‘Deserto particular’, de Aly Muritiba, diretor da série ‘Caso Evandro’, representa Brasil no Oscar 2022

Longa que conta história de amor entre um policial e uma pessoa não binária concorreu pela vaga com outros 14 títulos nacionais

Cena de “Deserto particular” Foto: Divulgação

Cansado de tanto “ódio” e “notícia ruim”, o cineasta baiano Aly Muritiba decidiu que seu próximo filme não seria uma obra de “resistência”, mas de “existência”: uma história de amor que apontasse uma esperança possível para o Brasil atual. Estes elementos foram decisivos para que o o comitê de profissionais iindicados pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais apontasse , “Deserto particular” como representante do Brasil na 94ª edição do Oscar, que será realizada em março de 2022.

— “Deserto particular” traz uma tema muito importante: como o amor pode ser um agente de transformação. É disso que o mundo precisa hoje — disse o produtor e diretor Leonardo Edde, presidente do comitê, ao anunciar a escolha.

A produção superou outros 14 concorrentes nacionais (como “7 Prisioneiros”, de Alexandre Moratto; “A última floresta”, de Luiz Bolognesi; e “Medida provisória”, de Lázaro Ramos). Disputa agora com filmes do mundo inteiro para, em dezembro, estar na lista de 15 pré-indicados à categoria de Melhor Filme Internacional – os cinco indicados finais serão conhecidos em 8 de fevereiro. A previsão de estreia de “Deserto particular” no Brasil é 18 de novembro de 2021.

Nascido em 1979, Muritiba ainda deve estrear em breve o longa “Jesus Kid”, vencedor de três kikitos (Melhor Roteiro, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Diretor) no Festival de Gramado de 2020. Adaptação do romance satírico de Lourenço Mutarelli, tem no elenco Sérgio Marone e Paulo Miklos. Muritiba também dirigiu série documental “Caso Evandro”, da GloboPlay, e a série “Carcereiros”, co-produção da Globo e da SprayFilmes.

Ponta de esperança

— Queria fazer um filme em que os personagens conseguem sorrir, gozar, amar e ser feliz. Todos nós queremos aquela ponta de esperança quando ao fim do dia fechamos o nosso notebook — disse Muritiba, em entrevista por telefone de alguma área remota do Cariri paraíbano, onde ele grava uma série para a Amazon (ele não pode revelar mais detalhes sobre a nova produção).

Com roteiro assinado por Muritiba e Henrique Dos Santos, produção da Grafo e da Fado Filmes e distribuição da Pandora Filmes, “Deserto particular” conta a história de Daniel (Antonio Saboia , de “Bacurau”), um ex-policial curitibano afastado de suas funções após um erro. Infeliz após a suspensão, ele parte em uma jornada em direção ao sertão baiano à procura de Sara (Pedro Fasanaro), uma pessoa não binária (de gênero fluido) com quem havia desenvolvido uma relação amorosa a partir de aplicativos de mensagem. O elenco ainda conta com Thomás Aquino, Cynthia Senek e Laila GarinPUBLICIDADE

Em setembro, o longa já havia conquistado o prêmio do público da mostra paralela Venice Days, do Festival de Veneza. Agora, com a pré-indicação ao Oscar, começa uma longa campanha pelo filme no mercado americano.

O diretor Aly Muritiba Foto: Olhar Distribuição / Divulgação
O diretor Aly Muritiba Foto: Olhar Distribuição / Divulgação

— O objetivo, claro, é colocá-lo na lista final e vamos trabalhar arduamente para isso. Mas acredito no potencial do filme — diz o diretor, que cita o longa francês “Titane”, de Julia Ducournau, como um dos grandes favoritos ao Oscar. Ele venceu a Palma de Ouro em Cannes este ano.

“Deserto particular” traz questões atuais, como a cultura de violência dentro da polícia e a representação de personagens não binários. Ao se relacionar com Sara, o ex-policial enfrenta o preconceito da sociedade.

— O filme não trata frontalmente da violência policial, mas mostra como policiais são formados tendo o emprego da violência como forma de convencimentos e comunicação — diz Muritiba. — Foi também importante representar ma personagem fluida com respeito, afeto e carinho.

Experiência carcerária

Antes de virar cineasta, Muritiba trabalhou sete anos como agente carcerário. Ele prepara uma série de true crime para a Globoplay, nos moldes do “Caso Evandro”.

— Trabalhar no sistema carcerário me ensinou a ser um bom ouvinte e um grande observador — diz o diretor. — É um ambiente que exige uma boa comunicação e diplomacia com os presidiários. Lá eu exercitei minha capacidade de escuta e esses atributos foram essenciais para a minha carreira de cineasta.

O longa “Deserto particular”, de Aly Muritiba, será o representante do Brasil na 94ª edição do Oscar, que acontecerá em março de 2022. Agora, a produção disputará em dezembrouma vaga na categoria Melhor Filme Internacional da academia americana.

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