Rosie Huntington-Whiteley – Porter Edit 15th November 2021 By Nicole Maria Winkler 

SMILE: Rosie Huntington-Whiteley in Porter Edit 16th November 2021 by Nicole Maria Winkler

In Bloom   —   Porter Edit 15th November 2021   —   www.net-a-porter.com

Photography: Nicole Maria Winkler Model: Rosie Huntington-Whiteley Styling: Natasha Wray Hair: Christian Wood Make-Up: Naoko Scintu Set Design: Georgina Pragnell Art Direction: Phil Buckingham

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Identidade da Netflix dirigido por Rebecca Hall traz Tessa Thompson e Ruth Negga nos papéis principais

SÃO PAULO – Na Nova York da década de 1920, uma mulher negra de pele clara usa uma peruca loura para se passar por branca. Quando ela reencontra uma amiga de infância, negra como ela, questões de identidade racial vêm à tona.

Primeira incursão da atriz Rebecca Hall na direção, “Identidade”, filme exclusivo para a Netflix, traz Tessa Thompson e Ruth Negga nos papéis principais. A última está cotada ao próximo Oscar de atriz coadjuvante, pelo papel da impostora.

“Eu não sou racista. Eu não vejo cor”. Este argumento irônico costuma ser utilizado por pessoas pseudo progressistas para justificar o tratamento igualitário. Para se acabar com a discriminação, encerram-se simbolicamente as raças ou, parafraseando o Morgan Freeman de anos atrás, “quando pararmos de falar em racismo, ele desaparecerá”. Ambos os raciocínios pretendem excluir a noção de raça o que, na prática, significa excluir a noção de negritude, posto que os brancos continuam sendo brancos. Ora, pessoas negras, asiáticas, indígenas e tantas outras ocupam um espaço específico na sociedade, tendo uma cultura e um histórico particulares. A defesa de ignorar raças implica no apagamento não apenas do racismo estrutural, mas dos próprios negros, do histórico de escravidão, da desigualdade no mercado de trabalho, nas universidades, na política. Ao invés de se consertar o problema, ignora-se a vítima. Nenhuma sociedade evolui sem compreender as origens de sua relação contemporânea de forças. No caso do filme norte-americano, existe um motivo pelo qual a população negra fica restrita ao bairro do Harlem, enquanto os empresários brancos e ricos ocupam bairros “nobres”. É justamente esta “ordem natural das coisas” que Rebecca Hall pretende analisar em seu primeiro longa-metragem como diretora.

A premissa, baseada no livro da escritora Nella Larsen, diz respeito à “passabilidade”. Em que medida uma pessoa negra de pele clara pode se passar por branca? Que vantagens ela teria nesta “transição”, e o que isso diria a respeito de sua negritude? O conceito de passabilidade possui ramificações em diversas comunidades minoritárias, com homens gays se passando por heterossexuais; pessoas transexuais se passam por cisgênero e assim por diante. No caso, Irene (Tessa Thompson), moradora do Harlem e coordenadora de bailes negros, reencontra por acaso a amiga de infância Clare (Ruth Negga). Hoje, esta última porta um cabelo loiro, o rosto bastante maquiado, e se considera branca. Ela se casou com um homem branco que jamais suspeitou de suas origens e, juntos, defendem ideologias racistas. “Você poderia se passar também”, ela explica a Irene, na forma de elogio. O aspecto mais interessante da estrutura do roteiro se encontra no ponto de vista: o drama acompanha a situação pelo olhar daquela que se reconhece como negra, ao invés da outra travestida de branca. Irene fica horrorizada com este comportamento, mas também fascinada pelas atitudes da amiga e pela aplicação prática dessa farsa. Ela passa a rejeitar na outra o que não consegue admitir em si própria: a vontade de pertencer ao centro, ao invés da margem. 

Ruth Negga interpreta Clare (nome que, sem ambiguidade, tem o mesmo som de “claro”, em inglês) com a extravagância das divas problemáticas do cinema clássico. De voz grave e imponente, comportamento extrovertido e uma fragilidade passivo-agressiva, lembra uma prima próxima de Blanche Dubois de Uma Rua Chamada Pecado (1951), Martha de Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (1966) e Beatrice de O Preço da Solidão (1972). “Qualquer festa fica melhor com Clare”, Irene admite a contragosto. Em meio aos amigos, a negritude da convidada se converte em segredo. Isso provoca um desconforto, afinal, a raça e a etnia estão marcadas no corpo, na imagem. Esconde-se ser gay ou lésbica porque a orientação sexual não está inscrita no rosto das pessoas, mas corpos negros e trans são historicamente demarcados. A cor possui valor, possui história. Por isso, o segredo de Clare aproxima a trama do realismo fantástico – algumas pessoas nesta ficção de fato não enxergam cor, ou preferem não enxergar. É conveniente fechar os olhos à diversidade e pressupor que, exceto prova em contrário, todos os indivíduos sejam brancos, heterossexuais e cisgênero. Estes são os padrões em torno dos quais se criam as dissidências – a branquitude se converte em métrica de normalidade. Quanto mais distante do padrão branco, menor a passabilidade, e menor a admissão em meios privilegiados. 

Rebecca Hall faz escolhas firmes e controversas para ilustrar os Estados Unidos de cem anos atrás. A principal delas diz respeito ao uso do preto e branco contrastado, para acentuar as diferenças e clarear, pela fotografia, a pele de suas atrizes negras não retintas. Ora, é claro que o white face de Ruth Negga constitui uma ironia mordaz, e que o clareamento desempenha um papel crítico pelo discurso. No entanto, qualquer alteração voluntária da cor da pele perturba os sentidos dentro da ordem contemporânea de representação racial – ainda bem. Além disso, diversos dramas de temática racial optam pelo preto e branco para reduzir o mundo a estes dois tons e sublinhar a oposição entre polos. Trata-se de uma opção óbvia, literal até demais – a Netflix chega ao ponto de criar o subtítulo “Nada é preto e branco” para o cartaz dividido em duas faixas, preta e branca, onde Clare ocupa a metade clara, e Irene ocupa a metade escura. A dicotomia é acentuada de tal modo que beira o grotesco. Resta compreender de que maneira esta configuração é voluntária, ou seja, se a diretora pretende provocar o espectador pela explicitação do óbvio, ou se acredita estar propondo uma discussão inovadora e repleta de nuances. Esta seria a função política da caricatura: aprofundar traços visíveis por si mesmos, até atingir uma deformação ou monstruosidade do real. Ora, este drama deforma a raça ou o racismo?

As diferentes fascinações provocadas por Clare servem de motor narrativo ao filme que discute a percepção da negritude, mais do que a negritude em si. Brian (André Holland) sustenta um desejo erótico pela mulher; Hugh (Bill Camp) enxerga nela uma figura exótica e estrangeira; já o marido John (Alexander Skarsgard) encontra no casamento uma maneira perversa de expressar seu racismo de modo socialmente aceitável. A existência desta mulher serve para jogar luz à separação entre classes, gêneros, raças e bairros. Na compreensão dos amigos e vizinhos, ela não deveria transitar pelos espaços que ocupa enquanto mulher branca, razão pela qual transmite a aparência de perigosa, dissimulada, falsa. O fato de romper com padrões relembra, afinal, que os padrões existem: Clare é a exceção que confirma a regra, ou o pequeno elemento dissonante numa estrutura de segregação percebida como natural tanto pelo homem branco que detesta negros quanto pela protagonista negra de pele clara, que explora a empregada doméstica retinta e proíbe o tema dos linchamentos dentro de casa. Eles reproduzem padrões de comportamento herdados das gerações anteriores, até a chegada do elemento radical que escancara as fronteiras. “Ponha-se no seu lugar”, parecem dizer os olhares alheios, violentos e moralistas. 

Ao mesmo tempo, é sedutor ficar perto desta mulher para testemunhar o momento em que dará um passo em falso. A configuração racial de Clare constitui uma performance, espécie de ficção dentro da ficção, que instiga por se imaginar que, em algum momento, a atriz precisará tirar sua maquiagem e sair dos palcos. Ora, a mulher negra-branca será um espetáculo da primeira à última cena (em especial para espectadores capazes de compreender outros sentidos do verbo “to pass” em inglês). Rebecca Hall constrói uma obra amarga, com janela de imagem próxima do quadrado para isolar as pessoas do meio e sugerir a claustrofobia. Aos poucos, a profundidade de campo também se reduz, até o clímax na sacada, quando o mundo externo se transforma num borrão. A diretora procura obsessivamente as mãos de Irene, cada vez mais agressivas, além da rachadura no teto indicando um lar em vias de desmoronamento, e outros símbolos plantados com maior ou menor sutileza no percurso. Identidade incomoda profundamente, seja pelos bons ou maus motivos. Ao menos, o olhar da cineasta branca nunca condena moralmente Irene pelo comportamento agressivo, nem Clare pela decisão de se passar por branca. Critica-se uma estrutura perversa, obrigando indivíduos a buscarem soluções delirantes ou negacionistas à violência sistêmica. Neste sentido, a cena final constitui uma pérola deste olhar externo e crítico à apatia social, convertendo o forte acontecimento num misto de conto de horror e fábula natalina. [Bruno Carmelo]

Kenzo Drops Winter Capsule Collection

Para o inverno de 2021-22, KENZO  continua a celebrar uma de suas maiores inspirações, a vida selvagem, homenageando um animal muito querido: o urso polar.

Baseado em uma impressão de arquivo dos anos 90, o motivo do urso polar dá um toque legal e divertido ao original. Jaquetas, moletons, moletons, camisetas e acessórios compõem um guarda-roupa digno de um conto de inverno. Resistente “outerwear”, esta cápsula, que combina materiais técnicos e ultramacio mohair, é também enriquecida com motivos estilizados e ultracontemporâneos: closes de ursos polares em uma paleta de tons “árticos”, em branco neve ou cinza glacial.

Negligência e quebra de sigilo médico impedem acesso ao aborto legal em SP

Levantamento da Defensoria Pública do Estado de São Paulo mostra que mesmo em casos de estupro, mulheres que procuram a interrupção da gestação se deparam com a resistência de profissionais da saúde, julgamentos morais e exigências que não estão previstas em lei
HUMBERTO TOZZE

Há alguns anos, Giovana*, uma jovem moradora do estado de São Paulo, passou por momentos de tormenta quando precisou dar entrada num hospital sentindo muita dor e sangramento. Ela estava grávida de quatro meses. “Ali tive o nascimento prematuro do feto, que não sobreviveu. A médica que estava de plantão não fez nenhum exame em mim, não relou em mim. Quem cuidou de mim foram as enfermeiras.”

Após o parto, Giovana teve convulsão na maca. Apenas uma auxiliar de enfermagem ficou tomando conta dela. A hemorragia ainda não havia sido interrompida. Teve que ser levada em uma cadeira de rodas para o quarto. A sensação era de que iria desmaiar. As profissionais não pareciam dar atenção ao seu caso e logo ela descobriu o motivo. Já no quarto, foram 10 minutos até que os policiais entrassem e a acusassem de tentativa de aborto. “Foram ríspidos comigo, chegaram dizendo para eu confessar, que eles tinham provas, que na hora do parto as enfermeiras tinham colhido restos de placenta e que usariam aquilo como prova.”

Sua versão, no entanto, é outra. A gravidez era de risco, ela conta, precisou até mesmo ser afastada do trabalho pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), mas não teve chance de se defender. Diz que ali no quarto se sentiu num beco sem saída. “Falaram que era melhor eu confessar senão seria presa, fizeram várias ameaças. Disseram: ‘É bem melhor você confessar e pagar uma fiança do que ter que ir para um presídio e de lá ter que provar sua inocência’. Com tudo isso, acabei confessando e paguei a fiança.”

Mesmo fora do hospital e do risco de ser presa, percebeu que os apuros ainda não tinham acabado. O primeiro deles foi o descaso dos profissionais de saúde. “Não resolveram a hemorragia. Saí do hospital com muito sangramento e sem tomar medicação para cortar o leite. Tive febre e meu peito empedrou.”

Giovana ainda sofreu ameaças e foi perseguida na cidade em que morava. Sua filha também foi alvo de ataques. Em consequência disso, precisou se mudar duas vezes. Atualmente, ela conta com apoio da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, sentindo que foi injustiçada por ter sido alvo de um crime que não cometeu, mas principalmente por ter sido vítima da quebra de sigilo médico. O processo em sua defesa chegou ao Superior Tribunal de Justiça. E em outubro deste ano recebeu a notícia de que o Tribunal decidiu que o hospital deve indenizá-la.

A quebra do sigilo médico é apenas uma das dificuldades que as mulheres que precisaram acessar o aborto legal enfrentam quando procuram assistência médica, revela um estudo da Defensoria Pública do Estado de São Paulo. Encabeçado pelo Nudem (Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher), a publicação buscou examinar por que as mulheres estavam encontrando barreiras para acessar esse direito.

A análise se baseou em 35 casos atendidos pela defensoria entre 2020 e 2021. Desses, oito envolviam gravidez após estupro e oito de anencefalia fetal. Algumas traziam dificuldades de acessar serviços de referência ou informações sobre trâmites judiciais. Um outro caso implicava o risco de vida à gestante.

Em um momento de extrema fragilidade, elas se veem impedidas de acessar um direito garantido por lei há mais de 60 anos: o de interromper uma gestação desde que essa seja de um feto anencéfalo (má formação do sistema nervoso central), decorrente de estupro ou ofereça risco de vida à mulher. Em nenhuma das situações a mulher deve aguardar decisão judicial para realizar o procedimento, tampouco, carece de um boletim de ocorrência se for vítima de violência sexual.

À exemplo do caso de Giovana, salvo raras exceções, o profissional de saúde não pode expor a identidade da mulher, seja para autoridades judiciais ou policiais, ainda que seja verificada a tentativa de aborto pela paciente. “O profissional pode ser responsabilizado nas esferas administrativa, cível e penal. Além disso, estamos diante de uma prova ilícita, ou seja, tudo que for revelado pelo profissional não pode servir como base para condenar criminalmente as mulheres”, explica Paula Sant’Anna Machado de Souza, defensora pública e uma das coordenadoras do Nudem. Giovana, portanto, não poderia ter sido criminalizada. Ainda assim, a restrição não tem sido suficiente para conter tais condutas, afirma.

Entre os outros empecilhos observados estavam a ausência de informações objetivas sobre serviços especializados, sobrecarga de profissionais que atuam nos hospitais de referência, falta de preparo e sensibilidade dos profissionais envolvidos, inexistência de protocolos e políticas intermunicipais para atender as mulheres, falta de protocolos sobre como as mulheres devem ser acompanhadas após o procedimento e recusa médica por “objeção de consciência”. Houve ainda relatos de julgamentos morais e a prática de violência institucional por agentes profissionais quando o aborto era necessário por de gravidez fruto de um dos maiores temores de qualquer mulher: o estupro.

Mesmo após o estupro, o descaso…

No Brasil, o receio que as acompanha no dia a dia é motivado por índices assombrosos. Em 2020 mais de 60 mil mulheres foram estupradas no país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. No estado mais populoso, São Paulo, foram 8 mil casos até setembro deste ano, sendo que mais de 6 mil envolveram crianças menores de 14 anos. O estupro é um crime endêmico no país. Muitos dos empecilhos vinham de pacientes que precisavam abortar após serem vítimas de violência sexual.

Em 2020, foram registrados 1.024 procedimentos de aborto legal, segundo dados do DataSUS. Porém, foram identificadas 80.948 curetagens e aspirações para a limpeza do útero após aborto incompleto, cita o estudo. O Nudem calcula que ao menos 1.139 mulheres e 1.370 adolescentes entre 14 e 17 anos ficaram grávidas após serem estupradas, número muito acima da quantidade de abortos legais do DataSUS.

Além de sofrerem um crime hediondo, quando procuram assistência, seja pela porta da segurança pública ou por serviços de saúde, não é incomum que as denunciantes sejam revitimizadas diante do despreparo dos profissionais, especialmente quando o socorro envolve a palavra “aborto”.

Frases como “a mulher deve ir à delegacia primeiro para fazer o Boletim de Ocorrência” ou “não existe isso [aborto legal] aqui nessa cidade!” ou então a máxima “antes da gente encaminhar, as mulheres precisam trazer o Boletim de Ocorrência, mas de todo jeito elas sempre são inseridas no (programa de) pré-natal, para primeiro escutar o coraçãozinho do bebê, ver o sexo e tudo mais. Se mesmo assim ela ainda quiser, aí vemos” , além de falsas, segundo a Defensoria Pública, são algumas que foram dadas por profissionais de saúde a mulheres que procuraram o pronto atendimento.

“[Os casos analisados] são de mulheres que conseguiram algum tipo de informação e entendem que esse é um direito, e aí elas vêm até nós. Então tentamos pensar pelo caminho inverso: por que essas mulheres não conseguem acessar esse direito e por que chegam até a defensoria trazendo relatos de tanta dificuldade?”, indaga Paula.

Um dos recursos para mapear as dificuldades foi ligar para os hospitais do estado, onde há serviços especializados, e entender como se dava o acesso às informações. O Nudem é composto por uma equipe multidisciplinar. Além das defensoras, integram uma psicóloga e uma assistente social. Foram elas que consultaram os serviços.

E mesmo após se apresentarem como servidoras da defensoria, foram inseridas num longo labirinto. Por vezes, a recepção administrativa não entendia o que estava sendo demandado, transferiram para diferentes ramais, indicavam novos contatos ou a ligação era abruptamente desligada após escutarem a palavra “aborto”. Adotaram então uma nova estratégia: ao invés do temido termo utilizaram expressões como “acesso à profilaxia” ou “contracepção de emergência após violência sexual”. “Ah, você está falando dos casos delicados?”, ouviram em resposta.

“É preocupante e entendemos o quão grave [é a situação] porque essa é uma informação que deve ser disseminada, é um dever do Governo de São Paulo. E verificamos também que muitas mulheres encontram barreiras já no balcão de atendimento”, conta Paula.

A defensora afirma que além de mulheres que buscam apoio jurídico para acessar o direito, a defensoria é procurada também por agentes de saúde que não sabem quais são os limites legais para realizar o aborto. “Precisamos nos atentar que a primeira pessoa que vai receber essa mulher, que está numa situação grave, deve estar informada para saber o que é uma violência sexual e que não há requisito para acessar o serviço, e também sobre o tipo de pergunta que deve ser feita para não revitimizá-la.”

Juliana Giordano Sandler, médica ginecologista e integrante da Rede Feminista de Ginecologistas e Obstetras, ressalta a importância do apoio emergencial para a vítima de estupro. “O atendimento prioritário é em até 72 horas, mas quanto antes melhor. Isso tem dois motivos. Primeiro para a prevenção de ISTs, com o uso de profilaxia, contra o HIV, o antibiótico para terapia para sífilis, clamídia e gonorreia. E a prevenção de uma gestação indesejada com uso da pílula do dia seguinte ou com o DIU de cobre, que é o método mais eficaz, que pode ser colocado em até cinco dias após o ato.”

Ela reforça que a autonomia da paciente deve ser respeitada a todo momento. “Lembrando que coleta de DNA ou avaliação por médico legista depende da menina ou da mulher querer fazer a denúncia. Ninguém pode ser obrigada a denunciar. O atendimento de saúde não é vinculado à denúncia ou ao boletim de ocorrência. Isso, inclusive, afasta as mulheres de conseguirem esse serviço. Então a equipe de saúde deve ser multidisciplinar e esse primeiro momento deve ser de acolhimento.”

Direitos a serem observados

O relatório do Nudem mostra ainda que mesmo quando há negativa do hospital, foi constatada falta de solidariedade com a vítima. E nem mesmo houve encaminhamento para outros serviços, como assistência social ou psicológica, para ajudá-la a lidar com o trauma de forma qualificada. “Nós já recebemos ligação da mulher na frente do serviço de referência, chorando, dizendo ‘a médica disse que eu não podia fazer e que é para eu ir embora’.”

Outro ponto de confusão diz respeito ao prazo para que interrupção gestacional aconteça. Segundo a defensoria, não há um tempo estipulado pelo Código Penal, no entanto, é comum que a intervenção seja limitada até a 12ª semana.

Nas situações em que a vítima reside em municípios onde não há auxílio especializado, verificou-se a falta de fluxo para que ela possa acessar hospitais ou clínicas referências. “Em cidades que estão mais distantes dos serviços de referência elas muitas vezes não contam com políticas do município ou do estado para garantir transporte ou mesmo estadia. Às vezes a mulher precisa voltar mais de uma vez para realizar o acompanhamento. Entendemos que só é possível garantir o direito à saúde se ela conseguir chegar. O direito à saúde pressupõe uma política bem arquitetada e que funcione em rede.”

Das mulheres atendidas pelo Nudem, todas tiveram que arcar com os custos do deslocamento entre municípios.

Ao invés de serem cuidadas, as pacientes também se deparam com informações incorretas ou um atendimento que não é ágil o suficiente. Muitas penam sozinhas em busca de orientações, o que acaba resultando numa gestação que ultrapassa as 22 semanas. No limite, isso significa que muitas irão em busca de métodos alternativos e inseguros, que podem levá-las ao óbito, conclui o relatório. O aborto inseguro é a quarta causa de morte materna no Brasil, lembra Paula, que vitimiza principalmente as mulheres negras.

Embora muitos dos casos envolvam vítimas de violência sexual, Paula afirma que a Defensoria também se deparou com circunstâncias em que após diagnosticada a anencefalia do feto, o hospital se negou a realizar a interrupção da gestação. Nessas situações, a gestante precisa de um laudo médico e as instituições que realizam o procedimento em casos de anencefalia são ainda mais reduzidas, conta.

E explica que o médico pode se recusar a fazer o procedimento por “objeção de consciência”, ou seja, ele não deve ser obrigado a fazer algo que possa ferir seus valores morais. A prerrogativa, entretanto, não se aplica ao hospital. Caso o primeiro profissional se recuse a realizar o aborto, outro deverá ser posto prontamente à disposição. E o argumento não vale em casos de urgência ou que possam colocar a vida da paciente em risco.

Apesar das más condutas, o estudo exalta profissionais e agentes que atuam conforme às garantias previstas em leis. Entre as recomendações do estudo, estão a articulação entre políticas estaduais e municipais que provenham um atendimento humanizado, célere e integral para essas mulheres e que as acompanhe do primeiro momento até após o procedimento – cuidando tanto de saúde física quanto mental. De modo que se sintam seguras e possam confiar nos profissionais que irão encontrar pelo caminho e sejam bem informadas, inclusive sobre a possibilidade de entregarem a criança para adoção, caso venham continuar a gestação. E que seja assegurado o direito de ser acompanhada por todo o processo.

Paula esclarece que o Ministério da Saúde possui normas técnicas sobre o atendimento da mulher que precisar interromper a gestação. “É muito importante que as mulheres saibam o que o Ministério da Saúde estabelece. Ele fala que tem que ser um atendimento humanizado, que sigilo deve ser preservado, que não podem ser compartilhadas informações [da paciente] com ninguém, nem mesmo com a polícia,que o atendimento deve ser emergencial, e que devem evitar perguntas constrangedoras.” O desrespeito a essas garantias são violações de direitos humanos das mulheres, ressalta o estudo.

Posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde

Marie Claire contatou a Secretaria de Estado da Saúde, questionando se a pasta tem conhecimento das adversidades com as quais as pacientes se depararam e como fazem o acompanhamento para garantir que seus direitos não sejam violados. Em resposta, a Secretaria informou os serviços disponíveis, mas não respondeu como atua para monitorar eventuais casos de desrespeito à lei.  “A Secretaria de Estado da Saúde repudia qualquer atitude contrária e que fira a dignidade das mulheres atendidas na rede pública de saúde. A pasta trabalha constantemente para aprimorar o atendimento a vítimas de violência sexual nas unidades estaduais, tendo como norte a Linha de Cuidados às pessoas vítimas de violência, desenvolvida juntamente com o Ministério Público Federal, Defensoria Pública e serviços de referência. O objetivo é alinhar procedimentos e aprimorar a assistência.”

*Nome fictício e outras informações omitidas para resguardar a identidade da personagem.

Emily Ratajkowski Talks Sexuality, Feminism And ‘Blurred Lines’ | British Vogue

Supermodel, actor and now author Emily Ratajkowski knows that everyone who picks up a copy of her book will have preconceptions about who she is. With My Body, she hopes to “shatter them”. The collection of essays is EmRata’s attempt to explore whether a woman’s decision to capitalise on her own image really amounts to being in control. In this episode of ‘In Conversation’, she tells Vogue’s Liana Satenstein, the considerable platform she now enjoys is a direct result of her modelling career. “And more specifically in my case, really sexualising myself and letting others sexualise me,” she adds. “For a very long time I felt like being a hustler and knowing how to work the system as a woman was feminism, and that it was my choice, and it’s just more complicated than that.” Watch the video to hear their conversation in full.

A supermodelo, atriz e agora autora Emily Ratajkowski sabe que todo mundo que pegar uma cópia de seu livro terá preconceitos sobre quem ela é. Com o Meu Corpo, ela espera “despedaçá-los”. A coleção de ensaios é a tentativa da EmRata de explorar se a decisão de uma mulher de capitalizar sua própria imagem realmente significa estar no controle. Neste episódio de ‘In Conversation’, ela conta a Liana Satenstein da Vogue, a plataforma considerável de que ela agora desfruta é um resultado direto de sua carreira de modelo. “E mais especificamente no meu caso, sexualizar-me realmente e deixar que os outros me sexualizem”, acrescenta ela. “Por muito tempo eu me senti uma prostituta e saber como trabalhar o sistema como uma mulher era feminismo, e foi minha escolha, e é apenas mais complicado do que isso.” Assista ao vídeo para ouvir a conversa na íntegra.

Jack Wolfskin x GmbH

Uma colaboração entre o pioneiro de atividades ao ar livre Jack Wolfskin e a marca de moda de Berlim GmbH, pode não parecer à primeira vista a combinação mais óbvia, mas ambas as marcas compartilham alguns valores fundamentais em seu núcleo: sustentabilidade e herança. Jack Wolfskin está celebrando seu 40º aniversário com uma expedição ao futuro da moda. A coleção cápsula faz todo o sentido, pois ambas as marcas amplificam as qualidades mais fortes uma da outra.

Embora Jack Wolfskin tenha trabalhado seriamente em prol da sustentabilidade desde o início, GmbH também defendeu a responsabilidade ambiental desde sua primeira coleção, que foi feita inteiramente de materiais reciclados.

As nuances das semelhanças que conectam as marcas ficam perfeitamente claras no padrão abstrato que ganha destaque na coleção, tanto como bordados acolchoados quanto estampas. Adornado com a pata de Jack Wolfskin e o logotipo da guilda da GmbH, é um símbolo da colaboração como um todo.

A coleção Jack Wolfskin x GmbH consiste em um parka, uma jaqueta bomber, um suéter de tricô e uma camiseta com um emblema de lobo reinterpretado, um conjunto de sherpa em duas cores, um conjunto bordado de camisa e calças com elementos destacáveis, uma camiseta funcional , uma mochila, lenços e uma barraca. A cápsula está disponível em gmbhgmbh.eu e em lojas selecionadas.

Aplicativo do Amazon Prime Video chega ao macOS

Demorou, mas chegou! Hoje, a Amazon finalmente liberou um aplicativo dedicado do Amazon Prime Video para macOS.

O app inclui todo o catálogo de filmes e séries disponíveis em sua região para streaming, além de permitir o aluguel e a venda de alguns deles — é possível fazer a compra com cartões armazenados no app, inclusive —, bem como suporte ao AirPlay e a Picture-in-Picture (PiP).

Aparentemente, o app foi desenvolvido usando o projeto Catalyst da Apple, e pode ser baixado tanto em Macs com Intel quanto com Apple Silicon diretamente pela Mac App Store — basta estar rodando o macOS Big Sur 11.4 ou superior.

Essa é uma ótima notícia para os fãs de filmes e séries do Amazon Prime Video que não precisarão mais assistir a eles pela navegador. Agora só falta você, dona Netflix! [MacMagazine]

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa ganha novo cartaz com Doutor Estranho

Novo trailer do 3º filme será lançado amanhã, dia 16
JULIA SABBAGA

Marvel Studios/Divulgação

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa ganhou um novo cartaz, em aquecimento para o lançamento do trailer que acontecerá na próxima terça-feira, 16 de novembro, a partir das 22h (no horário de Brasília). A imagem agora traz o Doutor Estranho ao lado de Peter Parker, ainda com o Duende Verde ao fundo. 

A Marvel e a Sony vão estrear a nova prévia em um evento especial presencial no Regal Sherman Oaks, em Los Angeles, com convites distribuídos apenas para alguns fãs e repórteres.

Além da primeira exibição do trailer, o convite promete mais algumas “grandes surpresas” para aqueles que comparecerem ao evento presencial.

Segundo Tom Holland, o novo filme foi pensado como um “fim” para a narrativa do seu Peter Parker, que começou em Capitão América: Guerra Civil, de 2016.

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa contará com o retorno de vários antigos astros da franquia: de Jamie Foxx, de O Espetacular Homem-Aranha 2, novamente no papel do vilão Electroa Alfred Molina, de Homem-Aranha 2, como o Doutor Octopus.

A estreia do longa marcada para 16 de dezembro nos cinemas brasileiros.por taboolaLinks promovidosVocê pode gostar

Kendall Jenner – Vogue Germany December 2021 Cover

Vogue Germany December 2021 Cover
Source: vogue.de
Published: December 2021

All people in this magazine cover:

Dan Martensen – Photographer
Max Ortega – Fashion Editor/Stylist
Marki Shkreli – Hair Stylist
Benjamin Puckey – Makeup Artist
Kendall Jenner – Model