Jessica Chastain usou 11 perucas e muito rímel para virar estrela evangélica em ‘The Eyes of Tammy Faye’

Atriz está em ‘The Eyes of Tammy Faye’ ao lado de Andrew Garfield
DAVE ITZKOFF

Cenas do filme “The Eyes of Tammy Faye” Divulgação

THE NEW YORK TIMES – Jessica Chastain passou anos batalhando pela oportunidade de interpretar Tammy Faye Messner, a infatigável estrela evangélica de TV e rádio. Mais conhecida de milhões de telespectadores pelo nome Tammy Faye Bakker, ela e Jim Bakker, na época seu marido, comandavam o programa religioso televisivo PTL, até terminarem derrubados por escândalos sexuais e financeiros no final da década de 1980.

Por isso, quando Chastain enfim conseguiu o papel, em “The Eyes of Tammy Faye”, uma nova cinebiografia na qual Andrew Garfield interpreta Jim Bakker, sob a direção de Michael Showalter, ela estava determinada a ter a aparência exata da personagem.

Como disse a atriz sobre a mulher que ela interpreta, “Tammy Faye jamais fez qualquer coisa pela metade. Nela não havia qualquer traço de esforço para ser cool, ou distante. Para interpretá-la, eu não podia passar nem perto de distanciamento, de frieza. Tinha de mergulhar da maneira mais louca e mais extrema. Porque é dessa maneira que ela vivia cada momento”.

Chastain pesquisou intensamente para o filme, lançado recentemente pela Searchlight Pictures. Ela procurou artigos de revista sobre Messner, que morreu em 2007, bem como velhas fotos e imagens televisivas.

Mas fazer a transformação exigiu uma equipe inteira de maquiadores, figurinistas e cabeleireiros. Alguns deles já tinham colaborado com Chastain no passado, e sabiam o que ela esperava de seu trabalho. “Basicamente, ela diz com muita clareza o que quer”, disse a cabeleireira Stephanie Ingram. “E depois disso cabe a você fazer que aconteça”.

Abaixo, Chastain e diversos dos artistas que trabalharam com ela em “The Eyes of Tammy Faye” falam sob ntejoulas e acrílicos).



PRÓTESES

Justin Raleigh, que criou as próteses de cena usadas no filme, e sua equipe tinham dois desafios. Primeiro, criar próteses (peças de silicone com preenchimento por gel que simulam pele) para encontrar o ponto de equilíbrio necessário entre a figura retratada e a atriz.

“Jessica queria se perder completamente no papel, e realmente personificar Tammy Faye, mas sem se obliterar completamente”, disse Raleigh. “Nós tivemos de dançar cuidadosamente em torno da quantidade de próteses que usaríamos, ou não”. Em segundo lugar, era preciso criar looks compatíveis, que conduzissem aos poucos à imagem de Bakker em suas eras mais reconhecíveis.

“Trabalhando em reverso, assim que estabelecemos o look que ela teria nas décadas de 1980 e 1990, a única maneira de fazer o restante do trabalho seria acrescentar próteses para lhe dar uma aparência mais jovem”, disse Raleigh.

“Tivemos de manter esse nível de continuidade, em termos anatômicos, por todo o filme”. Para caracterizar a personagem nas décadas de 1960 e 1970, Chastain usou próteses nas bochechas, no queixo (para cobrir uma covinha), e fita adesiva para erguer a ponta de seu nariz.

Nas cenas passadas na década de 1980, ela acrescentou um traje anatômico completo, uma prótese de pescoço e uma prótese no lábio superior. Para a década de 1990, ela acrescentou bolsões escuros sob os olhos. Mas em todo o trabalho, disse Raleigh, “as bochechas eram o elemento definitivo, que ela teve de manter por todo o processo”.

MAQUIAGEM

Apesar de todos os cosméticos que Messner usava –e ela costumava ser muito ridicularizada por isso–, os membros da equipe de maquiagem disseram que seu objetivo era tentar evitar qualquer zombaria. “O importante de verdade era garantir que nada comprometesse a autenticidade de quem ela era, e que jamais cruzássemos a linha que nos levaria à caricatura”, disse a maquiadora Linda Dowds, que trabalhou com Chastain em 15 filmes, começando em “Mama”, um filme de terror de 2013.

Dowds, que comandou o departamento de maquiagem de “The Eyes of Tammy Faye”, disse que era sempre necessário haver um “elemento de beleza” na maneira pela qual a personagem usava maquiagem. “Ela amava maquiagem, totalmente, e amava ter a aparência que tinha quando maquiada. E foi se tornando cada vez mais ousada em seu uso”.

Rosa era a cor predominante na palheta da juventude de Tammy Faye, mas, com a passagem do tempo, o colorido foi se tornando mais escuro, e ela recorreu a tatuagens para acentuar os olhos, as sobrancelhas e os lábios (recriadas com o uso de maquiagem em Chastain).

“Também tínhamos muito mais cílios com que lidar –fomos de uma camada de rímel para quatro ou cinco”, disse Dowds. “Ela dizia coisas em entrevistas como ‘quem falou que uma pessoa não pode usar rímel ou cílios postiços? De onde vem essas regras? Ninguém precisa ser sem graça para ser cristão”.

FIGURINO

Para criar o guarda-roupa da Tammy Faye das telas, o designer de figurino do filme, Mitchell Travers, também teve de compreender a personagem. “Na verdade, eu fui às compras, como ela ia”, disse Travers. “Ela costumava dizer que fazer compras era sua forma favorita de exercício. E amava caçar produtos”.

Ele foi a leilões de produtos usados e a mercadinhos de troca, e procurou peças no Etsy e no T.J. Maxx, em busca de roupas para uma mulher que queria parecer poderosa mesmo antes que tivesse dinheiro para isso, e que mais tarde teve acesso a dinheiro, e o perdeu.

“Eu pude contar a história de qual era a sensação de se sentir confortável com ter dinheiro e quase esquecer que as coisas tinham preço”, disse Travers. “E também pude contar a história do que foi ter perdido tudo, e da pressão que surge quando você precisa manter a persona que criou mas não tem mais o dinheiro para isso”.

Em seu ápice, na década de 1980, as roupas da personagem pareciam novas, e tudo era grande: ombreiras, brincos, as estampas dos vestidos. E para a vida de Tammy Faye depois do PTL, disse Travers, ele buscou reutilizar looks que já tinha montado, “para que o espectador tenha a sensação de que aquela é uma mulher que está tentando preservar alguma coisa que costumava estar ali, mas que agora já não vem com tamanha facilidade”.

CABELO

Fazer com que o cabelo de Chastain se parecesse com as memoráveis madeixas de Tammy Faye exigiu não menos de 11 perucas: castanhas para sua juventude, loiras e volumosas para seu apogeu na década de 1980, e ruivas para seus anos posteriores –e até mesmo uma peruca removível com uma faixa embutida, que Chastain pudesse tirar para exibir os cabelos curtos e emaranhados da personagem (na verdade, mais uma peruca).

E não pense que Ingram, que comandou a equipe de cabeleireiros do filme e é outra veterana de muitos projetos de Chastain, simplesmente encontrou essas perucas em uma loja. “É divertido porque as pessoas comentam que é só tirá-las de uma caixa e colocá-las no ator”, disse Ingram. “E eu respondo que não, certamente não é só isso”.

Algumas das perucas foram coloridas e preparadas de acordo com as especificações de Chastain, e outras foram criadas especialmente para ela. Um dia comum de filmagem podia exigir que a equipe de entre cinco e 10 cabeleireiros criasse penteados de época para todo o elenco do filme.

Perto do final da filmagem, quando Tammy Faye pede o divórcio de seu marido, Ingram disse que “eu simplesmente desmontei. Meu corpo parecia estar dizendo que ‘oh, meu Deus, enfim estamos chegando ao final’”.

INTERPRETAÇÃO

Interpretar um papel com tantas camadas de perucas, roupas, maquiagem e silicone foi essencialmente um processo novo para Chastain. Ela disse que sua experiência anterior mais próxima tinha sido interpretar a heroína pudica de “A Herdeira”, na Broadway, uma produção na qual ela não tinha o benefício de uma equipe tão grande de colaboradores. “Eu tinha uma prótese de nariz, e a colocava sozinha”, ela disse.

“Por isso, tenho o maior respeito pelo trabalho deles. Porque é realmente muito difícil”. A transformação dela em Tammy Faye requeria entre cinco e sete horas de maquiagem, em muitos dias, antes que qualquer cena pudesse ser rodada, mas Chastain disse que a preparação longa pelo menos lhe oferecia tempo adicional para se conectar com a personagem.

“Ficar tanto tempo sentada em uma cadeira pode ser cansativo”, disse Chastain. “Mas eu assistia a vídeos dela, ouvia sua voz, o tempo todo. Usava aquele tempo como pista de decolagem. Às vezes, quando está interpretando um papel, você passa 30 minutos na pista de decolagem e aí decola e começa a filmar. No caso dela, a pista de decolagem era bem mais longa”.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

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