A edição de setembro da Casa Vogue reflete sobre a presença feminina na construção das cidades

Além das reportagens especiais, Silvia Braz, Bela Gil e outras mulheres poderosas abrem suas casas
GUILHERME AMOROZO | FOTO: ILANA BESSLER/HABITADO PROJETO | DIREÇÃO DE ESTILO: ADRIANA FRATTINI

Na sua casa ou na sua família, quem se encarrega das tarefas a seguir: cozinhar, limpar, arrumar, fazer as compras, educar as crianças e tratar da saúde de idosos ou pessoas com necessidades especiais? Não é difícil apostar que, na maioria dos casos, a responsável é uma mulher. Igualmente fácil é prever que grande parte delas não ganha dinheiro pela realização de nenhuma das empreitadas.

Um relatório recente da organização internacional Oxfam afirma que, todos os dias, adultas e meninas do planeta dedicam 12,5 bilhões de horas a esses trabalhos não remunerados. O documento é apenas um dos testemunhos contidos em Cidade das mulheres, reportagem de Giuliana Capello ilustrada por Cássia Roriz que revela de que maneira as sociedades comandadas por homens falharam ao não dar o devido valor a este papel exercido por elas – e, no caminho, tornaram o desenho de nossas cidades, nossos prédios e nosso mobiliário mais hostil, desigual e injusto.

O texto, assim como a entrevista com a arquiteta e escritora Joice Berth assinada por Marianne Wenzel, aponta o rumo para mudar este panorama. Dica: ele começa na representatividade. Exemplo visual disso, a propósito, é o arrasador editorial Livre-arbítrio, concebido por Adriana Frattini e clicado por Rogério Cavalcanti.

Quando não se converte em peso e sofrimento inescapável para as mulheres, porém, essa aptidão para o cuidado é capaz de nos render histórias únicas, intrinsecamente ligadas ao universo doméstico.

São cinco as que trazemos neste mês dedicado à influência feminina sobre o mundo que habitamos: a do clã de Silvia Braz e suas três filhas diante do mais paulistano dos parques, o Ibirapuera; a da fusão entre memórias afetivas, referências culturais e sabedoria gastronômica na nova morada de Bela Gil; a do antídoto arquitetônico para o caos da metrópole imaginado por Camila Tariki; a do “apartamento de vestir” de Tamu McPherson em Milão; e a do encantado jardim suspenso no topo do edifício onde vive Sophia Mattar, projeto, aliás, de duas jovens arquitetas notáveis,Amanda Castro e Giovana Giosa, do Studio AG.

Um olhar mais zeloso para si e para os demais estabelece o ponto de partida necessário para a construção de um verdadeiro lar, objeto primeiro de interesse de uma revista como Casa Vogue. Sendo um homem em busca de eliminar os efeitos do nosso machismo estrutural que vergonhosamente carrego, reconhecer e assumir a responsabilidade pelo cuidado com o outro se mostra obrigatório. E entre tantas musas próximas que já me guiavam na missão, figuram agora também as personagens desta edição. Torço para que inspirem mais gente. Boa leitura.

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