Decisão por lançamentos híbridos no HBO Max foi apressada, admite CEO Jason Kilar da WarnerMedia

Jason Kilar ainda defende que estratégia colocou companhia num bom patamar, mas se arrepende de não ter demorado um pouco mais para negociar com todas as partes
Pedro Strazza

CEO Jason Kilar da WarnerMedia

Já são quase dez meses desde que a WarnerMedia anunciou ao mundo o plano de lançar simultaneamente nos cinemas e no streaming todos os seus projetos voltados para a telona em 2021, e até o momento a manobra teve frutos e perdas. Houveram filmes que se deram bem no formato (“Godzilla vs King Kong”, “Invocação do Mal 3”) e outros que foram prejudicados (“Space Jam: Um Novo Legado”, “O Esquadrão Suicida”), mas o estúdio também viu sua relação com criativos ser abalada pela mudança tão súbita, com o ônus máximo de Christopher Nolan romper sua parceria de duas décadas com a distribuidora para o próximo longa.

É exatamente este lado da ação que faz o atual CEO da companhia, Jason Kilar, lamentar parcialmente a opção pela distribuição híbrida neste ano. Durante uma participação na Vox Media’s Code Conference na última terça-feira (28), o executivo comentou a recepção quente do anúncio no fim do ano passado e confirmou que hoje acredita que “deveria ter tomado uma boa parte do mês” para conversar com os mais de 170 criativos e talentos afetados pela mudança de plano.

O número acima, aliás, vem da boca do próprio Kilar. “Eu serei o primeiro a dizer, e a responsabilidade está em meus ombros, que a primeira vista nós deveríamos ter tomado uma boa parte do mês para ter as mais de 170 conversas que tivemos” disse o executivo no evento, onde também discutiu as motivações por trás de tamanha aceleração: “Nós tentamos fazer isso num período muito comprimido de tempo, menos de uma semana, porque é claro que havia risco de vazamentos que fariam todo mundo opinar sobre se isso deveria ou não ser feito”.

Apesar de toda a tensão subsequente, Kilar ainda acredita que foi a decisão correta lançar os 17 filmes da Warner previstos para 2021 nos cinemas e no HBO Max simultaneamente. “Nós dissemos desde o início que iríamos tratar cada um dos filmes como um blockbuster, de uma perspectiva econômica, que nós iríamos ser justos e generosos e que faríamos a coisa certa. A boa notícia é que cumprimos isso, demos o nosso máximo para entregar” afirmou o CEO, ainda definindo a posição da Warner como “uma situação muito boa” no presente momento.

Enquanto Kilar talvez não possa dizer o mesmo de sua posição dentro da companhia no futuro próximo (com a fusão com a Discovery tornando David Zaslav no novo CEO, ninguém sabe o destino dele na empresa), mas a Warner em tese tem um futuro mais firme à frente. Com “Matrix Ressurections” fechando o pacote de 17 títulos lançados no ano, o estúdio já firmou negócio com exibidores de todo tipo para, a partir de 2022, disponibilizar com exclusividade seus títulos por 45 dias antes do lançamento no HBO Max. A plataforma da companhia, enquanto isso, segue em expansão pelo mundo, já disponível na América Latina desde o meio do ano e com estreia no próximo mês em alguns países da Europa.

Resta saber agora a extensão do dano infligido pela decisão da exibição simultânea apenas nos EUA, ainda mais com a quantidade de bônus aprovados pelo estúdio para viabilizar a manobra depois de implementada. Nessa hora é bom lembrar de casos como o de “Caminhos da Memória”, que, mesmo com um desempenho pífio e inferior a US$ 10 milhões nas bilheterias globais, rendeu um pagamento extra de US$ 65 milhões a Hugh Jackman.

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