“It’s Not An Imitation, It’s A Becoming”: Lady Gaga Sobre a “Deliciosa Loucura” de Lady Gucci

BY GILES HATTERSLEY

Lady Gaga wearing Schiaparelli on the December 2021 cover of British Vogue, styled by Edward Enninful and photographed by Steven Meisel.  STEVEN MEISEL

Em um estúdio sem janelas em Chelsea, Manhattan, a guarnição de marabu rosa em uma bota de tornozelo está vibrando na expectativa com a brisa de um ventilador elétrico. “Ela está a 10 minutos”, diz um segurança bonito, colocando a cabeça pela porta, enquanto uma falange de assistentes se movem silenciosamente sobre uma gruta de alta costura fabulosa, temporária e cintilante.

Recém-entregues dos desfiles em Paris e Veneza, há trilhos de sedas Valentino em ametista elétrica e fúcsia, veludo Schiaparelli preto escuro com colchetes de ouro reluzente, brocado Chanel sério, malhas Louis Vuitton branco polar, adornos de cabeça feitos de metal, couro e penas , cem pares de saltos em cada altura, e mesa sobre mesa de lenços de arco-íris, luvas e joias. Eu até localizei alguns rufos de estilo elizabetano. Estamos aqui para a prova de Lady Gaga na Vogue, é claro. “Vamos começar com algo fabuloso”, diz Edward Enninful, editor-chefe da Vogue britânica, como se houvesse qualquer outra opção.

Naturalmente, 10 minutos vão e vêm, mas eventualmente, em um ponto indeterminado no tempo das superestrelas, a porta finalmente se abre e por ela surge uma figura de 1,75 m de altura vestida com um vestido longo de tricô preto de verão e plataformas de couro preto impossivelmente altas. É uma experiência curiosa encontrar uma lenda da cultura pop dando a você sua vibe mais quintessencial, e Gaga não decepcionou. Já as fotos tiradas há momentos de sua curta caminhada de seu carro para dentro do prédio em saltos de nove polegadas estão zumbindo ao redor do mundo. “Vamos fazer mágica!” ela diz como um alô.

Lady Gaga photographed by Steven Meisel in the December 2021 issue of British Vogue.  STEVEN MEISEL

Com incontáveis ​​momentos da moda, 12 Grammys, um Oscar e talvez a ascensão mais explosiva à fama do século 21 com seu nome, Stefani Germanotta está – há mais de uma década – entre as pessoas mais conhecidas do planeta. E cara, ela sabe como jogar para isso. Depois de tirar os óculos escuros, ela nos abraça com seus braços bronzeados e tatuados em uma série de abraços calorosos e, em seguida, começa a trabalhar. “O que quer que eu vista”, ela diz ao grupo reunido, com aquela fala arrastada que marca a noite toda, seriedade salpicada de leviandade, “estarei servindo o doloroso glamour italiano por dentro”.

Claro. Este mês, a rainha do pop de 35 anos que se tornou atriz indicada ao Oscar deve aparecer apenas em seu segundo papel principal, em House of Gucci, a narrativa de 20 anos planejada do diretor Ridley Scott de um dos os casos de crime mais notórios do final do século 20. Dizer que as expectativas são altas não faz justiça às coisas. Gaga – como qualquer pessoa que já tenha acessado a internet nos últimos seis meses sabe – vai interpretar Patrizia Reggiani, ex-mulher de Maurizio Gucci e socialite que, em 1998, foi condenada por envolver o assassino que o matou a tiros quando ele entrou em sua escritórios em Milão em uma manhã da primavera de 1995.

O caso apresentou tanto dinheiro e pecado original que abalou a Itália e o mundo, e enviou ondas de choque pela indústria da moda. É seguro dizer que o trailer do filme, que Gaga puxa em seu laptop para nos mostrar (poucos dias antes de ser lançado para o mundo, onde será visto mais de 10 milhões de vezes), dá o tom. “Pai, Filho e Casa da Gucci”, entoa Gaga no papel de Reggiani, cabelos cor de conker provocados ao máximo, cigarro na mão, enquanto ela gesticula o sinal do crucifixo em um vestido de grandes bolinhas rosa. Ela se observa na pequena tela, apreciando os murmúrios de admiração da equipe reunida. “Estou superdiferente”, diz ela, intrigada com sua própria imagem.

Algumas semanas depois, eu faço uma videochamada para ela em sua casa na Costa Oeste. Sem nunca perder a oportunidade de trabalhar seu próprio mito, ela aparece na minha tela no meio da música. “Você me pegou cantando!” diz ela, depois de terminar mais alguns compassos de “Night and Day” de Cole Porter. É difícil não amar o compromisso de uma showgirl – especialmente uma que está sentada em seu lindo escritório rosa, completo com piano e estação de glamour, e uma parede do chão ao teto de estiletes atrás dela. “Bem, você sabe, eu tenho que colocar algo nas paredes,” ela diz, secamente.

Ela está vestindo “uma camiseta rosa empoeirada”, ela dá de ombros, de onde precisamente ela não pode ter certeza, com leggings pretas. “Este é um colar do meu namorado, de uma linda loja artesanal de São Francisco, assim como esses brincos”, diz ela. Sua mãe, Cynthia, vem para o chá mais tarde e ela está com um humor tranquilo no meio da tarde. Ela puxou dois longos fios de cabelo cor de mel de seu coque, e eles estão pendurados sobre seu rosto primorosamente maquiado, toda a experiência adicionando uma espécie de efeito intensificado de estudante de teatro. O artista em repouso, se você quiser.

Faz sentido. “Já se passaram três anos desde que comecei a trabalhar nisso”, ela começa em House of Gucci, “e serei totalmente honesta e transparente: vivi como ela [Reggiani] por um ano e meio. E falei com sotaque durante nove meses disso. ” Fora da câmera também? “Fora das câmeras”, ela confirma, solenemente. “Eu nunca quebrei. Eu fiquei com ela.

“Era quase impossível para mim falar com sotaque como uma loira,” ela continua. “Tive de pintar imediatamente o cabelo e comecei a viver de uma forma que tudo o que olhava, tudo o que tocava, passava a perceber onde e quando podia ver dinheiro. Comecei a tirar fotos também. Não tenho evidências de que Patrizia era fotógrafa, mas pensei como um exercício, e descobrindo seus interesses na vida, que me tornaria um fotógrafo, então levei minha câmera point-and-shoot a todos os lugares que fui. Percebi que Patrizia amava coisas bonitas. Se algo não era bonito, eu o apaguei. ”

Gaga diz que se a vida não tivesse seguido o caminho de vestidos de carne e passeios em estádios, ela poderia ter gostado de ser uma repórter, e foi uma abordagem de artista e jornalista que ela adotou para montar Reggiani para si mesma. (Deve-se notar que Reggiani ainda está muito viva, residindo em Milão e perfeitamente capaz de falar com a imprensa ela mesma. Ela está supostamente satisfeita por tal nome marcante ser interpretado por ela, embora – auto-engrandecimento não diminuído por ter servido 18 anos de uma sentença de 26 anos de prisão por ter seu ex-marido morto – disse a um jornalista italiano no início deste verão: “Estou muito incomodado com o fato de Lady Gaga estar me interpretando no novo filme de Ridley Scott sem nem mesmo ter a visão e sensibilidade para vir e me encontrar. ”)

Então você ainda nem a conheceu? Eu pergunto a Gaga. “Sabe”, ela responde, “só senti que poderia realmente fazer justiça a esta história se a abordasse com os olhos de uma mulher curiosa que estava interessada em possuir um espírito jornalístico para que eu pudesse ler nas entrelinhas do que era acontecendo nas cenas do filme. ” Ela parece ansiosa para garantir que está sendo clara como cristal. “O que significa que ninguém ia me dizer quem era Patrizia Gucci”, ela diz, sem rodeios. “Nem mesmo Patrizia Gucci.”

Excepcionalmente tão tarde no jogo, o próprio filme permanece envolto em segredo. Quando nos encontramos, Ridley Scott nem mesmo permitiu que Gaga visse um corte. Ela diz que “confia” nele totalmente e por “respeito” não quer revelar muito de seu escopo. No entanto, depois de algumas bajulações, consigo verificar que a Gucci provavelmente vai retomar no início da década de 1970, quando Patrizia (que cresceu pobre em Vignola, norte da Itália, mas cuja sorte mudou graças ao dinheiro de um novo padrasto, feito no indústria de caminhões), conheceu Maurizio Gucci no cenário de festas milanesas. Estimulada pela mãe, Silvana Barbieri, Reggiani estava em alta e Maurizio tinha de tudo: fortuna, aparência, nome. (“Ele se apaixonou perdidamente por mim”, disse Reggiani. “Eu era excitante e diferente.”)

Ninguém duvida que foi um romance selvagem. “Ela também o amava”, diz Gaga. Embora o pai de Maurizio, Rodolfo – filho do fundador da empresa Guccio Gucci – tivesse muitas dúvidas sobre a criação violenta de Reggiani, o casal se casou em 1972. (A noiva usava Gucci, naturalmente, uma mistura de gola alta e mangas compridas que, por apertar os olhos para ver fotos de paparazzi do set do novo filme parecem ter sido atualizadas para algo um pouco mais picante para Lady Gaga.)

Durante a década de 1970 e início dos anos 80, os jovens Guccis eram isso; lindos e carismáticos recém-casados ​​à deriva em um mar de luxo. Duas lindas filhas, um iate famoso (o crioulo) e um lugar permanente na lista de convidados do Studio 54, essa era a vida vivida no fio da navalha do glamour. No topo da cobertura na Torre Olímpica de Nova York, a villa em Acapulco, o chalé em Saint Moritz e a fazenda em Connecticut, havia o hábito de orquídeas de Patrizia £ 8.000 por mês, sua amizade com Jackie Kennedy, sua coleção de joias multimilionária, festas, palácios e matrículas particulares dos carros, com a legenda mauizia (pelo menos em malhas, o casal estava anos à frente de Brangelina).

Mas, em 1983, a fantasia vacilou. Após a morte de Rodolfo, Maurizio, seu único filho, assumiu o controle total de sua participação de 50 por cento na empresa (o restante era propriedade do irmão de Rodolfo, Aldo), e as guerras familiares começaram para valer. Reggiani, agora se imaginando mais Gucci do que Gucci, estava em desacordo com o marido tanto quanto ela com os primos e, à medida que a década passava, o casamento desmoronou – ele a abandonou em 1985. Ela não aceitou isso bem : quando Maurizio não atendia mais suas ligações, ela gravava fitas de si mesma criticando-o furiosamente e as enviava para seu apartamento no Corso Venezia.

STEVEN MEISEL

A vida não era melhor no trabalho. Esta foi a era do modelo de licenciamento falho e famoso da Gucci, em que tudo, desde tacos de golfe a toalhas de chá, era entregue a fabricantes terceirizados em um ganho de dinheiro. Maurizio estava determinado a retomar o controle, a restabelecer a qualidade incomparável dos artigos de couro com os quais a família havia construído sua fortuna original e a buscar novos investimentos. Mas em meio às brigas com Aldo (que acabou preso por fraude fiscal) e primos, o brilho da outrora grande casa se reduziu a um nível perigoso.

Ambição à parte, os planos de Maurizio foram sua ruína. Ele não foi capaz de trazer dinheiro suficiente para cobrir seus gastos extravagantes e, em 1993, vendeu toda a sua participação para a Investcorp por US $ 120 milhões – encerrando efetivamente mais de 70 anos de propriedade da família Gucci de sua marca homônima. Patrizia, que havia permanecido na frente e no centro ao longo dos dramas, assim como legalmente sua esposa, iluminou-se com o que ela mesma chamou de “raiva”. Não ajudava em nada o fato de, três anos antes, ele ter começado um relacionamento com a ex-modelo e depois a designer de interiores Paola Franchi, uma amiga de infância que compareceu a seu casamento com Patrizia. À medida que o divórcio finalmente se aproximava, seu marido, nome, riqueza e status – sua própria identidade – estavam todos se esvaindo. A situação era uma caixa de pólvora.

Gaga ficou fascinada: “Fiquei fascinada com a jornada dessa mulher”. Ela passou mais de um ano debruçada sobre recortes de jornais e gravações de Reggiani, embora, reveladoramente, não tenha lido A Casa de Gucci: Uma História Sensacional de Assassinato, Loucura, Glamour e Ganância, de Sara Gay Forden, o livro de 2000 no qual o filme é baseado. “Eu não queria nada que tivesse uma opinião que influenciasse meu pensamento de alguma forma.” Scott originalmente enviou o roteiro para ela logo após A Star Is Born, sua chegada triunfante como protagonista de Hollywood, ser lançado, em 2018. Junto com sua esposa e parceira de produção, Giannina Facio, ele fez um longo safári com o projeto, em e ele próprio atuou como diretor, com Angelina Jolie, Penélope Cruz e Margot Robbie escolhidas para interpretar Reggiani ao longo do caminho. Mas as estrelas se alinharam para Gaga: “E se eu não fizesse o papel de uma vadia nervosa, sexy, arriscada e arriscada?” ela se lembra de ter pensado. “Algum cavador de ouro punk italiano?”

Quando os produtores de Gucci estabeleceram um plano aparentemente retro para que o elenco apresentasse seus diálogos em inglês com fortes sotaques italianos, Gaga sabia que acertar a voz de Reggiani seria a chave. Ela trabalhou incansavelmente nisso. “Comecei com um dialeto específico de Vignola, depois comecei a trabalhar na forma de falar de classe alta que teria sido mais apropriada em lugares como Milão e Florença”, explica ela. “No filme, você ouvirá que meu sotaque é um pouco diferente dependendo de com quem estou falando.” O trailer levantou algumas sobrancelhas na Itália, a preocupação é que pode ser outro bando de atores americanos falando assim. Gaga, uma das cidadãs ítalo-americanas mais conhecidas de seu país, é sensível ao assunto. “Foi a experiência de uma vida fazer este filme porque a cada minuto de cada dia eu pensava em meus ancestrais na Itália e no que eles deveriam fazer para que eu pudesse ter uma vida melhor. Eu só queria deixá-los orgulhosos, e é por isso que tomei a decisão de fazer a performance sobre uma mulher real e não sobre a ideia de uma mulher má. ”

Lady Gaga as Lady Gucci I do wish to pay respect to women throughout history who became experts at survival and to the...
Lady Gaga as Lady Gucci: “I do wish to pay respect to women throughout history who became experts at survival, and to the unfortunate consequences of hurt,” she says.  METRO-GOLDWYN-MAYER (MGM) ALBUM / ALAMY STOCK PHOTO

Então ela entrou na mente de um assassino. Os Guccis finalmente se divorciaram em 1994, e enquanto Maurizio fazia planos para se casar com Franchi, o que reduziria a pensão alimentícia de Reggiani para o que ela chamava de “uma tigela de lentilhas” ($ 860.000 por ano), seus discursos gravados tornaram-se cada vez mais confusos e ameaçadores. Em um deles, depois jogado no tribunal, ela o criticou: “O inferno para você ainda está por vir.” Logo ela procurou o conselho de sua melhor amiga Pina Auriemma, uma clarividente napolitana, que por sua vez contratou o assassino Benedetto Ceraulo, dono de uma pizzaria com problemas financeiros. Às 8h30 de uma manhã clara no final de março de 1995, Ceraulo executou a instrução de Reggiani para assassinar o pai de seus filhos. Ele tinha 46 anos. Reggiani foi condenado três anos depois e solto em liberdade condicional em 2016. Suas filhas, Alessandra e Allegra Gucci, originalmente apoiavam a mãe, acreditando que seu comportamento era devido a um tumor cerebral benigno que ela havia removido. Mas depois de muitos anos, eles não falam mais.

Quer dizer, é muita coisa para enfrentar, não é, Gaga, eu falei. Todo esse brilho, toda essa tristeza. Você não ficou nervoso por se envolver? Como sempre, ela teve que encontrar a missão interior. Uma proposta. “Não desejo glorificar alguém que cometeria assassinato”, diz ela. “Mas desejo prestar homenagem às mulheres ao longo da história que se tornaram especialistas em sobrevivência e às infelizes consequências da dor. Espero que as mulheres vejam isso e se lembrem de pensar duas vezes sobre o fato de que machucar pessoas machuca outras. E é perigoso. O que acontece com alguém ”, ela pergunta,“ quando é empurrada para o precipício? ”

Parece que a filmagem tinha potencial para responder a essa última pergunta. A fotografia principal começou em fevereiro deste ano em Roma, com os homens da Gucci interpretados por um elenco que inclui Adam Driver como Maurizio, Jeremy Irons como Rodolfo, Al Pacino como tio Aldo e Jared Leto como primo Paolo. Com a Itália cercada de bloqueios e com paparazzi por toda parte, Gaga, cativa da técnica de Susan Batson (sua professora de atuação, que estava no set, foi ensinada por Lee Strasberg), diz que se aprofundou tanto no papel que começou a perder o contato com a realidade. “Tive alguma dificuldade psicológica em um ponto no final das filmagens”, explica ela, tomando cuidado com as palavras. “Eu estava no meu quarto de hotel, vivendo e falando como Reggiani, ou estava no set, vivendo e falando como ela. Lembro que um dia fui à Itália de chapéu para dar uma caminhada. Fazia cerca de dois meses que não saía para caminhar e entrei em pânico. ” Ela não conseguia mais computar o mundo real. “Eu pensei que estava no set de um filme.”

“Deliciosa loucura”, é como Salma Hayek – que interpreta Pina Auriemma – descreve o processo de trabalho de Gaga para mim. “É muito glamoroso”, diz ela sobre o filme, “muito chamativo, e muito poucas vezes eu vi esse nível de paixão com um ator”, diz ela, impressionada. “Ela realmente se comprometeu.” Foi complicado de trabalhar? “Não foi um pesadelo!” ela estala, rindo. “Foi uma coisa fascinante. Ela era mágica. Um gênio.”

Gaga é mais discreta. “Estávamos entre as tomadas e Salma estava tipo,‘ Oh, esse ator f ** king do método está aqui. Você sabe, ela não está falando comigo agora. ‘Porque eu estava fazendo um trabalho de memória sensorial ao lado dela, e ela estava tirando sarro de mim enquanto eu estava sentado lá fazendo isso. E eu nem ri. Quando a cena acabou, eu me virei para ela e disse: ‘Você é ridícula!’, Comecei a rir e a beijei. Foi um set maravilhoso, mas levo muito a sério quando trabalho. ”

Ela está realmente rindo com a memória. Não quero ser um buzzkill, eu digo, mas com certeza deve ser difícil para sua família perder você assim por tanto tempo? Assistir sua filha, irmã, namorada transformar informação em uma socialite milanesa assassina por meses a fio? Ela balança a cabeça lentamente. “Houve algum silêncio e alguma desconexão por um tempo”, ela me conta.

Ela diz que abandonou o sotaque logo após o término das filmagens, mas outras partes permaneceram. “Você acaba parecendo e parecendo com eles, sim, mas não é uma imitação, é um devir. Lembro-me de quando começamos a filmar, eu sabia que tinha me tornado – e sabia que o desafio maior seria impróprio. ” Ela sente o peso disso intensamente. “Essa é minha própria jornada como artista que ainda conheço, Giles. E eu me pergunto: ‘Isso é saudável, a maneira como você faz isso?’ ”Ela dá de ombros; resignado, autoconsciente, talvez um pouco orgulhoso. “Eu simplesmente não conheço nenhum outro jeito.”

Ela se acomoda em um estado de espírito reflexivo. “Bem, agora tenho 35 anos”, diz ela, rindo. “Você fica tipo,‘ Lady Gaga tem 35 anos! Eu me sinto velho! ‘”Nunca muito velho para uma fabulosa turnê de imprensa. Para o brilho puro de Hollywood, suas aparições em A Star Is Born foram provavelmente a melhor corrida no tapete vermelho dos últimos anos (toda aquela seda de caramujo), e ela está pronta para ir de novo. “Adoro ver todos”, diz ela. “Eu aprecio muito como o público me adora há quase duas décadas. Quer esteja cantando, atuando ou caminhando no tapete vermelho, adoro fazer o público sorrir. ”

Certamente, ela manteve sua combinação inebriante de sinceridade e entusiasmo: “Embora a idade seja apenas um número, o que eu sinto principalmente é muito amor pela comunidade artística e pelo coletivo artístico”, diz ela, me dizendo que devo entregar isso mensagem dela “para o mundo”. Em janeiro, ela cantou na inauguração de Joe Biden. “Esse deve ser um dos dias mais orgulhosos de toda a minha vida. Como muitas pessoas na América, eu senti um medo profundo quando Trump era presidente, e a introdução de 45 para fora e 46 para dentro é algo que poderei contar aos meus filhos ”. Ela sorri. “Cantando com um vestido à prova de balas Schiaparelli. Não sei se as pessoas sabem disso sobre mim, mas se eu não fosse quem sou hoje, teria sido um jornalista de combate. Esse foi um dos meus sonhos. Quando eu estava no Capitol, um dia antes da inauguração, lembro-me de andar por aí procurando por evidências da insurreição. ”

A felicidade, tantas vezes estranha para ela, voltou. “Houve um longo tempo em que eu não pensei que poderia me curar de me tornar famosa tão jovem, e o que isso fez ao meu cérebro”, diz ela. “Mas me sinto pronto para me declarar completo. Nunca seremos todos totalmente completos ”, ela se corrige,“ mas com certeza é o suficiente. Tenho muita gratidão pela alegria. ” Isso é novo? “É bem recente, sim. Eu diria nos últimos dois anos. ” Gaga – uma nova-iorquina por excelência – agora vive principalmente em Hollywood, com seu namorado Michael Polansky, um diretor executivo da filantrópica Parker Foundation, onde seu trabalho se concentra em ciência, saúde pública e artes. Ela adora seus cachorros e diz que eles estão bem agora, depois que foram apanhados em dognap e seu andador baleado (não fatalmente) em uma série de eventos chocantes no início deste ano. “Sim, eles estão bem”, ela diz, compreensivelmente ainda abalada. “Graças a Deus.”

A agenda de estrelas pop e estrelas de cinema continua intensa. Além da Gucci, no ano passado ela tocou clássicos do jazz com Tony Bennett no Radio City Music Hall e lançou Love for Sale, seu segundo álbum de duetos de Cole Porter, com ótimas críticas. Ela supervisiona sua Fundação Born This Way, com sua missão de apoiar o bem-estar mental de jovens e capacitá-los a construir um mundo mais amável, e está absolutamente apaixonada pelo Haus Laboratories, sua linha de maquiagem vegana, com suas lindas paletas e seus muitos adorei o eyeliner líquido, que arrecada mais de £ 100 milhões por ano.

Então, é claro, havia Chromatica, seu álbum eletro-fabuloso de 2020, barnstorming. Um acompanhamento de remixes chegou no início deste ano – Dawn of Chromatica – e uma turnê pós-pandêmica está nos planos. Naturalmente, como o principal grupo demográfico da Chromatica, começo a jorrar sobre o quanto isso significava para mim no bloqueio, e ela tenta sorrir antes de dizer: “Acho que nunca senti mais dor na minha vida do que estava fazendo isso registro. É muito difícil para mim ouvir. É muito difícil para mim cantar essas músicas, mas não é porque elas não são incríveis, músicas maravilhosas. É porque eles vieram de um buraco muito, muito negro no meu coração. ”

Em que lugar você estava quando estava gravando? “Eu não queria mais ser eu”, diz ela, simplesmente. “Eu não tinha mais a capacidade de entender do que era capaz como pessoa. Eu não achava que valia nada. Mas eu consegui mesmo assim. Eu disse isso a um amigo outro dia – sempre que eu passar por momentos difíceis, eu sempre digo com uma risada, ‘Sim, isso é difícil. Mas é muito mais difícil quando você quer se matar todos os dias. ‘Então, eu prometo ser sempre alguém que fala sobre saúde mental, que fala sobre bondade, sobre compaixão e validação. Acredito de todo o coração que o universo fez disso parte da minha história para que eu pudesse estar preparado para falar sobre isso com o mundo. ”

Por um momento, o desempenho da fama diminui. “Eu sei que não é o mundo”, diz ela. “O mundo inteiro não sabe o que eu faço, e esse não é o ponto. É quem está ouvindo. Quem quer que esteja ouvindo: eu te amo, e se você estiver com dor, prometo que vai melhorar. ”

Sua mente, porém, logo retorna ao mundo Gucci. “Isso era outra coisa que me interessava: quem matou Maurizio, ou seja, quem ela contratou?” ela diz, ainda fascinada. “É minha convicção que, na verdade, ela não disse a verdade sobre isso.” Gaga assistia a entrevistas no YouTube e dizia para si mesma: “‘ Você está mentindo ’. Em uma entrevista, ela disse que eram alguns‘ beagle boys ’, o que significa, eu acho, que era um da máfia. Eu me perguntei por um momento se era a Camorra que tinha feito isso, que é o tipo de máfia em Nápoles. Então tomei algumas decisões, novamente secretas, sobre o que decidi acreditar enquanto estava filmando. ”

Você imagina que chegará um momento – quando o filme for lançado, quando você estiver além da intensidade de tudo isso – em que você desejará conhecer Reggiani, eu pergunto? No mínimo, a curiosidade não vai levar a melhor sobre você?

Segue-se uma pausa significativa. “Não tenho certeza. Acho que é preciso um certo quociente emocional para ser ator ”, diz ela, tentando explicar sua reticência. Também a levou profundamente em uma escuridão que ela está pronta para se livrar. “A maneira como me senti interpretando esse personagem no final, percebi que quando você mata outra pessoa, você realmente se mata.”

Ela fica quieta e por um momento parece estar perdida nisso tudo de novo. Lentamente ela pisca algumas vezes, trazendo-se de volta à realidade de Gaga, longe de Patrizia. “Quem mais me importa neste processo são os filhos dela”, diz ela, com cuidado, “e estendo a eles amor e compaixão por ter certeza de que o lançamento deste filme é tremendamente difícil ou doloroso para eles, potencialmente. E não desejo nada além de paz para seus corações. ” Seus olhos estão novamente preocupados. Então espere. “Fiz o meu melhor para jogar a verdade.”

House of Gucci is in cinemas from 26 November

The December 2021 issue of British Vogue is on newsstands on Friday 5 November

DSquared2 Denim Fall 2021 Campaign

DSquared2 Denim Fall 2021 Campaign
Source: dsquared.com
Published: October 2021

Credits for this picture: Steven Klein (Photographer), Giovanni Bianco (Creative Director), Matthew Ellenberger (Fashion Editor/Stylist), Ricky Michiels (Casting Director)

All people in this campaign:

Dan & Dean Caten – Designer Steven Klein – Photographer Giovanni Bianco – Creative Director Matthew Ellenberger – Fashion Editor/Stylist Akki Shirakawa – Hair Stylist Renee Garnes – Makeup Artist Ricky Michiels – Casting Director Joshua Cummings – Model

In this picture: Joshua Cummings
Credits for this picture: Steven Klein (Photographer), Giovanni Bianco (Creative Director), Matthew Ellenberger (Fashion Editor/Stylist), Ricky Michiels (Casting Director)
In this picture: Joshua Cummings
Credits for this picture: Steven Klein (Photographer), Giovanni Bianco (Creative Director), Matthew Ellenberger (Fashion Editor/Stylist), Ricky Michiels (Casting Director)

Barbino | Spring Summer 2022 | Full Show

Maison Barbino | Spring Summer 2022 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – Mercedes-Benz Fashion Week Russia) #Barbino #MBFWRussia #SS22

Tiffany & Co. Fall 2021: Hailey Bieber

Tiffany & Co. Fall 2021: Hailey Bieber
Source: tiffany.com
Published: October 2021

In this picture: Hailey Bieber
Credits for this picture: Sharif Hamza (Photographer), Ruba Abu-Nimah (Creative Director), Karla Welch (Fashion Editor/Stylist), Bryce Scarlett (Hair Stylist), Nina Park (Makeup Artist), Yuko Tsuchihashi (Manicurist)

All people in this campaign:

Sharif Hamza – Photographer Ruba Abu-Nimah – Creative Director Karla Welch – Fashion Editor/Stylist Bryce Scarlett – Hair Stylist Nina Park – Makeup Artist Yuko Tsuchihashi – Manicurist Hailey Bieber – Model

In this picture: Hailey Bieber
Credits for this picture: Sharif Hamza (Photographer), Ruba Abu-Nimah (Creative Director), Karla Welch (Fashion Editor/Stylist), Bryce Scarlett (Hair Stylist), Nina Park (Makeup Artist), Yuko Tsuchihashi (Manicurist)
In this picture: Hailey Bieber
Credits for this picture: Sharif Hamza (Photographer), Ruba Abu-Nimah (Creative Director), Karla Welch (Fashion Editor/Stylist), Bryce Scarlett (Hair Stylist), Nina Park (Makeup Artist), Yuko Tsuchihashi (Manicurist)

Lorde lança clipe sombrio de “Fallen Fruit” e anuncia versão deluxe do álbum

Solar Power chegará com duas faixas adicionais ao streaming na sexta-feira (5)
CAIO COLETTI

Lorde lançou hoje (2) o clipe de “Fallen Fruit”, uma conclusão sombria para os temas dos vídeos anteriores da cantora, “Solar Power” e “Mood Ring” – confira acima.

Em carta aos fãs, Lorde explicou que o novo vídeo representa a destruição da ilha paradisíaca que apresentou antes pela ganância humana. “Em meio a tudo isso, a minha personagem faz uma escolha importante“, comentou.

Aproveitando o lançamento, Lorde também anunciou que uma versão deluxe do seu último álbum, também intitulado Solar Power, será lançada na próxima sexta-feira (5).

A reedição trará duas canções inéditas: “Helen of Troy” e “Hold no Grudge”. Segundo Lorde, elas são músicas mais expansivas que o restante do disco, e por isso acabaram cortadas da tracklist final.

Conheça Doug Guthrie, o homem que avisou a Apple sobre os riscos na China

Doug Guthrie, que já foi um dos principais especialistas americanos em China, soou o alarme a respeito dos perigos de fazer negócios por lá. Ele falou a respeito de seu tempo na Apple
Por Jack Nicas – The New York Times

A Apple abriu concessões para a China que contrariam valores que os executivos da empresa colocam no centro de sua marca

Doug Guthrie passou o ano de 1994 pedalando uma bicicleta sem marcha entre fábricas de Xangai para escrever uma dissertação sobre a indústria chinesa. Anos depois, ele se tornou um dos principais especialistas na virada da China para o capitalismo e ajudou empresas a se aventurarem no Oriente. Duas décadas depois, em 2014, a Apple o contratou para ajudá-la a navegar nesse mercado, talvez o mais importante para a empresa. Na época, ele estava preocupado com a nova direção da China.

O novo líder da China, Xi Jinping, estava se aproximando de empresas ocidentais para fortalecer seu controle do país. Guthrie percebeu que poucas empresas seriam alvos maiores, ou mais importantes, do que a Apple. A empresa montava na China quase todos os dispositivos que produzia e fez da região seu segundo maior mercado de vendas.

Então Guthrie começou a frequentar instalações da Apple municiado com um show de slides e uma palestra para soar um alarme. A empresa, afirmava ele, não tinha nenhum plano B. “Eu chegava nos diretores e dizia, ‘Vocês entendem quem é Xi Jinping? Vocês estão sabendo do que acontece por lá?”, afirmou Guthrie em uma entrevista. “Essa era minha principal mensagem.”

Seus alertas se provaram proféticos. A China se voltou para o nacionalismo e o autoritarismo sob Xi, e empresas americanas como Apple, Nike e a Associação Nacional de Basquete (NBA) estão diante de um dilema. Enquanto fazer negócios na China continua, com frequência, uma atividade lucrativa, mantê-los também exige cada vez mais concessões indigestas.

Essa tendência levanta a possibilidade de que, em vez de dar poder para o povo chinês, o investimento americano deu poder ao Partido Comunista Chinês.

“Sempre foi difícil para empresas do Ocidente fazer negócios na China, mas esses desafios mudaram de muitas maneiras”, afirmou Samm Sacks, especialista em China da New America Foundation, um centro de pesquisas apartidário que presta consultoria a empresas americanas. “O Partido Comunista está firme no poder, e tanto empresas ocidentais quanto empresas chinesas do setor privado sofrem ataques.”

A trajetória da carreira de Guthrie e a evolução de sua visão a respeito da China contam a história da complicada dança da indústria ocidental com o país ao longo das três décadas mais recentes. Guthrie e muitos executivos, políticos e acadêmicos apostavam que o investimento do Ocidente na China levaria o país a abrir sua sociedade. Agora é evidente que eles erraram o cálculo.

“Estávamos errados”, afirmou Guthrie. “O curinga era Xi Jinping.”

Nos anos recentes, a China tirou do ar no país o site do Marriott, depois de a empresa listar Tibete e Taiwan como países independentes em uma pesquisa sobre clientes. Pequim suspendeu assinaturas ao LinkedIn após o site falhar em censurar conteúdo político suficiente. E o Partido Comunista chamou um boicote a marcas de roupas ocidentais que criticaram práticas de trabalho forçado em Xinjiang, uma região da China onde o governo reprime o povo uigur, a minoria muçulmana que habita o país.

A Apple, mais do que qualquer outra empresa, é suscetível à linha mais dura do governo. Como resultado, nos anos recentes, a empresa abriu concessões para a China que contrariam valores que os executivos da empresa colocam no centro de sua marca. Para apaziguar autoridades e manter seu negócio global funcionando, a Apple colocou os dados de seus clientes chineses em risco e deu auxílio à vasta operação de censura do governo chinês, segundo noticiou The New York Times no mês passado.

A empresa afirmou que segue as leis da China e faz tudo o que ao seu alcance para manter os dados de seus clientes seguros.

“Nunca comprometemos a segurança dos nossos usuário em relação aos seus dados na China nem em qualquer outro lugar onde operamos”, afirmou um porta-voz da Apple.

Ele acrescentou que Guthrie foi um funcionário de nível médio, que não determinou políticas na Apple.

A obsessão de Guthrie em relação à China começou em 1989. Ele cursava o segundo ano de economia e aprendia mandarim na Universidade de Chicago quando soldados chineses mataram centenas de ativistas pró-democracia na Praça Tiananmen, em Pequim. Ele afirmou que, imediatamente “fui capturado pela ideia de China”.

Ele trancou a faculdade, pegou dinheiro emprestado com os avós e passou o ano seguinte em Taiwan. Ciclista convicto, ele treinava com o time nacional de ciclismo de manhã e aprendia mandarim e lecionava inglês de tarde.

Após se graduar no doutorado da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e escrever um livro a respeito da eclosão do capitalismo na China – “Dragon in a Three-Piece Suit” (O dragão de terno) – ele passou a lecionar na Universidade de Nova York, em 1997. Ele dava palestras a respeito do potencial econômico da China, e empresas lhe pediam conselhos.

Na época, a China estava fazendo a transição de fabricante de brinquedos e tênis para fabricante de automóveis e computadores. O governo com frequência exigia que empresas estrangeiras compartilhassem tecnologia com empresas estatais, em troca de acesso aos trabalhadores e consumidores chineses. Para impedir isso, Guthrie e outros fizeram pressão pela inclusão da China na Organização Mundial do Comércio, que bania esse tipo de chantagem. Em 2001, a entidade aceitou a China.

Naquele mesmo ano, a Apple começou a produzir no país. A operação começou pequena, mas os executivos da empresa rapidamente perceberam o potencial.

Em 2004, a Apple decidiu expandir sua presença na China com uma fábrica para produzir iPods, que estavam entrando na moda. Em uma viagem para definir a localização das novas instalações, o diretor da empresa parceira da Apple apontou para uma pequena montanha e disse a dois executivos da Apple que a fábrica seria construída lá, de acordo com um dos executivos. Os executivos ficaram confusos, pois a fábrica deveria estar pronta para operar dali a cerca de seis meses.

Menos de um ano depois, os executivos retornaram à China. A montanha havia desaparecido, e a fábrica estava operando, afirmou o executivo. O governo chinês havia movido a montanha para a Apple.

Ao longo das duas décadas seguintes, o Pequim gastaria bilhões de dólares para ajudar a criar a cadeia de fornecimento da Apple, pavimentando estradas, recrutando trabalhadores e construindo fábricas, usinas de energia e alojamentos para funcionários. A Apple atualmente fabrica quase todos seus iPhones, iPads e computadores na China.

Em 2014, pouco após Guthrie deixar o cargo de diretor da faculdade de administração da Universidade George Washington, a Apple o contratou para ensinar seus gerentes e aconselhar seus executivos a respeito da China. Ele também conduziu pesquisas, e seu primeiro projeto foi a cadeia de fornecimento da empresa. Guthrie, agora com 52 anos, saiu da Apple em 2019 e leciona na Faculdade de Gerenciamento Global Thunderbird da Universidade Estadual do Arizona.

Quando começou a trabalhar na Apple, afirmou Guthrie, os executivos da empresa sabiam que dependiam demais da China e queriam diversificar. Índia e Vietnã eram os principais candidatos, mas Guthrie concluiu que nenhum dos países era um substituto viável.

O governo do Vietnã cooperava, mas o país simplesmente não possuía trabalhadores suficientes, afirmou ele. A Índia tinha as pessoas, mas a burocracia do país complicava a construção de infraestrutura e fábricas. Além dessas questões, a maioria dos fornecedores de parafusos, placas de circuitos e outros componentes dos produtos Apple já se concentravam na China.

A Apple ainda investiu na Índia e o Vietnã nos anos recentes, incluindo por meio da construção de uma fábrica menor para montagem de iPhones na Índia, mas Tim Cook, o presidente da empresa, afirmou publicamente que sua cadeia de fornecimento permanece centrada na China.

Para Guthrie, esse posicionamento deixou a Apple vulnerável, especialmente em um momento em que o novo líder da China procurava maneira para exercer sua influência sobre empresas americanas no país. Em 2014, uma nova lei trabalhista passou a vigorar, limitando a quantidade de trabalhadores temporários a 10% da folha. A Apple e seus fornecedores violavam a nova regra.

A Apple continuou a se atracar com exigências do governo. Em algumas ocasiões, conseguiu resistir com sucesso. Em um determinado momento, o governo chinês solicitou o código-fonte por trás das senhas de segurança dos iPhones, de acordo com um ex-executivo da Apple a par da solicitação.

Para atender ao governo chinês, a Apple teria de criar as chamadas “portas dos fundos”, para que as autoridades chinesas pudessem contornar a segurança do iPhone, pedido similar ao que o FBI fez 2016 — e a Apple rejeitou a solicitação. Na China, a Apple também recusou o pedido e convenceu Pequim que o governo não precisava desses dados, de acordo com o executivo.

Para medir o sucesso de seu lobby, executivos da Apple olhavam para os índices anuais de responsabilidade social corporativa determinados pelo governo, uma projeção da visão do Partido Comunista a respeito das empresas. A Apple lutou anos para ter boa colocação.

Antes da divulgação dos índices, em 2017, a Apple publicou um relatório que promovia as contribuições da empresa na China. O relatório foi resultado de uma colaboração entre vários departamentos da Apple, e o elogio do governo ao material foi celebrado dentro da empresa, de acordo com registros da Apple analisados pelo Times.

A pontuação da Apple melhorou em ritmo constante. De 2016 a 2020, sua colocação entre as empresas com presença na China foi de 141 a 30.

A Apple nem sempre conseguiu resistir às exigências de Pequim. Ao longo desse período, Cook concordou em armazenar dados privados de seus clientes chineses — assim como as chaves digitais para acessar esses dados — em servidores de computador mantidos e operados pelo governo chinês./TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Uma olhada no escritório do Studio Sisu em Melbourne, Australia

Uma equipe de designers da empresa de design de interiores Maike Design projetou recentemente um novo escritório para o estúdio empresarial Studio Sisu.

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Lounge

“A estrutura do armazém da década de 1930 foi transformada em um espaço de trabalho criativo brilhante e inspirador. Fornecer diferentes zonas de uso oferece a flexibilidade necessária tanto para o trabalho colaborativo quanto para a exploração criativa individual, ao mesmo tempo que mantém o senso de escala do edifício original.

O Studio Sisu foi projetado para lidar com as limitações físicas e o isolamento de uma indústria fragmentada por modelos de negócios de pequenos estúdios. Reúne negócios complementares para criar oportunidades de discussão e interação entre pares. O incentivo à colaboração criativa de idéias e habilidades cria um ambiente de outra forma inacessível para pequenas empresas ou profissionais liberais.

O uso de uma mistura de materiais de alto e baixo custo, móveis e acessórios permitiu que o design criasse um ambiente exclusivo e altamente elaborado dentro do orçamento especificado. A inclusão de móveis e acessórios antigos restaurados permite que as novas obras se acomodem confortavelmente ao lado da estrutura da fábrica existente.

O design das novas intervenções e móveis de design personalizado, usa uma paleta de materiais simples acentuando as superfícies altamente táteis do edifício original.

A nova entrada afasta-se da rua e suaviza a solidez do edifício, conferindo ao estúdio uma presença distinta no seu contexto de viela. As portas de entrada enfatizam a altura do espaço e sua colocação deslocada direciona os visitantes para o escritório sem a necessidade de uma recepção formal.

O nível do solo é um espaço flexível e compartilhado que permite projetos de grande escala ou oficinas que normalmente não são atendidas em um ambiente de escritório. As comodidades neste nível deixam todo o nível superior livre de quaisquer interrupções visuais sólidas.

O escritório de nível superior usa uma paleta simples para acentuar as superfícies altamente táteis do edifício original. O uso estratégico de peneiramento e marcenaria cria zonas distintas, mantendo a sensação de volume que tornou a concha original um espaço único e atraente ”, diz.

  • Location: Melbourne, Australia
  • Date completed: 2021
  • Size: 2,833 square feet
  • Design: Maike Design
  • Photos: Sean Fennessy
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Morbius | Jared Leto vira vampiro em trailer com referência a Venom

Nova prévia do filme escancara ligações com Universo do Homem-Aranha da Sony
CAIO COLETTI

Morbius, filme da Sony Pictures Entertainment que se passa no universo do Homem-Aranha, ganhou um novo trailer – confira acima.

Além de mais ação, o trailer ainda escancara novas ligações do filme com o universo compartilhado do qual faz parte, incluindo referências à franquia Venom e aos filmes solo do Aranha de Tom Holland.

Na trama, Jared Leto (Esquadrão Suicida) vive o Dr. Michael Morbius, um bioquímico que se transforma em vampiro durante um experimento em que tentava curar uma doença sanguínea. O personagem foi criado por Roy Thomas Gil Kane em 1971, como vilão do Aracnídeo.

O filme estrelado é dirigido por Daniel Espinosa (Protegendo o Inimigo), e conta com roteiro de Burk Sharpless e Matt Sazama (Power Rangers). Matt Smith (The Crown), Adria Arjona (Círculo de Fogo: A Revolta) e Tyrese Gibson (Velozes e Furiosos) completam o elenco.

Morbius tem previsão de estreia para 21 de janeiro de 2022

Destaque na COP26, jovem indígena Txai Suruí tem pai perseguido pelo governo Bolsonaro e mãe ameaçada de morte

Em discurso para o mundo, Txai Suruí lembrou o amigo de infância assassinado em Rondônia em 2020
Fabiano Maisonnave

Em discurso, Txai Suruí lembrou de amigo e familiares que morreram no último ano
Em discurso, Txai Suruí lembrou de amigo e familiares que morreram no último ano – Oli SCARFF / AFP

CUIABÁ – Aos 24 anos, a paiter-suruí Txai Suruí fez história ao discursar, em inglês, na abertura da COP26, em Glasgow, nesta segunda-feira (1º). Diante dos olhos do mundo e na presença de líderes como o britânico Boris Johnson, defendeu a participação dos povos indígenas nas decisões da cúpula do clima e lembrou o assassinato do amigo Ari Uru-Eu-Wau-Wau.

Mas os dois minutos no palco principal foram curtos para relatar as ameaças, os reveses e as conquistas que a jovem e a sua família vêm acumulando em Rondônia.

Txai é filha de Almir Suruí, 47, uma das lideranças indígenas mais conhecidas do país e duro crítico do governo Jair Bolsonaro (sem partido).

Por causa dessas críticas, foi perseguido. No final do ano passado, o presidente da Funai, Marcelo Xavier, pediu à Polícia Federal a abertura de um inquérito para investigar “crime de difamação” que teria sido cometido por duas associações ligadas a seu pai.

O motivo foram críticas à atuação do órgão indigenista federal no combate à Covid-19. O caso, revelado pelo UOL, acabou arquivado em maio.

pandemia, aliás, foi especialmente dura para Txai. Ela perdeu as duas avós para a doença, além de primos e tios.

A mãe de Almir, Weitãg Suruí, falecida em janeiro (leia o obituário), era um dos poucos paiter-suruís vivos nascidos antes do contato, ocorrido em 1969. Nos anos seguintes, doenças trazidas pelos brancos, principalmente o sarampo, quase dizimaram o povo, que habita a divisa entre Rondônia e Mato Grosso.

Homem de camiseta azul e cocar sorri enquanto fala
Almir Suruí, na Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal (RO), em foto de julho de 2015 – Lalo de Almeida – 24.jul.15/Folhapress

Outro momento difícil para a família foi em maio. A mãe da jovem, a indigenista Ivaneide Cardozo, 62, passou a receber ligações com ameaças de morte por conta de denúncias contra invasores da Terra Indígena (TI) Uru-Eu-Wau-Wau. Dois deles estiveram na sede da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, fundada e liderada por ela.

Na avaliação de uma organização dedicada a proteger a vida de lideranças na Amazônia, a sua vida corria sério risco. A contragosto, Neidinha, como é mais conhecida, se viu obrigada a deixar Rondônia, exílio que durou dois meses.

As invasões à TI Uru-Eu-Wau-Wau começaram em janeiro de 2019, em meio a promessas de Bolsonaro de reduzir terras indígenas. Nesse contexto de conflito, Ari Uru-Eu-Wau-Wau, 33, que atuava como guardião do território, acabou assassinado com golpes na cabeça, em 18 de abril de 2020. O caso até agora não foi solucionado pela Polícia Civil.

“Eu considerava o Ari como se fosse meu filho. Por isso que, quando ela fala que era seu amigo de infância, é porque eu o tratava como filho. Ela cresceu no meio deles”, conta Neidinha, em entrevista por telefone, de Porto Velho (RO). “Foi muito legal ela ter se lembrado dele na fala para o mundo inteiro.”

Em meio a todas essas adversidades, Txai Suruí, que cursa o último semestre de direito, criou, no início do ano, o Movimento da Juventude Indígena de Rondônia. Nestes poucos meses de existência, sua organização já conta com cerca de 1.700 jovens indígenas filiados.

Outra vitória para a família foi a eleição de Almir Suruí como cacique geral do seu povo, em setembro. Ele recebeu 518 votos, quase o dobro do seu principal adversário, o primo Henrique Suruí, ligado à exploração da madeira e do garimpo, atividades ilegais que têm dividido os paiter-suruís, povo com cerca de 1.400 pessoas, habitantes da TI Sete de Setembro.

Com décadas de militância em um dos estados com mais casos de violência rural do país, Neidinha encara a exposição da filha com um misto de orgulho e apreensão.

Vista aérea de uma floresta
Vista aérea da divisa da Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal (RO), em julho de 2015 – Lalo de Almeida – 24.jul.15/Folhapress

“A ameaça contra mim se estende a ela. Antes de ir à COP, ela foi com os uru-eu-wau-waus à área de invasão, fotografou, para denunciar o que estava vendo. E sei o quanto isso pesa em uma menina muito jovem. Eu comecei a militar muito jovem e sei os perrengues que ela vai passar, principalmente neste governo”, afirma a indigenista.

Mas agora o momento é de comemoração. “Quando ela tinha seis anos, teve uma cerimônia grande, e o pai dela a colocou em cima de um tronco de árvore, os tios em volta dela, e o Almir a mostrando para a comunidade: ‘Minha filha vai ser uma grande líder’. Nunca tirei essa visão da minha cabeça.”

“Fiquei tão orgulhosa de vê-la ali, defendendo o planeta, não só os povos indígenas. Eu sempre digo para os meus filhos, a gente luta pela humanidade. Deu muito orgulho de ver que as minhas palavras a marcaram. Fiquei muito emocionada.”