Conheça o chip M1 da Apple que pode transformar a computação

Os chips M1 tornam os laptops tão poderosos quanto alguns dos desktops mais rápidos do mercado e muito eficientes em duração de bateria
Por Farhad Manjoo – The New York Times

Johny Srouji, vice-presidente tecnologias de hardware da Apple, apresentou os novos chips em evento em outubro

No mês passado, a Apple revelou novos computadores construídos com seus próprios processadores personalizados, o M1 Pro e M1 Max. As primeiras análises das novas máquinas da empresa foram tão arrebatadoras que achei que iria me decepcionar quando colocasse minhas mãos no aparelho. Mas, não fiquei decepcionado. Apenas, surpreso. Estou usando um novo MacBook Pro com o novo chip mais rápido da Apple, o M1 Max, por cerca de duas semanas, e não consigo me lembrar da última vez que um laptop me impressionou assim. Este computador ridiculamente rápido me fez pensar muito sobre o que está por vir.

Por décadas, a gigante fabricante de chips Intel reinou como uma das empresas mais tecnicamente avançadas do Vale do Silício. Foi Gordon Moore, o cofundador da Intel, que previu que os chips de computador continuariam se tornando cada vez mais poderosos e de forma inimaginável. E foram os produtos da Intel, especificamente a linha x86 de microprocessadores no coração de quase todos os computadores pessoais, que transformaram a profecia de Moore em uma “lei” que rege a tecnologia. A promessa de que a cada ano os novos chips da Intel seriam muito mais rápidos do que os antigos definiu o ritmo para os avanços em todo o segmento.

Mas em algum momento da última década, a Intel perdeu o rumo. Foi pega de surpresa por novas tendências – a crescente utilidade dos processadores gráficos, a adoção generalizada de dispositivos móveis – e cercada por uma série de embaraçosos atrasos operacionais. Ainda mais surpreendente do que a derrapagem da Intel foi a empresa que veio para sucedê-la como o precursor dos processadores. Em reunião com funcionários no início deste ano, Pat Gelsinger, o então novo executivo-chefe da Intel, estava relutante até em falar o nome do inimigo – de acordo com o The Oregonian, ele se referiu ao novo campeão de chips apenas como “uma empresa focada em estilo de vida em Cupertino”. A cidade de Cupertino, na Califórnia, é o lar da Apple.

Nos últimos anos, alguns profissionais da área de tecnologia temem que a Lei de Moore esteja perdendo força . Em algum ponto em breve, teorizavam os especialistas, os microchips começariam a atingir os limites físicos fundamentais que tornariam os futuros ganhos de desempenho extremamente desafiadores. E como os processadores são essencialmente os motores dos computadores, seu iminente limite implicava um eventual limite na utilidade da computação também.

Liguei para vários especialistas para perguntar o que a inovação da Apple nos diz sobre o futuro da computação. A resposta foi curta: ainda temos um longo caminho a percorrer antes de bater contra a parede.

Os chips M1 tornam os laptops tão poderosos quanto alguns dos desktops mais rápidos do mercado e tão eficientes que a duração da bateria supera a de qualquer outro laptop. Os chips pressagiam um futuro absolutamente saturado de poder de computação – com processadores extremamente poderosos não apenas em computadores e smartphones tradicionais, mas também em carros, drones, máquinas de realidade virtual e praticamente tudo que funcione com eletricidade.

Caminho

Como a Apple ganhou tanto com isso é uma interessante história técnica e de negócios. Em 2008, cerca de um ano após o lançamento do primeiro iPhone, a Apple comprou uma pequena startup de semicondutores para construir chips especializados para seus telefones. Por muitos anos, os chips da Intel foram feitos principalmente para máquinas fixas como servidores e computadores pessoais. Para atingir suas velocidades máximas, os processadores da Intel consumiam muita eletricidade e geravam muito calor. Mas os produtos mais importantes da Apple são aqueles móveis, alimentados por baterias, portanto, consumir muita energia não seria o ideal. Seus projetistas de chips tiveram que adotar uma abordagem totalmente diferente. Em vez de maximizar a potência bruta, a Apple pretendia construir chips otimizados em termos de potência e eficiência.

As maneiras técnicas pelas quais a Apple alcançou essa combinação soarão como um jargão típico de nerd para qualquer pessoa não familiarizada com as teorias sobre semicondutores. De modo geral, porém, os sistemas da Apple usam muitas unidades de processamento especializadas e são otimizados para executar mais operações “fora de serviço”, um termo técnico que basicamente significa que eles podem executar mais códigos simultaneamente.

O resultado é algo como a diferença entre um carro de alta potência e um Tesla. O carro potente atinge altas velocidades com um motor enorme e queima muita gasolina. O Tesla pode atingir velocidades ainda mais altas enquanto consome menos energia porque seu motor elétrico é inerentemente mais eficiente do que um motor a gasolina.

Por anos, a Intel estava fabricando “carros potentes”. A grande inovação da Apple foi construir o Tesla dos chips de computador.

A Apple também se beneficiou de enormes economias de escala. Como o iPhone é um dos produtos mais lucrativos já vendidos, a empresa poderia investir bilhões em uma operação de chip customizado – para então redefinir seus chips do iPhone para o iPad, a Apple TV e agora o Mac.

Os investimentos da Apple ajudaram a desencadear uma nova corrida no mercado de chips. A Intel está investindo US$ 20 bilhões em novas fábricas de chips e outros fabricantes de chips – Samsung e TSMC, que fazem processadores para a Apple – estão coletivamente investindo centenas de bilhões de dólares para aumentar a capacidade. Se pareço um pouco entusiasmado demais com relação aos microchips, é porque há anos não se veem muitas inovações técnicas revolucionárias no setor de tecnologia. O Facebook está arruinando as democracias, o Google continua sugando mais dinheiro dos anúncios e cada novo iPhone é cada vez melhor que o anterior.

Os processadores da Apple parecem genuinamente novos. Para o bem ou para o mal, eles irão melhorar drasticamente os recursos de nossos dispositivos nos próximos anos. Os telefones mais rápidos de hoje são mais poderosos do que os computadores de apenas alguns anos atrás.

Andrei Frumusanu, que cobriu os novos processadores da Apple para o site de notícias de tecnologia Anandtech, me disse que espera que a Apple seja capaz de manter ganhos semelhantes pelo menos durante a próxima década. E outras empresas de tecnologia vão investir pesadamente para alcançá-la. Depois de ver o que a Apple fez, Frumusanu disse, “está todo mundo pirando”. /TRADUÇÃO DE ANNA MARIA DALLE LUCHE

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