Dolce & Gabbana retoma eventos de alta-costura em Veneza e lança linha casa

Grife italiana sofreu um hiato de quase dois anos
Marina Caruso

Alta-costura Dolce & Gabbana Foto: Divulgação
Alta-costura Dolce & Gabbana Foto: Divulgação

Não é de se estranhar que, depois de um ano e meio molto introspettiva, a Dolce & Gabbana tenha escolhido Veneza para mostrar suas coleções de alta-costura (masculina e feminina), alta-joalheria e a primeira linha de itens para casa. Foi na cidade italiana, durante o século XVII, que o termo “quarentena” surgiu. Importante entreposto comercial entre a Europa e a Ásia, Veneza precisava se proteger da Peste Negra e, para isso, exigiu um período de isolamento de 40 dias a todos os passageiros e tripulantes que atracavam por ali.

Quatro séculos depois, o isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus expande a duração das quarentenas e, na visão de Stefano Gabbana e Domenico Dolce, nos obriga a celebrar as pequenas vitórias — com atestado de vacinação e PCR negativo, documentos obrigatórios para entrar em qualquer local fechado na Itália. “Esse é um show para comemorar que estamos vivos e que a moda não morreu”, diz Stefano Gabbana, durante a coletiva de imprensa que antecede o desfile de Alta Moda, como é chamada a coleção feminina da alta-costura italiana. É nesse momento descontraído — e impensável em um evento similar de uma maison francesa — que Gabbana e Domenico Dolce, seu sócio, amigo e ex-marido, explicam em detalhes cada um dos cem vestidos que compõem a coleção.

“Como fazemos desde a primeira linha de Alta Moda, em 2012, homenageamos o artesanato da região, empregando a mão de obra local e divulgando sua arte para o mundo”, diz Dolce. Trocando em miúdos — ou melhor, em milhares, pois cada vestido é único e não sai por menos de 100 mil euros —, o que se viu foram belíssimos patchworks de cristais de Murano (à moda dos lustres fabricados na cidade), mosaicos bizantinos, tramas de cetim de seda e o lindo e traiçoeiro colorido do céu de Veneza.

“Para nós, a cidade representa a harmonia de opostos que se atraem: é romântica e sensual, melancólica e divertida, escura e dourada”, dizem os designers, ainda pela manhã, sem saber que, ao fim do dia a profecia da dualidade se cumpriria com pôr do sol e uma senhora tempestade.

Nada que resvalasse na beleza de Jennifer Hudson cantando “Nessun dorma”, ária de Turandot, na abertura do desfile ou no privilégio de estar entre Jennifer Lopez, Monica Bellucci e Hellen Mirren e cerca de 400 VICs (very important clients) da casa italiana.

Jennifer Lopez chegando ao desfile; Uma das 35 estrelas convidadas pela grife Foto: Divulgação
Jennifer Lopez chegando ao desfile; Uma das 35 estrelas convidadas pela grife Foto: Divulgação

Antiga residência dos doges, primeiros magistrados da República de Veneza, o Palazzo Ducale foi o local escolhido por Stefano Dolce e Domenico Gabbana para a apresentação de alta-joalheria da grife. Nos corredores do palácio, violinistas de perucas brancas e vestidos longos, a lá século XVIII, tocavam para quem chegava e ia apreciando os looks da coleção de 2013, também desfilada em Veneza. Nos salões principais do castelo, entre suntuosos afrescos de Tintoreto, as joias estavam expostas em caixas de vidro bem iluminadas. Havia mosaicos bizantinos em ouro, colares reproduzindo os canaletos da cidade e até um maxibrinco no formato dos cálices coloridos de Murano. O valor das peças? “Não penso nisso quando crio. Se eu pensar, cerceio minha criatividade”, diz Stefano Gabbana. “Não sou esse tipo de cliente, mas crio para eles”, completa o estilista, usando uma camiseta preta básica, bermuda cargo e sandálias tipo Birkenstock.

Entre as lições aprendidas durante esse ano e meio de pandemia, uma das mais pertinentes é, sem dúvida, a importância de um lar confortável e — por que não? — estiloso. Arquiteto de formação, Domenico Dolce aproveitou o período de isolamento para transformar em realidade um sonho antigo da dupla: a Dolce & Gabbana Casa. “Quando éramos casados, ele redecorava a casa a cada seis meses”, diz Stefano Gabbana, sobre o ex, com quem viveu junto por 20 anos. “Agora posso fazer isso todo mês”, emenda Dolce. Ainda sem previsão de chegar ao Brasil, a linha tem eletrodomésticos, louças, tapetes e jogos de cama, mesa e banho com as quatro estampas mais famosas da grife: leopardo, zebra, azul-mediterrâneo e carreto-siciliano (nome dado a essa toda colorida que estampa a poltrona abaixo)

Linha casa Dolce & Gabbana Foto: Divulgação
Linha casa Dolce & Gabbana Foto: Divulgação

“A Alta Sartoria (alfaiataria italiana sob medida) será ainda mais impressionante do que a Alta Moda feminina”, disse Domenico Dolce, no segundo dia da temporada de desfiles em Veneza. A frase não poderia ter sido mais assertiva. Embora os vestidos longos na Piazza San Marco arrancassem suspiros da plateia, a precisão dos costumes masculinos, a elegância dos modelos e a imponência do Arsenale di Venezia (complexo militar que funcionava como estaleiro na época das grandes navegações) eram de tirar o fôlego. A coleção, cuja apresentação terminou sob chuva de granizo, também fez referência a gôndolas, canaletos e cartões-postais de Veneza. Mas, como previu Dolce, foi mesmo inesquecível.

A jornalista viajou a convite da Dolce & Gabbana.

Rodarte | Spring Summer 2022 | Full Show

Rodarte | Spring Summer 2022 by Kate Mulleavy and Laura Mulleavy | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – New York Fashion Week)

Marc Cain | Emerging Talents Milan | Fall Winter 2021/2022

Marc Cain | Emerging Talents Milan | Fall Winter 2021/2022 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – MFW/Milan Fashion Week Women’s)

LV2 Pre-Spring 2022 by Virgil Abloh

For spring 2022 pre-collection, Louis Vuitton launches its second LV2 collection, “Louis Vuitton squared,” continuing the creative dialogue started by Men’s Fashion Art Director, Virgil Abloh, and Nigo. United by friendship and by the style of underground fashion shared by both, popularly known as urban fashion, both designers investigate their diverse cultural roots under the global emblem of Louis Vuitton. This second season unfolds thanks to this exchange, in a celebration of Nigo’s Japanese origins, the rich complexity inherent in his beginnings in fashion and his geospecific gaze on the Western man’s wardrobe.

Para a pré-coleção da primavera de 2022, a Louis Vuitton lança sua segunda coleção LV2, “Louis Vuitton ao quadrado”, continuando o diálogo criativo iniciado pelo Diretor de Arte da Moda Masculina, Virgil Abloh e Nigo. Unidos pela amizade e pelo estilo da moda underground compartilhada por ambos, popularmente conhecida como moda urbana, os dois designers investigam suas diversas raízes culturais sob o emblema global da Louis Vuitton. Esta segunda temporada se desenrola graças a esta troca, em uma celebração das origens japonesas de Nigo, a rica complexidade inerente ao seu início na moda e seu olhar geoespecífico sobre o guarda-roupa do homem ocidental.

Julian Zigerli “HARD 1–4” Fitting

by Adriano B.

A few days ago Julian Zigerli unveiled his new collection titled “HARD 1–4” in Zurich. Our photographer Marc Medina was there a couple of weeks ago just in time to capture the fitting of the collection, in exclusive for Fucking Young!

Alguns dias atrás, Julian Zigerli revelou sua nova coleção intitulada “HARD 1–4” em Zurique. O fotógrafo Marc Medina esteve lá algumas semanas atrás bem a tempo de capturar o encaixe da coleção, exclusivo para Fucking Young!

Take a look below:

Apostas para substituto de Leifert reafirmam o racismo na TV

Jairo Malta
Por Paola Ferreira Rosa*

Tiago Leifert na casa do BBB 21 — Foto: Globo

Se a saída de Tiago Leifert da Globo surpreendeu, as apostas sobre possíveis substitutos do apresentador não são surpresa alguma. Mais uma vez, homens e mulheres brancos são cotados para apresentar o BBB e o The Voice Brasil no lugar do jornalista, sem que uma pessoa negra seja citada.

Só de abrir o Twitter, a rede social das apostas, se dá de cara com os mais diversos chutes: de Fernanda Lima, passando por Ana Clara, retomando Monica Iozzi, tentando adivinhar o futuro de Mion… e por aí vai. Considerando que o comando de programas na TV ainda se concentra em homens, é aliviador ver tantas mulheres. Mas não deixa de ser sintomático que não haja uma pessoa preta passível de ser considerada.

Inclusive, Lázaro Ramos e Taís Araújo, sem dúvidas excelentes em tudo o que fazem, não são os únicos que poderiam e deveriam ser considerados. É comum da branquitude colocar toda a cota de aceitação sobre uma única pessoa, ou um grupo altamente restrito, o forçando à excelência e o colocando num patamar inalcançável por seus semelhantes.

A Uol, por exemplo, lançou em agosto a série documental “Preto à Porter”, com produção feita por pessoas negras, desde a apresentação até os bastidores. Só aí, temos Roger Cipó, Neyzona (Loo Nascimento), Caroline Sodré e Hélio de la Peña como opções.

Ainda tem Pathy DejesusAD JuniorIzaCamilla de LucasJeniffer Nascimento, e a lista tende ao infinito. É claro que se deve considerar perfil, avaliar experiência. Hoje mesmo, esta coluna falou sobre a possibilidade de um jornalista ser cotado para a vaga, considerando-se sua preparação enquanto profissional da área.

Mas sabemos que, quando se quer, é possível preparar um profissional para os desafios. Então que não seja esse um argumento para justificar a exclusão. Para um entretenimento que alcance o público, é necessário que o público alcance o entretenimento e se veja nele. Essa é uma boa hora para começar.

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Esta matéria é uma contribuição de Paola Ferreira Rosa, jornalista do site F5, da Folha.

Genny | Fall Winter 2021/2022 | Full Show

Genny | Fall Winter 2021/2022 by Sara Gavazzi | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – MFW/Milan Fashion Week Women’s)

Festival de Veneza premia filme francês ‘L’Evénement’ dirigido pela franco-libanesa Audrey Diwan sobre aborto com o Leão de Ouro

‘L’Evénement’ é dirigido pela franco-libanesa Audrey Diwan; mostra premiou ainda Jane Campion e Paolo Sorrentino
Bruno Ghetti

A cineasta Audrey Diwan recebe o Leão de Ouro em Veneza Foto: YARA NARDI / REUTERS

VENEZA – O controverso filme “L’Evénement”, da franco-libanesa Audrey Diwan, levou o Leão de Ouro no Festival de Veneza.

A obra conta a história de uma garota francesa nos anos 1960 que engravida e não quer ter o bebê. Sem poder contar com o amparo de amigas, parentes ou mesmo o pai da criança, a protagonista precisa enfrentar sozinha uma série de dificuldades para fazer o aborto.

O filme é uma clara defesa de uma mulher poder abortar. Lembra o da americana Eliza Hittman, premiado com o Grande Prêmio do Júri em Berlim no ano passado, “Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre”, que tem temática semelhante. Mas o fato de o longa ter levado o prêmio mostra o quanto a discussão sobre o aborto ainda é necessária e está na ordem do dia.

Cena do filme “L’ évenement”, de Audrey Diwan Foto: Divulgação

O Grande Prêmio do Júri foi concedido ao filme “A Mão de Deus”, do italiano Paolo Sorrentino. Um dos mais elogiados do festival, a obra traz o cineasta revisitando sua própria história, mostrando um jovem em uma jornada iniciática na Nápoles da década de 1980, quando Maradona jogou na cidade e se tornou um ídolo quase divino para seus habitantes.

O promissor Flippo Scotti, que interpreta o alter ego de Sorrentino no longa, foi laureado com o prêmio Marcello Mastroianni, dedicado a intérpretes em início de carreira.

neozelandesa Jane Campion ganhou o troféu de melhor direção, por “The Power of the Dog”. Até o início deste ano ela era a única mulher a vencer uma Palma de Ouro em Cannes, por “O Piano”, em 1993 —a francesa Julia Ducourneau tornou a segunda vencedora no evento deste ano, com “Titane”.

Campion desta vez adapta um romance de Thomas Savage, mostrando dois irmãos muito diferentes, no começo do século 20, no Oeste dos EUA. Enquanto um deles se apaixona pela dona de um pequeno restaurante, o outro permanece com um comportamento agressivo e pouco civilizado, que logo se desencavará problemas de autoaceitação.

O Prêmio Especial do Júri foi para “Il Buco”, do italiano Michelangelo Frammartino. Com pouquíssima ação, mostra um grupo de geólogos chegando a uma caverna na Calábria, sul da Itália, para descobrir o que tem em seu fundo. Paralelamente, o espectador é apresentado à rotina de um velho camponês, com belas imagens da paisagem calabresa.

O diferencial do longa é justamente a forma como o cineasta apresenta essas imagens, sempre convidando o público a perceber de modo diferenciado o que uma imagem tem a oferecer.

A espanhola Penélope Cruz foi eleita a melhor atriz, por sua formidável performance em “Madres Paralelas”, de Pedro Almodóvar. Ela interpreta uma mulher que vive uma aventura amorosa e engravida, mas depois de ter a criança, vê-se diante de uma série de situações inesperadas, que colocam à prova sua figura de mãe.

Dizer mais detalhes sobre a personagem poderia incorrer em spoilers, mas o fato é que “Madres Paralelas” permite à atriz uma das melhores atuações em sua carreira. Com a láurea, a espanhola, que ganhou o Oscar de atriz coadjuvante em 2009, por “Vicky Cristina Barcelona”, sai na frente pela disputa da estatueta dourada, agora na categoria de atriz principal.

O prêmio de melhor ator surpreendeu: foi entregue ao filipino John Arcilla, por “On the Job: the Missing 8”, de Erik Matti. Ele interpreta o enérgico jornalista que defende em seus programas de rádio com unhas e dentes um homem poderoso, mas que muda de ideia quando percebe que o sujeito é capaz de atitudes atrozes.

A atriz Maggie Gyllenhaal foi agraciada com o prêmio de melhor roteiro, por “The Lost Daughter”, que marca sua estreia como cineasta. O filme é uma adaptação do romance “A Filha Perdida”, da italiana Elena Ferrante, que mostra uma mulher de férias em uma praia que, ao observar de longe uma moça mais jovem com sua filha pequena, começa a pensar sobre sua própria relação com as filhas.

O júri foi presidido pelo sul-coreano Bong Joon-Ho, diretor de “Parasita”, e trazia como membros a atriz britânica Cynthia Erivo e a cineasta chinesa Chloé Zhao, vencedora das últimas premiações do Oscar e do Festival de Veneza por “Nomadland”.


Veja a lista completa dos vencedores da mostra competitiva:

  • Leão de Ouro: “L’Evénement”, de Audrey Diwan
  • Grande Prêmio de Júri: “A Mão de Deus”, de Paolo Sorrentino
  • Leão de Prata de Direção: Jane Campion, por “The Power of the Dog”
  • Coppa Volpi de Melhor Atriz: Penélope Cruz, por “Madres Paralelas”
  • Coppa Volpi de Melhor Ator: John Arcilla, por “On the Job: the Missing 8”
  • Osella de Melhor Roteiro: Maggie Gyllenhaal, por “The Lost Daughter”
  • Prêmio Especial do Júri: “Il buco”, de Michelangelo Frammartino
  • Prêmio Marcello Mastroianni de revelação: Filippo Scotti

Hasse Nielsen for Vogue Scandinavia with Olivia Vinten

Photographer: Hasse Nielsen at linkdetails. Fashion Stylist: Camilla Larsson at linkdetails. Hair Stylist: Mette Thorsgaard. Makeup Artist: Trine Skjøth. Model: Olivia Vinten.