Ben Lamberty for Vogue Czech with Daphne Groeneveld & Valentina Sampaio

Photographer: Ben Lamberty. Creative Director: Jan Králíček. Fashion Stylist: Aryeh Lappin. Hair Stylist: Clara Leonard. Makeup Artist: Christopher Ardoff. Nail Artist: nori. Post Production: George. Models: Daphne Groeneveld & Valentina Sampaio at The Lions.

Vingança & Castigo é Black Western repleto de paixão e ritmo

Em seu filme de estreia cheio de astros, Jeymes Samuel nos presenteia com violência estilizada que diverte e valoriza figuras históricas negras do Velho Oeste
ALÊ GARCIA

Vingança e Castigo
Netflix/Divulgação

Preciso ser muito honesto desde o início, porque é isto o que sempre faço nas minhas abordagens críticas cinematográficas: não espere imparcialidade. Primeiro, porque imparcialidade não existe quando se trata de apreciação artística. Arte é subjetividade. Estou aqui, na melhor das hipóteses, para argumentativamente convencer você da qualidade deste filme, Vingança & Castigo. Ou da falta de qualidade dele.

Vamos aos argumentos, portanto: eu esperava por este filme há cerca de um ano, quando foi anunciado. Então, imagine a minha expectativa, já que além de ser uma pessoa que se agrada por abordagens estilizadas e contemporâneas de gêneros tradicionais do cinema, todas as informações sobre a grandiosidade representativa deste filme me enchiam a alma. Jeymes Samuel, diretor que tem trabalhos realizados com Jay-Z (que, olhe só!, é o produtor deste faroeste com super elenco negro) tem em seu elenco a maravilhosa Regina KingIdris ElbaZazie BeetzLakeith StanfieldJonathan Majors e Delroy Lindo, além de Edi Gathegi e Damon Wayans Jr em participações menores. Some isso aos acessos posteriores que tive ao teaser e trailer e pronto, estavam me entregando meu prato cheio de diversão: violência estilizada em trama de vingança protagonizada pelos astros negros do momento, com edição sincopada a uma trilha sonora incrível.

Quando pude, finalmente, assistir ao filme, percebi: o que me foi prometido, foi entregue. Vingança & Castigo, produção da Netflix, é um prazer sangrento. Um faroeste de vingança repleto de personagens memoráveis ​​interpretados por atores talentosos, com cada cena e momento encenado por uma beleza voluptuosa e poder cinético, próprio de quem está há muito tempo envolvido em produções musicais, como é o caso de Jeymes Samuel. Ele é o diretor do curta Jay-Z: Legacy, e músico consultor de O Grande Gatsby, além de responsável pela trilha sonora de outros filmes.

Sobre a trama, espere muita eficiência narrativa e — se estiver disposto como eu estava a embarcar neste espetáculo que me foi oferecido —  feche um pouco os olhos para algumas incongruências típicas de filmes cujo apelo estético é o mais importante. Eu faço isso com vários filmes de Quentin Tarantino, por exemplo, inebriado que fico com uma enfermeira de tapa-olho andando vagarosamente sob a trilha sonora de um assovio ou extasiado vendo John Travolta de mullets e Samuel L. Jackson de cabelo black power escapando ilesos de uma saraivada de tiros. Há muitas sequências que não servem a muitos propósitos narrativos (e em alguns casos, na verdade, minam sequências anteriores), mas que, sem dúvida, foram projetadas unicamente para nos surpreender.

Porém, o que é claro é que foram escolhas muito conscientes. Isto porque Samuel parece muito determinado a enfiar todas as ideias que puder na sua primeira obra — um problema comum e quase sempre perdoável para filmes de estreia. Você sente sua ansiedade em ser grandioso e épico a cada tomada. Você sente a minuciosidade com que ele deve ter pensado em toda a trilha sonora do filme (com artistas como Kid Cudi, CeeLo Green e Seal) e em como trabalhar momentos da edição em que cortes, zooms, trocas de planos estão perfeitamente sincronizados ao beat de algum som incrível que ele trouxe para tornar esta celebração negra ainda mais grandiosa. 

Está tudo ali: desde a cena inicial, em que um homem misterioso chega na casa de um pregador e sua família e a trilha aumenta de forma repentina, na sede do diretor em nos apresentar sua escolha musical apropriada, mas que subentende que já sabemos quem são aquelas pessoas e o que está prestes a acontecer. Isto, aliás, é um problema que venho identificando em alguns filmes: pressuposições de trama, que parecem crer que, por termos visto tanto e tantas vezes seu trailer, já querem nos entregar fatos sem se dar conta de que precisamos de informações anteriores. 

Esta lentidão e mistério que Samuel nos dá na cena inicial é bem reconhecível dos filmes de faroeste. E, de certa forma, sabemos quem são aquelas pessoas (Michael Beach e DeWanda Wise em pequeno mas honroso tempo de tela) e o que está para acontecer.  E a condução de toda a direção nos coloca no sentimento certo, porque nesta angustiante cena de abertura, nos preocupamos com esta família que está prestes a ser massacrada. É isso o que acontece com famílias que recebem visitantes misteriosos e silenciosos nos faroestes. 

Só quem sobrevive desse massacre é uma criança, Nat Love, que cresce para se tornar um fora-da-lei que rouba ladrões de banco. Aquele menino, testemunha traumatizada do assassinato de seus pais, é marcado por uma cruz, riscada com faca em sua testa pelo assassino. Pouco depois, conhecemos o adulto Nat (Majors), quando ele acabou de se vingar dos homens que cometeram aquele crime. Quem falta é exatamente aquele homem misterioso que o marcou na testa, Rufus Buck (Elba), que supostamente está cumprindo uma sentença de prisão perpétua, mas logo é libertado por uma gangue liderada pela violentíssima Trudy Smith (King) e o cavalheiro atirador Cherokee Bill (Stanfield).

Conhecedores da história ocidental, estejam avisados: como o próprio início do filme indica ( “Embora os eventos desta história sejam fictícios …” “Essas. Pessoas. Existiram.”), muitos dos principais personagens da história compartilham, realmente, os mesmos nomes de pessoas reais que viveram e morreram no Velho Oeste, incluindo Nat Love, Bass Reeves (também explorado na série Watchmen), Mary Fields (também conhecida como Stagecoach Mary) , Jim Beckwourth e Cherokee Bill. Porém, os eventos dos quais eles participam são, em sua maioria, um disparate inventado. Tudo para reunir uma série de figuras históricas negras do Velho Oeste, amplamente ignoradas pelos livros de história e pelos principais criadores de mitos ocidentais. Vai que, ao ver juntos todos esses personagens em um filme de ação, você  possa ficar inspirado a procurá-los e aprender mais sobre seus feitos, na vida real. Vai que. 

Fato é que Samuel se jogou com tudo: ele co-escreveu, dirigiu e fez a trilha sonora do filme. E, mais do que isso, estudou as obras dos diretores em que se referencia, entendendo o que eles faziam com a imagem e o som. Ele se propõe a fazer um pouco mais, trazendo contemporaneidade rítmica e visual onde nomes como Sergio Leone não o fizeram, por exemplo. É importante destacar a primorosa direção de fotografia de Mihai Malaimare Jr também, nos entregando ótimas cenas como a visão do alvo de um atirador de elite ou a visão aérea de dois pistoleiros, com sombras muito longas enfrentando uma a outra em uma rua.

Com todas estas escolhas, Samuel consegue cadenciar Vingança & Castigo em principalmente dois grandes acontecimentos fílmicos. O mais evidente, que me seduziu imediatamente, em que todo o projeto parece uma brincadeira ou uma indulgência imagética. O que importa é a sequência divertida e bem coreografada de violência musical, até o ponto em que, amarrando as pontas e mostrando maturidade para abraçar aspectos melodramáticos profundos, escondidos por baixo daquela camada de tiroteio e pó de areia, Vingança & Castigo se torna um filme mais sério. Uma tragédia familiar e quase mitológica sobre como a violência pode gerar mais violência. E violência em saloon ou nas brigas por ruas empoeiradas é diferente daquela que acontece para dilacerar uma família. 

Em uma obra repleta de personagens negros, de um diretor negro, racismo e genocídio também apontam sua existência, como quando um personagem negro revela uma cicatriz no pescoço indicando que sobreviveu a um linchamento. Com a devida licença fílmica, no entanto, o filme cria um ambiente fictício onde as pessoas negras, tradicionalmente excluídas deste gênero, podem ser donos de bares e boates e bancos, bem como administrar cidades prósperas, vagando pelas ruas com confiança em grupos armados, tal qual estamos acostumados a ver os pistoleiros brancos. Não há o temor por ser derrubado do cavalo a qualquer momento e sufocado até a morte por um “homem da lei”. Se isto for confuso para você, volte para o início do filme para reler os cartões iniciais, “Embora os eventos desta história sejam fictícios …”  

O filme de estreia de Jeymes Samuel, é, sem dúvida, uma bem-vinda e maravilhosa continuidade das tradições dos black westerns que começaram com os filmes de Richard C. Kahn dos anos 1930, depois decolando nos anos 70 durante a Blaxploitation, com produções como Um por Deus, Outro pelo Diabo, de e com Sidney Poitier e Thomasine & Bushrod, de Gordon Parks Jr. O gênero só foi retomado na década de 90, com O Massacre de Rosewood, de John Singleton, com Ving Rhames, Don Cheadle e Esther Rolle no elenco.

Vingança & Castigo segue o mesmo caminho do clássico de Mario Van PeeblesPosse, um black western de 1993 estrelado por Blair Underwood, Tiny Lester e Pam Grier. Como Posse, Vingança & Castigo também concentra-se na história de um filho fora da lei em busca de vingança por seu pai pregador morto. E faz isto entregando um puro espetáculo, transformando movimento e som em fonte de absoluto prazer. Em uma época de filmes de ação cada vez mais desleixados, é um alívio ver uma obra destas nas mãos de um diretor que sabe, e principalmente, quer contar muito bem uma história através de uma câmera.

Vingança & Castigo (The Harder They Fall)

DIREÇÃO:Jeymes Samuel

ELENCO:Regina King, Delroy Lindo, Lakeith Stanfield, Idris Elba, Jonathan Majors, Zazie Beetz

NOTA DO CRÍTICO ***** Ótimo

Geração da ‘audição ansiosa’ faz músicas ficarem menores e mais ‘objetivas’

Segundo artistas, produtores e as próprias plataformas, jovens não ouvem músicas com mais de dois minutos e meio de duração até o fim
Julio Maria, O Estado de S.Paulo

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Mileny Ferreira, 33 anos, esteticista e micropigmentadora, ouve músicas com média de três minutos de duração Foto: DANIEL TEIXEIRA/ ESTADAO

Existe uma nova ordem no reino dos hits da música pop, e ela está sendo ditada pelos ouvintes de streaming, os consumidores de faixas disponíveis em plataformas como Spotify, Deezer e Amazon Music. Algo que já começa a ser chamado de “audição ansiosa” tem definido parâmetros do que seria um novo sucesso nas duas ou três pontas do processo. O compositor precisa pensar em canções com menor tempo de duração; o produtor tem de fazer com que tudo seja mais direto e funcional para que o ouvinte não vá embora e a própria plataforma deve responder rápido à nova demanda do ouvinte que ajudou a criar.

Uma boa produção feita em 2021 – e por boa entenda algo capaz de atrair milhares de ouvintes que não abandonem a faixa nos primeiros segundos e que, conquista das conquistas, passem a seguir o artista e a buscar por suas produções antigas – precisa, em resumo, ser objetiva e curta. Isso porque esse ouvinte que cresceu com o streaming não ouve, segundo as estimativas das próprias plataformas, músicas com mais do que dois minutos e 30 segundos de duração. Essa é a média. Se chegar a três, temos uma vitória digna de Grammy. PUBLICIDADE

Mas, o que são músicas objetivas? Aqui é preciso ouvir os produtores, figuras que se tornam tão ou mais importantes do que o próprio compositor: mediadores que transformam canções do novo e do velho mundo em possíveis potências de compartilhamento jogando no novo tabuleiro. Dani Brasil é um deles. DJ renomado nos Estados Unidos, com residências em Atlanta, Washington, Miami, Chicago e Nova York, é um nome forte da tribal house que, ao lado de Rafael Dutra, recondicionou o hit The Best, de Tina Turner, para milhares de ouvintes. “Antes, podíamos contar uma história, criar uma narrativa. Havia uma introdução, uma melodia crescente, um auge. Mas, hoje, as pessoas não têm mais paciência. As mensagens devem ser diretas, o impacto precisa estar logo no início.” Se isso é ruim? “O meu interesse é ter plays, quero que o ouvinte não vá embora e vou fazer de tudo para que ele fique.”

Outro nome da produção estelar, o carioca Tiago da Cal Alves, o Papatinho, DJ, beatmaker e produtor autodidata, viu tudo mudar desde que ajudou o grupo de rap ConeCrewDiretoria a acontecer, nos anos de 2010, e agora, quando já colaborou com Marcelo D2, Seu Jorge, Criolo, Black Alien e produziu Anitta nas faixas Tá com o Papato (1.830.652 visualizações no YouTube) e Onda Diferente, incluindo um feat (colaboração) com o rapper Snoop Dogg e Ludmilla (104.788.020 visualizações). Por suas constatações, o mundo musical não é mais da década de 2010. 

“Além das facilidades do streaming, a geração nova é bombardeada por informações rápidas ao mesmo tempo. Stories são de 15 segundos, músicas para o TikTok têm um minuto, o Twitter aceita pouco texto. Se sua música não for direto ao ponto, você perde esse ouvinte.” E ele sente que o encurtamento do discurso musical ainda não terminou. “A tendência é diminuir mais.” E joga o jogo. “Eu prefiro ter uma música de dois minutos ouvida por duas ou três vezes pela mesma pessoa a ter uma de quatro que ninguém ouve. Eu tento bater os dois minutos e meio, estourando.” Papato diz algo mais que pode chocar amantes dos álbuns de vinil, CDs ou de qualquer ideia de álbum. “Só os artistas que têm muitos fãs devem lançar álbuns. É muito difícil fazer uma pessoa ouvir um disco inteiro. Melhor é lançar uma faixa de cada vez.”

As plataformas mais ágeis identificaram as demandas de seus fregueses. “Eu não ouço nada com mais de três minutos de duração”, diz Mileny Ferreira, esteticista de 33 anos. “E só busco playlists por estado de espírito, como ‘música calma’, música para dormir’, essas coisas…” Bruno Vieira, head da Amazon Music no Brasil, conta que músicos e produtores que hospedam faixas na companhia têm um mapeamento que informa o que deu e o que não deu. “Analytics em tempo real permitem que eles tenham mais informações para criar estratégias e se conectar com a audiência. Podem realizar testes, lançar singles, fazer pré-lançamentos em redes sociais, entender a aderência das canções, saber onde as músicas têm sido adicionadas… Tudo isso traz insights.” 

Mas há algo importante que precisa vir para a discussão: as plataformas não são represas de produções pragmáticas para ouvintes ansiosos, mas polos distribuidores de artistas e consumidores representantes de três ou quatro gerações. Assim, o comportamento da maioria não é o de todos. Como explicar a Lulu Santos que suas músicas, agora, não podem ter uma introdução maior? Ou melhor, que introduções e solos de guitarra ou de qualquer instrumento são coisas tão démodés quanto a palavra démodé? Como dizer a Caetano Veloso que os ouvintes irão embora se ele fizer algo com mais do que três minutos?

Lulu fala primeiro: “Minha música Inocente (lançada há dois meses) tinha 4 minutos e dez segundos. Disseram que estava grande e editei para ficar com 3 minutos e 21 segundos. Quer saber? A música ficou melhor”. Caetano fala agora: “Amigos norte-americanos me contam que grandes nomes, como Kanye West, estão fazendo coisas muito mais curtas. Mesmo figuras já estabelecidas estão fazendo faixas curtas por causa dessa reação às longas. Eu sou de um tempo em que as canções podiam ter três, cinco, sete ou dez minutos, e continuo sendo desse tempo”.

Tempo curto já fez hits memoráveis

É preciso lembrar que João Gilberto, Dorival Caymmi e Tom Jobim nunca precisaram de mais do que três minutos

Apenas o banco de dados do Spotify recebe, por dia, mais de 40 mil novas músicas feitas pelo mundo. Ou seja, somando tudo o que já foi gravado pela velha indústria, que também foi parar nas plataformas, com a massa de novas produções que as companhias hospedam, já existem mais músicas no planeta do que terráqueos para ouvi-las. Uma boa questão de agora parece ser, e vale a filosofia, como não dessacralizar o ato único de uma canção? Como não esvaziar a magia? E, ao mesmo tempo, como criar uma canção que seja ouvida por alguém com menos de 25 anos até o final?

Caetano Veloso, com o álbum Meu Coco recém-lançado, falou com o Estadão. “Eu sei que estou sendo jogado nessa barafunda de canções que saem no mundo nessas plataformas. Mas eu digo que há o mesmo prazer infantil de amar as canções também pela sua quantidade. É engraçado. Porque eu também tenho essa ideia que você falou das canções sagradas, que precisam ser raras mesmo que haja milhões de canções. É uma dialética dessas duas coisas que eu não consigo… Só consigo ver como uma dialética.”

A exigência do tempo curto não é uma novidade entre as atrações psíquicas que uma canção deve ter para a conquista de um ouvinte. Elas soam como profanação por virem agora como um dos ditados para se fazer um novo hit, mas, na verdade, essa sempre foi a regra. Paul McCartney sabia que ultrapassava a linha do razoável em 1968 quando fez Hey Jude com sete minutos e cinco segundos de duração. Nada no pop era tão longo. Mas aí entrou algo que ainda pode derrubar todas as leis, a força de uma música, e o que era longo fica sempre parecendo curto demais todas as vezes que essa música acaba.

Os hits de Tom Jobim, João Gilberto e Dorival Caymmi estão na média dos três minutos. Águas de Março tem 3:32, Garota de Ipanema, 3:20; Samba do Avião, 2:48; e, pasmem, Bim Bom, com Stan Getz e João Gilberto, precisou de 2 minutos e 9 segundos para se tornar imortal. Curiosamente, o free jazz e o rock progressivo, duas frentes radicais que combateram ferozmente a ditadura dos três minutos, foram bem menos populares. Uma informação importante. 

Uniqlo +J A/W 2021

Uniqlo +J A/W 2021
Source: uniqlo.com
Published: November 2021

In this picture: Bert de Roeck
Credits for this picture: Jil Sander (Designer), David Sims (Photographer), Joe McKenna (Fashion Editor/Stylist), Rachel Chandler (Casting Director), Walter Pearce (Casting Director)

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Jil Sander – Designer David Sims – Photographer Joe McKenna – Fashion Editor/Stylist Rachel Chandler – Casting Director Walter Pearce – Casting Director Bert de Roeck – Model Liren Shih – Model

In this picture: Liren Shih
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Bilheteria EUA: Eternos, Duna, 007 – Sem Tempo para Morrer, Venom: Tempo de Carnificina, Ron Bugado

Nova produção do Marvel Studios arrecadou US$ 71 milhões

Um pouco abaixo da projeção estimada, Eternos arrecadou US$ 71 milhões em seu primeiro final de semana, estreando no topo da bilheteria dos EUA. A quantia coloca o filme em 4º lugar entre as bilheterias de estreia durante a pandemia, atrás de Venom 2, Shang-Chi e Viúva Negra. 

O longa de Chloé Zhao desbancou Duna, que passou duas semanas na liderança da bilheteria americana. Com mais US$ 7,6 milhões, o filme de Dennis Villeneuve agora acumula um total de US$ 83,9 milhões. Completando o Top 5 da bilheteria estão 007 – Sem Tempo para Morrer, Venom: Tempo de Carnificina e Ron Bugado, nova animação da 20th Century Studios.

Sogra defende Chris Pratt em post polêmico: ‘Continue sendo você mesmo’

Maria Shriver diz sentir orgulho do genro e que ele é ‘pai maravilhoso’

Mãe de Katherine Schwarzenegger defende Chris Pratt – AFP

Em meio a polêmica em que se envolveu ao homenagear a mulher Katherine Schwarzenegger, 31, Chris Pratt, 42, ganhou o apoio de sua sogra, a jornalista e empresária Maria Shriver. “Quero lembrá-lo hoje que homem bom você é, que pai maravilhoso você é para Jack e Lyla”, iniciou ela, comentando na publicação que gerou toda a controvérsia no Instagram.

Ela continuou enaltecendo as qualidades do ator como marido para a filha dela, genro e elogiando o senso de humor dele. “Eu te amo Chris, continue sendo você mesmo, supere o barulho, que seus filhos te amam, sua família te ama, sua esposa te ama. Que vida linda! Estou orgulhosa de você”, encerrou Shriver, que foi casada por 31 anos com o ator Arnold Schwarzenegger, com quem teve mais três filhos, além de Katherine: Christina, 30, Patrick, 28 e Christopher, 24.

Ator conhecido, entre outros trabalhos, por sua atuação em “Guardiões da Galáxia”, Pratt, 42, foi acusado de machismo, de objetificação da mulher e de esnobar um dos filhos devido a um relato sobre a vida a dois com Katherine.

“Ela me deu uma vida incrível, a filha linda e saudável. Ela mastiga tão alto que às vezes eu coloco meus fones de ouvido para abafar, mas isso é amor”, escreveu na postagem feita nesta quarta-feira (3).

Por causa desse trecho, muita gente o criticou por ele ter esquecido de mencionar o outro filho, Jack, 9, fruto do casamento com a atriz Anna Faris, 44.

Em outro momento do texto, Pratt faz outro comentário que chateou parte de seus seguidores. “Ela me ajuda em tudo. Em troca, periodicamente, abro um pote de picles”, escreveu.

Algumas pessoas se incomodaram com isso. “Por que você está orgulhoso de não fazer absolutamente nada para sua esposa?”, perguntou um seguidor. “Você acabou de descrever sua esposa como uma posse?”, rebateu um outro.

Valentina Sampaio New Face of Armani Beauty 2021 Announcement

Valentina Sampaio New Face of Armani Beauty 2021 Announcement
Source: armanibeauty.com
Published: November 2021

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Credits for this picture: Mikael Jansson (Photographer), Jérémie Rozan (Director), Veronique Didry (Fashion Editor/Stylist), Damien Boissinot (Hair Stylist), Linda Cantello (Makeup Artist)

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Mikael Jansson – Photographer Jérémie Rozan – Director Veronique Didry – Fashion Editor/Stylist Damien Boissinot – Hair Stylist Linda Cantello – Makeup Artist Valentina Sampaio – Model

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Nadando contra a maré, surfistas negras buscam visibilidade e patrocínios

Modalidade que garante títulos ao Brasil oferece poucas oportunidades para atletas pretas e pardas, que estão fora do Circuito Mundial
Gonçalo Junior , O Estado de S. Paulo

Surfista Julia Santos
Surfistas negras, como a campeã brasileira Julia Santos, buscam mais patrocínio e maior visibilidade  Foto: Werther Santana / Estadão

Depois de quase 14 anos somando bons resultados no surfe, como o tricampeonato santista e o título brasileiro de 2019, a paulista Julia Santos conseguiu o primeiro patrocínio da sua carreira somente em setembro deste ano. A atual campeã nacional, a cearense Yanca Costa, diz que terá boas notícias sobre apoios em 2022, mas que ainda não podem ser divulgadas. Negras e periféricas, Yanca e Júlia exemplificam como a diversidade étnica avança no surfe feminino depois de décadas remando contra a maré.

O movimento ainda é lento. Das 30 atletas do ranking feminino da Associação Brasileira dos Surfistas Profissionais (Abrasp) de 2019, o último completo antes da pandemia, apenas sete eram negras. Hoje, nenhuma atleta negra disputa o Circuito Mundial de Surfe. Por quase uma década, a cearense Silvana Lima foi a única a carregar a bandeira da representatividade.

“Não vejo preconceito no surfe em si, mas a gente sabe que a sociedade brasileira ainda é desigual. O surfe é um sintoma. A quantidade de surfistas não representa a população negra no geral”, afirma Pedro Falcão, presidente da Abras.

Na Confederação Brasileira de Surfe (CBSurf), a base de dados é restrita. Das 99 mulheres cadastradas e ranqueadas na entidade (22% do total), apenas 6% delas responderam a autodeclaração de raça. Nenhuma se declarou preta. 

Julia agora é patrocinada pela marca brasileira HD. Ela conquistou o chamado “patrocínio de bico”, o principal, que garante um salário mensal e apoio por três anos. Agora, ela vai poder trocar o ônibus pelo avião nas provas nacionais, por exemplo. Também vai dar uma folga no orçamento doméstico. A mãe, a diarista Iolanda Nicanor, adiou por anos a troca da TV de tubo para ajudar no sonho da filha atleta. As duas moram em São Vicente, litoral de São Paulo.

“Não sou a figura que as marcas procuram, aquele estereótipo da pele clara e o cabelo loiro. Foi bem difícil aceitar, mas foi uma motivação a mais. Coisas boas aconteceram e finalmente chegou a oportunidade. Estou em êxtase”, diz a atleta de 25 anos.

Rafaella Teixeira, vice-campeã brasileira profissional 2019 na categoria até 18 anos, tem apoiadores, mas ainda corre atrás de um patrocínio principal. “Antigamente deveria ser muito pior, mas a situação não melhorou tanto assim. A gente pode contar nos dedos quem tem patrocínio. Não é por falta de talento. Eu acredito que ainda continua esse preconceito”, diz lamenta a atleta de 20 anos de São Sebastião (SP).

Surfista Rafaella Teixeira
A surfista Rafaella Teixeira, vice-campeã brasileira profissional 2019 na categoria até 18 anos, busca patrocinadores Foto: Mario Nastri

Kiany Cristina, um dos talentos da nova geração, sente falta de referências. “Não vemos os negros numa revista ou pôster. É triste quando chego em uma loja para me apresentar como uma atleta profissional do surfe”, diz a atleta de 22 anos de Ubatuba (SP).

Tantos relatos sobre falta de apoio chamaram a atenção da jornalista e ex-surfista negra Érica Prado. Atleta nos anos 2000, campeã baiana e competidora do extinto SuperSurf, ela própria já havia sofrido com patrocínios escassos. Para ampliar a discussão sobre o tema, ela criou o perfil Surfistas Negras nas redes sociais. Hoje com mais de nove mil seguidores, a página procura aumentar a visibilidade das atletas e criar referências para quem está começando. No ano que vem, um encontro presencial vai dar novo impulso ao movimento. 

A busca por espaço não acontece só no Brasil. No início do mês passado, o jornal The New York Times publicou reportagem mostrando como os negros passaram a surfar em grupos na Califórnia após serem hostilizados

Tanto no Brasil como nos Estados Unidos, as grandes marcas demoraram a abraçar a diversidade étnica, tornando difícil a participação dos surfistas negros em competições internacionais. Nos últimos anos, a internet e as redes sociais permitem que esses atletas sigam um caminho diferente, atraindo a atenção ao tirar e postar as próprias fotos, vídeos e competições.

Surfista Kiany Cristina
A surfista Kiany Cristina sente falta da presença de referências negras na modalidade Foto: Samuel Campos

Assassinato de George Floyd

Na visão das atletas brasileiras, os avanços do surfe feminino negro têm um marco: os protestos que se seguiram à morte do negro americano George Floyd em maio do ano passado. O movimento ativista internacional Black Lives Matter (Vidas pretas importam) jogou luz sobre a discriminação racial e a violência policial nos EUA e se tornou um movimento social mundial. No Brasil, o assassinato de João Alberto Freitas no Carrefour de Porto Alegre (RS) , no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, reacendeu o debate.

“As empresas estão se movimentando. Depois dos protestos no mundo todo, todos descobriram que existe racismo no Brasil. Foi um ano positivo. Várias meninas que não tinham patrocínio agora têm. Mesmo que a passos lentos, vemos uma evolução”, avalia Erica Prado. “Tivemos muitos protestos. As pessoas se unindo contra o racismo e o preconceito”, completa Júlia Santos.

Suelen Naraísa
Suelen Naraísa durante disputa de torneio local em Ubatuba Foto: Marco Yaminae

A luta por visibilidade obviamente tem trajetórias bem-sucedidas. Por dez anos, Suelen Naraísa teve o patrocínio da marca Nicoboco para a disputa do Circuito Brasileiro e conquistou dois títulos nacionais. Hoje, mesmo fora do calendário competitivo, a atleta de 37 anos conquistou o patrocínio da Roxy para divulgação dos produtos. Formada em Educação Física, ela montou sua própria escola de surfe em Ubatuba. Seu objetivo é ser técnica da seleção brasileira feminina de surfe.

“Quero continuar trabalhando com surfe. Agora estou um pouco mais fora da água, mas quero continuar passando meus conhecimentos”, diz a professora.