Sob pressão, Facebook divulga relatório com dados de bullying, assédio e violência

No relatório, a companhia, que recentemente mudou o nome corporativo para Meta, afirma que a prevalência de discurso de ódio no Facebook continuou a diminuir pelo quarto trimestre consecutivo
Por Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

Holofotes do mundo da tecnologia estão voltados às políticas de segurança do Facebook

Em meio a denúncias que mostram negligência da rede social com a segurança de usuários, o Facebook divulgou nesta terça-feira, 9, seu relatório de transparência relativo aos meses entre julho e setembro deste ano. Pela primeira vez, a empresa de Mark Zuckerberg traz números sobre bullying, assédio e violência no Facebook e no Instagram. 

No relatório, a companhia, que recentemente mudou o nome corporativo para Meta, afirma que a prevalência de discurso de ódio no Facebook continuou a diminuir pelo quarto trimestre consecutivo – no período, houve 3 visualizações de discurso de ódio a cada 10 mil visualizações de conteúdo (0,03%), abaixo dos 0,05% registrados no segundo trimestre, diz a empresa. Nos últimos três meses de 2020, a porcentagem chegou a 0,08%.

O Facebook também divulgou a prevalência de discurso de ódio no Instagram, que foi de 0,02% no período. “Essa métrica representa a quantidade de conteúdo tóxico que realmente aparece na tela de alguém”, explicou Guy Rosen, vice-presidente de integridade da empresa, em conferência com jornalistas nesta terça. 

A novidade da edição deste trimestre foi a inclusão das categorias de bullying, assédio e violência no relatório. No terceiro trimestre, segundo a empresa, a prevalência de conteúdo de bullying e assédio ficou entre 0,14% e 0,15% no Facebook e entre 0,05% e 0,06% no Instagram.

“Removemos 9,2 milhões de conteúdos de bullying e assédio no Facebook, com uma taxa proativa de 59,4%. E removemos 7,8 milhões de peças de conteúdo de bullying e assédio no Instagram com uma taxa proativa de 83,2%”, disse Rosen, em postagem no blog da companhia. 

A categoria de violência e incitação também foi incluída no relatório. A empresa de Mark Zuckerberg afirma que a prevalência desse tipo de conteúdo ficou entre 0,04% e 0,05% no Facebook e em 0,02% no Instagram. 

Escrutínio

Desde setembro, os holofotes do mundo da tecnologia estão voltados às políticas de segurança do Facebook: vieram à tona pesquisas internas da empresa que revelam negligência da rede social com a proteção de usuários – documentos mostram que a empresa sabia de problemas em suas plataformas mas não tomou medidas suficientes para contê-los. 

As informações fazem parte dos Facebook Papers, um pacote de arquivos da empresa vazados para um consórcio internacional de veículos de imprensa, incluindo o Estadão. Os documentos foram fornecidos ao Congresso americano por Frances Haugen, ex-funcionária do Facebook que coletou pesquisas internas da rede social após pedir demissão em maio deste ano por discordar das atitudes da companhia. Nas últimas semanas, Frances tem repetido que a empresa de Mark Zuckerberg priorizou o crescimento em detrimento da segurança dos usuários

O Brasil é citado em documentos do Facebook Papers. Um dos arquivos ao qual o Estadão teve acesso mostra que o alcance de conteúdos tóxicos como discurso de ódio, desinformação, violência explícita e desencorajamento cívico no Facebook são “particularmente maiores no Brasil, comparado a outros aplicativos”. Em outro documento, há a informação de que o Facebook considera internamente o Brasil como um “país de risco” para a propagação de conteúdos tóxicos. Além disso, segundo pesquisa da empresa, conteúdos sobre política são a maior fonte de desinformação da rede social no País. 

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