My Magazine Autumn/Winter 2021 Covers

My Magazine Autumn/Winter 2021 Covers
Source: my-magazine.dk
Published: October 2021

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Adam Saaks Religion | Resort 2022 | Full Show

Adam Saaks Religion | Resort 2022 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – Art Hearts Fashion Swim Week) #Miamiswim #ArtHeartsFashion

Vogue España November 2021 Cover

Vogue España November 2021 Cover
Source: vogue.es
Published: November 2021

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Facebook Papers: democracia do Brasil é classificada como assunto urgente

Consórcio de veículos jornalísticos americanos divulga pesquisas internas que mostram negligência da rede social com a segurança de usuários

As primeiras revelações de pesquisas internas da empresa de Mark Zuckeberg começaram em setembro com uma série de reportagens do Wall Street Journal

*Atualizado às 17h00 do dia 25 de outubro para incluir informações de novos documentos

As denúncias feitas contra o Facebook por Frances Haugen, ex-funcionária da empresa, ganharam nova dimensão na última sexta-feira, 22. Um consórcio chamado “The Facebook Papers”, formado por 17 veículos jornalísticos dos Estados Unidos, incluindo New York TimesCNN e Washington Post, começou a publicar detalhes de documentos vazados da companhia de Mark Zuckerberg

Os arquivos mostram que o Facebook foi alertado por funcionários sobre a disseminação de desinformação e discurso de ódio antes das eleições americanas de 2020 e também em países como a Índia. Além disso, pesquisas internas da empresa revelam que os algoritmos da plataforma impulsionam conteúdos de movimentos conspiratórios como o QAnon. Outro documento revela como o Facebook está lidando com as consequências de ferramentas que se tornaram o DNA da rede social, como o botão “curtir”. 

Os veículos jornalísticos tiveram acesso a documentos recebidos pelo Congresso americano, em grande maioria os materiais divulgados por Frances Haugen, que prestou depoimento no Senado dos Estados Unidos em 5 de outubro – na ocasião, a ex-funcionária expôs a lógica da empresa de valorizar o crescimento em detrimento da segurança dos usuários. Novos delatores, porém, estão surgindo: o Washington Post afirmou na sexta-feira que outro ex-funcionário do Facebook também enviou uma denúncia à Securities and Exchange Commission (SEC, na sigla em inglês), órgão regulador das empresas listadas em bolsa nos EUA.  

As primeiras revelações de pesquisas internas do Facebook começaram em setembro com uma série de reportagens do Wall Street Journal, que se basearam inicialmente nas revelações de Frances Haugen. O dossiê indicou que o Facebook aumenta o alcance de publicações de ódio, permite a circulação de conteúdos sobre tráfico humano e de drogas, trata celebridades e políticos com regras diferenciadas e não mantém o mesmo nível de moderação em países fora dos Estados Unidos. Também foram divulgados detalhes sobre o impacto do Instagram na saúde mental de crianças e adolescentes: estudos feitos pela própria empresa mostraram que 1 em cada 3 meninas que se sentiam mal com o próprio corpo ficavam ainda pior ao acessar o Instagram. O Facebook tem respondido às acusações nas últimas semanas dizendo que as pesquisas estão sendo mal-interpretadas. 

Abaixo, veja o que dizem os documentos divulgados pelo Facebook Papers. 

Observar o Brasil é prioridade para a empresa

Uma reportagem do site The Verge, publicada nesta segunda-feira, 25, mostrou que funcionários do Facebook criaram no final de 2019 uma classificação para diferentes países: Brasil, Índia e Estados Unidos foram colocados como a maior prioridade de monitoramento. Segundo o site, a rede social configurou “salas de guerra” para acompanhar a rede continuamente nesses locais e alertar os funcionários eleitorais de cada país sobre quaisquer problemas.

Alemanha, Indonésia, Irã, Israel e Itália foram colocados no segundo nível de observação – esses países receberiam recursos semelhantes, com exceção de alguns recursos para a aplicação das regras do Facebook e para alertas fora do período de eleições.

Facebook domina o mercado de redes sociais

Documentos revelados pelo Politico nesta segunda-feira, 25, mostram que o Facebook sabe que domina o mercado de redes sociais – o que pode complicar os argumentos da empresa em processos antitruste nos Estados Unidos. Segundo pesquisas internas da companhia, cerca de 78% dos adultos americanos e quase todos os adolescentes americanos usam os serviços da companhia de Mark Zuckerberg. Além disso, embora concorrentes como TikTok e Snap estejam fazendo sucesso com jovens de 13 a 17 anos, eles ficam atrás do Facebook e do Instagram em métricas fundamentais como compartilhamento e comunidade.

O papel de Mark Zuckerberg no crescimento a qualquer custo

O Washington Post publicou nesta segunda-feira, 25, uma reportagem sobre o papel de Mark Zuckerberg nas escolhas de valorização do crescimento do Facebook em detrimento da segurança dos usuários. O jornal mostrou que o fundador e presidente executivo da empresa teve de optar entre cumprir as exigências do Partido Comunista do Vietnã para censurar a oposição ou correr o risco de ficar offline em um dos mercados asiáticos mais lucrativos do Facebook. De acordo com três pessoas familiarizadas com o assunto, Zuckerberg decidiu pessoalmente que o Facebook atenderia às exigências do governo vietnamita. Então, o Facebook aumentou significativamente a censura de postagens de oposição, dando ao governo controle quase total sobre a plataforma. 

Facebook luta contra os efeitos de ferramentas como o botão ‘curtir’

Publicada nesta segunda-feira, 25, uma reportagem do New York Times mostra como o Facebook está lidando com os efeitos de ferramentas da rede social. De acordo com documentos obtidos pelo jornal, pesquisadores do Facebook começaram em 2019 um estudo sobre o botão “curtir” para avaliar o que as pessoas fariam se o Facebook removesse as reações de postagens no Instagram. Os pesquisadores descobriram que os botões às vezes causavam “estresse e ansiedade” nos usuários mais jovens do Instagram, especialmente se as postagens não recebessem curtidas suficientes de amigos.

Além disso, em um memorando interno de agosto de 2019, vários pesquisadores da empresa disseram que foi a “mecânica do produto principal” do Facebook – ou seja, os fundamentos de como o produto funcionava – que permitiu que desinformação e discurso de ódio se espalhassem pela plataforma. “A mecânica da nossa plataforma não é neutra”, concluíram.

Facebook perdeu relevância entre as novas gerações 

De acordo com uma reportagem do The Verge publicada nesta segunda-feira, 25, uma pesquisa do Facebook realizada neste ano revelou que a quantidade de usuários adolescentes da plataforma nos EUA diminuiu 13% desde 2019 – além disso, o estudo mostra uma projeção de queda de 45% nos próximos dois anos, o que impactaria o dado de usuários ativos diariamente na rede social, uma métrica altamente usada para o mercado publicitário. A pesquisa mostra ainda que quanto mais jovem era o usuário, menos, em média, ele se envolvia regularmente com o aplicativo. 

Índia é a versão amplificada dos problemas do Facebook

Uma reportagem do New York Times publicada em 23 de outubro detalha os problemas do Facebook na Índia, que é o maior mercado da rede social. Documentos internos da empresa mostram a dificuldade em conter desinformação, discursos de ódio e violência no país. 

Segundo o jornal, em fevereiro de 2019, um pesquisador do Facebook criou uma nova conta na rede social para entender como é ser um usuário da plataforma no Estado de Querala, na Índia. Por três semanas, a conta seguiu todas as recomendações geradas pelos algoritmos do Facebook para ingressar em grupos, assistir a vídeos e explorar novas páginas no site. O resultado foi uma inundação de discursos de ódio e desinformação. 

Funcionários alertaram sobre problemas nas eleições americanas 

Outra reportagem do New York Times, publicada em 22 de outubro, detalha que funcionários do Facebook alertaram várias vezes a empresa sobre a disseminação de conteúdos com desinformação, discurso de ódio e conspiração sobre a votação antes das eleições americanas de novembro. Documentos obtidos pela reportagem mostram que, mesmo com os pedidos de ação, a companhia falhou ou relutou em resolver os problemas. 

Algoritmos do Facebook incentivam extremismos

Uma reportagem da NBC News, publicada em 22 de outubro, mostra que o Facebook sabe há muito tempo que seus algoritmos e sistemas de recomendação incentivam extremismos. 

Um relatório chamado “Carol’s Journey to QAnon” (Jornada de Carol ao QAnon, em tradução do inglês) detalha um experimento desenvolvido por um pesquisador do Facebook: foi criada uma conta fictícia de uma usuária chamada Carol Smith, descrita como uma mãe politicamente conservadora da cidade Wilmington, Carolina do Norte. A pesquisa mostra que, embora a pessoa imaginária nunca tenha expressado interesse em teorias da conspiração, em apenas dois dias o Facebook recomendou que ela participasse de grupos dedicados ao QAnon, movimento conspiratório criado pela extrema-direita americana pró-Trump. 

Reação tardia ao movimento ‘Stop the Steal’

Arquivos revelados pela CNN em 23 de outubro indicam que o Facebook estava “fundamentalmente despreparado” para conter o “Stop the Steal”, movimento que alegava que a eleição foi fraudada contra Trump e que desempenhou papel central no ataque ao Capitólio em 6 de janeiro nos EUA. Com indicações de tempo, um documento mostra medidas que funcionários do Facebook estavam implementando tardiamente e revela que a empresa só realmente entrou em ação depois que o movimento se tornou violento.

Violência no ataque ao Capitólio

Washington Post divulgou em 22 de outubro arquivos com novos detalhes do papel do Facebook no fomento à invasão do Capitólio. A reportagem mostra mensagens trocadas internamente por funcionários do Facebook, questionando a responsabilidade da empresa no ataque. “Temos lido postagens [de despedida] de colegas de confiança, experientes e amados que escrevem que simplesmente não conseguem trabalhar para uma empresa que não faz mais para mitigar os efeitos negativos em sua plataforma”, teria escrito um dos funcionários. 

Algoritmo aumenta alcance de conteúdos de ódio

O primeiro pacote de documentos começou a ser revelado em setembro pelo Wall Street Journal. Um deles mostra que conteúdos que fomentam o ódio, a intolerância e até mesmo a desinformação tendem a viralizar mais do que outras postagens na rede social. 

Em 2018, a rede social de Mark Zuckerberg estava passando por uma queda no engajamento dos usuários, o que levou à criação de um mecanismo chamado “meaningful social interactions” (em tradução livre, algo como “interações sociais significativas”). Esse mecanismo cria um “score” e atribui às publicações pontos que variam de acordo com seu conteúdo. 

Nesse score, posts que geram engajamento de cunho “negativo” são privilegiados. Por exemplo, postagens com mais reações com emojis de “raiva” ou reclamações nos comentários ganhavam mais pontos do que as “neutras” ou positivas. Quanto mais pontos, maiores seriam as chances de o post aparecer no feed de outros usuários, ganhando, portanto, mais alcance. 

Instagram afeta a saúde mental de adolescentes 

Outro relatório interno da empresa divulgado pelo Wall Street Journal indica que o Instagram, aplicativo do Facebook, causa impacto na autoestima e saúde mental de adolescentes: uma pesquisa do Facebook realizada em março de 2020 apontou que ao menos 30% das meninas que usam Instagram se sentiam mal com o próprio corpo ou ficavam ainda piores depois de acessar a rede. Entre as últimas revelações, o impacto do app em adolescentes tem sido o tema mais debatido no Congresso americano

Lista VIP

Há também a informação de que a rede social teria um peso e duas medidas, dependendo do usuário, sobre como as regras do site são aplicadas. Os documentos revelam a existência de uma “lista VIP” de usuários que escapam das políticas e termos de uso das plataformas. Essas personalidades, que vão desde o ex-presidente americano Donald Trump até o jogador Neymar, contam com uma espécie de “passe livre” quando postam conteúdos que violam as políticas da empresa. 

Ou seja, as pessoas dessa lista estão sujeitas a um tipo mais brando de moderação no Facebook (que, em condições normais, poderia excluir imediatamente um post com conteúdo sensível ou até suspender temporariamente a conta). Além disso, as “regalias” da lista VIP incluíam alguns cuidados extras, como a possibilidade de receber um aviso particular do Facebook para deletar algum conteúdo antes que a plataforma pudesse fazê-lo. 

Tráficos humano e de drogas ‘escapam’

Também segundo o Wall Street Journal, moderadores do Facebook vinham acompanhando com preocupação o uso da rede social por traficantes de drogas e organizações criminosas envolvidas com o tráfico de pessoas ao redor do mundo. Embora esses conteúdos muitas vezes fossem interceptados por funcionários da empresa, o Facebook não conseguia eliminá-los completamente, diz o jornal.

Esse posicionamento permitiu, por exemplo, que um cartel mexicano de drogas recrutasse membros para uma facção criminosa ou que mulheres do leste europeu fossem submetidas a regimes análogos à escravidão em trabalhos de prostituição.

Violência contra minorias 

Outra revelação sobre a rede social mostrada pelo Wall Street Journal – e que ganhou ainda mais destaque com o depoimento de Frances Haugen no Senado americano – foi o papel do Facebook nas tensões políticas em países como Etiópia e Mianmar. 

No mês de junho, uma investigação da organização de direitos humanos Global Witness já havia apontado que os algoritmos do Facebook ajudaram a promover e incitar a violência em Mianmar, enquanto o país lidava com a tensão política do golpe militar que derrubou o governo eleito no início deste ano. Lá, quando um usuário curtia uma página de apoio aos militares do país, por exemplo, o próprio Facebook já recomendava ao usuário outras páginas com o mesmo teor, embora estas não necessariamente obedecessem às políticas de uso da rede, já que promoviam o ódio e a violência. 

Na Etiópia, que atualmente enfrenta uma guerra civil, a situação é parecida: os algoritmos do Facebook também são apontados como co-responsáveis pela escalada do discurso de ódio e a incitação à violência entre a população. 

Duran Duran: The Rolling Stone Interview

Last summer Duran Duran sat down with Rolling Stone’s Rob Sheffield for a career-spanning interview, in anticipation of the band’s new album ‘Future Past.’

No verão passado, Duran Duran sentou-se com Rob Sheffield da Rolling Stone para uma entrevista sobre a carreira, em antecipação ao novo álbum da banda, ‘Future Past’.

iPod, 20 anos: um breve histórico do produto que mudou a Apple

Hoje, ele é quase só uma memória — mas sem ele, a Apple que temos hoje não existiria
MacMagazine

O primeiro iPod foi apresentado pela Apple em 23 de outubro de 2001. Steve Jobs decidiu investir no mercado da música, onde não havia grande concorrência.

Há exatos 20 anos, Steve Jobs subiu ao palco do auditório no campus de Infinite Loop para um evento pequeno, quase intimista, focado em música. O que sairia dali, por outro lado, seria inversamente proporcional à escala da keynote: foi naquele dia, que hoje completa duas décadas, que a Apple apresentou ao mundo o primeiro iPod.

Com o conceito simples, porém matador, de levar mil músicas no seu bolso, o iPod superou o ceticismo inicial — seus críticos acreditavam que um “mero MP3 player” estava abaixo do potencial da Apple e de Steve Jobs, como bem relembrou esse artigo do MacRumors — e tornou-se, junto do iMac G3, um dos símbolos do renascimento da Apple na segunda era de Jobs no comando da empresa. De certa forma, se a Maçã de hoje é uma das maiores empresas do mundo, o iPod é um dos principais responsáveis por isso.

iPod
O iPod de primeira geração

Obviamente, o iPod não era um MP3 player qualquer. A simplicidade da sua interface era inigualável à época, e a integração do dispositivo com a iTunes Store — uma revolução por si só para a indústria fonográfica — permitia que, pela primeira vez, usuários tivessem uma forma simples de adquirir músicas digitalmente num ambiente centralizado, seguro e fácil de usar.

Antiga imagem de iPods e da iTunes Store

Também vale uma menção o advento da Click Wheel — ou, nas versões iniciais do produto, a scroll wheel, que girava fisicamente. O próprio Jobs, na apresentação do iPhone alguns anos depois, reconheceu a tecnologia como um dos métodos de interação eletrônica fundamentais introduzidos pela Apple: além da Click Wheel, teríamos também o mouse do Macintosh original e o controle multi-toque do iPhone.

A essa altura, é chover no molhado dizer que o iPod virou um elemento gravado a laser na cultura pop. A imagem dos fones brancos virou um símbolo de status, e as campanhas da Apple — como as memoráveis propagandas com as silhuetas — entraram no imaginário popular e tornaram-se parte indistinguível da “cara” deste então incipiente século XXI.

Aliás, há alguns dias vimos o lançamento dos AirPods de terceira geração — e não é que seu comercial tem um pouco dessa pegada?https://www.youtube.com/embed/vQkEVgGeYa8?feature=oembed

A partir do iPod original, uma linha completa de produtos nasceu: o “flagship” da linha passou por diversas mutações, tornando-se o iPod photo quando ganhou uma tela colorida de maior definição, o iPod video quando passou a reproduzir vídeos e o iPod classic na reta final da sua vida.

Os iPods mini e nano foram versões menores (e ultrapopulares) desta receita, responsáveis por popularizar o armazenamento em flash em dispositivos móveis, enquanto o iPod shuffle inovou ao priorizar a aleatoriedade da vida — e das músicas — num dispositivo sem tela e extremamente acessível.

iPods

Hoje, a família sobrevive por aparelhos somente com o iPod touch — que, apesar do nome, pode ser melhor descrito como um iPhone sem capacidades celulares. O espírito original dos iPods pode ter ficado para trás — a categoria foi engolida pela revolução dos smartphones, junto a tantas outras —, mas sua atitude, sua irreverência e seu caráter icônico permanecem nos nossos corações.

Nesse sentido, vale ler essa entrevista de Tony Fadell, um dos criadores do iPod, com a CNET. Segundo Fadell, que foi contratado por Jobs inicialmente para um simples “cargo de consultoria”, a trajetória de desenvolvimento do dispositivo foi tortuosa e extremamente arriscada — nem mesmo Jobs estava inicialmente convencido de que um dispositivo do tipo daria certo, e só concordou com as ideias de Fadell após semanas de reuniões.

Tivemos muitos momentos de “caramba, será que isso vai funcionar?”. Nós realmente não sabíamos. […] O trabalho era sem parar, sete dias por semana.

A entrevista toca ainda sobre os anos seguintes de desenvolvimento do iPod e alguns dos seus momentos-chave, como o acordo da Apple com o U2 para a criação de uma edição especial do dispositivo, e sobre os anos de Fadell pós-Apple. Segundo o executivo, ele ainda usa seu iPod de vez em quando — segundo Fadell, ele é uma “excelente mixtape” da música do início dos anos 2000.

Quem por aí ainda tem um iPod para chamar de seu? Deixem suas memórias, suas homenagens e suas considerações logo abaixo. Eis aqui a minha contribuição — um já alquebrado (mas ainda funcional!) iPod shuffle de 2005, herdado de um amigo e que me acompanhou por tantos momentos ao longo dos últimos anos.

iPod Shuffle

Vida longa ao iPod!

‘Nada pode me limitar ou definir’, diz a modelo Maju de Araújo

Influenciadora se tornou a primeira embaixadora brasileira com síndrome de Down da L’Oréal Paris, desfilou na Fashion Week de Milão e driblou preconceitos
Ana Lourenço, O Estado de S.Paulo

Foi aos 16 anos que Maju tomou a decisão de ser modelo, ao acordar num hospital Foto: WILTON JUNIOR / ESTADAO

“Quando você cresce sendo julgada, alvo de piadas e comentários cruéis, eventualmente pode se entristecer. É difícil crescer em meio a tanta maldade e ignorância. Mas eu tenho potenciais e limitações, eu sou diferente, mas não sou menos capaz que as outras pessoas. Até hoje, muita gente tenta me diminuir e afirmar que eu não mereço estar onde estou, mas sei que isso não é verdade.”

Maria Júlia de Araújo, a Maju de Araújo, passou por muitos desafios ao longo de seus 19 anos. Descoberta em setembro de 2018 pelo grupo MGT, ela conta que houve muito estudo para conseguir o reconhecimento “Eu e minha família investimos intensamente, buscando sobretudo uma formação profissional e de qualidade na área”, afirma. “Me descobrir, não pela beleza exterior, mas pelo poder de influência e exemplo que o cargo traz, impactou a minha vida. Me tornei uma pessoa mais autoconfiante. E mais importante que uma sociedade reconhecendo uma pessoa com síndrome de Down ocupando um cargo profissional, é o próprio autorreconhecimento”, conta.

De lá para cá, a modelo já cruzou a passarela em três Fashion Weeks, incluindo a de Milão, na Itália, onde esteve no final do mês passado pelas marcas NCC e Libertees. “Tem coisas que é impossível de explicar. A sensação de pisar em uma passarela, na maior semana de moda do mundo, ser fotografada e observada e dividir espaço com outras grandes modelos poderia ser amedrontador. Mas nada se compara à sensação de gratidão, realização e felicidade que sinto fazendo o que amo. Basta dar o primeiro passo que a preocupação some. Me sinto gigante! É uma sensação de plenitude, é indescritível!”

Maju durante a Fashion Week de Milão Foto: Irina Tascheva

Maju lembra que, quando era pequena, não havia a mesma representatividade. “Raramente encontrávamos pessoas como eu estampando matérias, revistas, cruzando passarelas. Pessoas comuns precisam saber que o mundo está cheio de lugares para elas, para nós. Eu sou uma pessoa comum.”

O sonho de ser modelo, ela relata, começou aos 16 anos, quando foi internada com meningite bacteriana e ficou dez dias em coma. Os médicos chegaram a cogitar a amputação de membros para conter a infecção, mas deu tudo certo. Assim que acordou, ela revelou para a mãe: “Eu vou ser modelo”.

‘Tenho potenciais e limitações, eu sou diferente, mas não sou menos capaz que as outras pessoas’, diz Maju Foto: WILTON JUNIOR / ESTADAO

“Eu já sentia esse desejo (de ser modelo), mas em alguns momentos foi difícil acreditar que iria realizá-lo. Depois que você recebe um diagnóstico como o que eu recebi – com risco de óbito ou de sequelas graves como perda da audição, da visão –, você tem algumas opções: ser tomada pelo medo ou lutar pela vida”, ressalta. “Eu sentia que ainda tinha muito pela frente e que Deus estaria cuidando do meu destino. Mas também sabia que, se recebesse uma nova oportunidade, deveria agarrar essa chance. Foi isso que fiz.”

Ingrid Fernandes – Burberry Beauty Foundation

Burberry Beauty Foundation
Source: instagram.com
Published: September 2021

In this picture: Ingrid Fernandes
Credits for this picture: Letty Schmiterlow (Photographer), Vassilis Theotokis (Makeup Artist), Caitlin Prosser (Casting Director)

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Letty Schmiterlow – Photographer Vassilis Theotokis – Makeup Artist Caitlin Prosser – Casting Director Ingrid Fernandes – Model

In this picture: Ingrid Fernandes
Credits for this picture: Letty Schmiterlow (Photographer), Vassilis Theotokis (Makeup Artist), Caitlin Prosser (Casting Director)

Casacor expulsa mulher com deficiência que reclamou da falta de acessibilidade na mostra

“Uma funcionária me chamou de mentirosa e me mandou calar a boca”, diz Nathalia Blagevitch Fernandez, advogada que tem paralisia cerebral e foi transportada pelo elevador de carga. Ela registou boletim de ocorrência.
Luiz Alexandre Souza Ventura

Nathalia Blagevitch Fernandez é advogada. Crédito: Reprodução.

A advogada Nathalia Blagevitch Fernandez, de 30 anos, que tem paralisia cerebral, afirma ter sido discriminada e conduzida para fora da Casacor, mostra de arquitetura e decoração em cartaz no Allianz Parque, na região oeste de São Paulo, após reclamar da falta de acessibilidade no evento.

Nathalia conta que comprou o ingresso pela internet, para ela e para uma acompanhante – a R$ 50 cada – e informou ser uma pessoa com deficiência. Quando chegou no evento neste sábado, 23, após visitar o primeiro andar da exposição, ela procurou pelos elevadores e, como não encontrou, procurou a organização.

“A equipe da exposição explicou que os elevadores do Allianz Parque haviam sido danificados após uma falta de luz e estavam parados”, diz Nathalia. “Indicaram o uso do elevador de carga, mas disseram que eu só subiria um andar”, narra a advogada. “Perguntei se alguém poderia me carregar e isso foi recusado porque a exposição tem sete andares”, relata.

“Eu desci com uma bombeira e a minha acompanhante pelo elevador de carga. Então, uma moça com roupas pretas e o crachá da Casacor disse que me acompanharia até a saída. Eu respondi que queria falar com a organizadora do evento – Eliana Sanchez – e essa funcionária não permitiu”, afirma Nathalia.

A advogada comenta que duas mulheres, uma delas carregando um bebê e um carrinho, a outra usando uma bengala, entraram no elevador de carga. “Eu falei que elas não iriam conseguir subir porque não havia acessibilidade. A funcionária da Casacor respondeu na hora ‘cala a boca sua mentirosa’ na frente de todas as pessoas”, diz a advogada. “Então, eu chamei a polícia”.

Nathalia explica que os policiais compareceram ao local, mas não fizeram nada porque “não havia crime” e a orientaram a registrar o boletim de ocorrência pela internet. Nathalia fez o BO e pretende comparecer à Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência de SP, no Centro da capital paulista, para formalizar uma denúncia.

De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (n° 13.146/2015), no artigo 42, “A pessoa com deficiência tem direito à cultura, ao esporte, ao turismo e ao lazer em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, sendo-lhe garantido” – inciso II – “acessibilidade nos locais de eventos e nos serviços prestados por pessoa ou entidade envolvida na organização das atividades de que trata este artigo”. Na mesma legislação, o artigo 88 estabelece que é crime “Praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência”, com previsão de pena de reclusão de um a três anos, além de multa.

Resposta – Questionada pelo blog Vencer Limites, a Casacor respondeu em nota.

“Em relação ao episódio relatado pela visitante Nathália Blagevitch Fernandez durante sua visita à CASACOR São Paulo neste sábado, 23, a mostra reforça que repudia qualquer ato discriminatório e que ministra treinamentos aos funcionários, bem como aos seus terceirizados, enfatizando sempre os protocolos internos de conduta e responsabilidade no trato com seus visitantes. A mostra informa que o episódio está sendo apurado e que as medidas administrativas cabíveis serão tomadas pela organização.

Com relação aos elevadores, o Allianz Parque passou por atividades de manutenções preventivas programadas nas subestações, para garantir a máxima qualidade e segurança no fornecimento de energia. No decorrer das atividades da mostra, houve uma situação de força maior, e o fornecimento de energia teve de ser interrompido por algumas horas, para garantir a segurança de todos os envolvidos na manutenção e usuários dos elevadores. O Allianz Parque fará o ressarcimento do valor total dos ingressos ou reagendamento das visitas em dia e hora a escolha dos visitantes afetados nesta data do evento. A empresa lamenta o ocorrido e reafirma que o problema já foi solucionado para funcionamento normal da mostra.

Os clientes que se sentiram lesados deverão enviar e-mail para eventos@casacor.com.br, com a solicitação.

A CASACOR São Paulo é uma mostra 100% acessível desde 2016. O evento é totalmente preparado para receptivo não apenas de pessoas com deficiência, mas de idosos e famílias com crianças pequenas, que acessem os ambientes com carrinhos.

A mostra conta com rampas de acesso em todos os ambientes; disponibiliza na recepção duas motos elétricas e 2 cadeiras de rodas para os visitantes; 3 elevadores exclusivos para acesso à mostra; 3 elevadores exclusivos para acesso a estacionamento, 1 elevador para pessoa com deficiência no sexto andar, para acesso aos pisos do circuito. Há ainda quatro banheiros, todos unissex e com cabine exclusiva e equipada para pessoa com deficiência, distribuídos em todos os andares do circuito.

O procedimento de receptivo para pessoas com deficiência, que é adotado em todos os casos, é o de monitoramento da visita, desde a recepção, até a finalização, tanto pela equipe CASACOR quanto pela equipe brigadista, em plantão das 12h às 22h, horário em que a mostra fica aberta ao público, para garantir conforto e segurança em todo o circuito. Toda a equipe CASACOR é treinada e orientada para atender a qualquer necessidade dos visitantes, em todas as situações.

A CASACOR São Paulo mais uma vez, lamenta o ocorrido, se coloca à disposição para prestar qualquer esclarecimento necessário e reforça que todos os visitantes se sentiram lesados, podem ter o ressarcimento do valor do ingresso ou retornar à CASACOR gratuitamente em data conveniente para experienciar a mostra, que preza pelos pilares de sustentabilidade e acessibilidade e inclusão”, diz a Casacor.