Jeniffer Dias, de ‘Segunda chamada’, fala sobre infância pobre e auto-estima

‘Tenho me achado muito bonita’, diz atriz reta final de uma longa transição capilar

Jeniffer Dias Foto: Fernanda Candido
Jeniffer Dias Foto: Fernanda Candido

Jeniffer Dias está plena. “Tenho me achado muito bonita porque estou mais verdadeira comigo mesma”, afirma a atriz, de 30 anos, que está na reta final de um longo processo de transição capilar. “Exige muita coragem. Quando cortei o cabelo curtinho para iniciar o processo, a autoestima foi la embaixo. Passei quase a metade da minha vida alisando os fios. Aos 14, quando comecei, queria ser aceita. E machuquei muito a minha raiz, em todos os sentidos”.

Atualmente, a atriz está no ar em “Segunda chamada”, no Globoplay: é Antônia, uma jovem que estuda à noite e trabalha como entregadora de aplicativos durante o dia. “A personagem me fez ver como os profissionais são desvalorizados, explorados, e se arriscam demais. Não deveriam ser tratados como descartáveis”, lamenta. “Dar a gorjeta na mão do entregador, e não no app, passou a ser essencial e de extrema importância. Muitos tem a realidade parecida com a de Antônia e com a de tantos desse Brasilzão: trabalham um período e estudam em outro. Deveriam receber as taxas que merecem”.

Nascida na favela Coronel Leôncio, em Niterói, de onde saiu ainda pequena, Jeniffer é a primeira da família a ter curso superior. “Toda vez que falo isso me bate um grande incômodo porque, infelizmente, as pessoas que eu mais amo não tiveram oportunidade e acesso ao básico!”, ressalta a atriz, formada em Gestão Ambiental. “Quando nasci, minha mãe tinha 15 anos acabou não conseguindo concluir os estudos. Então, sempre fez de tudo para que eu trilhasse um caminho diferente. Ela até chegou a cursar o ensino fundamental e médio numa escola EJA, como a que Antônia estuda em ‘Segunda chamada’, trabalhando de dia e estudando a noite, acompanhei o processo, e não era nada fácil. Cresci observando tudo isso e querendo ir além”.

No início da pandemia, Jeniffer passou a morar com o namorado, o comediante Yuri Marçal. “Passamos produzir juntos na quarentena, e chegamos a rodar um filme, média-metragem, que está em fase montagem. A produção tem uma  equipe incrível, majoritariamente feminina e preta. Eu dirigi e protagonizei ao lado do Yuri”, celebra.

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