Criador de ‘Round 6’ diz que não esperava sucesso com as crianças e pede cuidado de pais e professores

Classificação da série fenômeno é de 16 anos, mas menores de idade têm assistido no próprio Netflix ou em virais no TikTok, Instagram e YouTube
Talita Duvanel

O cineasta Hwang Dong-hyuk no set, dirigindo o elendo de diretor de “Round 6” Foto: Divulgação

 Já passava de 21h30m de ontem na Coreia do Sul, e o criador e diretor de “Round 6”, Hwang Dong-hyuk, ainda estava conectado para conceder sua primeira entrevista sobre a série ao Brasil. Tem sido uma batida louca de chamadas de vídeo para o mundo todo desde 17 de setembro, quando a produção estreou mundialmente na Netflix e, num boca a boca veloz, virou a mais vista do serviço de streaming em 90 países.

— Não previ esse nível de sucesso. Estou animado, mas assustado também. Há três semanas, vivo uma montanha-russa emocional — conta o cineasta, que entende inglês mas prefere responder em coreano e ter suas palavras traduzidas por uma intérprete.

Hwang Dong-hyuk também está espantado com o fato de crianças e adolescentes consumirem o conteúdo da série — seja pelo próprio streaming (no Brasil, a classificação é 16 anos, e a Netflix tem mecanismo de controle parental), ou virais no TikTok, Instagram e YouTube.

Por aqui, pais e colégios estão apavorados com a curiosidade dos pequenos acerca de uma obra com cenas de assassinato, suicídio e tráfico de órgãos.

— Não estou em nenhuma rede social, então nem pensei na possibilidade de crianças assistirem por essas mídias. Essa obra não é para elas. Estou perplexo que crianças estejam vendo. Espero que os pais e os professores ao redor do mundo sejam prudentes para que elas não sejam expostas a esse tipo de conteúdo — diz o diretor. — Mas, se já viram, espero que os adultos as ajudem a entender o significado do que está por trás da tela. Torço para que haja boas conversas.

Em menos de um mês após o lançamento da série, conhecida no exterior como "Squid Game", Ho Yeon se tornou, nesta segunda-feira, a atriz sul-coreana mais seguida na plataforma Foto: Reprodução
Em menos de um mês após o lançamento da série, conhecida no exterior como “Squid Game”, Ho Yeon se tornou, nesta segunda-feira, a atriz sul-coreana mais seguida na plataforma Foto: Reprodução
Cena da série 'Round 6', a estreia de Jung Ho Yeon como atriz Foto: Reprodução
Cena da série ‘Round 6’, a estreia de Jung Ho Yeon como atriz Foto: Reprodução
Jung Ho Yeon fez sua estreia como atriz em 'Round 6' Foto: Divulgação / Netflix
Jung Ho Yeon fez sua estreia como atriz em ‘Round 6’ Foto: Divulgação / Netflix
Jung Ho Yeon usa traje de gala em episódio da série 'Round 6'
Jung Ho Yeon usa traje de gala em episódio da série ‘Round 6’

A brincadeira não para

Apesar de ter rechaçado a ideia de uma segunda temporada nas primeiras entrevistas, hoje Hwang Dong-hyuk tem, entre sua lista de compromissos, conversas com executivos da Netflix sobre uma continuação. Ele, inclusive, esboça ideias do que poderemos ver no futuro quando fala do assunto (spoilers a seguir):

— Penso que, se fizer, será em cima da tentativa de Gi-hun (o ator Lee Jung-jae) em achar as pessoas que fazem parte do jogo, como o homem com quem ele brincou com o papel. Acho que ele tentaria encontrá-lo. Há também a história do policial, se ele está vivo ou não. Mas são só ideias.

Hwang Dong-hyuk , diretor de Round 6 Foto: Divulgaçao
Hwang Dong-hyuk , diretor de Round 6 Foto: Divulgaçao

O interesse em torno da sequência da produção é uma mudança radical da indústria se pensarmos na recepção que o roteiro teve em 2008, quando foi escrito e apresentado a investidores pela primeira vez. Ninguém teve coragem de colocar um dólar ou won sul-coreano sequer. A ideia de uma série sobre 456 pessoas falidas confinadas, brincando de jogos infantis para ganhar bilhões, parecia estranha. E o fato de elas morrerem se perdessem as partidas, surreal. Só que, de lá para cá, os desequilíbrios socioeconômicos se intensificaram. E o que parecia bizarro ganhou um ar mais realista.

— É triste dizer isso, mas a situação do mundo piorou. A desigualdade entre ricos e pobres ficou ainda maior, e a quantidade de pessoas em sofrimento aumentou. Ainda veio a pandemia. Os países pobres não têm como comprar vacinas. Então, o problema é universal. A história não é mais surreal ou estranha — diz ele, que comemora o sucesso que a indústria cultural da Coreia tem feito pelo mundo. —Chegamos ao clímax de popularidade. Espero que isso se mantenha.

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