Uso de IA em saúde provoca euforia em investidores

Uso de tecnologia altamente efetiva escalável pode ser utilizada para preservamos o que temos de mais valioso: saúde física e mental
Por Camila Farani – O Estado de S. Paulo

'Healthtechs' são as startups dedicadas à área de saúde, que têm crescido desde a pandemia de covid
‘Healthtechs’ são as startups dedicadas à área de saúde, que têm crescido desde a pandemia de covid

O futuro é promissor quando olhamos para o uso de inteligência artificial (IA) na saúde. Aqui os números dão o tom das perspectivas que se abrem.

O terceiro trimestre de 2021 foi o mais forte da hitória para healthtechs de IA. As startups de saúde que apostam na tecnologia receberam US$ 8,5 bilhões no acumulado do ano, ultrapassando 2020, que já tinha representado recorde, com US$ 6,6 bilhões.

O que explica essa euforia dos investidores? A pandemia da covid-19 destravou algumas questões regulatórias do uso da tecnologia neste setor e acelerou o aculturamento das pessoas e dos médicos para as práticas de atendimento online. Além disso, colocou um holofote na necessidade de resolvemos mais rapidamente temas urgentes para garantir a saúde física e mental das pessoas. Para reforçar esse segundo aspecto, só nos EUA, 32% das pessoas ouvidas pelo Health Research Institute (HRI) disseram ter experimentado ansiedade ou depressão como resultado da pandemia.

Qual o caminho para começar a acelerar essas respostas? A tecnologia. Especialmente quando pensamos em uma parcela importante da população que tem dificuldade de acesso aos serviços de saúde. Mais de 150 milhões de pessoas, o equivalente a 71,5% dos brasileiros, não possuem qualquer serviço de saúde suplementar, como planos médicos-hospitalares ou odontológicos, segundo dados do IBGE.

O custo da saúde é alto para os países e para as suas populações, e uma das principais propostas de valor que a tecnologia traz nesta área é, justamente, a construção de alternativas. A estimativa de um estudo da McKinsey é que,  nos EUA, a digitalização pode representar uma economia para o sistema de saúde de US$ 500 bilhões.

E não é apenas uma questão de custo. A IA traz luz para questões importantes como a construção de soluções que permitam a priorização de atendimento e a gestão da rotina médica de pacientes. E, podemos ir além, já que a sua aplicação já é uma realidade para predizer problemas de saúde, agilizando diagnósticos e melhorando as chances de cura, ou permitindo uma melhor qualidade de vida, como ao analisar instantaneamente milhões de combinações para orientar o tipo de medicação que terá melhor efeito para uma pessoa em tratamento de câncer, por exemplo.

Estamos falando do uso de uma tecnologia altamente efetiva que pode ser escalada para preservarmos o que temos de mais valioso, que é a nossa saúde física e mental. Alguma dúvida de que essa é uma aposta certeira?

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