Lil Nas X é o maior ato pop do ano

Murilo Busolin Rodrigues

Lil Nas X provocou um remelexo no pop monótono de 2021. FOTO: Entertainment Weekly

Virou uma tarefa difícil não gostar de Lil Nas X em 2021. O jovem rapper despontou mundo afora com o viral Old Town Road (2018) e provou com facilidade – e uma dose colossal de carisma – ser muito mais do que um cantor de um hit só.

Nas emplacou três sucessos logo em seu primeiro EP (7) e agora ostenta números impressionantes com os singles Montero (Call By Your Name) e Industry Baby, as músicas de trabalho de seu primeiro álbum de estúdio, MONTERO, finalmente lançado na última sexta, 17.

Sem muita concorrência, o americano de 22 anos se tornou a “diva pop” de 2021. Em termos de comparação simples, seria algo como o apogeu pop para o público LGBTQia+ de Lady Gaga em sua ascensão com The Fame Monster (2009).

Músicas na ponta da língua do grande público, videoclipes superproduzidos, comunicação afiada nas redes sociais, polêmicas respondidas com seu trabalho e apresentações 100% midiáticas, daquelas que atraem a atenção de todos – inclusive dos haters.

A diferença é que Nas é um homem negro assumidamente gay. O fato de ele fazer cada vez mais sucesso faz com que o mercado reaja de diversas maneiras, e sabendo disso, Lil torna tudo ainda mais provocativo.

Ele compareceu em todos os tapetes vermelhos de premiações recentes trajando roupas de gênero fluido e virou manchete por ser “extravagante”.

Nos dias que antecederam o lançamento de MONTERO, estampou a capa da revista People com uma falsa barriga de grávida em alusão ao nascimento do seu primeiro disco.

A ‘gravidez’ de Lil Nas X atiçou mais uma vez os religiosos de plantão. Bom marketing ou exagero? FOTO: People

A “gravidez” continuou em forma de ação em suas redes sociais, que dividiu opiniões, mas acima de tudo: chamou a atenção.

“Eu quero alguém que me ame. Eu preciso de alguém que precise de mim. Porque não parece certo quando é madrugada e sou só eu nos meus sonhos.” Este é o refrão da música That’s What I Want, quarta faixa do disco.

No vídeo, Nas é um jogador de futebol americano que se envolve com outro atleta, mas tudo acaba quando Lil descobre que seu pretendente tem esposa e filho.

São cenas comuns na comunidade gay e que quase não são representadas na música mainstream global.

No Brasil, Lil Nas está na mesma pele de Rico Dalasam e da Quebrada Queer, alguns dos nomes que produzem músicas interligadas ao universo LGBTQia+, mas que não conseguem metade do impacto do produto americano.

Sucesso, controvérsia, e representatividade, Lil Nas X agora fecha o combo completo de um artista pop.

Tudo que Nas está fazendo em 2021, já foi feito por inúmeras divas pop. É a vez de um representante queer fazer sucesso diante de tanta controvérsia. FOTO: BET Awards

O astro brilhou mais nas faixas solo de seu disco do que nas com parcerias – com exceção de AM I DREAMING, belíssima canção com Miley Cyrus, que encerra o álbum de maneira espetacular.

Não deixe de ouvir: o álbum todo. O artista expressou todos os seus sentimentos de maneira linear em músicas country, trap, pop rock, mas nenhuma faixa merece ser pulada.

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