraga, a versão com João Miguel. É fera. “Concordo com você. Vinícius tem assinatura. É humano, sensível e preciso, o que é muito importante num diretor.” Por falar nisso, Júlio Bressane. “Já havia feito com ele o Dias de Nietzsche em Turim, agora temos o Capitu e o Capítulo, que já esteve em Roterdã. Gosto de experimentar novas linguagens. Quem melhor do que ele?” 

Fintech Cora, focada em PMEs, recebe aporte de US$ 116 milhões

Com os novos recursos, a startup pretende investir em novos produtos e alavancar a área de crédito; novo cheque chega apenas quatro meses após a rodada interior
Por Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

Igor Senra (D) e Leonardo Mendes, fundadores da Cora
Igor Senra (D) e Leonardo Mendes, fundadores da Cora

Depois de os primeiros bancos digitais brasileiros, como Nubank e Neon, digitalizarem o bolso do consumidor, uma nova onda de fintechs tem ganhado força no País oferecendo serviços financeiros digitais para empresas. Um dos símbolos desse movimento é a startup Cora, focada em pequenas e médias empresas, que anuncia nesta terça-feira, 24, um aporte de US$ 116 milhões (aproximadamente R$ 620 milhões). 

A rodada foi liderada pelo fundo americano Greenoaks Capital e teve participação das outras gestoras que já investiam na Cora (Ribbit Capital, Kaszek e QED Investors). Além disso, com esse aporte, os investidores chineses Tiger Global e Tencent tornaram-se sócios da startup. 

O novo cheque chega apenas quatro meses após a rodada interior – a fintech levantou US$ 26,7 milhões em abril. Igor Senra, presidente executivo e cofundador da Cora, afirmou ao Estadão que os investidores resolveram aumentar a aposta na empresa, antecipando a rodada que estava prevista para 2022.

“Não estávamos buscando um novo aporte, mas a ideia fez sentido com o nosso ritmo de crescimento. Durante uma rodada, já pensamos na próxima, e trazer esses novos investidores estrangeiros pode ser um laço para o próximo cheque”, diz Senra, que, ao lado de Leonardo Mendes, criou o sistema de pagamentos Moip, comprado pela alemã Wirecard em 2016 por R$ 165 milhões – depois disso, os dois fundaram a Cora juntos em 2019. 

A Cora oferece uma conta digital para pequenas e médias empresas, cujo objetivo é facilitar o recebimento de pagamentos (seja por Pix, TED ou boletos) e fazer projeções de fluxo de caixa – os serviços são plugados a um cartão de débito. A fintech recebeu licença do Banco Central para ser uma instituição financeira em outubro do ano passado e soma hoje 138 mil clientes. 

Com o aporte, a startup pretende aumentar sua prateleira de produtos – sem revelar detalhes, Senra afirma que estuda novas formas de recebimentos para a plataforma e melhoria de automatizações. Outra parte dos recursos será direcionada ao marketing e à aquisição de clientes.

Além disso, a Cora está investindo na área de crédito. A empresa já tem um projeto piloto com cartão de crédito, disponível para 3 mil clientes, e pretende agora expandir o serviço e incluir outras possibilidades, como antecipação de recebíveis. 

“Estamos olhando bastante também para o open banking, para conseguirmos nos beneficiar das aberturas. Quanto antes conseguimos ter as informações dos clientes, antes conseguimos dar o crédito”, afirma o presidente executivo da Cora. 

A fintech tem hoje 170 funcionários e planeja fechar o ano com 270 pessoas – no começo de 2021, eram 68.

Disputa

A Cora não está sozinha no mercado de bancos digitais voltados a PMEs. Outro nome do setor é a Linker, fundada por dois ex-funcionários da Neon, Daniel Benevides e Ingrid Barth, e um ex-Itaú, David Mourão. A conta digital da empresa permite que o empresário conecte as informações financeiras com sistemas de contabilidade online, gestão de clientes e de pagamento de funcionários. Em 2021, a Linker cresceu quatro vezes o volume total transacionado na plataforma e dobrou o número de clientes – a fintech não revela exatamente quantas empresas atende. 

O nicho também está na mira de outras startups que estão buscando se “fintechzar”. No começo deste mês, a Omie, dona de uma plataforma de gestão empresarial, levantou R$ 580 milhões com um plano claro: investir na combinação de serviços financeiros com tarefas de rotina, como emissão de notas fiscais e controle de fluxo de caixa. Ou seja, incluir um “internet banking” dentro do dia a dia das companhias, junto com a contabilidade. 

Para Senra, o diferencial da Cora para competir está no foco. “Nosso negócio é construir produtos financeiros específicos para atender as pessoas jurídicas. Somos especializados nisso”, diz. 

Entenda como a indústria da beleza tentou embranquecer as mulheres negras

Removedor de pele preta e outros cosméticos vendidos nos séculos 19 e 20 são destrinchados em livro de Giovana Xavier
Marina Lourenço

Ao traçar paralelos entre Brasil e Estados Unidos, História social da beleza negra relaciona racismo e indústria da beleza, evidenciando as raízes sociais desse conceito sutil da subjetividade feminina negra e do que é considerado belo.

SÃO PAULO – Com apenas um frasco do sabonete facial Hartona, seria possível tornar “a pessoa preta cinco ou seis tons mais clara” e “a mulata perfeitamente branca”. Era o que prometia uma propaganda publicitária da marca, em 1901, mesmo ano em que sua concorrente Rilas Gathright vendia o creme Whitener Imperial, sob a promessa de os “pretos virarem mulatos” e “mulatos se tornarem quase brancos”.

Uma série de cosméticos dos séculos 19 e 20 —à base de soda cáustica e concentrações excessivas de mercúrio, amônia, peróxido de hidrogênio, bórax e substâncias não reveladas— causou alergias, irritações, lesões, cicatrizes e até mesmo mortes em inúmeras mulheres negras.

O que unia esses cosméticos, de diferentes selos e finalidades, era a lógica sistêmica na qual estavam inseridos, marcada pela popularização de valores eugenistas e a normatização da brancura como padrão de progresso e de beleza universal. É o que afirma Giovana Xavier em seu novo livro, “História Social da Beleza Negra”.

Primeira propaganda da empresa Madam C.J. Walker de que se tem registro, de aproximadamente 1890
Primeira propaganda da empresa Madam C.J. Walker de que se tem registro, de aproximadamente 1890 Arquivo pessoal

Batons, perfumes, blushes, pós faciais, loções e pranchas alisadoras foram esmiuçados pela autora, que é especialista na história dos Estados Unidos e idealizadora do Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Com uma vasta pesquisa da conjuntura histórica e das relações de poder nas terras do Tio Sam, Xavier traz no livro uma análise sobre a reinvenção negra do pressuposto de que “a beleza começa com a pele”.

Traçando dados comparativos de migração, população e categorias raciais oficiais, a autora mostra que em meio a políticas segregacionistas, como as leis de Jim Crow, o mercado estético foi um dos principais difusores dos valores supremacistas brancos. Cosméticos como o sabonete da Hartona fizeram sucesso muito mais pela ideia que vendiam do que pelo produto específico.

Em meio à expansão do capitalismo industrial, empresas do setor propunham o ideal de uma nova beleza, atrelada a noções de pureza, saúde, glamour, inteligência e aptidão. E tudo isso associado à branquitude.

Desenho mostra duas mulheres se encarando, uma negra e outra branca
Anúncio de cosmético que prometia remover a pele preta – Reprodução

“História Social da Beleza Negra” mostra que produtos como clareadores de pele e alisadores capilares vendiam —em termos práticos— ideais de oportunidade de trabalho, ascensão social e respeito.

“Eu não quero que as pessoas leiam sobre o ‘black skin remover’ [removedor de pele preta] e fiquem horrorizadas achando que os negros simplesmente desejavam ser brancos. Não se trata disso”, diz a autora. “Esse tipo de produto está situado num contexto em que pessoas negras sofriam linchamento em praça publica só por encararem brancos na rua.”

É nesse cenário de pós-abolição e segregação que surge, então, o que Xavier chama de “capitalismo negro”, no qual afro-americanos criaram as próprias instituições, redes, estilos de vida, veículos de imprensa, propagandas publicitárias e produtos de beleza.

Mulher negra sorrindo e usando roupas vermelhas
Giovana Xavier, autora de ‘História Social da Beleza Negra’ – Amanda Vitor Néri

Nasce uma elite negra —regulada pela pigmentocracia, a discriminação racial a partir de tons de pele e fenótipos—, que passa a promover novos ideais sobre a existência afro-americana, muitas vezes repletas de paradoxos.

Se por um lado empresários negros —em sua grande maioria, de pele clara— reforçaram estereótipos femininos ao criar uma imagem da “nova mulher afro-americana”, por outro valorizaram a beleza negra.

Um cartaz da marca Kashmir, por exemplo, estampou em 1919 uma modelo negra vestida como Cleópatra, enaltecendo a ancestralidade africana. No entanto, a empresa vendia clareadores de pele negra e alisadores de cabelo.

Cartaz mostra modelo negra vestida como rainha do Nilo
A presença da rainha do Nilo na publicidade marca uma virada na imprensa e na cosmética negras, caracterizadas pela chegada de uma narrativa de valorização de uma ancestralidade africana gloriosa, em vez de bárbara – Hathi Trust

“Todo conceito e projeto político de beleza negra foi construído com chancela e autorização da própria comunidade negra”, afirma Xavier.

A estética da art nouveau é encontrada em diversas propagandas da elite negra, o que enaltecia a cultura branca, mas, ao mesmo tempo, oferecia aos afro-americanos ideais historicamente negados, como glamour e poder.

Essa complexidade da expansão da indústria da beleza americana nos séculos 19 e 20 é, segundo Xavier, influente até mesmo na afirmação política atual dos movimentos negros. “O que temos de novo são os holofotes para a beleza negra, mas esses paradoxos continuam”, diz ela. “Além disso, se discutem muito questões como lugar de fala, o que é interessante, mas não podemos esquecer que as vozes negras sempre existiram. O que falta mesmo são ouvidos interessados.”

HISTÓRIA SOCIAL DA BELEZA NEGRA

  • Preço R$ 49,90 (160 págs.)
  • Autor Giovana Xavier
  • Editora Rosa dos Tempos