Halle Berry estreia como diretora e encara um de seus papéis mais exigentes

Filme ‘Ferida’ estreia em novembro e terá atriz como lutadora de MMA
SALAMISHAH TILLET

Halle Berry Adrienne Raquel/The New York Times

THE NEW YORK TIMES – Halle Berry passou a vida inteira lutando, de uma maneira ou de outra. Seja por papéis cobiçados no cinema, seja em benefício de vítimas da violência doméstica, como ela mesma um dia foi, seja contra a percepção de que sua beleza física a isenta de dificuldades.

Mas ela sempre se viu como o azarão em qualquer páreo. E agora, em seu primeiro filme como diretora, foi para esse tipo de papel que ela se escalou. Em “Ferida” (que estreia nos cinemas em 17 de novembro e na Netflix uma semana depois), Berry estrela como Jackie Justice, uma lutadora de MMA humilhada e desesperada por voltar aos combates.

Foi seu papel fisicamente mais exigente: aos 55 anos, a atriz teve de se exercitar por quatro a seis horas diárias a fim de aprender boxe, muay thai, judô e jiu-jitsu, e para redescobrir as técnicas de capoeira que ela aprendeu para “Mulher-Gato”.

Depois ela passava o resto do dia cuidando de suas funções como diretora: procurando locações para o filme em Newark, Nova Jersey; desenvolvendo um roteiro que originalmente era centrado em uma mulher branca, católica e de origens irlandesas, de pouco mais de 20 anos de idade. Coreografando cenas de luta complicadas; e colaborando com seus colegas de elenco, atores de múltiplas gerações. Para qualquer diretor estreante, combinar essas tarefas todas já seria desafio suficiente.

Mas no caso de Justice, Berry está interpretando uma das personagens mais complicadas de sua carreira: além de ser ex-campeã de MMA, Jackie é uma mãe negra de meia-idade, que tem dificuldades para tomar conta de seu filho, Manny (Danny Boyd Jr.), um menino de seis anos a quem ela havia abandonado quando ele era bebê.

“Eu compreendia quem era aquela personagem, Jackie Justice, e de onde ela vinha”, disse Berry em uma conversa por vídeo, do quintal de sua casa em Los Angeles. Depois de esperar seis meses pela aprovação de Blake Lively (a primeira opção para o papel principal), e de ouvir sua recusa, a diretora batalhou agressivamente para interpretar a personagem.

“Eu amei a personagem porque lutar é algo sobre o que sei muito, no plano pessoal e no plano de minha carreira. Compreendo o que é lutar, compreendo o que é não ser ouvida”, disse Berry. “Compreendo os traumas da vida que fazem com que alguém queira lutar, precise lutar, tenha de lutar”.

Ela não só venceu aquele round da luta e ficou com o papel, como a Netflix parece ter decido apostar em Berry, pagando mais de US$ 20 milhões (cerca de R$ 105 milhões) pelo direito de exibir o filme, de acordo com reportagens da imprensa especializada.

Nas palavras de Berry, “entendo o que é ser marginalizada, como mulher negra, e a ira, ressentimento medo e frustração que vêm de tudo isso. Se eu pudesse colocar todas essas coisas no filme, todas as coisas que conheço tão bem, eu sabia que seria capaz de criar uma personagem não só real como, além disso, capaz de ecoar em mulheres de raças diferentes”.

É verdade que a simples presença de Jackie na tela oferece uma narrativa de contraponto ao heroísmo centrado nos homens da maioria dos filmes de boxe. Mas a ênfase do filme na maternidade também oferece a Berry uma oportunidade de fazer mais uma declaração em Hollywood: o arco de redenção de Jackie remodela ativamente as histórias de suas personagens mais conhecidas, bem como a de algumas de suas personagens mais recentes em filmes menos assistidos.

Mãe viciada em drogas: “O Destino de uma Vida”. Mãe de luto: “A Última Ceia”. Astronauta que engravida misteriosamente e luta por salvar seu filho de espécie híbrida: a série de TV “Extant”. Garçonete transformada em vingadora depois que seu filho é sequestrado: “O Sequestro”. Mãe postiça de oito crianças durante os tumultos raciais em Los Angeles: “Kings: Los Angeles em Chamas”.

E estou citando só os títulos de que me lembro. O que distingue Jackie, claro, é que ela é uma lutadora literalmente. E para Berry, esse fato, quando acoplado ao impulso materno de sua personagem, torna o papel mais nuançado e novo para ela.

A atriz começou nossa conversa preocupada com o horário de mandar seus filhos para a escola, e explicou mais tarde que Jackie “faz o impensável, que é deixar seu filho sem motivo, mas emocionalmente ela era incapaz de ficar e ser mãe”.

Esse ato acompanha Jackie ao ringue, e chega a fazê-la perder uma disputa de título quando ela pede para deixar a jaula. Na explicação de Berry, Jackie estava se sentindo tão ferida que “o medo e a culpa a tomaram em sua luta seguinte, e ela não suportou. Não conseguiu encarar. Deixou de ser a lutadora que um dia tinha sido”.

A fim de se preparar para o papel, Berry não só assistiu a lutas (ela sempre foi fã de boxe) como conversou com lutadoras de MMA e perguntou por que elas haviam escolhido o esporte. “O que vou dizer não se aplica a todas elas, mas minha pesquisa me ensinou que os homens e as mulheres lutam por motivos muito diferentes”, afirmou Berry.

“Muitas vezes, os homens lutam como carreira, ou para tomar conta de suas famílias, sustentar a casa, deixar a pobreza para trás. Já as mulheres muitas vezes lutam para recuperar sua voz”. Ela acrescentou que “porque muitas delas sofreram abusos, de diversas maneiras, em seus anos mais jovens, lutar se tornou a única forma de reconquistar seu senso de dignidade, poder e segurança no mundo”.

Quando perguntei a Berry se sua decisão de dirigir era parte de sua jornada para ganhar controle sobre a forma pela qual ela é apresentada na tela, em lugar de ter de se sujeitar aos caprichos de um setor que até recentemente relegava as mulheres de meia-idade, especialmente as mulheres negras, a papéis coadjuvantes, ela fez uma pausa.

Perguntei se ela precisava de tempo para pensar sobre as reviravoltas de uma carreira que a levou a ser tanto a primeira atriz negra a conquistar um Oscar como melhor atriz (por “A Última Ceia”, em 2000) quanto a receber um Razzie como pior atriz (por “Mulher-Gato”, em 2004).

“Todos somos programados a ver determinadas versões de quem somos, mas não programados por nós mesmos”, disse Berry. “É desse senso de poder que estou falando. Sinto-me poderosa só por poder fazer o que faço, e colocar minha voz no mundo de alguma maneira, e expor minhas sensibilidades como mulher negra”. Duas cenas do filme se destacam porque nelas Berry não só referencia seus filmes anteriores como revisa claramente o olhar masculino tradicional.

No começo, uma discussão entre Jackie e seu parceiro e empresário Desi (Adan Canto) os leva a fazer sexo, e a intensidade e vigor da cena me lembram do momento em que o personagem dela em “A Última Ceia”, Leticia Musgrove, e Hank Grotowski (Billy Bob Thornton) se engajam em uma forma igualmente desesperada e violenta de conexão. Em “Ferida” a cena não tem posição tão decisiva no filme, e é cortada e interrompida pela porção da história que trata do retorno do filho de Jackie.

Mais tarde, podemos contrastar o encontro entre Jackie e Desi ao contato mais carinhoso entre ela e sua nova treinadora, Bobbi “Buddhakan” Berroa (Sheila Atim). Berry não só instrui a câmera a se deter nas carícias trocadas pelas duas mulheres como mostra que a paixão é catártica e um momento de cura para ambas.

Para personificar as metamorfoses de Jackie, Berry se transformou completamente. Os olhos dela viviam inchados, seus lábios sangrando, ela vestia calças largas e sem uma gota de glamour.

Quando eu disse a Berry que a aparência de sua personagem me lembrava o Brad Pitt desfigurado no final de “Clube da Luta”, ela reagiu vigorosamente, e percebi que meu olhar tinha sido distorcido por ideias preconcebidas sobre ela e sua carreira. Em outras palavras, ela queria interpretar Jackie porque via partes de si mesma –de seu passado e de seu presente– na história, bem como um reflexo de sua luta por mais.

“Essa é outra batalha que travei por toda a vida: a de que, porque tenho determinada aparência, fui poupada de todas as dificuldades. Passei por perdas, dores e muito sofrimento em minha vida. Sofri abusos a vida toda”, ela relembrou, em referência a, entre outras coisas, violência doméstica em relacionamentos, assunto de que Berry já falou no passado. “Fico realmente frustrada quando as pessoas pensam que, porque tenho uma certa aparência, não passei por experiências desse tipo na vida real, porque passei por muitos delas”.

Ela acrescentou, além disso, que “isso não me livrou de qualquer sofrimento, dor, momento de tristeza ou de medo, pode acreditar”. Atim disse acreditar que “a rica experiência de Halle como atriz foi instrumental em alimentar seus instintos como diretora”. Mas Atim acrescentou também que, em última análise, a experiência dela “sobre como contar uma história era igualmente importante”.

O resultado é um retrato da feminilidade negra que é a um só tempo expansivo e enriquecedor –para Jackie, para Berry e para a audiência igualmente. “Não vi uma mulher negra retratada dessa maneira em um filme”, disse Berry. “E sou de Cleveland, Ohio. Sou o sal da terra. É um mundo que conheço e é intrínseco a quem eu sou”.

Em outras palavras, um filme pelo qual valia apenas lutar. “Se pretendo contar uma história, quero fazê-lo de um ponto de vista que eu conheça”, ela disse. “Achei que essa era uma ótima maneira de começar”.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

Taís Araujo diz que precisou de ‘coragem’ para ser sua própria empresária

Artista começou a administrar sua carreira recentemente
MARIANA ARRUDA

Taís Araújo – Instagram

Representatividade, pluralidade e independência são palavras que podem definir parte da trajetória da atriz Taís Araujo, 42. Atualmente como jurada do The Masked Singer Brasil (Globo), a artista acumula uma lista de programas, novelas e séries em que atuou e agora é também a administradora de sua própria carreira.

“Se eu administro a minha casa, por que eu não posso administrar minha carreira?”, questiona a artista, que explica que a decisão veio após conseguir se cercar de bons profissionais, entender mais sobre o assunto e “ter coragem de tocar”.

Segundo ela, esse passo mostra a importância de seguir os próprios sonhos. “Temos que viver a nossa vida da maneira que desejamos e sonhamos. Vivemos uma vez só”. Taís afirma que a tarefa não é nada fácil, mas diz estar satisfeita com a mudança.

“São muitas demandas, porque não é só a carreira que eu administro, né? Administrar minha casa, a minha família não é fácil, mas eu tenho curtido”, afirma, em entrevista ao F5.

A atriz conta que esse movimento na carreira aconteceu pouco antes de ela receber o convite para ser representante de uma campanha da marca Natura sobre autoconfiança da mulher.

“As marcas que trabalham para mulheres sempre trabalham na questão de levantar a autoestima”, pontua. Para ela, é fundamental falar sobre o papel da mulher na sociedade para conseguir cada vez mais espaço e conquistas. “Para resolvermos problemas, temos que falar sobre”, diz ela, citando a busca por “equidade” de gêneros.

Taís aponta, ainda, a importância da representatividade em trabalhos de grande visibilidade. “Fui uma criança que tive pouquíssimas referências, a não ser a minha mãe, irmã e as minhas tias”, diz ela sobre a ausência de mulheres negras na televisão ou nas revistas.

Hoje, ela diz, a realidade dos filhos Maria Antônia, 6, e João Vicente, 10, é outra. “Minha filha não pode abrir um livro que fala: ‘Sou eu e o João’. Isso não tinha na minha infância.”

Sobre sua participação no The Masked Singer, a atriz diz estar se divertindo bastante. Também se mostra animada com a interação com o público nas redes sociais, em especial no Twitter, onde diz ter liberdade para brincar. “Estávamos precisando de uma coisa assim agora, em que o único comprometimento é se divertir.”

Sobre o uso das redes sociais como ferramenta de expressão e opinião, Taís Araujo diz que aborda assuntos relacionados a política, pandemia e racismo de forma natural, sempre pensando em gerar um debate saudável com os seguidores. “As pessoas conseguem entender e conseguimos discutir, debater assuntos que são importantes.”

‘Cada pessoa no planeta tem o direito de receber a vacina contra a Covid-19’, diz Meghan Markle em discurso em concerto em Nova York

‘Esta é uma crise de Direitos Humanos’, afirmou o príncipe Harry. Casal foi ovacionado no palco do Global Citizen Live, no sábado à noite, ao defender a equidade na distribuição do imunizante

Príncipe Harry e Meghan Foto: ANGELA WEISS/AFP

Meghan Markle, de vestido branco, e o príncipe Harry subiram no palco do concerto Global Citizen Live em Nova York, no último sábado à noite (25/9).

O duque e a duquesa de Sussex fizeram uma aparição especial no festival anual de música no Central Park.

Eles se uniram ao Global Citizen para encorajar a distribuição de vacinas aos países pobres. O objetivo é incentivar os países ricos a compartilharem um bilhão de doses de vacinas contra a Covid-19 entre as nações que mais sofrem contra a pandemia. O casal foi ovacionado pelo público.

O príncipe Harry foi quem começou o discurso, perguntando: “Vocês estão prontso para fazer o que é necessário para acabar com esta pandemia?”

Em seguida, Meghan pegou o microfone: “Oi, pessoal.  É tão bom estar de volta aqui com todos vocês”‘, disse ela. “Nós sabemos que parece que esta pandemia não termina nunca”, continuou. “Há muita coisa que podemos fazer para isso acabar e é por isso que estamos aqui.” 

Harry e Meghan: discurso Foto: ANGELA WEISS/AFP

Meghan exaltou os profissionais da ciência e da sáude. “Podemos estar aqui esta noite porque os mais brilhantes cientistas, pesquisadores, trabalhadores da linha de frente e líderes altruístas da saúde pública arriscaram suas vidas para proteger nossa comunidade global. Eles são nossos heróis humanitários“, declarou.

Ela devolveu o microfone a Harry, que novamente se dirigiu ao público do Central Park: ‘Desde o início desta pandemia, temos conversado com os especialistas sobre como fazer a nossa parte”.

Príncipe Harry prosseguiu: “Nós nos reunimos com os líderes mundiais independentes da saúde para entender melhor como nos aproximar da equidade na distribuição das vacinas e acabar com esta crise”, contou. “Esta é, acima de tudo, uma rise de Direitos Humanos.”

Meghan destacou a importância de todos os habitantes do mundo  se vacinarem contra a Covid-19: “Cada pessoa neste planeta tem o direito fundamental de receber esta vacina. Esse é o ponto. Porém, não é isso que está acontecendo. Bilhões de pessoas estão sem acesso ao imunizante”, declarou.

O casal lembrou que grande parte das vacinas foi para as dez nações mais ricas do mundo e que muitos países sofrem com a pandemia diante da falta de imunizantes devido a interesses econômicos:  “Muitos países estão prontos para produzir vacinas em casa, mas não têm permissão porque as empresas farmacêuticas não estão compartilhando as fórmulas. Esses países têm os meios, a capacidade e os trabalhadores para iniciar a fabricação. Tudo o que eles estão esperando é que a propriedade intelectual da vacina seja dispensada e que a tecnologia da vacina seja transferida”, afirmou o príncipe.

Bilheteria EUA: Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, Querido Evan Hansen, Free Guy, A Lenda de Candyman, Cry Macho

Longa da Marvel passa 4ª semana no topo da bilheteria

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis é oficialmente a maior bilheteria de 2021 nos EUA. Em sua 4ª semana em cartaz, o longa da Marvel acumulou US$ 196,4 milhões, superando o recordista anterior, Viúva Negra, que arrecadou US$ 183,433 durante seu tempo em cartaz. No último final de semana, o filme do MCU fez mais US$ 13,2 milhões, se mantendo firme no primeiro lugar mesmo com a estreia do musical Querido Evan Hansen, que arrecadou US$ 7,5 milhões.

A comédia de ação com Ryan Reynolds, Free Guy: Assumindo o Controle, também segue com boa performance na bilheteria, caindo para o 3º lugar em sua sétima semana com mais US$ 4,1 milhões. Completando o top 5 estão o terror A Lenda de Candyman, com mais US$ 2,5 milhões, e o novo filme de Clint Eastwood, Cry Macho, que em sua segunda semana fez US$ 2,1 milhões.

Conheça Daniel Jorge: o novo rosto do design brasileiro

Autodidata, o artista e designer Daniel Jorge se debruça sobre a cultura brasileira e suas próprias vivências para idealizar peças de mobiliário originais e carregadas de história
REGINA GALVÃO | FOTOS PEU GOMES/DIVULGAÇÃO

Designer brasileiro Daniel Jorge

O novo rosto do design brasileiro atende pelo nome de Daniel Jorge, um mineiro que morou a maior parte da vida no Rio de Janeiro. Lá, estudou nos prédios dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), implantados pelo governo estadual entre 1983 e 1994 com projeto educacional de Darcy Ribeiro, onde travou contato com a arquitetura de Oscar Niemeyer. Hoje, aos 30 anos, divide-se entre Minas, Rio e Salvador. “Eu me considero um andarilho”, diz.

Conheça Daniel Jorge: o novo rosto do design brasileiro (Foto: Peu Gomes/divulgação)
A cadeira Tourinho mescla o estilo manoelino das igrejas de Salvador com o equilíbrio construtivo das obras de Lina Bo Bardi – a peça, em três tonalidades de madeira, é um lançamento da +55design

Andarilho também foi o avô Sebastião, capaz de percorrer 20 quilômetros por dia pela região da zona da mata mineira, e depois relatar saborosas histórias de suas façanhas aos netos. “Ele tocava acordeão, e era puxador nas festas de Folias de Rei na minha cidade, Recreio. Aos 40 e poucos anos, perdeu a visão, mas não a alegria. Com ele, aprendi a ver o tempo através do amor: dizia que não era necessário correr, mas simplesmente estar aqui, aproximando as pessoas e se aprimorando.”

Conheça Daniel Jorge: o novo rosto do design brasileiro (Foto: Peu Gomes/divulgação)
Módulos da escultura de pedra-sabão Grão Mestre, realizada com artesãos mineiros para a casa de um publicitário

Embora tenha cursado design de produto no Senac e arquitetura (incompleta) na UFMG, Jorge prefere ser chamado de autodidata. Por quê? Para deixar um recado: “Se eu estou aqui, vocês também podem estar.” Com aptidão para o desenho, vendia suas criações aos vizinhos. “Sou designer e artista visual desde quando me entendo por gente”, afirma.

Aos 10 anos, inventou um alfabeto próprio, o Mínkhar, baseado na geometria fractal, que, segundo ele, o auxilia a encontrar caminhos identitários. Intuitivo, atribui à mãe, Maria Alice, sua coragem para enfrentar os desafios.“No design, na arquitetura e na arte, é preciso mil goles de coragem para fazer aquilo em que se acredita sem a interferência do todo.”

Com a mãe, fundou o Estúdio Dan – DesignArt Now, plataforma multidisciplinar de pesquisa. “As narrativas partem da minha observação sobre o espaço e das trocas que ele me proporciona. Começo pensando em arte, para depois transformá-la em design.” Seu primeiro produto industrial, a cadeira Tourinho, apresentada no mês passado, segue esse ideal.

Chamado para projetar a decoração da casa do publicitário baiano Pedro Tourinho, Jorge desenvolveu essa e outras peças, além de uma escultura de 15 metros de altura para o imóvel, em Salvador. Durante o processo, conheceu Tatiana Amorim, amiga de seu cliente e uma das sócias da +55design. “Gostei do trabalho dele e pedi para me enviar seu portfólio”, conta Tatiana. “Mostrei-o à Ticiana [Villas Boas], minha sócia, e à Clarissa [Schneider], curadora da marca. As duas, como eu, adoraram a cadeira e decidimos produzi-la.”

O traço do móvel deriva das constantes investigações do designer e traz referências do estilo manoelino, presente nas igrejas baianas do período colonial, e do equilíbrio construtivo que Jorge enxerga nas obras de Lina Bo Bardi, outra influência feminina. Depois de um ano de muitos testes e protótipos, a Tourinho ganhou ergonomia perfeita e assento e encosto de couro.

Para o segundo semestre, ainda estão previstos outros lançamentos do designer pela +55design: um banco, que é também um instrumento musical, e uma luminária com inspiração no candomblé. Mais do que devoção, a religião africana suscita a busca pela identidade. “Como artista e designer, tenho de perseguir minhas origens. Sou de Minas Gerais, com um amor incondicional pela Bahia. Trago, em mim, o coração do Brasil.”

De quanta água você realmente precisa? Cai o mito de beber 2 litros por dia

Para a maioria das pessoas saudáveis, dizem os especialistas, o correto é só beber quando estiver com sede. Cerveja, café e chá também hidratam
Christie Aschwanden, do New York Times

Para a maioria das pessoas saudáveis, dizem os especialistas, o correto é só beber quando estiver com sede Foto: Freepik

Se você passou algum tempo nas redes sociais ou visitou um evento esportivo recentemente, com certeza foi bombardeado com incentivos para beber mais água. Os influenciadores e celebridades agora carregam garrafas de água do tamanho de um galão como o novo acessório da moda. O Twitter nos lembra constantemente de reservarmos mais tempo para nos hidratar. Algumas garrafas de água reutilizáveis carregam frases motivacionais do tipo “Lembre-se do seu objetivo”, “Continue bebendo” e “Você está quase terminando” — para incentivar mais litros de água ao longo do dia.

Os supostos benefícios do consumo excessivo de água são aparentemente infinitos — desde a melhoria da memória e da saúde mental ao aumento da energia e uma aparência melhor. “Mantenha-se hidratado” tornou-se uma nova versão da velha saudação “Fique bem”.

Mas o que exatamente significa “manter-se hidratado”?

— Quando os leigos discutem a desidratação focam a perda de qualquer fluido — , diz Joel Topf, nefrologista e professor clínico assistente de medicina na Oakland University em Michigan.

Mas essa interpretação é “totalmente desproporcional”, afirma Kelly Anne Hyndman, pesquisadora da função renal da Universidade do Alabama em Birmingham. Manter-se hidratado é definitivamente importante, diz ela, mas a ideia de que o simples ato de beber mais água tornará as pessoas mais saudáveis não é verdade. Tampouco é correto que a maioria das pessoas segue cronicamente desidratada ou que devamos beber água o dia todo.

Do ponto de vista médico, acrescentou Topf, a medida mais importante de hidratação é o equilíbrio entre eletrólitos como sódio e água no corpo. E você não precisa engolir copo atrás copo de água longo do dia para obter isso.

Quanta água eu realmente preciso beber por dia?

Todos nós aprendemos que oito copos de 250 ml de água por dia é o número mágico para todos, mas essa noção é um mito, explica Tamara Hew-Butler, cientista de exercícios e esportes da Wayne State University.

Fatores únicos como o tamanho do corpo, temperatura externa e quantidade de suor são importantes. Uma pessoa de 90 quilos que acabou de caminhar sob o sol forte obviamente deve beber mais água do que um funcionário de escritório de 60 quilos que passou o dia em um prédio com temperatura controlada.

A quantidade de água de que você precisa por dia também depende da sua saúde. Alguém com uma condição como insuficiência cardíaca ou pedras nos rins pode exigir uma quantidade diferente do que alguém que toma medicamentos diuréticos, por exemplo. Ou talvez você pode precisar alterar sua ingestão se estiver com episódios de vômitos ou diarreia.

Para a maioria das pessoas jovens e saudáveis, a melhor maneira de se manter hidratada é simplesmente beber água quando estiver com sede, disse Topf. Aqueles que são mais velhos, na casa dos 70 e 80 anos, podem precisar fornecer mais atenção para obter líquidos suficientes porque a sensação de sede pode diminuir com a idade.

E, apesar da tendência popular, não confie na cor da urina para indicar com precisão o seu estado de hidratação, disse Hew-Butler. Sim, é possível que uma urina amarela escura ou âmbar possa significar que você está desidratado, mas não há nenhuma ciência sólida para sugerir que a cor, por si só, deva levar você a ir beber um copo da bebida imediatamente.

Tenho que beber água para me manter hidratado?

Não necessariamente. Do ponto de vista puramente nutricional, a água é uma escolha melhor do que opções menos saudáveis, como refrigerantes açucarados ou sucos de frutas. Mas quando se trata de hidratação, qualquer bebida pode adicionar água ao seu sistema, explica Hew-Butler.

Uma noção popular é que beber bebidas com cafeína ou álcool desidrata você, mas, se isso for verdade, o efeito é insignificante, disse Topf. Um ensaio clínico randomizado e controlado de 2016 com 72 homens, por exemplo, concluiu que os efeitos hidratantes da água, cerveja, café e chá eram quase idênticos.

Você também pode obter água do que come. Alimentos ricos em líquidos e refeições como frutas, vegetais, sopas e molhos contribuem para a ingestão de água. Além disso, o processo químico de metabolização dos alimentos produz água como subproduto, o que também aumenta a ingestão, disse Topf.

Eu preciso me preocupar com os eletrólitos?

Alguns anúncios de bebidas esportivas podem fazer você pensar que precisa estar constantemente repondo eletrólitos para manter seus níveis sob controle, mas não há razão científica para a maioria das pessoas saudáveis ingerirem bebidas com eletrólitos adicionados artificialmente, disse Hew-Butler.

Eletrólitos como sódio, potássio, cloreto e magnésio são minerais carregados eletricamente que estão presentes nos fluidos do corpo (como o sangue e a urina) e são importantes para equilibrar a água em seu corpo. Eles também são essenciais para o funcionamento adequado dos nervos, músculos, cérebro e coração.

Quando você fica desidratado, a concentração de eletrólitos no sangue aumenta e o corpo sinaliza a liberação do hormônio vasopressina, o que acaba eliminando a quantidade de água que é liberada na urina para que você possa reabsorvê-la de volta em seu corpo e obter esse equilíbrio novamente, Hyndman disse.

A menos que você esteja em uma situação incomum — fazendo exercícios muito intensos no calor ou perdendo muito líquido por causa do vômito ou diarreia — você não precisa repor os eletrólitos com bebidas esportivas ou outros produtos carregados com eles. A maioria das pessoas obtêm eletrólitos suficientes de sua alimentação, disse Hew-Butler.

Beber mais água, mesmo sem sede, vai melhorar minha saúde?

Não. É claro que as pessoas com certas condições de saúde, como pedras nos rins ou uma doença renal policística autossômica dominante, mais rara, podem se beneficiar ao fazer um esforço para beber um pouco mais de água do que sua sede exige, disse Topf.

Mas, na realidade, a maioria das pessoas saudáveis que atribuem a sensação de mal-estar à desidratação pode, na verdade, estar se sentindo mal porque estão bebendo água em excesso, especulou Hyndman.

— Talvez eles tenham uma dor de cabeça ou se sintam mal, pensando: “Ah, estou desidratado, preciso beber mais”, e continuam bebendo cada vez mais e mais água, e continuam se sentindo pior e pior e pior.

Se você beber uma quantidade além da que seus rins podem excretar, os eletrólitos em seu sangue podem se tornar muito diluídos e, no caso mais brando, pode fazer você se sentir “mal”.

No caso mais extremo, beber uma quantidade excessiva de água em um curto período pode levar a uma condição chamada hiponatremia ou “intoxicação por água”.

— Isso é muito assustador e ruim — , disse Hyndman.

Se os níveis de sódio no sangue ficarem muito baixos, pode haver um inchaço do cérebro e problemas neurológicos como convulsões, coma ou até morte.

Em 2007, uma mulher de 28 anos morreu de hiponatremia após supostamente beber quase dois galões de água durante três horas enquanto participava de um concurso que desafiava as pessoas a beber água e urinar o menos possível. A condição pode ser mais comum entre os praticantes de exercícios físicos.

Josefina Bietti for ELLE Brazil with Shirley Mallmann

Photographer: Josefina Bietti. Fashion Stylist: Lucas Boccalão. Creative Direction: Luciano Schmitz. Beauty: Daniel Hernandez. Model: Shirley Mallmann.

Por dentro do novo e elegante escritório da agência de publicidade Fallon em Minneapolis, Minnesota

A agência de publicidade Fallon mudou-se recentemente para um novo escritório em Minneapolis, Minnesota, projetado pela empresa de arquitetura e design de interiores Studio BV.

fallon-minneapolis-office-10
Meeting space

“Fallon e Sapient mudaram-se para um novo bairro. Desfazendo décadas da identidade do distrito comercial central que incorporou essas marcas e se mudou para o North Loop de Minneapolis. Este bairro é autêntico: antigo e novo, jovem, moderno, residencial e comercial. Esse contraste com sua localização anterior é exatamente o que essas duas empresas precisam para crescer no futuro. A reconstrução da cultura, novamente.

“Este escritório industrial é um contraste entre o escritório do depósito e o conforto e familiaridade de uma casa”, disse Betsy Vohs, fundadora e CEO da Studio BV. “O desenrolar do que é ser em um espaço de escritório é a oportunidade de criar um novo paradigma para Fallon & Sapient.”

A experiência do espaço atua e dá a sensação de estar em uma casa. Os espaços são confortáveis ​​e acessíveis, além de flexíveis para atender às necessidades das equipes. Os espaços públicos funcionam como foyer, salão, sala de jantar, jardim de inverno, sala de jogos e espaço de biblioteca. Os espaços privados são simples e flexíveis para suportar a natureza criativa do trabalho da Fallon & Sapient. Há capricho e humor. A confiança de estar confortável e saber quem você é é o espírito deste novo escritório.

Espaços que atendem às necessidades individuais se aglutinam em torno de espaços onde as pessoas se reúnem para compartilhar ideias. Esses espaços “reunidos” são projetados para serem inclusivos, eliminando silos e criando oportunidades para inovação.

A escada conecta todas as peças, exatamente como em uma casa. As plantas, a arte e os acessórios estão tão presentes quanto os espaços de encontro e de pin up de trabalho. Esta nova casa para Fallon & Sapient é um lugar dinâmico cheio de vida, amor e alegria ”.

  • Location: Minneapolis, Minnesota
  • Date completed: 2020
  • Size: 36,000 square feet
  • Design: Studio BV
  • Photos: Corey Gaffer
fallon-minneapolis-office-1
Breakout space
fallon-minneapolis-office-2
Reception
fallon-minneapolis-office-4
Corridor
fallon-minneapolis-office-5
Breakout space
fallon-minneapolis-office-6
Breakout space
fallon-minneapolis-office-8
Terrace
fallon-minneapolis-office-11
Meeting room
fallon-minneapolis-office-12
Corridor
fallon-minneapolis-office-13
Meeting room
fallon-minneapolis-office-15
Meeting room
fallon-minneapolis-office-16