Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa se torna maior bilheteria da história da Sony

Longa passou seu antecessor com apenas duas semanas em cartaz
NICO GARÓFALO

Sony Pictures/Divulgação

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa continua quebrando recorde atrás de recorde nas bilheterias. Depois de superar a marca de US$1 bilhão arrecadados no mundo, o longa agora se tornou, com apenas duas semanas em cartaz, no filme de maior bilheteria da história da Sony. Coincidentemente, a produção roubou a liderança de Homem-Aranha: Longe de Casa, segundo capítulo na trilogia comandada por Jon Watts (via Deadline).

A arrecadação do filme impressiona mesmo quando comparada a outros blockbusters bilionários. Depois de atingir a marca de US$516,4 milhões só nos Estados Unidos, Sem Volta Para Casa já superou a arrecadação total que Star Wars: A Ascensão Skywalker registrou em 90 dias (US$515,2 milhões) de exibição em território norte-americano.

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa conta com o retorno de vários antigos astros da franquia: de Jamie Foxx, de O Espetacular Homem-Aranha 2, novamente no papel do vilão Electroa Alfred Molina, de Homem-Aranha 2, como o Doutor Octopus.

O longa já está em cartaz nos cinemas brasileiros.

CINEMA I Estreias: Turma da Mônica: Lições, Lara

‘Turma da Mônica: Lições’ e o alemão ‘Lara’ chegam às salas da capital
HENRIQUE ARTUNI

Lara – Alemanha, 2019. Dir.: Jan-Ole Gerster. Com: Tom Schilling, Corinna Harfouch e André Jung. 14 anos

Depois de várias semanas em que os sucessos hollywoodianos foram devorando as salas de cinema, o nacional “Turma da Mônica – Lições” chega enfim aos cinemas após ser adiado por causa da pandemia. Um adiamento que teve consequências no elenco, já que os atores que encarnam os personagens mais famosos do quadrinho nacional acabaram crescendo nesse meio-tempo e ficando adolescentes.

Depois da aventura rocambolesca de “Laços”, que foi o filme nacional mais visto de 2019, o diretor Daniel Rezende adapta outra HQ para as telas, mas desta vez sobre o drama de crescer. O longa é contagiado pela riqueza do universo dos gibis, repleto de personagens e possibilidades, trazendo à baila até um multiverso à moda Marvel —por que não, um universo cinematográfico Mauricio de Sousa?

E já evidenciando o clima de fim de ano, a outra estreia nos cinemas de São Paulo é “Lara”, filme alemão que conta a história de uma mulher que, no dia de seu aniversário de 60 anos, quer ver seu filho pianista em uma apresentação decisiva. Porém, ela não foi convidada para o evento, mostrando conflitos e obsessões do passado que vão tornar esse dia ainda mais impressionante.

À parte isso, ainda há algumas sessões de pré-estreia de títulos como “Festival do Amor”, de Woody Allen, “Sing 2” e “Roda do Destino”, de Ryusuke Hamaguchi —e que devem entrar no circuito no próximo dia 6.

O ano pode estar acabando, mas a pandemia não. E então, se quiser aproveitar a telona e ainda dar alguma chance para que 2022 traga uma situação diferente, use a máscara durante a exibição, tenha sempre álcool em gel por perto e respeite as medidas sanitárias.



Lara
Alemanha, 2019. Dir.: Jan-Ole Gerster. Com: Tom Schilling, Corinna Harfouch e André Jung. 14 anos
O esforço de Lara para educar seu filho no piano foi tamanho que virou uma obsessão e desencadeou desafetos que ela, agora aos 60 anos, não gostaria de ter criado. Mas seu aniversário é também o dia de um decisivo concerto do rapaz —mas a amargura é tão excruciante que a mãe não foi convidada para o evento, o que não vai impedi-la de ir atrás do prejuízo.


Turma da Mônica – Lições
Brasil, 2021. Dir.: Daniel Rezende. Com: Giulia Benite, Kevin Vechiatto e Laura Rauseo. Livre
Essa continuação do filme nacional mais visto de 2019 coloca a trupe criada por Mauricio de Sousa em uma jornada de amadurecimento após tentarem fugir da escola. É bem diferente das piruetas do filme anterior, mas com a leveza suficiente para ser um bom entretenimento para as crianças —assim como a HQ de Vitor e Lu Cafaggi que inspirou a produção.

Marcin Biedron for ELLE Bulgaria with Aly Turska

Photographer: Marcin Biedron. Fashion Stylist: Joanna Serwus. Hair & Makeup: Izabela Jurczak. Production: Monika Biedroń. Model: Aly Turska at Xmanagement.

Benedetta Barzini, uma musa 70 + na nova campanha da Gucci Beauty

Benedetta Barzini foi capa da Vogue americana, musa de Irvin Penn, Richard Avedon e Andy Warhol. Aos 78 anos, está na nova campanha da grife italiana — e viveu uma linda história de libertação entre esses dois atos. Confira entrevista a seguir
ADRI COELHO SILVA (@VIVAACOROA)

Benedetta Barzini em campanha da Gucci (Foto: Divulgação)

Ela usou a palavra intrigante para adjetivar sua fragrância preferida, a Gucci Guilty Eau de Parfum Pour Femme, que tem pimenta rosa, patchouli e notas de âmbar em sua composição. Sendo o âmbar, segundo o release da Gucci Beauty, um meio para um efeito prolongado.

Benedetta Barzini, italiana, professora, atriz e modelo tem 78 anos e é uma mulher de personalidade intrigante , que causa “efeito” desde os anos 60. Sua beleza foi notada por Diana Vreeland, que a fez a primeira modelo italiana na capa da Vogue America. Benedetta posou para fotógrafos como Richard Avedon e Irving Penn, foi musa de Andy Warhol e Salvador Dalí.

Mas ela não gosta de memórias. Nem de sua vida anterior, ligada às imagens, que também despreza. Já vai tempo que Benedetta trocou o glamour da moda pelos estudos, se tornou e é feminista, e também ativista política marxista e professora. Ela quis desaparecer. “Detesto imagens”… “Quero desaparecer”, diz ela, referindo-ase à vontade de viver à sua forma, longe das idealizações da sociedade em que nasceu e cresceu.

Benedetta Barzini com seu pai, Luigi Barzini (Foto: Getty Images)
Benedetta Barzini com seu pai, Luigi Barzini (Foto: Getty Images)

As frases saem da boca de Benedetta mais de uma vez no filme “Disappearance of My Mother”, ou “O desaparecimento Da Minha Mãe”, em tradução livre. Lançado em 2020, o filme é um retrato de Benedetta, suas escolhas e sua vontade de “desaparecer”, de se descolar da sua vida anterior.

O documentário ganhou destaque no festival de Sundance, reconhecido pela seleção de filmes do estilo. O New York Times fez mais de uma crítica positiva, assim como a revista New Yorker. O filme é de Beniamino Barrese, o caçula entre os quatro filhos de Benedetta — e mostra uma mulher se libertando, se descobrindo e sendo quem quer ser. É forte e embora seja sobre uma conquista, não é um filme alto astral. E importante: é passado.

Agora, em 2021, quase 2022, Bendetta é a estrela da campanha de fim de ano da Gucci Beauty, a #GucciBeautyWishes. Contei toda essa história para deixar claro que para além da representatividade 70+ no mercado de beleza, a presença de Benedetta na campanha tem a ver com tentar, realizar, transformar, tem a ver com liberdade de escolha, política e tempo. Simplesmente porque Benedetta é tudo isso no hoje.

Pode ser que alguém afirme em tom de questionamento “Ah, mas ela está na campanha de uma super marca depois de dizer que detesta imagens, né”. Eu respondo: é verdade. E acrescento: está linda, livre, e está ali por escolha própria. Intrigante, não é? Eu acho. Digo mais: adorei usar intrigante como adjetivo. Leia a entrevista abaixo, que fiz via e-mail com Bendetta, e depois me conte se não é bom ficar intrigada…

Benedetta Barzini em campanha da Gucci (Foto: Divulgação)
Benedetta Barzini em campanha da Gucci (Foto: Divulgação)

Como é envelhecer para você ?
Envelhecer é uma grande descoberta. A beleza deixa de ser óbvia e ficamos mais reflexivas, pensativas. Eu gosto de envelhecer e não finjo ser mais jovem do que a idade que tenho.

Quais as 3 lições mais importantes que a vida te deu depois dos seus 50 + ?
1. Parar de me preocupar com problemas que não posso resolver; 2. Desacelerar com felicidade; 3. Deixar de procurar pelo que perdemos com a idade (cabelo; a pele perfeita, a energia)

O que você acha que o mundo deveria entender e aplicar “agora já” no que diz respeito aos direitos das mulheres?
Desde que a humanidade existe os direitos das mulheres e dos homens são esmagados. As mulheres têm um longo caminho a percorrer e os homens devem se afastar da ideia que eles têm sobre a masculinidade. Se as mulheres devem sair da escuridão que lhes foi imposta, se elas devem ganhar autoestima e analisar a sociedade masculina, os homens devem refletir por que a ideia de poder continua sendo tão importante para eles. E, acima disso, as mulheres devem trabalhar para encontrar a identidade do feminino para além do que lhes foi dito que o feminino consiste ser.

Benedetta Barzini em campanha da Gucci (Foto: Divulgação)
Benedetta Barzini em campanha da Gucci (Foto: Divulgação)

Como a moda e a beleza podem ajudar o mundo ser um lugar melhor?
moda e beleza poderiam ajudar muito se parassem de ver a mulher como um alvo e se empenhassem mais em estar realmente perto das mulheres. As mulheres ajudariam muito se parassem de obedecer cegamente à moda e à beleza. Essas ajudas seriam maravilhosas. Ajudaria muito se fosse assim.

Existe algum trecho de livro, música ou filme na sua cabeça agora? Se sim, compartilharia com a gente?
Pegar um trecho seria como pegar só a amendoa de um pedaço de bolo e deixar o resto para trás. Eu não gosto de usar palavras fora de contexto. Meu trecho seria um livro completo, uma sinfonia, um longo poema

Vamos falar sobre beleza e da nova campanha da Gucci. O que era beleza para você no passado e o que é hoje?
Eu sempre procurei a beleza dos outros. A minha beleza nunca me interessou. E a beleza que eu gosto tem bom humor, ri, não tem medo. A nova linha de maquiagens da Gucci, por sua vez, fez eu entender a diferença entre transformar a minha beleza por meio da maquiagem e destacar o meu melhor com a maquiagem, sem ficar parecendo uma outra pessoa. Eu entendi como brilhar mais como sou.

Com qual das novas fragrâncias da Gucci você mais se identificou?
Gucci Guilty é super intrigante! A vida é intrigante, o amor é intrigante, o silêncio é intrigante…o perfume é…

Eu adoraria saber o que a maternidade significa para você…
Ser mãe de quatro foi a maior responsabilidade e o trabalho mais duro que já tive. Como mãe tentei ensinar o peso da liberdade, a necessidade de disciplina e a importância de conhecer o passado para caminhar em direção ao futuro desconhecido.

Um dos seus filhos, Beniamino Barrese, fez um documentário sobre você, “O Desaparecimento Da Minha Mãe”. As resenhas e críticas foram super positivas, do Festival Sundance ao NY Times. Eu tentei assistir, mas não encontrei nas plataformas nacionais. Gostaria, por favor, que contasse um pouco sobre o filme
O filme de Ben não é sobre minha vida. Ele estava interessado em meu desejo de me afastar da sociedade em que nasci e me deu a oportunidade de mostrar a velhice tal como ela é. É o primeiro trabalho de Ben. Ele precisava começar com um assunto que tinha no coração. Não consegui dizer ‘NÃO!’

Deixaria algum recado para quem nos lê?
O Brasil e as brasileiras já têm beleza, então desejo esperança e coragem.

Morre Sabine Weiss, a última fotógrafa ‘humanista’, aos 97 anos

Sabine Weiss, que comprou sua primeira câmera aos 12 anos, imortalizou a vida simples do povo, sem ostentação e sem arrogância
AFP

Sabine Weiss
Sabine Weiss, em dezembro de 2020 Foto: Joel Saget/AFP

fotógrafa franco-suíça Sabine Weiss morreu na terça-feira, 28, aos 97 anos, em sua casa em Paris, anunciaram sua família e equipe em um comunicado divulgado nesta quarta, 29.

Nascida na Suíça em 1924 e nacionalizada com passaporte francês, Sabine, a última discípula da escola humanista francesa, morava em Paris. Foi na capital francesa, no Boulevard Murat, que instalou sua oficina, no início dos anos 1950, acrescentou sua equipe.PUBLICIDADE

Assim como Doisneau, Boubat, Willy Ronis e Izis, Sabine Weiss imortalizou a vida simples do povo, sem ostentação e sem arrogância. 

“Nunca pensei que estivesse fazendo fotografia humanista. Uma boa foto deve comover, estar bem composta e desnuda”, disse ela ao jornal La Croix. 

Simone Weiss
Paris, 1949, pelo olhar da fotógrafa Sabine Weiss, que morreu aos 97 anos Foto: Sabine Weiss

Ganhadora do prêmio de fotografia Women in Motion de 2020, Sabine Weiss protagonizou mais de 160 exposições ao redor do mundo.

Nascida como Weber em 23 de julho de 1924, em Saint-Gingolph, às margens do lago de Genebra, Sabine Weiss comprou sua primeira câmera, aos 12 anos, com o dinheiro de sua mesada. Aprendeu o ofício aos 16, em um famoso estúdio de Genebra. Chegou a Paris em 1946 e começou a trabalhar para o fotógrafo de moda Willy Maywald. 

Pioneira da fotografia do Pós-Guerra, de formação eclética e uma amante tanto das cores quanto do preto e branco, viu sua carreira decolar na Paris dos anos 1950.

Simone Weiss
Simone Weiss ficou conhecida nos anos 1950; na imagem um retrato feito na Hungria em 1982 Foto: Sabine Weiss

No ano de seu casamento, 1950, abriu seu estúdio no 16º distrito. No mesmo período, Doisneau apresentou-a à revista Vogue e à agência Rapho (hoje Gamma-Rapho). Ela então começou a frequentar os círculos artísticos da época, retratando Stravinsky, Britten, Dubuffet, Léger, ou Giacometti. 

Trabalhou para revistas renomadas como NewsweekTimeLifeEsquire Paris-Match, e foi bem-sucedida nos mais diverso tipos de registro: da reportagem (viajou muito), à publicidade e à moda, passando pelo entretenimento e pela arquitetura.

De personalidade discreta e menos conhecida do grande público que outros fotógrafos de sua geração, essa mulher efervescente de pouco mais de um metro e meio afirmava nunca ter sofrido “discriminação” de gênero.

Acima de tudo, Weiss percorreu, incansável, a capital francesa, às vezes com o marido, o pintor americano Hugh Weiss, muitas vezes à noite, para congelar momentos fugazes: trabalhadores em ação, beijos furtivos, idas e vindas no metrô… Com sua câmera, afirmava ela, gostava de capturar a garotada, mendigos, ou sorrisos, com os quais ia cruzando nas ruas. 

“Na fotografia, fiz de tudo”, declarou à AFP, em uma entrevista em 2020. 

“Fui a necrotérios, fábricas, fotografei gente rica, tirei fotos de moda (…) Mas o que fica são apenas as fotos que tirei apenas para mim, sobre a caminhada”, completou. 

Simone Weiss
 Pont Neuf, em 1949. Para Sabine Weiss, uma boa foto deve comover, estar bem composta e desnuda Foto: Sabine Weiss

Prolífica e generosa, em 2017, legou cerca de 200 mil negativos e 7 mil folhas de contato para o Museu do Eliseu, em Lausanne. 

“Não sei quantas fotos tirei”, disse à AFP em 2014, “de qualquer modo, isso não significa muito”.

Hugh Jackman testa positivo para covid-19 e musical ‘Music Man’ é nova vítima do vírus na Broadway

Com sintomas leves, ator deve ficar fora do musical até o dia 6 de janeiro
Jill Serjean, Reuters

Em quarentena, Hugh Jackman diz apresentar sintomas leves de coronavírus 

O revival do musical da Broadway The Music Man, o espetáculo mais badalado de Nova York, teve de cancelar nesta terça-feira, 28, suas apresentações por cinco dias após o astro Hugh Jackman testar positivo para a covid-19

No último dos espetáculos da cidade a ser vitimado pela nova onda de coronavírus, Jackman disse em sua conta no Twitter que tinha apenas sintomas leves, incluindo a garganta irritada e o nariz escorrendo, e que em breve ele estaria liberado para estar novamente no palco. 

Os produtores anunciaram que todas as exibições do musical seriam canceladas até o dia primeiro de janeiro. 

Jackman testou positivo após sua coestrela Sutton Foster adoecer com o coronavírus na semana passada, e ser substituída por uma suplente. Foster retorna no dia 2 de janeiro, mas Jackman deve ficar de fora até o dia 6 de janeiro.

Dezenas de espetáculos, entre eles HamiltonO Rei Leão e Aladdin, foram forçados a cancelar apresentações nas últimas duas semanas, enquanto o vírus se alastra pela cidade apesar da obrigatoriedade da vacina para elenco, equipe e público.

Alguns deles, como o show de Natal dos Rockettes no Radio City Music Hall, foi suspenso completamente, enquanto musicais como Jagged Little Pill e Ain’t Too Proud fecharam semanas antes do que era previsto por conta do avanço de casos e baixas vendas de ingressos durante a normalmente movimentada temporada de final de ano. 

Ulrikke Skotte-Lund Vogue Scandinavia By Dennis Stenild 

Photographer Dennis captures the digital creator and body positive activist ULRIKKE SKOTTE-LUND for the September issue of Vogue Scandinavia. 

Shirley Cheng for Vogue Greece

Nail Artist Shirley Cheng for Vouge Greece December Cover with Marisa Tomei. 

Editor-In-Chief, Thaleia Karafyllidou – Creative and Fashion Director, Nicholas Georgiou – Art Director, D. Andrianopoulos – Photographer, Michael Schwartz – Fashion Stylist, Ryan Young – Hair Stylist, Michael Silvahair – Makeup Artist, James Kaliardos – Art Direction, Katelyn Mooney. 

Designer Jader Almeida expande marca pelo país, com modelo de negócios em que leque amplo de produtos não prescinde da originalidade

Jader reputa boa parte de seu sucesso comercial aos anos de chão de fábrica: ‘A experiência me deu uma percepção sólida do funcionamento dos negócios, da matéria-prima à distribuição’
Eduardo Simões

O designer Jader Almeida Foto: Renata Larroyd
O designer Jader Almeida Foto: Renata Larroyd

Quando entrou para a faculdade de Arquitetura, no fim dos anos 1990, Jader Almeida tinha meio caminho profissional andado. Com os cursos técnicos que fizera antes, já havia acompanhado in loco diversas etapas da produção moveleira em sua cidade natal, Chapecó, no polo do segmento em Santa Catarina. Mal tinha chegado à maioridade, demonstrava facilidade para criar soluções técnicas e até mesmo ferramentas.

Aos 40, Jader atua há 20 anos como designer e há uma década como arquiteto. Em 2021, consolidou a expansão de sua marca pelo Brasil: com flagships em Florianópolis e Balneário Camboriú (SC), acaba de abrir uma loja em Belo Horizonte (MG) e, em breve, inaugura em Ribeirão Preto e Campinas (SP). Em outubro, chegou à capital paulista, com um espaço de três andares, onde expõe cerca de 600 itens, entre mesas, luminárias, poltronas e as best-sellers de sua produção, as cadeiras, 25% do portfólio.

Jader prevê para 2026 seus primeiros endereços internacionais, em outros países da América Latina e também nos Estados Unidos Foto: Divulgação
Jader prevê para 2026 seus primeiros endereços internacionais, em outros países da América Latina e também nos Estados Unidos Foto: Divulgação

Jader reputa boa parte de seu sucesso comercial aos anos de chão de fábrica. “A experiência me deu uma percepção sólida do funcionamento dos negócios, da matéria-prima à distribuição. Isso me ajudou a estabelecer as bases para uma produção sustentável, com qualidade impecável, numa curva ascendente nos últimos 18 anos, em que nunca tive resultados negativos”.

Jader prevê para 2026 seus primeiros endereços internacionais, em outros países da América Latina e também nos Estados Unidos. Na Europa, expõe regularmente na Semana de Design de Milão. Na Ásia, as criações já chegam à China e a Cingapura, a partir de um distribuidor em Hong Kong. Ao êxito nas vendas corresponde uma recorrente apreciação positiva da crítica, corroborada por uma lista de mais de 50 prêmios.

O pendor para o ofício manifestou-se cedo: adolescente, certa vez reproduziu uma perspectiva de edifícios que vira num calendário, porque o desenho o “fascinava”. Com lápis carvão, copiava capas de discos, de bandas como Iron Maiden. Na indústria, via “um componente mágico na solução técnica dos desafios” dos projetos que chegavam às suas mãos. Mas, o despertar para uma produção autoral veio somente em 2000, quando Jader viu obras de Joaquim Tenreiro numa mostra em São Paulo. “Meu mundo se transformou. Eu enxergava apenas a coisa material, a engenharia das peças. Com os designers modernistas, tive um insight. Para usar uma metáfora, antes, eu vivia num mundo em preto e branco, depois passei a viver noutro, em cores”.

Ambiente com móveis de Jader Almeida Foto: Divulgação

O grande ponto de virada da carreira aconteceu em 2008, quando a cadeira Bossa ganhou o Prêmio Museu da Casa Brasileira. Com assento e encosto de palha, a peça ganhou variações diversas ao longo dos anos, madeiras diferentes e também versões estofadas. Seu amplo leque de produtos tem hoje 430 itens originais. Contando os modelos derivados, são mais de mil peças.

A madeira é “protagonista, mas também uma questão de conjuntura industrial que não permite sustentabilidade ao uso de outros materiais”. No entanto, o designer sempre traz novas experiências ao portfólio, peças com metais, vidros moldados e soprados ou mármore, entre outros. O designer diz ter ousado com latão, “num momento em que era cafona por alguns distribuidores”. Com a mesa Dinn, de 2008, quebrou um paradigma: “À época, a tendência eram peças de laca, coloridas, de alto brilho. Aí criei uma mesa superminimalista”, explica.

O que suas criações têm em comum? “São produtos silenciosos”, responde. “Eles coexistem com objetos pessoais, obras de arte, itens do cotidiano, com a vida das pessoas”.