Blue Origin, de Jeff Bezos, tem ambiente ‘tóxico e sexista’, dizem funcionários

Funcionários elencam uma série de problemas na Blue Origin, que vão da pressão para que Bezos voasse antes da SpaceX ao tratamento humilhante de ex-executivos em relação às mulheres
Por Italo Bertão Filho – O Estado de S. Paulo

Jeff Bezos viajou para o espaço em julho a bordo de um foguete da Blue Origin

Blue Origin, de Jeff Bezos, possui um ambiente de trabalho “tóxico, sexista e inseguro”, segundo um grupo de 21 ex-funcionários e funcionários da empresa, que divulgou uma carta nesta quinta-feira, 30, com denúncias de más condições de trabalho. A companhia do fundador da Amazon é uma das principais interessadas na corrida pelo turismo espacial.

Os funcionários elencam uma série de problemas na Blue Origin. A denúncia relata pressão para que Bezos voasse antes da SpaceX, de Elon Musk, negligência com questões de segurança e tratamento humilhante de ex-executivos em relação às mulheres. “Vários líderes sêniores são conhecidos por (apresentarem comportamento) inadequado com as mulheres de forma contínua”, afirma a carta.

Um ex-executivo, segundo o documento, utilizava termos pejorativos como “garotinha”, “bonequinha” e “querida” ao lidar com colegas mulheres. Após vários casos do gênero, o executivo foi demitido quando apalpou os seios de uma subordinada. Para os funcionários, a situação chegou ao extremo pela proximidade do executivo com Bezos. O documento também cita que o perfil dos funcionários é majoritariamente masculino e branco. Todos os líderes técnicos são homens, segundo o texto.

A falta de segurança dos equipamentos da empresa também foi outro ponto destacado pelos denunciantes. Boa parte não viajaria em uma espaçonave da Blue Origin. “Quando Jeff Bezos voou para o espaço em julho, não compartilhamos de sua alegria. Peo contrário, muitos de nós assistimos com um mal-estar avassalador”, afirma o documento. 

Para que Bezos viajasse antes de seus concorrentes, engenheiros trabalhavam muito além de suas capacidades, lidando também com um orçamento reduzido, afirma o documento. O esgotamento físico e mental seria uma política laboral da empresa, segundo os denunciantes. “Memorandos da liderança sênior revelam o desejo de levar os funcionários ao limite”.

No começo desta semana, o empresário prometeu que doaria US$ 1 bilhão para a preservação de 30% da água e do solo da Terra até 2030. Mas a Blue Origin não acompanha o discurso de seu criador, segundo o texto. A empresa não possui programas para diminuir sua pegada de carbono ou torná-la neutra.

Em reposta à denúncia, a Blue Origin afirmou que não tolera discriminação ou assédio de qualquer gênero. “Oferecemos vários caminhos para os funcionários, incluindo uma linha direta anônima 24 horas por dia, 7 dias por semana. Investigaremos imediatamente quaisquer novas alegações de má conduta”, afirmou um porta-voz da empresa ao site americano The Verge.

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