Designer Jader Almeida expande marca pelo país, com modelo de negócios em que leque amplo de produtos não prescinde da originalidade

Jader reputa boa parte de seu sucesso comercial aos anos de chão de fábrica: ‘A experiência me deu uma percepção sólida do funcionamento dos negócios, da matéria-prima à distribuição’
Eduardo Simões

O designer Jader Almeida Foto: Renata Larroyd
O designer Jader Almeida Foto: Renata Larroyd

Quando entrou para a faculdade de Arquitetura, no fim dos anos 1990, Jader Almeida tinha meio caminho profissional andado. Com os cursos técnicos que fizera antes, já havia acompanhado in loco diversas etapas da produção moveleira em sua cidade natal, Chapecó, no polo do segmento em Santa Catarina. Mal tinha chegado à maioridade, demonstrava facilidade para criar soluções técnicas e até mesmo ferramentas.

Aos 40, Jader atua há 20 anos como designer e há uma década como arquiteto. Em 2021, consolidou a expansão de sua marca pelo Brasil: com flagships em Florianópolis e Balneário Camboriú (SC), acaba de abrir uma loja em Belo Horizonte (MG) e, em breve, inaugura em Ribeirão Preto e Campinas (SP). Em outubro, chegou à capital paulista, com um espaço de três andares, onde expõe cerca de 600 itens, entre mesas, luminárias, poltronas e as best-sellers de sua produção, as cadeiras, 25% do portfólio.

Jader prevê para 2026 seus primeiros endereços internacionais, em outros países da América Latina e também nos Estados Unidos Foto: Divulgação
Jader prevê para 2026 seus primeiros endereços internacionais, em outros países da América Latina e também nos Estados Unidos Foto: Divulgação

Jader reputa boa parte de seu sucesso comercial aos anos de chão de fábrica. “A experiência me deu uma percepção sólida do funcionamento dos negócios, da matéria-prima à distribuição. Isso me ajudou a estabelecer as bases para uma produção sustentável, com qualidade impecável, numa curva ascendente nos últimos 18 anos, em que nunca tive resultados negativos”.

Jader prevê para 2026 seus primeiros endereços internacionais, em outros países da América Latina e também nos Estados Unidos. Na Europa, expõe regularmente na Semana de Design de Milão. Na Ásia, as criações já chegam à China e a Cingapura, a partir de um distribuidor em Hong Kong. Ao êxito nas vendas corresponde uma recorrente apreciação positiva da crítica, corroborada por uma lista de mais de 50 prêmios.

O pendor para o ofício manifestou-se cedo: adolescente, certa vez reproduziu uma perspectiva de edifícios que vira num calendário, porque o desenho o “fascinava”. Com lápis carvão, copiava capas de discos, de bandas como Iron Maiden. Na indústria, via “um componente mágico na solução técnica dos desafios” dos projetos que chegavam às suas mãos. Mas, o despertar para uma produção autoral veio somente em 2000, quando Jader viu obras de Joaquim Tenreiro numa mostra em São Paulo. “Meu mundo se transformou. Eu enxergava apenas a coisa material, a engenharia das peças. Com os designers modernistas, tive um insight. Para usar uma metáfora, antes, eu vivia num mundo em preto e branco, depois passei a viver noutro, em cores”.

Ambiente com móveis de Jader Almeida Foto: Divulgação

O grande ponto de virada da carreira aconteceu em 2008, quando a cadeira Bossa ganhou o Prêmio Museu da Casa Brasileira. Com assento e encosto de palha, a peça ganhou variações diversas ao longo dos anos, madeiras diferentes e também versões estofadas. Seu amplo leque de produtos tem hoje 430 itens originais. Contando os modelos derivados, são mais de mil peças.

A madeira é “protagonista, mas também uma questão de conjuntura industrial que não permite sustentabilidade ao uso de outros materiais”. No entanto, o designer sempre traz novas experiências ao portfólio, peças com metais, vidros moldados e soprados ou mármore, entre outros. O designer diz ter ousado com latão, “num momento em que era cafona por alguns distribuidores”. Com a mesa Dinn, de 2008, quebrou um paradigma: “À época, a tendência eram peças de laca, coloridas, de alto brilho. Aí criei uma mesa superminimalista”, explica.

O que suas criações têm em comum? “São produtos silenciosos”, responde. “Eles coexistem com objetos pessoais, obras de arte, itens do cotidiano, com a vida das pessoas”.

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