Após desabafo de Linda Evangelista, supermodelos brilham na moda

Tops dos anos 1990 invadem a moda e provam que talento e beleza não têm idade
Gilberto Júnior

Não, não estamos de volta aos anos 1990, mas as supermodelos da década roubaram a cena na temporada de verão 2022 internacional. Naomi Campbell, de 51 anos, foi vista na Balmain (foto), Versace e Lanvin Foto: Dominique Charriau / WireImage

No primeiro dia da última semana de moda de Milão, um desabafo de Linda Evangelista, de 56 anos, movimentou as redes sociais. E, consequentemente, os bastidores da fashion week. Questionada por seguidores sobre o porquê de sua ausência das passarelas, a canadense — personificação da era das supermodelos — respondeu que estava “brutalmente desfigurada” depois de passar por uma intervenção estética. Ela teve uma reação adversa ao procedimento de congelamento de gordura chamado Coolsculpting. “Não só destruiu meu sustento, mas me colocou em um ciclo de profunda depressão, profunda tristeza e nas mais baixas profundezas da autoaversão”, disse a top num trecho da carta aberta. Coincidência ou não, após esse episódio, os desfiles italianos e, na sequência, os franceses foram tomados por rostos que fizeram história na década de 1990.

Naomi Campbell, de 51, desfilou para Lanvin e Balenciaga. Carla Bruni, de 53, foi sensação na Balmain. Kate Moss, de 47, Amber Valletta, de 47, e Kristen McMenamy, de 56, brilharam no show Fendace, fusão da Fendi com a Versace. Ou seja: a mesma indústria que, de um lado não permitiu que Linda envelhecesse como bem quisesse, de outro acolheu suas colegas. Reflexo do corajoso desabafo? Ou compensação?

“Esse movimento tem a ver com a pandemia. Há uma sensação de querer recapitular tudo que fomos antes, um momento emocional , em que estamos fazendo uma espécie de coletânea do que a moda foi até agora”, analisa Liliana Gomes, diretora da agência Joy Model Management. “São mulheres que representam uma época.”

Uma época que antecede as redes sociais, quando a força de uma manequim não era medida por números de seguidores no Instagram. Sobrava dinheiro na conta (Linda chegou a dizer que não “levantava da cama por menos de dez mil dólares”) e personalidade. No desfile da Balmain, Naomi relembrou ao mundo a potência de um pivô. Ex-primeira dama da França, Carla Bruni mostrou no mesmo show que uma supermodelo é garantia de manchetes, inclusive no jornal “The New York Times”.

Para o agente Sérgio Mattos, da 40 Graus Models, o retorno dessas tops foi o jeito que a indústria encontrou de colocar um ponto final no mito da juventude eterna. “A moda já foi um ambiente bastante cruel. Eu me recordo que nos anos 1990, meninas com mais de 90 centímetros de quadril não passavam na peneira. Penso que todas essas atitudes inclusivas são uma maneira de compensar a maldade de tempos atrás”, observa Mattos, que conheceu Linda Evangelista em 1994. “É uma marca e a melhor modelo de passarela.”

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