CNN demite âncora Chris Cuomo após revelações sobre envolvimento com a defesa de irmão acusado de assédio sexual

O ex-governador de Nova York Andrew Cuomo deixou o cargo em agosto depois de ter sido acusado de assédio por 11 mulheres.

Chris Cuomo, jornalista da CNN dos EUA — Foto: Divulgação / CNN

A CNN anunciou neste sábado (4) a demissão do âncora de TV Chris Cuomo após documentos revelados durante uma investigação terem mostrado os seus esforços para ajudar o seu irmão, o ex-governador de Nova York Andrew Cuomo, a lidar com acusações de assédio sexual.

Andrew Cuomo deixou o cargo em agosto depois de ter sido acusado de assédio por 11 mulheres. Na ocasião, ele negou qualquer transgressão.

Cuomo, que apresentava um programa de notícias no horário nobre da CNN, foi suspenso na terça-feira. Ele admitiu, em maio, que violou algumas das regras da rede de notícias ao aconselhar seu irmão sobre como lidar com as alegações do ponto de vista das relações públicas.

“Chris Cuomo foi suspenso no início desta semana enquanto se espera uma avaliação mais profunda de novas informações que vieram à tona sobre seu envolvimento com a defesa de seu irmão”, disse a CNN, em comunicado.

“Contratamos um respeitado escritório de advocacia para conduzir a revisão e o demitimos, com efeito imediato”, acrescentou. A rede não forneceu detalhes sobre as novas informações, destacou a Reuters.

Em comunicado no Twitter, Cuomo, 51, disse estar decepcionado. “Não é assim que quero que meu tempo na CNN termine, mas já disse por que e como ajudei meu irmão”, disse ele.

No jornalismo, é considerado uma violação da ética usar a posição de alguém para defender uma causa pessoal ou conduzir investigações por motivos pessoais.

Cuomo foi inicialmente suspenso depois que a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, mostrou textos e outras mensagens nas quais ele buscava usar suas próprias fontes nos meios de comunicação para obter informações sobre o caso e as mulheres envolvidas nele.

Uma ação criminal acusando Andrew Cuomo de contravenção sexual foi apresentada em 29 de outubro em um tribunal de Nova York.

Andrew Cuomo, que é democrata, ganhou fama nacional no ano passado durante o surto do Covid-19 por suas instruções sobre como Nova York estava lidando com o surto e, muitas vezes, aparecia no programa de seu irmão na época.

Gwyneth Paltrow, a Pepper Potts, não sabe da existência de Gavião Arqueiro

Atriz esteve em vários longas do MCU
CAIO COLETTI

Gwyneth Paltrow como Pepper Potts no MCU (Reprodução)

Gwyneth Paltrow esteve em vários filmes do Universo Cinematográfico Marvel, mas nem por isso sabe quais são as últimas novidades da franquia. No Instagram, ela respondeu uma pergunta sobre Gavião Arqueirosérie mais recente do MCU, de forma bem direta.

“Você já assistiu a série do Gavião Arqueiro?“, perguntou um fã. “Não, o que é isso?”, replicou a atriz.

A trama de Gavião Arqueiro acompanha Clint Barton (Jeremy Renner) ensinando a novata Kate Bishop (Hailee Steinfeld) a ser uma heroína sem superpoderes, assim como ele.

A série terá seis episódios, e será escrita e produzida por Jonathan Igla, de Mad Men. Esta será a quarta série em live-action do MCU no Disney+, já que o estúdio lançou neste ano WandaVisionFalcão e o Soldado Invernal e Loki.

Gavião Arqueiro tem novos episódios disponibilizados toda quarta-feira no Disney+.

Anja Rubik – The Financial Times HTSI December 4, 2021 Cover

The Financial Times HTSI December 4, 2021 Cover
Source: ft.com
Published: December 2021

All people in this magazine cover:

Nathaniel Goldberg – PhotographerIsabelle Kountoure – Fashion Editor/StylistStephane Lancien – Hair StylistTom Pecheux – Makeup ArtistDaniel von der Graf – Casting DirectorAnja Rubik – Model

LV Holiday 2021

LV Holiday 2021
Source: louisvuitton.com
Published: December 2021

In this picture: Blesnya Minher
Credits for this picture: Nadine Ijewere (Photographer), Elodie David Touboul (Fashion Editor/Stylist), Eugene Souleiman (Hair Stylist), Hiromi Ueda (Makeup Artist), Jabez Bartlett (Set Designer)

All people in this campaign:

Nadine Ijewere – Photographer Elodie David Touboul – Fashion Editor/Stylist Eugene Souleiman – Hair Stylist Hiromi Ueda – Makeup Artist Jabez Bartlett – Set Designer Stacy Martin – Actor Akon Changkou – Model Blesnya Minher – Model Ida Heiner – Model

In this picture: Stacy Martin
Credits for this picture: Nadine Ijewere (Photographer), Elodie David Touboul (Fashion Editor/Stylist), Eugene Souleiman (Hair Stylist), Hiromi Ueda (Makeup Artist), Jabez Bartlett (Set Designer)
In this picture: Stacy Martin
Credits for this picture: Nadine Ijewere (Photographer), Elodie David Touboul (Fashion Editor/Stylist), Eugene Souleiman (Hair Stylist), Hiromi Ueda (Makeup Artist), Jabez Bartlett (Set Designer)
In this picture: Akon Changkou
Credits for this picture: Nadine Ijewere (Photographer), Elodie David Touboul (Fashion Editor/Stylist), Eugene Souleiman (Hair Stylist), Hiromi Ueda (Makeup Artist), Jabez Bartlett (Set Designer)
In this picture: Akon ChangkouBlesnya MinherIda Heiner
Credits for this picture: Nadine Ijewere (Photographer), Elodie David Touboul (Fashion Editor/Stylist), Eugene Souleiman (Hair Stylist), Hiromi Ueda (Makeup Artist), Jabez Bartlett (Set Designer)

Nuria Gonzales | Spring Summer 2021 | Full Show

Nuria Gonzales | Spring Summer 2021 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – Gran Canaria Swim Week by Moda Cálida)

Martin Felix Kaczmarski – Daylight Motion/Closer Without You

Alice Walker, autora de ‘A cor púrpura’, fala hoje na Flip: ‘A luta contra o racismo inclui guerreiros de todas as cores’

Ela tem lançado no brasil seu primeiro livro de não ficção, um ensaio sobre o feminismo negro
Bolívar Torres

A escritora Alice Walker, uma das principais atrações da Flip 2021

RIO — Uma das principais atrações da 19ª Festa Literária Internacional de Paraty, que termina amanhã, a americana Alice Walker sempre refletiu, em suas obras, sobre o que é necessário para as mulheres vencerem os sistemas de opressão. A escritora, que participa hoje, às 18h, da mesa “Em busca do jardim”, com Conceição Evaristo, é famosa no Brasil — e no mundo — por seu romance “A cor púrpura”, vencedor do Prêmio Pulitzer em 1983 e adaptado para o cinema por Steven Spielberg em 1985. Por outro lado, sua faceta como pensadora feminista é menos conhecida por aqui. Tanto que o seu livro de ensaios “Em busca dos jardins de nossas mães”, lançado originalmente nos anos 1980 nos EUA, só agora ganhou uma edição brasileira. Este é, aliás, o seu primeiro título de não ficção publicado no país.

Os ensaios de “Em busca dos jardins de nossas mães” orbitam em terno dos principais temas da autora, como o feminismo, a luta contra o racismo e o resgate da cultura negra de seu país — o que inclui uma ampla digressão sobre como uma escritora afro-americana busca referências e modelos em um cânone literário dominado por homens brancos. Nas conversas das mulheres negras mais velhas, Walker buscou o termo “mulherismo”, hoje reivindicado pelo feminismo negro para expressar as particularidades de suas lutas. A expressão perpassa os textos do livro, ainda que seja pouco mencionada. Walker, que participará da mesa de forma virtual, conversou com O GLOBO por e-mail.

O mulherismo expressa um feminismo mais inclusivo, com intersecção de opressão de raça, classe e gênero. O que significa ser mulherista na América hoje, sabendo, por exemplo, que mais mulheres brancas votaram em Trump em 2020 do que em 2016?

O mulherismo vem de uma cultura negra específica, que tem como um de seus fundamentos 400 anos de escravidão nos Estados Unidos. É constituído pela cultura sul-americana e pelas experiências africanas e afro-americanas, durante e após a escravidão, no sul. É uma oferta para as pessoas de cor na América do Norte que, esperançosamente, as ajudará a ver a si mesmas com mais clareza e com Sabedorias, Atitudes e Atributos distintos do que o que está contido no rótulo “feminista”.

Ao impedir a reeleição de Donald Trump, as mulheres negras salvaram a democracia americana?

Na realidade, ela está longe de ter sido “salva”. Ou até mesmo de existir. Com tantos desabrigados na América e tanta disparidade no sistema de saúde, por exemplo, onde está a democracia que foi salva? Nosso sistema de governo, como o seu, no Brasil, está mudando. O fato de tantas mulheres brancas terem votado em uma pessoa claramente sexista como Trump para presidente é lamentável e foi um erro de julgamento pelo qual os americanos continuarão a sofrer.

A quarta onda feminista, iniciada na década passada, trouxe uma maior interseccionalidade na luta pelos direitos das mulheres?

Acredito que sim. Esta é uma das maravilhas do ativismo: podemos realmente observar e participar do espaço ampliado que o próprio ativismo cria.

Diversos estados americanos introduziram uma legislação visando limitar a discussão sobre racismo nas escolas públicas. Após Obama e Trump, os EUA estão mais ou menos dispostos a discutir seu problema racial?

Muitos americanos se dedicam a ajudar nosso país a obter saúde racial. Isso sempre foi verdade. John Brown, um homem branco, junto com seus filhos, foi um dos primeiros americanos a pegar em armas para derrubar o sistema de escravidão. É uma luta profunda, magnífica, que dura centenas de anos e inclui guerreiros de todas as cores: preto, branco, vermelho e amarelo (incluo aqui os chineses que foram trabalhadores por muitas décadas nos estados ocidentais , especialmente).

Em um dos ensaios do livro, a senhora conclui que, devido a falta de modelos na literatura padrão, uma autora negra deve trabalhar em dobro. Isto é, ser modelo para si mesma e para as outras que lhe seguem. Que tipo de modelo você acredita ter se tornado?

Um modelo de honestidade.

A senhora já disse que o púrpuro de “A cor púrpura” é um símbolo das maravilhas que deixamos passar batido. É uma cor que está em todo lugar, mas que se torna rara porque não sabemos vê-la. O que é púrpuro no mundo de hoje? Que maravilhas estamos ignorando?

Muito provavelmente o por do sol.

A senhora mora no campo e já escreveu sobre as possibilidades meditativas da contemplação da natureza. A Flip tem as plantas, a floresta e os saberes indígenas como um de seus principais temas este ano. Pretende abordar o assunto em sua conversa com a escritora Conceição Evaristo?

Não tenho planos sobre o que vou conversar. Como a Natureza, prefiro me apresentar com frescor. Posso dizer, entretanto, que valorizo profundamente a sabedoria que recebi de professores indígenas na Amazônia e em outros lugares. Considero os medicamentos vegetais de enorme admiração e valor para a evolução humana e fiquei espantada, surpresa e maravilhada, a ponto de ficar sem palavras, com algumas das minhas próprias experiências com eles.

‘Escritório inteligente’ ganha espaço, mas mistura de vida pessoal e trabalho preocupa

Especialistas apontam que, com mais dispositivos em casa, compartilhamento de dados e vulnerabilidades podem afetar o negócio das empresas, que ficam mais expostas
Por Danielle Abril – The Washington Post

Alexa é o dispositivo de inteligência artificial da Amazon

Dispositivos domésticos inteligentes chegaram às nossas salas de estar e quartos em todo o mundo para nos ajudar a desligar as luzes e a trancar as portas remotamente. Agora esses produtos estão conquistando um novo território: nossos escritórios em casa.

Grandes empresas de tecnologia, incluindo AmazonMeta (empresa-mãe do Facebook) e Google, estão expandindo os aplicativos de trabalho para a casa inteligente, controlada por um grupo de dispositivos conectados que podem ser acessados remotamente.

A pandemia do novo coronavírus confundiu os limites entre a vida doméstica e profissional das pessoas. Como resultado, alguns trabalhadores estão pedindo à Alexa ou ao assistente do Google para agendar reuniões virtuais, buscar metas de faturamento ou lembrá-los sobre eventos importantes em seus calendários de trabalho. E, embora todos esses recursos de produtividade no trabalho possam adicionar conveniência ao trabalho em casa, os especialistas dizem que também estão levantando questões de segurança e privacidade que podem custar aos funcionários e às suas empresas se não forem gerenciadas de maneira adequada.

“As linhas ficaram todas borradas durante a pandemia. Tudo está se transformando em telas ”, disse Mark Queiroz, vice-presidente e gerente geral de marketing de produto da divisão de monitores da Samsung.

Dispositivos domésticos inteligentes, como a caixa de som Echo ou a linha Nest de termostatos inteligentes, alarmes de fumaça e campainhas, são agora considerados uma tecnologia convencional, de acordo com uma pesquisa da empresa de pesquisa de mercado International Data. E os consumidores também estão se animando com a ideia de usar seus dispositivos domésticos inteligentes para fins de trabalho: quase 50% das cerca de 1,7 mil pessoas entrevistadas que trabalham e possuem um dispositivo doméstico inteligente disseram que estariam dispostas a usar os dispositivos para o trabalho para fins como chamadas de videoconferência ou para recuperar os números de vendas mais recentes do software relacionado ao trabalho conectado.

“Em breve, cada pessoa poderá ter 10 dispositivos vinculados a ela”, disse Mark Ostrowski, chefe de engenharia da empresa de segurança cibernética Check Point Software. “Dez dispositivos por pessoa vezes uma casa de quatro – são 40 dispositivos para entrada”, disse ele, referindo-se aos pontos de entrada que poderiam ser alvos de hackers.

Mesmo assim, as grandes empresas de tecnologia esperam aproveitar a oportunidade.

Os funcionários que usam o Alexa, o assistente virtual da Amazon, podem participar de reuniões do Zoom com um simples comando de voz no smart display da Amazon chamado Echo Show. Com os mesmos dispositivos habilitados para o Alexa, eles também podem ser lembrados em um momento específico sobre detalhes em suas listas de tarefas ou compromissos do dia, ouvir música específica e ler seus e-mails em voz alta para os quais possam responder verbalmente.

A Amazon tem cortejado clientes corporativos com a Alexa for Business, que ajuda as empresas a implantar e gerenciar dispositivos habilitados para Alexa, desde 2017. Embora tenha conquistado clientes como a General Electric, o grupo de mídia Condé Nast e o sistema de saúde sem fins lucrativos Hawaii Pacific Heath, a empresa lista apenas um pouco mais de uma dúzia de clientes corporativos. E, em 2018, o WeWork supostamente interrompeu seu piloto do Alexa for Business, embora a empresa não tenha especificado o motivo para isso.

Mas os dispositivos habilitados para a Alexa têm um histórico de gravações sigilosas de conversas. Às vezes, o dispositivo é ativado depois de ouvir o próprio nome, ou algo que soa como seu nome, mesmo quando seus usuários nunca tiveram a intenção de ativá-lo. Essas conversas – que no atual ambiente de trabalho remoto podem muito bem estar relacionadas ao trabalho – têm o potencial de serem ouvidas por indivíduos que trabalham para melhorar o reconhecimento de voz do Alexa se as pessoas que usam seus dispositivos pessoais habilitados não optarem por sair dos processos.

Para clientes empresariais, a Amazon disse que todas as interações com a Alexa são anônimas e não vinculadas a nenhum usuário individual. E que, por padrão, as gravações de voz não são salvas.

“Nós definitivamente vemos a Alexa desempenhando um papel maior no trabalho no futuro. Os clientes nos contam como Alexa não apenas os ajuda a fazer mais ao longo do dia, ajudando-os a trabalhar de forma mais inteligente, produtiva e segura”, disse Liron Torres, chefe da Alexa Smart Properties, na Amazon.

O Google, que também permite que usuários optem pela revisão humana e salvamento de gravações, tem uma história semelhante com dispositivos equipados com o assistente ativado por voz. O Google também é conhecido por explorar as atividades online dos usuários para lhes oferecer melhores anúncios.

Semelhante à Amazon, o Google visa a equipar os trabalhadores com ferramentas de produtividade que podem ajudar no trabalho. Por exemplo, os usuários agora podem criar rotinas do dia de trabalho que os lembram automaticamente sobre os compromissos anotados em suas agendas, bem como quando deveriam fazer uma pausa ou tomar um copo d’água. Esse recurso foi lançado durante a pandemia.

Antes da pandemia, os trabalhadores já podiam usar o assistente do Google para ações como criar listas de tarefas e itens de calendário, armazenar lembretes e entrar automaticamente em videochamadas no display inteligente da empresa chamado Nest Hub Max, que começou a dar suporte ao Zoom no final do ano passado.

Facebook quer entrar no ‘escritório inteligente’…

O Facebook também quer participar da ação no mundo do trabalho, mas também teve seus próprios problemas de privacidade.

A empresa, que recentemente mudou seu nome corporativo para Meta, disse no início da pandemia que redefiniu suas prioridades para o Portal. O dispositivo, alimentado por seu próprio assistente virtual – chamado de Assistente do Facebook – e a Alexa, lembra um tablet e possui um alto-falante inteligente e uma câmera que segue as pessoas pela sala enquanto elas conversam.

“Tivemos vários usuários que viram que seu dia de trabalho consistia em entrar e sair de diferentes serviços de vídeo”, disse Micah Collins, diretor de gerenciamento de produto da Meta. “Vimos reais pontos problemáticos de muitos usuários do Portal e nos concentramos nisso”.

Os usuários do Portal agora podem usar seus dispositivos para fazer chamadas de vídeo em serviços como BlueJeans, GoToMeeting, Webex e Zoom. Também conseguem integrar suas agendas de trabalho a partir de serviços como do Google e da Microsoft. E as empresas também podem implementar e gerenciar um grupo de dispositivos para seus funcionários por meio de contas especiais de trabalho.

Mas, em 2019, o Facebook foi punido com uma multa histórica de US$ 5 bilhões da Federal Trade Commission (FTC) por violar a privacidade dos consumidores. A FTC investigou a empresa depois que o gigante das redes sociais deixou até 87 milhões de dados de usuários vulneráveis à empresa de análise de dados Cambridge Analytica antes da eleição presidencial de 2016 nos EUA. Desde então, a empresa vem sendo grandemente penalizada por maciças violações a dados de usuários e está sendo atentamente examinada pela quantidade de dados coletados dos usuários.

… assim como a Samsung

Enquanto isso, a gigante de eletrônicos de consumo, Samsung, espera obter mais monitores conectados que façam tudo em um dispositivo independente. Assim, os funcionários podem usar um software como o Microsoft 365, complementar suas telas de laptop e desktop e assistir a entretenimento por streaming também. Isso significa adicionar mais telas nas casas de mais funcionários. Mais telas significam mais conexões e mais riscos, dizem os especialistas em segurança.

Eles dizem que os consumidores devem ter cuidado ao misturar seus dados e dispositivos pessoais e profissionais. Os trabalhadores podem estar criando novas oportunidades para que os criminosos roubem informações confidenciais da empresa, mesmo que pareçam estar bem protegidas por um software de segurança.

Michael Siegel, diretor de segurança cibernética do MIT Sloan, disse que poderia ser tão simples quanto alguém invadir o termostato inteligente ou alarme de fumaça da casa de uma pessoa, por exemplo. Nesse caso, tudo o que eles precisam fazer é aumentar a temperatura da casa ou disparar o alarme de fumaça na tentativa de fazer com que você desligue o alarme de fumaça para que eles roubem sua casa.

“Quanto mais estivermos conectados ao nosso escritório, mais expostos estaremos às atividades da mal-intencionadas da engenharia social”, disse ele. “Todas essas coisas podem fazer com que você baixe a guarda.”

Além de roubar fisicamente um dispositivo – e todos os seus dados – os criminosos também terão mais maneiras de obter dados corporativos confidenciais à medida que as pessoas aumentam  o número de dispositivos que se conectam a elas, dizem os especialistas.

Ari Lightman, professor de mídia digital e marketing da Faculdade Heinz de Sistemas de Informação e Políticas Públicas da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, Pensilvânia diz: “Se houver um mecanismo a ser explorado, os bandidos tentarão fazê-lo”.

Problemas de privacidade

Mas os trabalhadores podem não apenas estar aumentando sua exposição a hackers, como também potencialmente a seus empregadores. Adam Wright, analista sênior da empresa de segurança e tecnologia da informação IDC, disse que os dispositivos domésticos inteligentes como o Portal, do Facebook, deveriam ser considerados como laptops fornecidos pela empresa, facilmente ser monitorados pelos empregadores. Aos funcionários do Facebook, por exemplo, foram oferecidos dispositivos gratuitos do Portal após o início da pandemia para ajudar nas reuniões virtuais. Mas os dispositivos deveriam ser manuseados com cautela, sugeriu Wright.

“Empregadores têm todas as habilidades para monitorar seus funcionários com seus dispositivos”, disse Wright. “Seria incrivelmente ingênuo supor que o mesmo tipo de práticas de monitoramento de funcionários usadas em dispositivos tradicionais, como laptops e smartphones, não fosse ser usado em outros dispositivos fornecidos pelo empregador, como monitores inteligentes e alto-falantes inteligentes”.

Trabalhadores que estão usando seus dispositivos domésticos inteligentes para o trabalho deveriam fazer algumas coisas, disse Pardis Emami-Naeini, pesquisadora do Laboratório de Pesquisa de Segurança e Privacidade da Universidade de Washington. Primeiro, eles precisam se familiarizar com a privacidade e a segurança de seus dispositivos inteligentes de casa para entender o que podem precisar fazer para proteger seus dados e os de sua empresa da melhor maneira possível. Essas pessoas também deveriam atualizar o dispositivo regularmente, se este não for atualizado automaticamente, para evitar vulnerabilidades de segurança adicionais, assim como fariam com seus smartphones.

“Agora que o propósito (do dispositivo) é diferente, eles não deveriam presumir que as práticas normais de seu comportamento diário vão funcionar”, disse Emami-Naeini. “O objetivo é diferente e os dados que eles compartilham são mais confidenciais.”

Mark Ostrowski, da Check Point, empresa de segurança na internet, disse que a responsabilidade não recai apenas sobre o trabalhador, mas também sobre o empregador, que deve fazer de tudo para proteger seus dados e rede, mesmo que o dispositivo pessoal de uma pessoa seja comprometido.

“Tem menos sobre o que fazer para proteger ou perseguir 10 mil funcionários para se assegurar de que a própria higiene digital está boa. Tem mais a ver sobre como se pode ter certeza de que quando eles vierem para o ambiente corporativo, eles não tenham a chance de trazer uma pegada mal-intencionada junto com eles ”, disse.

Janneke van Ooyen, gerente de comunidade de uma empresa de gaming em Barcelona, que recentemente equipou sua casa com oito luzes inteligentes, uma barra de som inteligente e um Amazon Echo Dot, disse que ainda não está segura para usar esses dispositivos para fins de trabalho.

“Como os dados são muito confidenciais e não se sabe onde ficam armazenados – essa  seria minha maior preocupação para não” usá-los, disse ela. “Trabalhamos com muitos licenciadores, então, se algo vazasse, seria muito ruim”. / TRADUÇÃO DE ANNA MARIA DALLE LUCHE.

O adeus a Abloh, um visionário do design que soube criar seu próprio destino

O designer americano que morreu nesta semana impactou o mundo com seu trabalho disruptivo no universo fashion
Alice Ferraz

Abloh, diretor artístico da linha masculina da Louis Vuitton e fundador da disruptiva marca de luxo Off-White  Foto: AP Photo/Thibault Camus

Semana de perda para o mundo da moda mundial. Virgil Abloh, diretor artístico da linha masculina da Louis Vuitton e fundador da disruptiva marca de luxo Off-White, morreu de câncer aos 41 anos. “Gênio criativo, visionário e um dos melhores comunicadores culturais da atualidade” foram as palavras que Michael Burke, presidente e CEO da Louis Vuitton, uma das marcas de luxo mais valiosas do mundo, usou para descrever Abloh, que ocupava o cargo havia três anos. 

Unanimidade entre seus pares no extremamente competitivo mundo da moda, Abloh foi reconhecido por ter aberto um novo espaço para o streetwear no tradicional circuito europeu das grifes de luxo. Sua antena para conectar e comunicar a cultura pop através de seu trabalho na moda foi a base que pavimentou uma trajetória de sucesso. PUBLICIDADE

O estilista nasceu em Rockford, subúrbio de Chicago. Filho de imigrantes ganeses, cursou engenharia pela vontade do pai, mas tinha a moda, o hip-hop, a estética do skate e o grafite como seus assuntos de interesse. Em um vídeo recente, Abloh fala sobre “a habilidade de criar seu próprio destino”, o que diz muito sobre os desafios na história da sua própria vida. 

KANYE WEST. O menino criado no subúrbio de Chicago trabalhou em uma loja de camisetas até ser contratado pelo rapper americano Kanye West, com quem permaneceu por dez anos como diretor criativo pessoal, aproveitando com inteligência, trabalho e foco cada oportunidade para abrir caminho para sua comunidade no universo da moda. Em 2012 fundou a própria marca, a Off-White, usando a versatilidade em todos os aspectos dessa construção, incluindo uma comunicação fluida nas mídias sociais. 

Em recente entrevista à modelo Naomi Campbell, Abloh disse nunca ter imaginado se tornar um estilista reconhecido, já que ninguém na área se parecia com ele. Dono de um talento único, ele mudou essa realidade e foi aclamado ao pisar na passarela após seu primeiro desfile à frente da Louis Vuitton, em junho de 2018. O sucesso da coleção foi imediato e o universo masculino ganhou novos contornos. Uma forma mais informal de se vestir foi desenhada pelo estilista e adotada por todo o mercado, imediatamente influenciado por esse olhar. 

LEGADO. Uma apresentação póstuma, que aconteceu esta semana em Miami, nos Estados Unidos, reforça a potência de seu legado. Sob o nome “Virgil was here” (em português, “Virgil esteve aqui”), a marca homenageou o estilista com uma coleção que é um perfeito exemplo do trabalho do diretor artístico. O desfile apresentou com clareza a cultura das ruas em sincronia perfeita com as tradições e heranças da icônica casa de moda francesa. Tudo pontuado por elementos alegres e formas inovadoras. 

Nós nos despedimos de Virgil Abloh com a certeza de que seu legado na moda abriu novas oportunidades para toda uma geração de jovens que agora podem ter a certeza de que existe um espaço sedimentado para a pluralidade. 

Blogueiras negras ganham até 2,5 vezes menos em campanhas e são minoria nas redes

Se militam por causas negras, podem ser consideradas engajadas demais ou, se optam por outro tipo de conteúdo, correm risco de serem canceladas por engajamento de menos
Pâmela Dias

Blogueira Bia Freire, 18 anos, participou de um curso do Observatório de Favelas Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo

A internet brasileira é um espelho ainda mais nítido da desigualdade racial do país. Das milhares de blogueiras que influenciam e abastecem de sonhos cerca de 140 milhões de usuários de redes sociais, uma minoria é negra, tem menos visibilidade, ganha até 2,5 vezes menos do que brancos faturam em campanhas publicitárias e sofre mais preconceito. Se militam por causas negras, podem ser consideradas engajadas demais ou, se optam por outro tipo de conteúdo, correm risco de serem canceladas por engajamento de menos.

Blogueiras que abriram caminho para outras negras, laboratórios de análises das mídias sociais e ONGs têm apostado em estratégias para que pretas vençam num mundo digital dominado por códigos brancos e não sejam procuradas pelas empresas apenas em novembro, mês da Consciência Negra. O apoio de que precisam fica explícito em números: dos mais de 900 mil perfis de influenciadores cadastrados na plataforma de dados da SamyRoad, empresa de marketing de influência, apenas 20% são de pessoas negras. Mesmo presentes em 56 segmentos diferentes, elas não predominam entre usuários com mais de 5 mil seguidores.

— Não importa o quão embasado e diferenciado seja o seu conteúdo, influenciadoras negras vão ficar atrás, às vezes, de perfis que só postam selfie e “comprinhas”, que se sobressaem simplesmente por serem maioria brancas da Zona Sul. Isso é cansativo, porque sempre somos empurradas para longe, mesmo sendo ótimas — aponta a influenciadora digital Cecília Boechat.

Carioca, Cecília se profissionalizou na área há dois anos e hoje soma mais de 17 mil seguidores em seu perfil no Instagram. Para conseguir tirar sua principal fonte de renda da internet, a partir de conteúdos sobre estilo de vida, movimento negro e visibilidade LGBTQIA+, precisou vencer três obstáculos: conquistar um público que curte seu estilo de postagem e sua imagem; ser vista por marcas dispostas a pagá-la pela divulgação de produtos e serviços; e lutar contra o sentimento de insuficiência fruto do racismo estrutural.

— Produzimos conteúdos para agradar nosso público e sermos notadas por marcas, que às vezes só querem nossa imagem, mas não nos remuneram. Para além de sermos convidados para falar de racismo, queremos falar da negritude, porque a consciência negra é também para exaltar nossos talentos — prega ela que, embora se posicione por causas negras, gosta de lembrar que isso é uma liberdade, não uma obrigação. — Se eu só falar de racismo não sobra espaço para tratar do meu conteúdo que é sexualidade, viagem, moda, estilo, relacionamento. É muito difícil encontrar esse equilíbrio enquanto influenciadora negra. Mas o sonho de produzir conteúdo e receber pelo meu trabalho também é um ato político e uma forma de ajudar outras mulheres.

A desvalorização no mercado ficou exposta em pesquisa feita no Brasil pela Black Influence, Site Mundo Negro, YOUPIX, Squid e Sharp, que ouviu cerca de 760 criadores de conteúdo, entre brancos, pardos, pretos, amarelos e indígenas. Os resultados mostram que os influenciadores pretos são menos contratados para campanhas de publicidade. Entre os entrevistados, 53% já tinham feito alguma campanha, porém, a proporção era 17% menor do que a da média geral das respostas. Os influenciadores brancos recebem, em média, mais do que todas as raças : algo como R$ 564 por ação publicitária nas redes. Os pretos recebem, em média, R$ 496. Os pardos, ainda menos: R$ 459.

Os criadores de conteúdo brancos ganharam em média valor mínimo por campanha foi de R$ 261,10 e a média do valor máximo de R$ 4.181,01 — estes valores de teto representam 2,5 vezes mais do que o recebido por negros. Para eles, os valores mínimos médios ficaram em R$ 235,97 e os máximos em R$ 1.626,83. Os pardos retiraram, em média, o valor mínimo de R$ 203,84 e máximo de R$ 2.384,16.

‘Empregada intelectual’

Sem pretensão de monetizar sua presença nas redes sociais, a influenciadora e assistente social Carla Akotirene usa seus posts para difundir o pensamento afrocêntrico e o feminismo negro. Mesmo assim, ao publicar uma foto sua na praia, perdeu dois mil seguidores de uma só vez.

Algumas seguidoras, inclusive brancas, consideraram que, ao mostrar a marquinha do biquíni, Carla “fortalecia o patriarcado”. Atualmente, o público dela é formado 78% por mulheres e 22% por homens.

— Quanto mais a pauta for branca, mais relevante para o algoritmo, que entende a beleza (branca) como universal. E eu sou o oposto, tenho a pele preta e posto sobre pretos — pontua. — Perco seguidores se posto foto bonita, porque a imagem da mulher negra está vinculada à cozinha. Apesar de entregar conteúdo, sou vista como a empregada intelectual que só tem direito de produzir de graça — queixa-se Carla, com mais de 140 mil seguidores no Instagram.

Para contornar as adversidades algorítmicas, Bia Freire, de 18 anos, moradora da Zona Norte do Rio de Janeiro, contou com apoio de um curso do Observatório de Favelas em agosto e setembro com aulas sobre design e mídias sociais, além de debates sobre como aguçar o olhar crítico e contar histórias que engajem. Em suas páginas, Bia revela um pouco do seu dia a dia. Ela acredita que hoje há mais influenciadoras negras, porém, com menos oportunidades de crescimento.

— Vejo várias mulheres brancas blogueiras com mais de 1 milhão de seguidores em suas redes. Agora, mulheres pretas com mais de 1 milhão são poucas. As diferenças de oportunidades são bem gritantes. É bem comum ver mulheres negras para quem as referências de blogueiras e influenciadoras são todas mulheres brancas, porque são as que têm mais seguidores, então fazem mais comerciais, aparecem mais. Infelizmente é a realidade — conta Bia, que cita como inspirações nas redes a criadora de conteúdo Emannuely Viana, que conta com cerca de 22 mil seguidores no Instagram, e a DJ Afrolai, com cerca de 45 mil.