Discrição da Apple não consegue esconder inquietação de funcionários

Começam a surgir relatos de abuso verbal, assédio sexual, retaliação, discriminação no trabalho
Por Jack Nicas e Kellen Browning – The New York Times

Funcionários da Apple começam a se incomodar com a empresa 

Apple, conhecida entre as colegas do Vale do Silício por ter uma cultura corporativa de sigilo na qual se espera que os funcionários estejam em conformidade com a gestão, está inesperadamente enfrentando um problema que seria inimaginável há alguns anos: inquietação entre os funcionários.

Na sexta-feira, 17, Tim Cook, CEO da Apple, respondeu às perguntas dos trabalhadores em uma reunião com todos eles pela primeira vez desde que vieram à tona as preocupações deles a respeito de tópicos que vão desde  igualdade salarial até se a empresa deveria se pronunciar mais em questões políticas como as rígidas leis de aborto no Texas.

Cook respondeu a apenas duas das perguntas que os funcionários disseram ser uma série de dúvidas que eles gostariam de tirar em uma reunião transmitida para os trabalhadores da empresa em todo o mundo, de acordo com uma gravação conseguida pelo New York Times.

No último mês, mais de 500 pessoas que disseram ser atuais empregados e ex-funcionários da Apple enviaram relatos de abuso verbal, assédio sexual, retaliação e discriminação no trabalho, entre outras questões, a um grupo de trabalhadores ativistas que se autodenomina #AppleToo, disse Cher Scarlett e Janneke Parrish, duas funcionárias da Apple que ajudam a liderar o grupo.

O grupo começou postando algumas das histórias anônimas na internet e tem encorajado colegas a entrar em contato com autoridades trabalhistas estaduais e federais para relatarem as queixas. Suas questões, assim como aquelas de oito atuais e ex-funcionários da empresa que falaram com o Times, variam. Entre elas estão: condições de trabalho, desigualdade salarial e as práticas de negócios da empresa.

Um tema frequente é que a discrição da Apple criou uma cultura que desencoraja os funcionários a se manifestarem sobre as preocupações no ambiente de trabalho. Queixas a respeito de gestores ou colegas problemáticos muitas vezes são ignoradas e os trabalhadores temem criticar como a empresa faz negócios, segundo aqueles que conversaram com o Times.

“A Apple tem essa cultura de sigilo que é tóxica”, disse Christine Dehus, que trabalhou na Apple durante cinco anos e deixou a empresa em agosto. “Por um lado, sim, entendo que a questão do sigilo seja importante para a segurança dos produtos, para surpreender e encantar os consumidores. Mas isso se espalha por outras áreas e pela cultura [da empresa] onde isso é proibitivo e prejudicial.”

A Apple tem cerca de 160 mil funcionários em todo o mundo e não está claro se as novas queixas públicas refletem problemas sistemáticos. “Estamos e sempre estivemos profundamente comprometidos em criar e manter um ambiente de trabalho positivo e inclusivo”, afirmou a empresa em um comunicado./TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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