Nikola Dukic for Fashion Editorials with Alex Cotterell

Photographer & Stylist: Nikola Dukic. Hair and Makeup: Mar Farreras. Model: Alex Cotterell at The Models.

Homay Takes us to Abbey Road Studios for a Behind the Scenes look at a Recording Session

Enter the room most composers can only dream of with Homay as she gives us a sneak peek at a recording session in the infamous Studio One.

Entre na sala com a qual a maioria dos compositores só pode sonhar com Homay enquanto ela nos dá uma prévia de uma sessão de gravação no infamous Studio One.

CINEMA I Estreias: Maligno, O Bom Doutor, A Última Floresta, Suk suk – Um Amor em Segredo, Danças Negras, Um Casal Inseparável, Patrulha Canina – O Filme

Cinemas de SP começam setembro com programação cheia e dez lançamentos

Suk Suk – Um Amor em Segredo”, premiadíssima produção de Hong Kong, traz pelo olhar do diretor Ray Yeung a história de dois homens gays maduros que juntos dividem carinhos e resistência enquanto lutam pelo direito de se amarem livremente.

SÃO PAULO – Com dez lançamentos nesta quinta-feira, dia 9, os cinemas de São Paulo começam setembro com um calendário de estreias cheio. O destaque é o aguardado terror “Maligno”, filme de James Wan, cineasta conhecido por “Invocação do Mal”, “Sobrenatural” e “Jogos Mortais“. Desta vez, ele invade o universo dos sonhos com pesadelos que, na verdade, são reais.

Inspirado na paralisia do sono, doença em que a pessoa fica incapacitada temporariamente de se mover ou de falar, o longa põe a atriz Annabelle Wallis na pele de Madison Mitchell, personagem que fica paralisada após ter visões de cruéis assassinatos.

Na contramão do terror de Wan, a comédia francesa “O Bom Doutor” conta como um entregador se tornou médico por acidente. Ainda no campo do acaso, a comédia romântica brasileira “Um Casal Inesperado” traz Nathalia Dill e Marcos Veras como um casal que se apaixona e se desapaixona facilmente.

Outro que aposta no romance é a produção de Hong Kong “Suk suk – Um Amor em Segredo“, filme exibido no festival de Berlim. Entre os documentários, “Danças Negras” fala sobre o racismo na dança e como o ritmo da música africana representa o povo negro. Também sobre ancestralidade, “A Última Floresta” usa parte documentário e parte ficção para exibir os problemas vividos pelos povos indígenas nas florestas brasileiras.

Não custa lembrar que, apesar do avanço da vacinação e da flexibilização da quarentena, ainda estamos em uma pandemia. Use máscara, mantenha o distanciamento e siga as orientações sanitárias se for ao cinema.



Estreias

O Bom Doutor
Nesta comédia, um médico começa a fazer plantões noturnos —até que sofre um acidente de trânsito e fica impossibilitado de trabalhar. O entregador que o socorre no momento do acidente começa a substitui-lo no trabalho.
França, 2019. Direção: Tristan Séguéla. Com: Michel Blanc, Hakim Jemili e Solène Rigot. 12 anosLeia a críticahttps://www.youtube.com/embed/qSQOlEK-Nfk?enablejsapi=1


Um Casal Inseparável
Nathalia Dill e Marcos Veras vivem um casal nesta comédia romântica brasileira. Dill interpreta uma professora de vôlei que nunca pensou em se casar, enquanto Veras vive um rico pediatra. Após um relacionamento, eles se separam e têm de lidar com o término.
Brasil, 2021. Direção: Sérgio Goldenberg. Com: Nathalia Dill, Marcos Veras e Totia Meireles. 12 anos


Cidadãos do Mundo
Gravado em Roma, o filme conta a história de um professor aposentado, de um homem que recebe pensão e de um boêmio dono de uma loja. Com pouco dinheiro, os três decidem se mudar para um país mais barato, onde poderão gastar menos.
Itália, 2019. Direção: Gianni Di Gregorio. Com: Gianni Di Gregorio, Ennio Fantastichini e Giorgio Colangeli. 12 anos


Danças Negras
Após ser exibido em festivais e circuitos paralelos, o filme chega aos cinemas comerciais de São Paulo e explora os ritmos ligados a religiões de matriz africana a partir da dança e do corpo. Coreógrafos e pesquisadores mostram como a cultura negra foi vítima de racismo desde a escravidão.
Brasil, 2021. Direção: João Nascimento e Firmino Pitanga. 12 anos.Cena do documentário ‘Danças Negras’, de João Nascimento e Firmino Pitanga


De Volta para Casa
O drama sobre um escritor que cuida da mãe com câncer equilibra imagens de San Francisco, no estado americano da Califórnia, onde o personagem vive, e suas memórias da Coreia do Sul. Enquanto cozinha um jantar coreano, ele lembra o passado.
EUA e Coreia do Sul, 2021. Direção: Wayne Wang. Com: Justin Chon, Jackie Chung e Christina July Kim. 12 anos.


Maligno
Dirigido por James Wan, cineasta que está por trás de “Invocação do Mal”, “Sobrenatural” e “Jogos Mortais”, a ficção apresenta Madison, uma mulher que fica paralisada após ter visões aterrorizantes. Com o tempo, ela descobre que essas imagens, na verdade, são visões de situações reais.
EUA, 2021. Direção: James Wan. Com: Annabelle Wallis, Maddie Hasson e Jake Abel. 16 anos.


Suk Suk – Um Amor em Segredo
Com uma história romântica entre dois homens mais velhos, o filme exibe as dificuldades de se construir um relacionamento homoafetivo em uma sociedade conservadora. Entre os momentos de afeto e recordações familiares, eles lutam pelo direito de se amarem livremente.
Hong Kong, 2021. Direção: Ray Yeung. Com: Tai-Bo, Ben Yuen e Patra Au. 14 anos


Patrulha Canina – O Filme
Inspirado no desenho infantil, a animação sobre cães falantes põe desta vez o filhote Ryder e seus amigos em uma investigação criminal em busca de evitar um desastre na cidade canina onde eles vivem.
EUA, 2021. Direção: Cal Brunker. Livre

Por que Você Não Chora?
Bárbara Paz vive uma mulher com transtorno borderline que, ao ser tratada por uma estagiária de psicologia, faz com que a terapeuta mude a maneira como enxerga o mundo. Baseado em fatos reais, o filme foi dirigido pela psicóloga Cibele Amaral.
Brasil, 2021. Direção: Cibele Amaral. Com: Bárbara Paz, Cristiana Oliveira e Elisa Lucinda. 14 anoshttps://www.youtube.com/embed/4Arda51xKX8?enablejsapi=1


A Última Floresta
Vencedor do prêmio do público da mostra Panorama do festival de Berlim, “A Última Floresta” mistura documentário e ficção ao mostrar garimpos ilegais e o desflorestamento. O líder yanomami Davi Kopenawa participou da criação do roteiro.
Brasil, 2021. Direção: Luiz Bolognesi. Classificação: 14 anos

Ex-modelos depõem contra Gérald Marie em investigação por assédio e estupros

Carré Sutton, Lesa Amoore e outras mulheres fizeram novas declarações à polícia francesa; supermodelos como Carla Bruni e Paulina Porizkova manifestaram apoio ao grupo
MARIE CLAIRE

Carré Sutton e Lesa Amoore dão entrevista coletiva em Paris na terça-feira (7) (Foto: Getty Images)

Em uma entrevista coletiva que aconteceu na última terça-feira (7) em Paris, a ex-modelo estadunidense Carré Sutton, 52 anos, voltou a acusar o antigo comandante da divisão europeia da agência Elite, Gérald Marie, de ter repetidamente a estruprado em seu apartamento quando ela tinha 17 anos. Outras modelos, como Lesa Amoore, também se pronunciaram publicamente na coletiva, após os depoimentos sigilosos à Unidade de Proteção à Criança da Polícia de Paris, sobre as acusações que teriam acontecido nos anos 80 e 90. Em agosto, Carré abriu um processo contra Gérald em Nova York.

A ex-modelo, que estrelou campanhas de marcas como Calvin Klein e Guess, afirmou ainda que o antigo comandante da agência a estimulava a usar cocaína sob a premissa de que facilitaria a sua perda de peso e, dessa maneira, otimizaria a sua carreira. “Eu sabia que precisava aguentar o abuso para continuar a trabalhar. Aquilo foi deixado bem claro para mim”, declarou.

Os depoimentos foram ouvidos na terça e incluíram alegações de estupro e má conduta sexual contra Gérald Marie, que comandou a divisão europeia da agência e foi casado com a supermodelo Linda Evangelista. “Ouvindo as mulheres agora e baseada em minhas experiências, eu acredito que elas estão contando a verdade”, declarou Linda em entrevista ao The Guardian em outubro de 2020. “Isso parte o meu coração porque essas são feridas que talvez nunca curem. Eu admiro a coragem e força em se posicionarem”, complementou a supermodelo. Gérald sempre negou as acusações feitas ao longo dos anos.

Um ano após as investigações terem sido abertas pela promotoria na França, um grupo de modelos, que inclui grandes nomes como Carla BruniKaren ElsonMilla Jovovich e Paulina Porizkova, se pronunciou em suporte às acusadoras de Gérald. “Basta. Eu apoio Carré e as outras sobreviventes de Gérald Marie nas suas vindas a Paris para testemunhar contra o abusador”, declarou Carla Bruni por meio da Model Alliance, uma ONG que provê serviços jurídicos e aconselhamento legal para trabalhadoras da moda. 

“Nenhuma indústria está imune ao abuso sexual. Há tanto trabalho a ser feito na França e ao redor do mundo para garantir que as mulheres estejam protegidas de violência sexual no trabalho”, continua Carla. “Como modelos, nós não éramos pagas por nossos talentos”, declarou outra supermodelo, Paulina Porizkova. “Nós alugávamos os nossos corpos e rostos. O seu corpo não era seu”, continua. Paulina parabenizou as mulheres que viajaram a Paris para depor e que, segundo ela, iriam “reviver algumas lembranças dolorosas para lutarem por uma indústria melhor e pelas mulheres que não foram capazes de continuar”.

Em entrevista ao The New York Times, a fundadora e diretora executiva da Model Alliance, Sara Ziff, declarou: “Nós buscamos justiça para as sobreviventes, mas nós também queremos uma indústria da moda mais segura e com mais equidade”. A diretora, que trabalhou próxima a Carré Sutton quando ela abriu o processo em Nova York em agosto, ainda afirmou que “apesar dos movimentos Me Too e Time’s Up, a indústria da moda escapou de qualquer revisão que levasse as pessoas em posições de poder a mudarem a maneira como elas conduzem seus negócios”. Ela continua: “Já tivemos muitos processos e acordos, mas nós não vimos ainda uma mudança estrutural que pode legalmente reforçar padrões e culpabilizar indivíduos e instituições”.

Como One Piece levantou uma discussão sobre personagens trans com Yamato

Embora filho de Kaido tenha trazido um debate sobre gênero, o próprio mangá parece deixar a discussão mais confusa
FÁBIO GARCIA

Yamato em One Piece
One Piece/Shueisha/Reprodução

One Piece é mais do que a série de um pirata que estica. Através de muitas alegorias, o mangaká Eiichiro Oda conseguiu introduzir em seu famoso shonen de lutinha uma série de discussões de assuntos bem mais complexos, como militarização e racismo. Recentemente o personagem Yamato, filho do vilão Kaido, acendeu uma pauta que dividiu fãs da obra: embora Yamato se considere um homem e seja tratado dessa forma por todos os personagens, sua identidade de gênero não é respeitada por todos que consomem a história.

Para entender como algo simples acabou se tornando um debate no meio dos fãs de One Piece, reunimos algumas informações que podem elucidar (ou não) essa história.

Quem é Yamato?

Yamato foi introduzido no atual arco de One Piece, ambientado no país de Wano, e rapidamente ganhou bastante destaque por conta de sua força e importância para a história. O personagem é o filho de Kaido, o grande vilão da saga atual, responsável por usar sua força bruta para dominar a região e criar um exército particular com versões artificiais das Akuma no Mi (os Frutos do Diabo que garantem poderes às pessoas). Coisas que acontecem no mundo de One Piece, não é mesmo?

Demorou para que Yamato fosse introduzido na história. O personagem só era citado por Kaido ou pelos capangas, sempre com muito respeito e reverência, e ele surgiu na trama durante a invasão a Onigashima, o clímax da batalha no país de Wano. Luffy “trombou” com Yamato nas dependências da base de Kaido e logo formaram uma aliança para encerrar a guerra, afinal seus objetivos eram muito próximos: assim como Luffy gostaria de libertar o povo de Wano das garras de Kaido, Yamato tem o mesmo desejo do guerreiro lendário Oden e quer abrir as portas do país para as nações estrangeiras.

A questão polêmica começa agora. Yamato não tem os mesmos sonhos do falecido Oden, na verdade ele se autoproclamou o novo Oden e tomou para si a missão de continuar seu legado, acompanhado do diário escrito pelo antigo guerreiro. Isso não tem nada de surpreendente porque, afinal, estamos falando de um shonen de lutinha no qual o protagonista tem o poder de se esticar como borracha, mas um detalhe começou a causar um ruído nos fãs: Yamato é desenhado por Eiichiro Oda com um corpo feminino, porém todos os personagens respeitam a vontade de Yamato e se referem a ele com pronomes masculinos. Isso foi o bastante para que o filho de Kaido fosse interpretado como um homem trans, mas essa leitura não foi uma unanimidade.

Yamato em One Piece
One Piece/Shueisha/Reprodução

A reação dos fãs

Falar que alguns fãs têm inclinações pouco progressistas não é surpreendente no meio nerd ou otaku. Assim como é possível encontrar fãs de X-Men que agem com preconceito quando se fala de minorias, alguns fãs de One Piece ignoram (ou não percebem) algumas narrativas inseridas na trama e reproduzem comportamentos inadequados e opostos à obra. Mesmo que o Eiichiro Oda não introduza as pautas de forma literal e didática, fica claro que One Piece é sobre um grupo de personagens dispostos a ajudar qualquer pessoa oprimida socialmente, seja por um governo militarista quanto por um ser forte cujo poder subiu à cabeça.

Sobre minorias, precisamos lembrar que One Piece já teve outros personagens representando pessoas LGBTQIA+, como o Bon-Clay ou Emporio Ivankov. Embora ambos sejam mostrados como caricaturas (às vezes até de forma ofensiva), é necessário entender que eles surgiram na história em uma época na qual discussões sobre questões sociais não eram tão fortes como hoje em dia (Bon-Clay apareceu pela primeira vez em 2000, e Ivankov, em 2009). Mesmo assim, o caso do Yamato parece ser complexo.

Bon Clay e Ivankov
One Piece Treasure Cruise/Divulgação

Ao mesmo tempo que o personagem se considera homem e os demais se refiram a ele com palavras e pronomes masculinos, há uma parcela dos fãs que rejeita esse respeito à identidade de gênero do Yamato. Não só é fácil encontrar pessoas se referindo a ele como mulher como também há os que insistem em corrigir os que se referem ao Yamato com os pronomes masculinos. Matheusresponsável pelo canal All Blue, costuma acompanhar as polêmicas do meio e explica a forma como essas pessoas tratam o personagem na internet: “Alguns já aceitaram sem nem precisar do debate, mas tem muita gente que disse que Yamato é mulher porque tem peito e aparência de mulher”. O youtuber ainda revela que alguns canais especializados em One Piece fazem questão de se referir a Yamato como mulher nas capas e thumbs de seus vídeos.

Se a discussão sobre identidade de gênero em One Piece já parecia difícil com as informações da história, um recente lançamento da Shueisha complicou ainda mais. A série de Eiichiro Oda conta com vários “databooks”, livros reunindo informações sobre personagens e arcos nessas décadas de publicação. Após vários livros, a editora Shueisha parou de lançar esse conteúdo de forma compilada e passou a lançar páginas soltas com personagens mais recentes na trama, e essas páginas foram chamadas de Vivre Cards (nome dado a um papel de propriedades especiais existente no universo de One Piece). “Os Vivre Cards têm a intenção de dar informações oficiais e canon, então eles confirmam coisas que antes eram só especuladas pelo fandom”, explica Matheus.

Com o lançamento do Vivre Card com as informações do Yamato a discussão voltou a repercutir, pois está escrito no box do personagem a informação “gênero: feminino/mulher”. Para o apresentador do canal All Blue, isso foi o combustível que faltava para inflamar uma ala bem barulhenta entre os fãs de One Piece: “com isso tem muita gente do fandom, a galera mais tóxica, que acha que venceu uma batalha, sabe? Aproveitando pra mandar uns ataques transfóbicos com comentários misóginos, machistas, disfarçados de ‘brincadeira’”. Alguns não aceitam Yamato como um homem trans, e defendem a utilização de pronomes femininos usando como desculpa que o personagem não se identifica como homem, e sim se identifica como Oden que, no caso, é um homem. Em vez de promover um debate entre fãs para entenderem melhor as características de um personagem, o Vivre Card foi usado para pessoas reafirmarem suas posições pré-existentes.

Kikunojo
One Piece/Toei/Reprodução

Curiosamente há uma outra personagem transgênero no arco de Wano, a samurai Kikunojo, tratada com mais respeito pelos fãs. Ao contrário de Yamato, os fãs aceitam melhor que Kikunojo se identifica como alguém do sexo feminino e usam os pronomes corretamente ao se referir a ela. Quer dizer, quase: “ainda assim tem um ou outro que diz que ela é ‘trap’”, lamenta Matheus do All Blue. No caso, “trap” é uma palavra carregada de bastante preconceito e inaceitável de ser usada para se referir a uma pessoa trans.

Texto inconclusivo

Agora vamos entrar em uma parte mais pragmática nesse debate a respeito do Yamato em One Piece. A língua portuguesa deixa bastante marcado o gênero do interlocutor, mas como é no texto original? Buscando algumas respostas, conversei com Felipe Monte, o tradutor do mangá de One Piece no Brasil, e acabei vendo que a situação é mais complexa do que imaginava.

Se você abrir os volumes 97 e 98 da edição brasileira de One Piece encontrará textos “desconexos” a respeito do Yamato. Ao mesmo tempo em que o rapaz se refere a si mesmo com palavras do gênero masculino, e até mesmo o vilão Kaido chame Yamato de “filho“, as caixas de texto com informações identificam Yamato como mulher.

One Piece/Toei/Reprodução

Quando a gente descobre que o Yamato existe, é com o Kaido especificamente falando do filho dele (‘musuko’ em japonês). Outros personagens se referem a ele com o termo ‘bocchan’ (que na nossa edição ficou adaptado como ‘Jovem Mestre’) que é basicamente um termo pra se referir ao filho (homem) dos outros e também tem a conotação de ser filho de alguém importante“, explica Felipe. No entanto, o tradutor aponta que logo depois o mangá se contradiz: “quando o personagem finalmente aparece e revela o rosto e rasga as mangas do quimono, o box de apresentação o trata como ‘Filha do Kaido“.

Felipe explicou que isso foi o bastante para que chegassem algumas reclamações à Panini, afinal estavam usando palavras de gênero incorreto para se referir ao Yamato. No entanto não se trata de um erro de tradução, pois isso está presente na versão original: “Essa questão de ‘filha do Kaido’ se mantêm em outras partes da história como na apresentação dos personagens no início dos volumes e nas sinopses, e é por isso que mantemos tudo isso nas nossas edições. A nossa regra, por assim dizer, é ter sempre o respaldo do original”. Isso leva a questão a um ponto muito curioso.

Todos os personagens, sejam eles vilões ou heróis, se referem ao Yamato com pronomes masculinos. O próprio personagem usa palavras comumente usadas por homens, como o pronome “boku” (eu) em japonês. Porém, essa identidade do Yamato é desrespeitada aqui no nosso “mundo real” pelos balões de explicação da história e textos editoriais. É como se o Oda ou a equipe da Shueisha entendessem Yamato como mulher, ao contrário de todos os personagens do mundo de One Piece que o aceitam como homem.

O tradutor acredita que a utilização de “filha do Kaido” na introdução do personagem foi apenas uma estratégia do Oda para reforçar a surpresa esperada para a revelação da aparência do Yamato. No entanto, ele também aponta que o texto do Vivre Card e a inclusão do Yamato em um vídeo sobre mulheres fortes de One Piece “deixa claro qual a visão que os responsáveis pela série tem do personagem“.

One Piece/Toei/Reprodução

Curiosamente, esse ruído entre o texto do editorial e as falas dos personagens não ocorre no anime de One Piece, produzido pela Toei e disponibilizado oficialmente no Brasil pela Crunchyroll. No episódio 990, o mais recente lançado no Japão, é usada a palavra “musuko” (filho) no título do episódio, ou seja, tanto os personagens quanto o próprio anime identifica Yamato como alguém do sexo masculino.

Otakus e personagens trans

A relação entre otakus e personagens trans sempre foi bem conturbada, mas ultimamente parece ter aumentado um pouco. Pelo menos é o que constata Lys, uma das podcasters do Otaminas e mulher trans, que conversou um pouco sobre a questão de como os fãs compreendem o Yamato. Para ela, tem sido mais comum pessoas no ambiente virtual agindo de forma mais conservadora e usando imagens de avatar de animes, mas, mesmo assim, Lys ressalta que não podemos dizer que toda a comunidade reage dessa forma: “Querendo ou não, o meio nerd é bem próximo do otaku, e é um ambiente um pouco fechado para minorias, mas ultimamente eu tenho visto que ele se abriu mais e tem tido muito mais debate dentro desse ambiente”.

Na visão da podcaster, a confusão por conta dos textos do mangá tratando o Yamato com gêneros diferentes só complica o debate. “Talvez fosse melhor o mangá ter um pequeno textinho, entre os personagens falando entre si e explicando um pouco em relação a isso. Querendo ou não, quem não tem contato [com essas pautas] fica muito confuso”, argumentou.

One Piece/Shueisha/Reprodução

Lys também tem uma teoria que pode explicar o motivo de Kikunojo ser mais aceita pelos fãs que o Yamato, além do fato da samurai dos Bainhas Vermelha ter uma aparência em que ela quase não é vista como uma pessoa trans: “A gente vê muito mais na mídia mulheres trans do que homens trans. Vou dizer uma coisa que é meio pesada, é mais comum a sociedade aceitar que um ‘homem’ transicione para uma mulher e sirva para o olhar masculino. É muito mais difícil a sociedade aceitar que uma ‘mulher’ transicione para um homem”, Lys fez questão de gesticular com aspas quando se referiu aos termos “homem” e “mulher”.

Como estamos em uma sociedade patriarcal machista que enxerga o homem como a ponta da pirâmide, há o questionamento quando se vê uma pessoa de um “nível inferior” querendo escalar para o “nível superior”. Novamente, esses termos foram citados pela entrevistada com muitas aspas porque se referem à forma como a sociedade enxerga isso implicitamente.

Bons exemplos

Como curiosidade, perguntei à Lys sobre animes que ela julga terem abordado bem a questão dos personagens transgêneros e obtive uma lista bem interessante. Além de velhos conhecidos do público otaku como Card Captor Sakura e Sailor Moon, ambas séries com personagens não-binários e trans, a podcaster citou Lovely Complex Paradise Kiss como histórias com bons personagens trans, embora sejam pessoas que têm uma “passabilidade”, ou seja, não são lidos como pessoas trans.

Além desses, ela fez questão de destacar a abordagem que ocorre no filme Tokyo Godfathers, de Satoshi Kon. A protagonista Hana não tem a mesma “passabilidade” dos personagens dos animes citados anteriormente, pois em sua caracterização no filme ela traz alguns elementos visuais atrelados à imagem masculina, como a barba, mas ainda assim é tratada como mulher e respeitada pelos demais personagens do filme.

Tokyo Godfathers/Reprodução

Por mais que o Yamato tenha promovido esse debate dentro da comunidade de One Piece, é importante ressaltar que nada está escrito em pedra. Como o mangá e o anime ainda estão em publicação, inclusive o arco de Wano nem chegou ao fim, muita coisa pode acontecer a respeito do personagem. Atualmente nos quadrinhos tivemos a introdução de um “novo personagem” que tem relações com o desejo de Yamato, então tudo pode mudar daqui pra frente.

De qualquer forma, fica o aprendizado que tivemos com esse episódio e, quem sabe, teremos mais pra frente personagens que representem melhor as questões apontadas.

Chiara Ferragni é criticada por postar foto ousada: “Se comporte como uma mãe”

Influencer italiana é mãe de Leone e Vittoria, esta nascida em março deste ano, frutos de seu casamento com o cantor Fedez
GLAMOUR

Chiara Ferragni usa boby recortado (Foto: Reprodução Instagram)
Chiara Ferragni (Foto: Reprodução Instagram)

Chiara Ferragni usou sua conta nas redes sociais para compartilhar duas fotos usando uma lingerie recortada, nesta quarta-feira (08).

A influencer italiana é mãe de Leone e Vittoria, esta nascida em março deste ano, frutos de seu casamento com o cantor Fedez, sofreu críticas nas mídias.

“Foto minha sendo mãe e, ao mesmo tempo, com roupa íntima”, escreveu na legenda, após as primeiras críticas. 

Muitos usuários a criticaram devido à ousadia da roupa, pois ainda acreditam, que uma mãe não pode apostar em looks mais sensuais. “Uma mãe devia ter vergonha de mostrar o corpo assim”, disse um. “Terrível”, afirmou outro. “Bonita foto, mas não precisava ter publicado”, escreveu outro.PUBLICIDADE

Chiara Ferragni  (Foto: Reprodução Instagram)
Chiara Ferragni (Foto: Reprodução Instagram)

Porém ela também foi abraçada por boa parte de seus seguidores. “Amei. Já posso escutar as vozes (Chiara, você é mãe). Exato, e você é uma mãe maravilhosa. Parabéns, Chiara”, escreveu uma. “Pegando pipoca para ver os comentários “se comporte como uma mãe”, brincou outra. “Dá vontade de vomitar ao ler o que uma mulher pode escrever para outra”, analisou uma seguidora.

Postagens no Instagram de  Chiara Ferragni  (Foto: Reprodução Instagram)
Postagens no Instagram de Chiara Ferragni (Foto: Reprodução Instagram)

‘Sou feminista’, declara Angela Merkel antes de deixar o poder

Após 16 anos no comando do governo alemão, Merkel, 67 anos, deixará o cargo de chanceler após as eleições legislativas alemãs, em 26 de setembro

A chanceler alemã, Angela Merkel, garantiu nesta quarta-feira (8) que é uma feminista, declaração que reflete uma mudança na visão da líder democrata-cristã sobre a igualdade entre homens e mulheres.

“Essencialmente, (feminismo) consiste em dizer que homens e mulheres são iguais, na sua participação na vida em sociedade, ao longo da vida. Neste sentido, posso agora dizer que sou uma feminista”, disse Merkel durante conversa com a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. “Na minha opinião, o ‘feminismo’ está vinculado a um movimento que luta pela inserção (da igualdade de gênero) na agenda social”, explicou.

Essas declarações representam uma das posições mais claras de Merkel em favor do feminismo, depois de, nos últimos anos, ela ter sido ambígua nessa questão.

Após 16 anos no comando do governo alemão, Merkel, 67 anos, deixará o cargo de chanceler após as eleições legislativas alemãs, em 26 de setembro.

Há alguns anos, a jornalista alemã Miriam Meckel fez a mesma pergunta à líder da CDU, que deu uma resposta pouco clara. “Antes eu era mais tímida no palco, mas agora refleti melhor. Neste sentido, posso dizer que, sim, devemos ser todas feministas”, explicou.

A questão do feminismo ganhou destaque na Europa após o fenômeno #MeToo, em 2017.

Daniel Radcliffe Answers MORE of the Web’s Most Searched Questions | WIRED

‘Miracle Workers’ star Daniel Radcliffe once again takes the WIRED Autocomplete Interview and answers the internet’s most searched questions about himself. What plays has Daniel Radcliffe been in? What’s Daniel’s favorite Harry Potter? What kind of accent does he have? Who does he look like? Is he knighted? Daniel answers all these questions and much more!

A estrela de ‘Miracle Workers’, Daniel Radcliffe, mais uma vez responde à entrevista WIRED Autocomplete e responde às perguntas mais pesquisadas sobre si mesmo na internet. Em quais peças Daniel Radcliffe esteve? Qual é o Harry Potter favorito de Daniel? Que tipo de sotaque ele tem? Com quem ele se parece? Ele é cavaleiro? Daniel responde a todas essas perguntas e muito mais!

A edição de setembro da Casa Vogue reflete sobre a presença feminina na construção das cidades

Além das reportagens especiais, Silvia Braz, Bela Gil e outras mulheres poderosas abrem suas casas
GUILHERME AMOROZO | FOTO: ILANA BESSLER/HABITADO PROJETO | DIREÇÃO DE ESTILO: ADRIANA FRATTINI

Na sua casa ou na sua família, quem se encarrega das tarefas a seguir: cozinhar, limpar, arrumar, fazer as compras, educar as crianças e tratar da saúde de idosos ou pessoas com necessidades especiais? Não é difícil apostar que, na maioria dos casos, a responsável é uma mulher. Igualmente fácil é prever que grande parte delas não ganha dinheiro pela realização de nenhuma das empreitadas.

Um relatório recente da organização internacional Oxfam afirma que, todos os dias, adultas e meninas do planeta dedicam 12,5 bilhões de horas a esses trabalhos não remunerados. O documento é apenas um dos testemunhos contidos em Cidade das mulheres, reportagem de Giuliana Capello ilustrada por Cássia Roriz que revela de que maneira as sociedades comandadas por homens falharam ao não dar o devido valor a este papel exercido por elas – e, no caminho, tornaram o desenho de nossas cidades, nossos prédios e nosso mobiliário mais hostil, desigual e injusto.

O texto, assim como a entrevista com a arquiteta e escritora Joice Berth assinada por Marianne Wenzel, aponta o rumo para mudar este panorama. Dica: ele começa na representatividade. Exemplo visual disso, a propósito, é o arrasador editorial Livre-arbítrio, concebido por Adriana Frattini e clicado por Rogério Cavalcanti.

Quando não se converte em peso e sofrimento inescapável para as mulheres, porém, essa aptidão para o cuidado é capaz de nos render histórias únicas, intrinsecamente ligadas ao universo doméstico.

São cinco as que trazemos neste mês dedicado à influência feminina sobre o mundo que habitamos: a do clã de Silvia Braz e suas três filhas diante do mais paulistano dos parques, o Ibirapuera; a da fusão entre memórias afetivas, referências culturais e sabedoria gastronômica na nova morada de Bela Gil; a do antídoto arquitetônico para o caos da metrópole imaginado por Camila Tariki; a do “apartamento de vestir” de Tamu McPherson em Milão; e a do encantado jardim suspenso no topo do edifício onde vive Sophia Mattar, projeto, aliás, de duas jovens arquitetas notáveis,Amanda Castro e Giovana Giosa, do Studio AG.

Um olhar mais zeloso para si e para os demais estabelece o ponto de partida necessário para a construção de um verdadeiro lar, objeto primeiro de interesse de uma revista como Casa Vogue. Sendo um homem em busca de eliminar os efeitos do nosso machismo estrutural que vergonhosamente carrego, reconhecer e assumir a responsabilidade pelo cuidado com o outro se mostra obrigatório. E entre tantas musas próximas que já me guiavam na missão, figuram agora também as personagens desta edição. Torço para que inspirem mais gente. Boa leitura.