Apostas para substituto de Leifert reafirmam o racismo na TV

Jairo Malta
Por Paola Ferreira Rosa*

Tiago Leifert na casa do BBB 21 — Foto: Globo

Se a saída de Tiago Leifert da Globo surpreendeu, as apostas sobre possíveis substitutos do apresentador não são surpresa alguma. Mais uma vez, homens e mulheres brancos são cotados para apresentar o BBB e o The Voice Brasil no lugar do jornalista, sem que uma pessoa negra seja citada.

Só de abrir o Twitter, a rede social das apostas, se dá de cara com os mais diversos chutes: de Fernanda Lima, passando por Ana Clara, retomando Monica Iozzi, tentando adivinhar o futuro de Mion… e por aí vai. Considerando que o comando de programas na TV ainda se concentra em homens, é aliviador ver tantas mulheres. Mas não deixa de ser sintomático que não haja uma pessoa preta passível de ser considerada.

Inclusive, Lázaro Ramos e Taís Araújo, sem dúvidas excelentes em tudo o que fazem, não são os únicos que poderiam e deveriam ser considerados. É comum da branquitude colocar toda a cota de aceitação sobre uma única pessoa, ou um grupo altamente restrito, o forçando à excelência e o colocando num patamar inalcançável por seus semelhantes.

A Uol, por exemplo, lançou em agosto a série documental “Preto à Porter”, com produção feita por pessoas negras, desde a apresentação até os bastidores. Só aí, temos Roger Cipó, Neyzona (Loo Nascimento), Caroline Sodré e Hélio de la Peña como opções.

Ainda tem Pathy DejesusAD JuniorIzaCamilla de LucasJeniffer Nascimento, e a lista tende ao infinito. É claro que se deve considerar perfil, avaliar experiência. Hoje mesmo, esta coluna falou sobre a possibilidade de um jornalista ser cotado para a vaga, considerando-se sua preparação enquanto profissional da área.

Mas sabemos que, quando se quer, é possível preparar um profissional para os desafios. Então que não seja esse um argumento para justificar a exclusão. Para um entretenimento que alcance o público, é necessário que o público alcance o entretenimento e se veja nele. Essa é uma boa hora para começar.

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Esta matéria é uma contribuição de Paola Ferreira Rosa, jornalista do site F5, da Folha.

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