O que a indústria da moda não entendeu sobre: moda adaptativa e inclusiva

Neste Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, Vogue faz uma reportagem especial apontando algumas das maiores urgências para que a moda deixe de ignorar aqueles que não se encaixam em moldes. Também ouvimos influenciadores que usam suas vozes para ajudar outras pessoas deficientes a serem vistas sobre o que esperam do futuro da moda
LIA RIZZO

A modelo Aaron Rose Philip ao lado de Gigi Hadid no backstage do desfile de verão 2022 da Moschino durante a semana de moda de Nova York (Foto: Reprodução/ Instagram)

“Tem dias que tenho certeza que esse mundo pode ser meu também, até que os olhares curiosos e surpresos me lembram que ainda sou um corpo estranho na maioria dos ambientes”, diz Michele Simões, estilista de formação e criadora da plataforma Meu Corpo é Real, que em 2006 se tornou cadeirante após um acidente de carro. Como ela, aproximadamente 46 milhões de brasileiros – ou cerca de 24% da população – vivem como se não consumissem, não precisassem se vestir, quase como se não existissem. Sim, este é o número de pessoas que declarou, conforme o Censo 2010, levantamento mais atual desta população no Brasil, ter algum grau de dificuldade em ao menos uma das habilidades investigadas (enxergar, ouvir, caminhar ou subir degraus) ou deficiência mental ou intelectual.

No mundo, segundo estimativa do Banco Mundial, 15% da população global (ou aproximadamente 1 bilhão de indivíduos) possuem alguma forma de deficiência. O que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), corresponderia ao número de habitantes da China. É ainda a única das comunidades minorizadas da qual qualquer um de nós pode se tornar parte a qualquer momento da vida. E, ainda assim, quem já é parte segue reduzido a estereótipos que os diminui ou exclui das conversas até mesmo quando a pauta é diversidade. E o que a moda tem a ver com isso?  Ou, melhor, o que a indústria ainda não enxergou ou entendeu sobre este público que, não obstante tantas barreiras, consome, gostaria de consumir e se comunicar por meio das roupas e acessórios que vestem e, financeiramente falando, consiste em um grupo cujo poder de compra seria de aproximadamente 7 bilhões de dólares?  “Temos avanços consideráveis, mas ainda estamos exercendo um papel de ter nossa existência reconhecida no mundo. Na moda, por ser naturalmente um mercado mais excludente, esses avanços não são fáceis”, opina Michele.

Michele Simões, estilista de formação e criadora da plataforma Meu Corpo é Real (Foto: Reprodução/Instagram)
Michele Simões, estilista de formação e criadora da plataforma Meu Corpo é Real (Foto: Reprodução/Instagram)

Não existe um levantamento específico no Brasil, mas de acordo com dados da Wunderman Thompson, menos de 2% das imagens de mídia mostram pessoas com deficiência. E, muitas vezes, tê-las ali não significa necessariamente que estejam de fato representadas. Há modelos com deficiência, mas não há para elas linhas de produtos, de vestuário e acessórios a cosméticos – uma prática que a falecida jornalista, advogada e comediante australiana Stella Young chamou de “inspirational porn” (pornografia inspiracional, em livre tradução). Ativista dos direitos de pessoas com deficiência, Stella nasceu com osteogênese imperfeita, enfermidade conhecida como “doença do osso frágil”, que compromete o crescimento e a manteve em uma cadeira de rodas por quase toda a vida. O termo que Stella cunhou e se tornou famoso após sua palestra no TEDxSidney, em abril de 2014, foi a forma que a comediante encontrou para classificar o comportamento da publicidade em relação às pessoas com deficiência. Na época, declarou: “uso a palavra pornografia deliberadamente, pois o objetivo parece ser sempre para que as pessoas não deficientes olhem aquele alguém com deficiência e pensem que por pior que sejam suas vidas, elas poderiam ser aquelas pessoas”.

Em pleno século 21, portanto, roupas ainda consistem em uma barreira a mais na busca por igualdade, ignorando aqueles que não se encaixam em moldes. Neste especial, Vogue aponta algumas das maiores urgências para que este cenário mude.

1) Um mercado de 490 bilhões de dólares: mais que uma questão social, um potencial financeiro inexplorado

“A revolução da inclusão está acontecendo, mas somente 4% das marcas estão pensando em tornar suas ofertas inclusivas para pessoas com deficiência”, apontou Christina Mallon, head global de design inclusivo e acessibilidade na Wunderman Thompson, que perdeu os movimentos do braço depois de um problema neurológico.

Em fevereiro de 2020, a Kantar apontou que o mercado de varejo estava avaliado em 300 bilhões de dólares naquele ano. A estimativa se baseou nos resultados de 1500 dos principais distribuidores mundiais em todos os setores. Na época, a consultoria indicou ainda que o comércio eletrônico seria a grande via de incremento nesses números: compras online, que representavam 12,1% do resultado do varejo em todo o mundo, poderiam crescer quatro vezes mais rápido que as transações físicas nos cinco anos seguintes.

No meio do caminho, porém, tinha uma pandemia. E ao menos no Brasil, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio apresentada pelo IBGE em março deste ano, a queda acumulada no varejo em 2020 foi de 23% comparado a 2019. O setor de vestuário registrou pela primeira vez uma deflação das mais significativas desde 1998 – impacto claro do fechamento das lojas por períodos prolongados, do aumento do desemprego e da pouca realização de eventos sociais. Por onde deve passar a retomada então, se as previsões de normalidade de hábitos e rotinas ainda são incertas?

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que esta queda acentuada pela crise sanitária já era esperada antes de sua chegada, por conta das mudanças nos hábitos de consumo das novas gerações. Depois da COVID19, as previsões mais atuais dão conta de que as vendas de vestuário no Brasil devem crescer na média anual, 5,9% entre 2021 e 2023, o que está longe de ser suficiente para suprir as perdas de 2020, segundo a consultoria de inteligência de mercado Mosaiclab. No cenário mundial, a perspectiva mais otimista conforme a McKinsey ainda é de queda de até 5% no desempenho da indústria global da moda.

Portanto, um futuro melhor para o setor deve obrigatoriamente passar por explorar novos territórios. E ao falar de moda adaptável e inclusiva, estamos falando também de um mercado global cujo crescimento estimado é de 278,9 bilhões de dólares (calculados em 2017) para 400 bilhões de dólares até 2026, conforme a Coherent Market Insights.

2) É preciso ir além da roupa: o capacitismo ainda vive no atendimento presencial e virtual

Não, não é somente sobre roupa, mas sobre pensar uma experiência completa de consumo e escolhas. “Não adianta desenvolver produto, usar modelo com deficiência, se o atendimento é extremamente capacitista, se não há uma intenção legítima e que será perene de promover mudança”, alerta Michele Simões. Conforme o Censo, ao menos 12,5 milhões daqueles que possuem alguma deficiência, ou quase 7% da população brasileira, apresentam um nível alto ou total de dificuldade. Ou seja, boa parte dessas pessoas não enxerga, não escuta e provavelmente precisa de apoio em tempo integral para se locomover, incluindo assistência de terceiros. Logo, não raro suas compras são realizadas por quem os assiste, na falta de acessibilidade. Fica mais fácil imaginar ao se pensar em compras físicas: as impossibilidades vão desde passar pela entrada da loja ou do provador e da falta de espaço nas áreas de circulação para cadeirantes até a altura e forma de se manusear araras e as sinalizações de preços e informações não pensadas para quem não vê ou enxerga pouco. “Sem contar quando o capacitismo aparece no atendimento mesmo, ainda que de forma sutil. Em várias ocasiões, as atendentes de loja me ofereceram roupas que escondessem meu corpo ou as marcas nele”, conta a estudante de jornalismo Ana Clara Moniz, que nasceu com atrofia muscular espinhal (AME). “E aí, eu acabava indo embora pensando que meu corpo era mais feio do que realmente acho”.

O capacitismo (discriminação de pessoas com alguma deficiência) é uma realidade também nos e-commerces. Num Brasil em que aproximadamente 35,5 milhões de pessoas com deficiência têm algum ou total comprometimento da visão, apenas 0,7% dos portais de compras online são inclusivos pensando neste público. Outras necessidades específicas de navegação também não estão cobertas e vão desde letras diminutas ao uso de caracteres não identificados pelas ferramentas de voz até a publicação de imagens sem legendas e sem que as informações relevantes sejam traduzidas de outra forma para os deficientes visuais.

3) Eles precisam acessar a arara e também o mercado de trabalho

Conforme a legislação brasileira, mais precisamente o artigo 93 da Lei nº 8.213/91, toda empresa com 100 funcionários ou mais é obrigada a ter de 2% a 5% dos seus cargos preenchidos por pessoas com deficiência. E mesmo que a lei tenha passado a vigorar há quase três décadas, ainda não é plenamente cumprida. Estima-se que no pré-pandemia, cerca de 475 mil PCDs trabalhassem com carteira assinada, o que representava 1% do total de pessoas empregadas no país. Mundialmente, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), aproximadamente 80% desta população está em situação de desemprego em países em desenvolvimento. O que, segundo a Accenture, significa perda de dinheiro: um levantamento da consultoria mostrou que a contratação de apenas 1% a mais de pessoas com deficiências nos Estados Unidos agregaria cerca de 25 bilhões de dólares em PIB para a economia do país.

“O que estamos chamando, então, de acessibilidade?”, devolve Samanta Bullock, diante da pergunta sobre o que a indústria da moda não entendeu sobre moda adaptativa e inclusiva, em entrevista para este especial. Fundadora da SB Shop, hub de moda, com curadoria de marcas e peças autorais adaptativas e consultoria inclusiva, modelo e ex-jogadora de tênis, a brasileira radicada em Londres ficou paraplégica aos 27 anos após um acidente com arma de fogo. Na época, aos 14, já modelava desde os 8 anos e viu ficar distante o sonho de pisar em uma passarela. Em sua trajetória, ainda vivendo no Brasil e mesmo depois de se mudar para a Inglaterra, descobriu muitas outras impossibilidades para além de não poder desfilar, tanto para ela, quanto para todos que vivem com algumas ou várias deficiências.

Samanta Bullock (Foto: Reprodução/Instagram/ @sbshop_sb)
Samanta Bullock (Foto: Reprodução/Instagram/ @sbshop_sb)

Foi ao voltar a jogar tênis, já cadeirante – modalidade em que foi considerada a número 1 do ranking sul-americano e única a figurar no ranking internacional – que passou a modelar para as marcas que vestiam paratletas e, apaixonada por moda, voltou a investir nessa carreira. Agora, não somente vestindo marcas, mas criando peças e, anos depois, um marketplace para reunir outras coleções adaptadas. Reconhecida por dois anos como uma das cem pessoas com deficiência mais influentes no mundo da moda, conforme a Shaw Trust Power 100 List, ela alerta que olhar para o tema com profundidade exige pensar muito mais que o vestir. “Não queremos somente consumir. É preciso incluir a pessoa com deficiência no marketing, no espaço de desenvolvimento da coleção, no pensar da universalidade nas modelagens”, explica Samanta, que também presta consultoria e trabalha em conjunto com marcas que querem desenvolver roupas adaptativas.

Criar parcerias com quem sabe do que fala e o que vive foi o caminho da Reserva, que acaba de lançar a linha Adapt&. A semente da nova coleção foi plantada há cerca de três anos, quando a estilista Silvana Louro, da Equal Moda Inclusiva, propôs a ideia para Rony Meisler, CEO da Reserva. Embora não tenha deficiências, Silvana, que já vende suas criações inclusivas em lojas como Dafiti e Magazine Luiza, além do próprio e-commerce, passou a trabalhar com moda adaptada desde que teve contato com equipes de paratletas. A coleção de 14 peças, todas inspiradas em sucessos na marca só que agora com ajustes ergonômicos e funcionais, teve a colaboração fundamental dos modelos que estampam a campanha – e possuem deficiências diversas – e de Eduardo Drummond, funcionário da Reserva que é PCD. E para a venda, foram adaptadas algumas lojas físicas.

Linha Adapt& da Reserva (Foto: Divulgação)
Linha Adapt& da Reserva (Foto: Divulgação)

4) Não precisa de bruxaria, tem tecnologia. E parcerias

O caminho da tecnologia é óbvio ao se pensar na adaptabilidade para vendas online. Contudo, é via imprescindível também para proporcionar um design mais inclusivo. Entender tudo que a tendência techwear oferece – e investir nisso – torna mais fácil a confecção de roupas customizáveis, seja utilizando tecidos especiais com propriedades que proporcionam maior liberdade de movimento, estimulem a circulação e tenham propriedades para absorção de suor, urina e odores ou incorporando acessórios que facilitem o ato de vestir, como botões magnéticos, óculos de realidade aumentada, impressões 3D com personalização individual e até artifícios com espaço adequados para próteses, respiradores, sondas ou bolsas coletoras, por exemplo. Já são possíveis ainda, calçados e calças com ajuste de largura conforme inchaço de pernas e pés. É preciso avançar ainda na questão estética. Atualmente, a tecnologia para vestimentas é mais utilizada na moda esportiva e em modelitos unissex, com o argumento de que assim se oferece opções mais democráticas. Mas a realidade – e a demanda de quem precisa de peças adaptadas – é por informação de moda e opção de identidade.

Aliás, não há receita mágica para atender a esta demanda: o mercado de roupas adaptáveis exige uma melhor representação de pessoas com deficiência em toda a cadeia. É preciso empregar essas pessoas, integrá-las em cada etapa de produção – o que pode e deve se estender inclusive ao desenvolvimento de produtos não necessariamente para deficientes.

Há ainda a possibilidade de curadoria inclusiva, trabalho feito por gente como Samanta Bullock e Michele Simões, que identifica o que já existe nas araras e poderia ser considerado uma peça adequada e confortável a vários corpos, as chamadas peças universais. Esse olhar pode trazer ainda um necessário resultado sobre o que não será possível para pessoas com deficiência, como aconteceu com Michele ao ser convidada para a publicidade de um acessório. “Quando vejo um produto, já penso se ele me atenderá ou não, com base no que sei que eu e muitos outros precisam. Ao testar a bolsa que usaria como modelo, percebi que nem eu, nem outras cadeirantes teríamos condições de usá-la”, lembra. “E só endosso aquilo que faz parte da minha realidade como pessoa com deficiência”, conta a consultora de estilo, que realiza periodicamente um Fashion Day inclusivo por meio de sua plataforma.

Foi ainda com base na própria vivência que Christina Mallon, uma das maiores referências em acessibilidade não apenas na agência em que trabalha, co-liderou em 2014 a criação do Open Style Lab, no MIT, que realiza turmas em colaboração com a Parsons School Of Design – por meio de um programa de 10 semanas para designers, engenheiros e terapeutas ocupacionais, são desenvolvidos protótipos de roupas adaptáveis para consumidores com deficiência.

5) É necessário começar de algum lugar. E continuar, mesmo que não se acerte na primeira

A Tommy Hilfiger é sem dúvidas a maior referência em moda adaptada entre as grandes marcas. Tudo começou em 2016, com o lançamento de uma coleção infantil, a primeira Tommy Adaptive, como foi chamada. A ideia foi estimulada e colocada em prática pelo próprio Tommy, pai de autistas, que já tinha alguma noção dos problemas que os próprios filhos tinham para se vestir, mas se sensibilizou mesmo pelo relato de uma mãe atípica sobre as dificuldades para vestir o filho com deficiência, conta Paulo Matos, diretor da marca no Brasil. Na época, este era um mercado ocupado basicamente por algumas marcas de roupas funcionais e terapêuticas, pensadas sobretudo para idosos. A linha para crianças foi o pontapé inicial para que, nos anos seguintes, fosse ampliada para a grade adulta, ganhasse duas coleções anuais e, em um processo cuidadoso porém consistente, fosse lançada fora dos Estados Unidos – primeiro na Europa, Austrália e Japão e, no Brasil, finalmente, aterrissa a partir de março de 2022.

A modelo Ashley Young usa a coleção Tommy Adaptive verão 2021 (Foto: Richard Phibbs/Tommy Hilfiger)
A modelo Ashley Young usa a coleção Tommy Adaptive verão 2021 (Foto: Richard Phibbs/Tommy Hilfiger)

“Tem sido um aprendizado contínuo, claro, pois a deficiência não é uma só”, pondera o executivo, ao listar os detalhes que a marca foi entendendo para chegar a modelos que atendessem ao maior número possível de corpos diferentes sem deixar de lado o estilo e as informações de moda por que esta população anseia. O zíper precisa ser pensado para ser fechado com uma mão só ou, no lugar, se usam botões magnéticos e velcro. As modelagens devem ser desenvolvidas em formatos maiores ou com medidas específicas para ombro e quadril, com prova de caimento considerando quem vive sentado, e por aí vai. Mas a Tommy não parou por aí: em 2018, a companhia trouxe a representatividade para outras partes do processo, quando James Rath, cineasta cego que dirigiu a primeira das campanhas digitais da linha Adaptive.

Isso significa algo impossível para marcas menores? Paulo Matos reconhece que a escala permitida pela estrutura de produção que a Tommy possui de fato ajuda. “Mas há também um subsídio da marca para que as peças sejam acessíveis financeiramente”, completa, lembrando – afinal, estamos falando também de uma população que também tem dificuldades para acessar o mercado de trabalho e que em muitas situações tem boa parte da renda comprometida com tratamentos – e atentando para a necessidade de as empresas firmarem um compromisso firme e um investimento genuíno não somente no que pode ser uma nova linha de roupas, mas em necessária mudança social.

Noiva (Foto: Diogo Massarelli)
A médica Daniela Bortman com o vestido Emannuelle Junqueira (Foto: Diogo Massarelli)

Não sem medo, mas muito comovida e disposta a fazer a diferença, a estilista Emannuelle Junqueira recebeu Daniela Bortman, uma médica cadeirante, que bateu à sua porta há quase dois anos, depois de receber negativas de meia dúzia de ateliês de noivas em São Paulo. “Ela nos ligou tímida, visivelmente desanimada, por não encontrar ninguém na cidade que topasse confeccionar um vestido para o seu casamento. Me surpreendi com aquela demanda inédita mas, no minuto seguinte, pensei que não deveria ser inédito e que daria um jeito de atender”, conta a estilista. De cara, ela investiu em uma maca para tirar as medidas da moça e adequou o espaço de atendimento para máximo conforto e total acesso para a nova cliente. Durante as provas, desenvolveu um body com base em um maiô que Dani já tinha, depois que a tradicional base em tecido que costumava usar não funcionou no corpo da noiva. Conforme o vestido foi nascendo, era experimentado na maca e, depois, na cadeira de rodas, para garantir conforto e caimento. “Foi um enorme aprendizado, tanto para mim quanto para a Dani, que ainda surpreendeu a todos entrando no casamento em pé com a ajuda de uma cadeira especial”, lembra emocionada.

O que eles esperam do futuro da moda

Embora não se espere da moda a grande e necessária reforma na sociedade como um todo em relação à população com deficiência, não há como negar que o poder da imagem, por si só, é sempre um relevante agente de mudança. Veja o que esperam alguns influenciadores que usam suas vozes para ajudar outras pessoas deficientes a serem vistas de verdade.

Ana Clara Moniz (Foto: Reprodução/Instagram)
A estudante de jornalismo Ana Clara Moniz, que nasceu com atrofia muscular espinhal (AME) (Foto: Reprodução/Instagram)

Ana Clara Moniz – @_anaclarabm 
“Não quero ir a lojas com a certeza de que sairei com a sensação de que meu corpo é mais feio do que eu realmente acho. Pessoas com deficiência querem ter escolha e não atendentes oferecendo roupas que escondam suas deformidades”

Deives Picáz (Foto: Reprodução/Instagram)
Deives Picáz (Foto: Reprodução/Instagram)

Deives Picáz – @deives 
“Moda inclusiva é sobre passar e observar uma vitrine e sentir liberdade de poder escolher usar o que está ali, se sentir empoderado. Vestir aquilo que te representa se torna mais que consumir, mas… existir, exibir nossa identidade, estilo e essência”

Isa Meirelles  (Foto: Reprodução/Instagram)
Isa Meirelles (Foto: Reprodução/Instagram)

Isa Meirelles – @notetoself_br 
“É preciso explorar mais sentidos na moda para ela ser acessível aos deficientes visuais. Espero que o futuro da moda seja mais sensorial, com mais texturas, cheiros e sons. E com a tecnologia como aliada, criando QR Codes com descrição de imagens, etiquetas com acessibilidade digital, braille em tecido e tudo que extrapole os limites impostos hoje a este público”

Helô Rocha (Foto: Reprodução/Instagram)
A jornalista Helô Rocha, que nasceu com osteogênese imperfeita (Foto: Reprodução/Instagram)

Helô Rocha – @modaemrodas 
“Hoje corpos com deficiência ainda ocupam espaços como se estivéssemos só cumprindo cota no casting, trabalhando em ambientes sem acessibilidade e por valores irrisórios. Que inclusão é essa, então? Como consumidora, quero ver nossos rostos e corpos ocupando essa indústria, mas quero mais ainda marcas que proporcionem espaços e produtos que atendam as necessidades de todos”

Rebeca Costa (Foto: Reprodução/Instagram)
Rebeca Costa (Foto: Reprodução/Instagram)

Rebeca Costa – @looklittle 
“É necessário sair da teoria, pois a prática de moda ainda é excludente. Há mais de 400 tipos de nanismos, por exemplo, e a moda só propõe roupas para o acondroplasia (tipo mais comum, caracterizado por membros curtos) como o meu. Moda tem a ver com se sentir livre do seu jeito, sem deixar o seu eu de lado para se encaixar em um padrão”.

Samanta Bullock (Foto: Reprodução/Instagram)
Samanta Bullock (Foto: Reprodução/Instagram)

Samanta Bullock – @samantabullock 
“É hora de fazer uma vida que abrace a todos. 100% das pessoas se vestem, a moda é uma ferramenta social e tem obrigação moral de ser para todos. E a melhor maneira de mudar esta falta de acessibilidade é dar oportunidade para as pessoas, principalmente econômicas.”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.